terça-feira, agosto 19, 2008

Espírito Olímpico

A comitiva olímpica portuguesa está a ter um comportamento bem abaixo do esperado, quer dentro quer fora da competição.



Obikwelu, Naide Gomes, Telma Monteiro e João Neto seriam (a par de Nélson Évora e Vanessa Fernandes) fortes candidatos a medalhas de ouro.


Os quatro falharam.


Assim como eles falharam, também outros atletas - que não se apresentavam como favoritos nas suas áreas de competição - estiveram mal nas eliminatórias e, pior ainda, depois dos maus resultados.


Não resisto a colocar aqui algumas das frases mais bonitas :
"de manha so é bom é na caminha, pelo menos comigo"
"lutei contra os árbitros"
"nao concorri por ter ficado bloqueado"
"estava bem, fiz o aquecimento bem. A única explicação é que, infelizmente, não sou muito dada a este tipo de competições."
"não vale a pena concorrer dada a forte concorrência africana"
"a poluição não permite melhores resultados"


Nas primeiras declarações, proferidas por Marco Fortes, ao que apurei, estamos a falar de um atleta que não é profissional, não tem treinador e conta apenas com a ajuda de um antigo lançador ucraniano que o auxilia nas horas vagas. Não invalida a infelicidade das palavras de MF, mas acaba por se compreender.


Nas segundas, há que perguntar: será assim algo tão difícil de crer? É alguma novidade o facto dos árbitros serem "caseiros"? Eu não sei porque não vi, mas pelo que foi descrito em alguma comunicação social, não me parece descabido o que o judoca disse.


Já nas duas que se seguiram, há que compreender que uma competição deste calibre pode ser perturbadora para certo tipo de personalidades. Nem todos lidam da mesma forma com a pressão. Nem a Naide Gomes que está habituadíssima a participar em provas internacionais! E acredito que a atleta que disse que nao era "dada a este tipo de competições" queria simplesmente dizer que estas provas não lhe costumam correr bem. Agora, se teve resultados que lhe permitiam ir aos Jogos Olímpicos, quem é que devia ir? Ela que trabalhou para isso ou alguém que fosse mais forte psicologicamente?


Quanto às duas últimas, já me parecem mais difíceis de "engolir".
Quer dizer, se não vale a pena concorrer, porque é que foram para Pequim? E mais. É que a desculpa da poluição é, no mínimo, estranha. Que eu saiba o ar está poluído para todos.


Por fim, gostava de falar da Vanessa Fernandes.

Sim, sim, parabéns porque ganhou a prata no Triatlo.
Mas eu dou-lhe a medalha de cortiça pelo espírito de camaradagem e pelo espírito desportivo.


Para começar, se for mesmo verdade que a atleta ficou numa vivenda fora da aldeia olímpica com a família paga pelo CO, há que louvar o tratamento VIP dispensado à Vanessa.

Depois, acho engraçado que ela tenha elogiado o "excelente" desempenho de Bruno Pais (17.º) e Duarte Marques (44.º) no triatlo. Sobretudo quando outros atletas, estreantes em Jogos Olímpicos como os dois referidos, conseguiram marcas tão "positivas" como as do Bruno Pais e do Duarte Marques. Será que a Vanessa só os elogiou porque são "coleguinhas" de modalidade?


Mais, Vanessa Fernandes disse que certos colegas de selecção "não assumem a responsabilidade deles, começam a julgar coisas exteriores. A desculpar-se ou a criticar alguém ou alguma coisa. É patético. É a pior coisa que um atleta pode fazer".


Pois é, então e é patético a Vanessa ter as condições de treino que tem e o tratamento VIP que está a ter em Pequim comparando com o amadorismo de outros atletas que se qualificaram com tanto ou mais esforço e sacrifício que a menina Vanessa? E é assim tão patético que as pessoas assumam que não têm estofo para competir com os africanos? Ou que não conseguem lidar com a pressão que é estar nos JO? Se trabalharam para estar lá, iam dizer "epá, eu não sei se vou conseguir lidar com a pressão, por isso mandem alguém mais fraco e que não tenha conseguido os meus resultados".


Concluindo, depois de tantos elogios à medalha de prata da Vanessa Fernandes lembrei-me das críticas da mesma aos colegas:


"Acho que falta atitude. Falta mesmo. Terem um pouco a consciência do que é um evento como estes. Isto tem de vir mesmo do coração e não sinto muita gente a vir com isso cá dentro. Vêm cá e... pronto. Olha, está feito. Aqui tens de competir a fundo, mas isso é que é difícil".


Antes disso já tinha afirmado que "a alta competição não é brincadeira nenhuma. Não é fazer meia dúzia de provas, andar a receber uma bolsa e está feito. Muitos não vêem bem a realidade das coisas. Não têm a noção do que isto significa. Se calhar por termos facilidades a mais".


Dá-me vontade de rir.

Só a alusão às facilidades a mais mostra que VF não tem noção da realidade, o que se compreende, já que na vivenda com os papás fora da aldeia Olímpica deve ser difícil comunicar com os restantes colegas de comitiva e saber as condições em alguns treinam.

Depois, a Vanessa Fernandes, que é só e apenas a detentora do Recorde Mundial de vitórias na história do Triatlo Mundial, chegou a Pequim, fica em segundo lugar e diz que a medalha de prata "É mais do que ouro".


Ora bem, ou somos todos parvinhos e, de repente, a prata é mais que o ouro e ninguém nos avisou, ou a Vanessa Fernandes está a considerar que o facto de ter andado a ganhar todas as provas em que entrou e chegar aos Olímpicos e ficar em segundo é um sinal da sua atitude de quem compete sempre a fundo.

Não percebo é como, no meio de tanta atitude e tanta dedicação e tanto profissionalismo, a Vanessa não fez o que era habitual. Ou será que ela fez "meia dúzia de provas" e depois em Pequim não deu o seu melhor?





FOI PROFUNDO

segunda-feira, agosto 18, 2008

Ainda há gente assim

Depois de muito se falar mal dos estrangeiros em Portugal, de se bater na comunidade que escolheu Portugal para país de acolhimento, eis que o grupinho de maldizentes teve uma bela resposta.

Francis Obikwelu nasceu na Nigéria e veio parar a Portugal. Aos 15 anos, quando trabalhava nas obras, teve uma mãozinha de uma professora que arranjou maneira de colocar o ex-campeão africano dos 400metros no atletismo do Belenenses, depois de ter sido recusado por Sporting e Benfica.

Mais tarde, chegou ao Sporting e daí acabou por chegar à selecção nacional portuguesa.
O atletismo não é propriamente um desporto mediático (a não ser quando se tinha o Carlos Lopes ou a Rosa Mota e, mais tarde o Rui Silva e a Fernanda Ribeiro a correr em provas internacionais) e, talvez por isso, nunca se tenham ouvido os protestos do costume. Talvez também por Obikwelu só se ter tornado um nome conhecido quando começou a vencer provas e a arrecadar medalhas. Sim, porque se trouxer medalhas já pode ser português.



Obikwelu chegou aos Jogos Olímpicos como candidato a uma medalha mas acabou por não passar das meias-finais.
Desilusão?
Sim, um pouco.

Mas Obikwelu fez aquilo que é muito raro ver um atleta fazer.
Pediu desculpa por não ter cumprido os objectivos e, mais que isso, pediu desculpa aos portugueses pelo dinheiro investido na sua ida aos Jogos Olímpicos.
O habitual é ver atletas a reclamar que não têm condições - e com razão - quer ganhem, quer não ganhem.
Francis Obikwelu foi treinar para Espanha mas não deixou de representar nem o Sporting nem Portugal.
E também não deixou de ser humilde.

Mais que isso.
Obikwelu conseguiu chegar onde chegou graças a muita gente que decidiu ajudar o rapazola de 15 anos que tinha vindo para Portugal para tentar ter uma vida melhor e estava a trabalhar nas obras.
E não se esqueceu dessas pessoas.
Francis Obikwelu anunciou a criação de uma Fundação no Algarve, a primeira região de Portugal onde morou, e que servirá para integrar jovens entre os 6 e os 14 anos no desporto e, para além disso, irá promover a integração social.
A Fundação será à partida sediada em Albufeira e o luso-nigeriano pretende, desta forma, "ajudar meninos e meninas, tirá-los da rua e colocá-los a praticar desporto", segundo palavras do próprio.

Um exemplo de quem consegue olhar para trás e agradecer o que o país fez por ele e, desta forma, tentar retribuir.
Agora é uma questão de esperar que o país saiba reconhecer o que Obikwelu fez por Portugal.


FOI PROFUNDO!

quarta-feira, agosto 06, 2008

O Apocalipse é português

Alguém se lembra do anúncio do fim do mundo para 2000?

Alguém se recorda de quando se fez constar que o mundo ia acabar na passagem de 31 de Dezembro de 1999 para 1 de Janeiro de 2000?


Pois é, agora parece que o apocalíptico final do mundo passou para 2012.





Ora bem, isto cheira-me que há dedo português nisto tudo.

Se o Apocalipse devia ter chegado no ano 2000 e afinal só vem lá para 2012, é provável que tenha havido alguma derrapagem orçamental.

E quem diz derrapagem orçamental diz algum embargo da responsabilidade do Sá Fernandes.

Ou algum erro de projecto que tenha obrigado a calcular de novo o impacte (ou impacto? nunca entendi) ambiental que o apocalipse possa vir a ter no planeta. É que acabar com o Homem tudo bem, agora, destruir o habitat de espécies em vias de extinção é que não pode ser!


Eu cá vou continuando a viver a vida como se o mundo fosse acabar amanhã mas tendo sempre em atenção que pode ser que não acabe...





FOI PROFUNDO!

segunda-feira, julho 28, 2008

A fonte da discórdia

O mundo está cada vez pior e o nosso cantinho aqui à beira do mar não é excepção.





Depois dos acontecimentos da Quinta da Fonte muito se discutiu sobre o alastrar da violência e dos confrontos raciais.





Na minha modesta opinião, tudo nasce porque o Estado está de mãos atadas.

E porquê?


Cá segue mais uma das minhas teorias.


Aqui há uns anos, o governo francês tentou "correr" com os imigrantes ilegais do país. Resultado: a comunidade internacional caiu-lhe em cima. Porque era racista, porque não estava a ser sensível, não estava a levar em conta o facto da maior parte deles terem ido para França a fugir dos problemas dos seus países.


Aqui temos imensos imigrantes chegados de África, dos países de Leste e do Brasil, todos em busca de uma vida melhor.

Mas, pergunto eu, e não procuramos todos uma vida melhor?


Muitos entram ilegais e, como fica mal a Portugal correr com esses imigrantes ilegais, procurou-se facilitar a sua legalização.

Como se isso não bastasse, muitos deles são explorados ou mandam a maior parte dos seus rendimentos para a família e vivem sem condições, então lá os vemos a morar em barracas, em edifícios abandonados ou até na rua.


Juntamente com estes, temos os ciganos, povo nómada, que sempre optaram por viver em tendas e casas desmontáveis, para um dia estarem aqui e no dia seguinte noutro lugar.

Essa tradição passou de moda e a tenda já não serve.


Resultado?

Imigrantes ilegais e ciganos (os imigrantes romenos são, em boa parte, ciganos) resolveram protestar porque queriam mais condições, queriam uma casinha, queriam uma casinha maior, queriam uma casinha melhor.


O estado português não tem outro remédio... dá habitações sociais. O mais engraçado - que nem tem graça nenhuma - é ver as famílias nas suas casas novas a dizerem que "falta isto" e "falta aquilo" e "não tem espaço" ou "não tem condições"...


Também é interessante ver como ficam as casas depois de algum tempo de "ocupação". Nota-se bem que as casas lhes foram oferecidas, tal é o estado em que se encontram. Sei que pode parecer exagero da minha parte, mas muitas delas são autênticas pocilgas!


E também há aquelas que estão equipadas com tudo do bom e do melhor. É claro que depois surge a dúvida: comprado ou roubado? Não sei... Mas seja qual for acaba por dar em algo negativo: ou são ladrões ou então querem uma habitação social e depois esbanjam dinheiro...


Vivemos numa sociedade multicultural e o nosso país é um bom exemplo disso. Mas parece que é bem diferente termos diversas culturas no país e termos diversas culturas num bairro. Dá asneira. E da grossa, como se viu.


Pior que isso, vemos que andam milhares de jovens à procura de casa e só encontram preços astronómicos e taxas de juros galopantes. E depois aparecem imigrantes ilegais e um monte de malta com belos currículos no capítulo criminal e qual é a punição? São deportados? São presos?

Não. Tomem lá casinhas a preço da chuva!


E volto a frisar uma questão: a culpa é do Governo?

Acho que não.

Volto a afirmar que acredito que a culpa é da mentalidade que defende que não se pode tocar nas "minorias étnicas" nem nos "taditos" dos imigrantes que saem dos seus países em busca de uma vida melhor.
Sim, porque eles podem ter direito a uma vida melhor, mas quem mora cá não.


É que isto de direitos iguais é uma coisa muito bonita mas na prática não é o que se vê...


E é bom que as pessoas reparem bem nisto, afinal não são apenas os mais poderosos que beneficiam de algumas facilidades legais e económicas.


Para terminar, digam-me uma coisa. Racismo/xenofobia não se baseiam em tratamentos diferentes com base na côr da pele, etnia...? Então e não é isso que acontece nos casos expostos?



FOI PROFUNDO!

quarta-feira, julho 23, 2008

Está decido!

Vou escrever um livro.
Não sei sobre o que escrever.
Sou muito novo para escrever memórias, demasiado pragmático e realista para escrever um romance e um diário meu teria demasiadas partes censuradas.
Mas...sobre quê?

Sei que vou escrever um livro.
Agora falta decidir o assunto.

A minha vida dava um filme, será que daria um bom livro?


FOI PROFUNDO!

quarta-feira, julho 16, 2008

O correcto e o politicamente correcto

Há dias saiu uma notícia no DN que dava conta de um projecto de lei do CDS/PP que tenta impedir que um pedófilo condenado possa adoptar.



Prestem atenção ao pedaço que extraí:


O CDS/PP apresenta hoje três projectos de lei de protecção a crianças em risco. Nuno Magalhães e Teresa Caieiro foram os principais autores dos diplomas. Um dos projectos visa impossibilitar que pedófilos condenados - mas já com penas cumpridas - possam adoptar crianças. A possibilidade disto acontecer foi tornada pública pelo procurador-geral da República após uma conferência realizada na Assembleia da República, em 20 de Maio passado, sobre o tema "Crianças desaparecidas e exploradas sexualmente - segurança na Internet". Pinto Monteiro disse na ocasião a jornalistas que existe o "perigo real" de indivíduos que abusaram de menores poderem adoptar, pelo facto de os crimes desaparecerem dos registos criminais cinco ou dez anos após o cumprimento da pena.Aliás, segundo o preâmbulo do projecto do CDS/PP, na mesma ocasião a presidente do Instituto de Apoio à Criança, Manuela Eanes, manifestou-se "estupefacta" pelo facto de os representantes do Ministério Público nos tribunais de menores não terem acesso aos registos criminais quando estão em causa acções de inibição do poder paternal.Propondo a alteração de alguns artigos da Lei de Identificação Criminal, o CDS/PP pretende resolver as "incongruências da lei e das lacunas que podem permitir a prática de crimes hediondos". O articulado estabelece (artigo 15) que "não são passíveis de cancelamento as decisões sobre o crime de maus tratos e sobre crimes contra a liberdade pessoal, quando a vítima seja menor, ou sobre crimes contra a liberdade ou autodeterminação sexual" - ou seja, uma condenação, por exemplo, por pedofilia manter-se-á sempre no registo criminal.Ao mesmo tempo, o CDS/PP mexe ainda no artigo 7.º da Lei: "Podem ainda aceder à informação sobre identificação criminal os magistrados judiciais e do Ministério Público para fins de investigação criminal e de instrução de processos criminais, de processos que envolvam menores e de processos de execução de penas."


Ora bem, não posso dizer que discorde da ideia dos Populares, mas aquilo que pretendo fazer nas linhas que se seguem é ir um pouco mais fundo nesta questão.


Começo por um detalhe muito simples. O cadastro desaparece? Será mesmo? Ou essa condenação passa a estar disponível apenas para algumas entidades/autoridades? Ou seja, só são abertos quando essa pessoa se torna suspeita de algum crime. Por isso, adeus prevenção, olá investigação posterior à acção.


Qual é o problema aqui?

É a fé na regeneração das pessoas que choca com o que seria uma medida preventiva. O facto de se acreditar que as pessoas são capazes de mudar (inclusivamente os seus instintos) passa por dar penas de X anos e não penas de morte, passa por dar liberdade condicional por bom comportamento...e passa por "limpar" os registos X tempo depois de cumprirem pena.


Eu entendo bem quem critica que o sistema funcione desta forma, agora, imagina que eras condenado por algo, por exemplo, por pedofilia.

Mas eras inocente.

Saías da prisão e eras recusado continuamente em entrevistas de emprego devido ao cadastro que te apontava como pedófilo.

Imagina que os teus vizinhos trancavam os filhos cada vez que passavas...

E estou a falar no caso de uma condenação errada.

E não sou maluquinho quando falo disto, basta ver quantas das testemunhas do caso Casa Pia já prestaram falsos testemunhos, quantas já admitiram ter sido pagas, quantas já admitiram que afinal não se lembram bem ou quantas já retiraram ou alteraram os testemunhos.


Mas então e se de facto o indivíduo em causa for mesmo podófilo?


O politicamente correcto, aquelas tretas que se prendem com os direitos humanos também devem ser aplicados a quem "prevarica".

Ou seja, os políticos (e o sistema judicial) não podem marcar um pedófilo como se fosse gado porque têm de se basear no pressuposto de que o sistema judicial funciona.

Ou seja, as penas devem ser correccionais.

Por isso, as penas atribuídas devem ser vistas como o tempo necessário para punir mas também para regenerar o "prevaricador".

Todos sabemos que isso não é bem assim, mas o sistema funciona dessa forma.


Resultado: segundo este pressuposto, passado um tempo de ter cumprido pena, o pedófilo tem o registo limpo. Que é como quem diz, o estado determina que há um período necessário para avaliar/confirmar a regeneração dos pedófilos.

Se eles aguentam esse tempo sem "prevaricar" então é porque o sistema funciona.

O Estado ao aceitar essa proposta do CDS/PP estaria a reconhecer que o sistema judicial não funciona. E mesmo que toda a gente saiba que não funciona de uma forma perfeita ou ideal, o Estado não vai nem pode admitir isso.


É pela fé na capacidade que o ser humano tem de mudar e se tornar uma pessoa melhor que existe a liberdade condicional. Obviamente que se um indivíduo sai da cadeia e comete um crime volta lá para dentro e vê a pena agravada.

Agora pergunto-me: se uma pessoa que cumpriu uma pena por pedofilia sai da cadeia e tem mesmo o instinto de ir logo perseguir criancinhas, é natural que não aguente os cinco anos necessários para ficar com o cadastro limpo.


Mas isto é apenas uma tentativa de perceber como o sistema funciona. Não estou a favor da legislação actual nem da proposta do CDS/PP. O meio termo serviria. E qual seria o meio termo?
Acompanhamento do pedófilo (ou, confiando na regeneração, do ex-pedófilo)? Seria mais um encargo para o Estado. Alargamento do período necessário para desaparecer o cadastro? Isso levaria a uma discussão sobre qual seria o tempo necessário para "passar a pedofilice". Garantir o acesso ao cadastro em certas situações, dentre elas a candidatura à adopção.

Digo eu, que não percebo muito sobre justiça...



FOI PROFUNDO!

quinta-feira, julho 10, 2008

Ser o mano...

Quem é que não recebe aqueles mails com focas a serem torturadas, com raposas a serem trucidadas, com coelhos a serem esfolados, com golfinhos a serem degolados, com gatos e cães a sufocar antes de virarem banquetes ou, simplesmente, sobre as touradas?

Alguém acredita que há algum país onde não se torturem animais, onde não existam seus rituais bem antigos que consistem em fazer algo estúpido e desenquadrado da realidade e que usam os animais para diversão humana?

Para além dos emails com fotos e textinhos também costumo receber petições online.

Agora, pergunto-me: qual a utilidade dessas petições? São eficazes? São bem sucedidas?

Para não variar, tenho a(s) minha(s) teoria(s).

A natureza tem a sua forma de fazer as coisas (Natureza VS Deus) e em tempos o topo da cadeia alimentar estava ocupado pelos dinossauros (ou dinossáurios, segundo alguns entendidos).

O que lhes aconteceu?

Desapareceram.

Foram sucedidos no topo por predadores como leões, tigres, pumas e outras bestas selvagens - o tigre dentes de sabre era o meu favorito.

O que lhes aconteceu? Estão no zoo ou estão extintos...

Agora foram substituidos pelo homem, também ele um predador - e bem mais perigoso e letal.

Apesar de ter desenvolvido uma série de técnicas que lhe permitiram proteger-se das espécies dominantes, apesar de ser racional, optou por, por exemplo, caçar por desporto e não apenas para subsistir, optou por matar para ter luxos estúpidos, optou por manter rituais que vêm de tempos (ultra)passados.

Alguém consegue explicar isto?

Então expliquem porque é que milhares de pessoas de juntam com velinhas nas mãos em Fátima.

Expliquem-me porque é que no México e noutros países da América (Central e do Sul) milhares de pessoas de auto-flagelam e outros milhares assistem.

Expliquem-me porque é que se matam pessoas desde sempre na "Guerra Santa", porque é que se mataram pessoas na Santa Inquisição.

E porque é que se destroem países por causa de petróleo, porque se extermina metade da população de um país porque há duas etnias, porque é que se torturam prisioneiros de guerra, porque é que o Zé Manel da esquina espetou um tiro ou uma facada porque lhe disseram que a mulher o andava a trair ou porque é que a Cátia Vanessa mandou ácido pra cara do ex-namorado porque ele decidiu deixá-la...

E porque é que os países alcançam um consenso internacional em assuntos como o desenvolvimento de armas de destruição maciça ou os níveis de poluição e depois ninguém respeita as decisões alcançadas...

E, para terminar, expliquem-me porque é que há pessoas que gostam de ter sexo com crianças, porque é que há quem viole bebés e há quem viole mulheres de 80 e tal anos. E expliquem-me como é que há gente que gosta de ter sexo com cadáveres.

Explicação?



Ora bem, experimentem misturar o instinto animal que corre no nosso sangue com a estupidez humana, essa mesma que corta o fluxo de sangue que devia alimentar as funções cerebrais.

É mais ou menos por aí...


Nota: Não nos podemos esquecer que fazemos parte de uma espécie em que a grande maioria dos elementos acredita em anjos e em entes divinos mas duvidam de provas científicas como os testes de ADN.
E também somos todos irmãos uns dos outros...mas uns devem ser filhos bastardos. Tirando a religião católica que defende que somos todos irmãos, incluindo "fíeis e infíeis", depois também há irmãos por grupos mais restritos.


FOI PROFUNDO!

sexta-feira, julho 04, 2008

O autocarro dos malucos

Medo! Medo! Medo!


Eu nunca tive uma grande relação com os transportes públicos.

Em Coimbra preferia andar a pé, mesmo que fosse para atravessar a cidade. Esperar uma eternidade por um autocarro? Não há paciência!

Ir no meio daquele misto de odores que vão desde o maratonista que não toma banho desde 1982 até ao senhor que acha que melhor que um duche é encharcar-se em Brut? Não, obrigado!



Em Lisboa ando de Metro e Carris e, antes de chegar o calor, sempre foi tranquilo e até agradável.

Agora com o quentinho parece que há uma malta que gosta de ir fermentar o cheirinho a queijo e cebola para o meio do Metro a abarrotar.

E na Carris não muda muito. Então no final do dia é um suplício! Ninguém explica que quando se está a cheirar mal por baixo dos braços então não convém andar a levantar as asinhas! Eu não pago o meu 7 Colinas para andar numa câmara de gás com rodas!


Bem, isto é o dia-a-dia. Sair de casa, entrar no 28 em direcção ao Restelo, sair em Santa Apolónia, entrar no Metro para o Marquês de Pombal. Quando termina o trabalhinho, lá vou eu para o Metro de novo, Marquês até Santa Apolónia e de lá pulo para o 28 em direcção à Portela.


Hoje comecei o dia de uma forma quase caótica. Pelo menos psicologicamente eu fiquei naquele ponto em que me apetecia pegar num bato morto e desatar a bater com ele em meia dúzia de pessoas até ele miar!


Entro no autocarro e levo os meus óculos de sol colocados e vou a ouvir Smashing Pumpkins no volume máximo. Começo a notar um som meio estranho no meio da música. Era uma senhora que ia três filas atrás de onde eu ia sentado. A criatura ia a falar com a companheira do lado como se estivesse a falar de uma margem do Tejo para a outra!


Seguinte.

Entra um casal poucas paragens depois. O senhor resolveu que era surfista e andava em pé a abanar-se como se estivesse em cima de uma prancha, depois não conseguia sentar-se. Com os solavancos todos do percurso ainda temi que caísse alguém ao meu colo. Depois de conseguir sentar-se, descobriu um saco de plástico que andava pelo chão por baixo do assento. Esteve uns segundos a fazer algum esforço para o tirar enquanto ia conversando com duas maduras que estavam sentadas ao lado e à frente e lá conseguiu ficar com o saco livre, leve e solto à sua frente. Olhou para o saco e com o pé empurrou-o para onde? Para o meio do autocarro, onde toda a gente passa. Escusado será dizer que o saquinho que estava parado e não fazia mal a ninguém passou a enrolar-se nos pés de quem ia entrando e a ser levado pelo vento de um lado para o outro...

Muito esperto, ó Ti Jaquim!


Se isto já tinha sido meio estranho, pior foi quando entrei no Metro.

Como de costume, em Santa Apolónia estariam 10 pessoas distribuídas por todas as carruagens.

No Terreiro do Paço já entraram mais umas pessoas mas, ainda assim, estava quase vazio.

Um senhor que deveria ter o peso proporcional à sua idade veio na direcção dos três lugares livres ao meu lado e frente e, para gáudio da minha pessoa, optou por se sentar entre mim e a janela! Eu respirei fundo para encher a caixa toráxica e ele se sentir apertado. Resultado: nenhum. Continuou como se nada fosse. Baixa-Chiado, Restauradores, Avenida, Marquês, sempre com os dois lugares vagos e sempre colado a mim de tal forma que sentia a respiração e o batimento cardíaco do homem!

Credo!


Anda de Transportes públicos! É bom para o ambiente e é melhor que ir ao circo!





FOI PROFUNDO!

quinta-feira, julho 03, 2008

ERSEs gajos são doidos!

A ERSE (Entidade Reguladora do Sector Energético) decidiu repartir pelos clientes cumpridores da EDP as dívidas "incobráveis".


Eu soube disto na véspera da notícia ter saído na comunicação social e foi algo que causou um enorme espanto no seio de algumas pessoas na EDP.

Entretanto a posição da DECO já veio no sentido contrário a esta medida, apesar de constar que, inicialmente, não seria bem assim.


Estou a escrever este pequeno texto - vai ser pequeno porque não gosto de falar de mais do que sei - porque hoje recebi um email com uma cordilheira de incorrecções sobre este assunto.


Vejam estes artigos que encontrei sobre o assunto:

Agência Financeira

Diário de Notícias

Diário Económico (1)

Diário Económico (2)



Ora bem, falemos de valores.

São cerca de 12,5 milhões de euros.
Muito dinheiro, certo?

E como é que a ERSE propõe que se pague?

De uma forma que quase nem traria oposição:
2 euros por cliente, a pagar num período de dois anos, ou seja, 2 euros divididos em 24 tranches.
Nem faz mossa.


A questão aqi não é o peso na carteira.
É uma questão de princípio.


Agora há quem não cumpra então vamos cobrar a quem cumpre.
Boa lógica!


É que ainda consegue ser pior do que a fábula em que o lobo queria comer o cordeiro e usa a célebre frase "se não foste tu, então foi o teu pai".
Aqui nem há qualquer relação entre quem cumpre e quem não cumpre.

Querem ir ao bolso de quem cumpre!


E, tal como nas fábulas, isto tem uma moral a retirar: não vale a pena pagar porque alguém o vai fazer por nós.


Duas notas finais.
(Com esta senti-me um Rui Santos!)


1) a decisão é da ERSE, não é da EDP. É correcto dizer que quem sairá favorecido com esta medida é a EDP mas a responsabilidade é totalmente da Entidade Reguladora, como tal há que ver a quem se aponta o dedo.


2) entre os maiores devedores encontram-se hospitais e câmaras municipais. Ou seja, o Estado e as Autarquias. Isso mesmo, aqueles que insistem em cobrar serviços e taxas por tudo e por nada e nos atiram com prazos e juros a torto e a direito... esses mesmos não sabem cumprir.


"Faz o que eu digo, não faças o que eu faço".





FOI PROFUNDO!

nota: no email que anda a circular, queixa-se o autor da falta de divulgação deste facto por causa da EDP. Detalhe: a EDP não pode pronunciar-se sobre o assunto enquanto decorrer o período de consulta pública a cargo da ERSE.

quarta-feira, junho 25, 2008

O Rei morreu

É triste mas é verdade.
Morreu George Carlin, um dos maiores e melhores comediantes do mundo.
Desbocado, inconveniente, atento, sarcástico, ofensivo, viperino, genial. Estas palavras não chegam para descrever nem um milésimo do talento que agora se foi.

Tinha um estilo muito próprio e único de fazer "stand up" e atacava toda a gente. Lembro-me de ver um espectáculo dele em que se ouve GC dizer "oh! he's not going to attack the children! YES HE IS! Fuck the children!".

Espreitando na wikipédia:

"George Denis Patrick Carlin (Nova Iorque, 12 de maio de 193722 de junho de 2008) foi um comediante, ator e autor norte-americano, pioneiro, com Lenny Bruce, no humor de crítica social. A sua mais polémica rotina chamava-se "Sete Palavras que não se podem dizer em Televisão", o que lhe causou, durante os anos setenta, vários dissabores, acabando preso em inúmeras vezes que levou o texto a palco.
Até meados da década de 1960, Carlin manteve uma imagem tradicional, com fato e cabelo curto. Depois, ao escrever novo ato, decidiu deixar crescer o cabelo e a barba, tornando-se um ícone da contracultura. Crítico acérrimo das religiões, principalmente do sentido da culpa e do controle social, defendia aparentemente valores seculares.
Aplaudido por vários colegas, como Lewis Black, tido como seu sucessor, George Carlin chegou ainda a participar em vários filmes e séries de TV. Dublou ainda filmes de animação, como Carros e outros.
Morreu em um hospital de Los Angeles de paragem cardíaca, depois de, nos últimos 20 anos, ter passado já por um enfarte e duas cirurgias ao coração. Sobrevive-lhe a sua segunda mulher e sua filha."

Isto não é nada, pelo menos se compararmos com a versão americana, em que vem uma fabulosa citação do comediante:


My grandfather would say: "I'm going upstairs to fuck your grandmother". He was an honest man, and he wasn't going to bullshit a four-year-old." George Carlin, "Carlin on Campus"

Dêem uma espreitadela ao que diz sobre Carlin.
Aproveitem e passem pelo youtube.

Deixo-vos alguns pequenos vídeos de um grande comediante.








FOI PROFUNDO!

quinta-feira, junho 19, 2008

Igualdade

Aviso: quem não gosta do politicamente incorrecto não deve ler o texto que se segue.

Escolhi pegar em três grupos que pregam a igualdade: mulheres, deficientes (ou como quiserem chamar) e pretos (não são pessoas de côr, não são laranja, nem rôxo nem nada que se pareça).



Devo dizer, logo para começar, que não se trata de uma generalização total, só pretendo focar o texto numa parcela, aquela parcela que tem comportamentos com os quais eu não concordo.

Comecemos pelas mulheres e pelo seu desejo por serem tratadas de forma igual aos homens. Então porque ainda permanece a distinção entre trabalhos para mulheres e para homens? E não me refiro aos cargos de direcção, refiro-me ao trabalho pesado. Alguém viu alguma pedreira ou alguma trolha? Alguém viu alguma mulher do gás? (a jovem modelo do anúncio da GALP não conta)

E porque é que as mulheres reclamam que são vistas como objectos sexuais e depois usam tops decotados com se lêem bonitas expressões como "sexy", "doll", "sex machine", "hot" e coisas do género? Porque é que tiram fotos ao espelho da casa de banho em lingerie e as espetam como foto de perfil do hi5? Porque é que metem aquelas tretas brilhantes no peito para chamar a atenção?

Porque é que querem ser tratadas com igualdade e depois se queixam que hoje em dia não há cavalheiros? O cavalheirismo é um sinal de diferenciação! O homem tem de puxar a cadeira para a menina se sentar, tem que abrir a porta para a menina entrar...

Igualdade...o tanas!

E os pretos? (eu sei, a expressão parece racista. Mas não é nem eu o sou)

Queixam-se de serem tratados de forma desigual e de serem colocados de parte.

Ainda me lembro do antigo bar da Associação Académica de Coimbra, onde havia o canto dos guinienses, o canto dos são tomenses, o canto dos cabo-verdianos, o canto dos angolanos, onde se juntavam, por sua própria vontade e iniciativa, ficando isolados no seu pequeno gueto.

E critico isto porque tenho amigos de vários PALOP que não se ralam com a côr ou nacionalidade. Inclusivamente, conheci há uns anos um moçambicano, o Emílio, com quem passei uma viagem inteira a trocar anedotas supostamente racistas. E rimos a bandeiras despregadas.

E mais, os mesmos que se queixam de falta de igualdade são aqueles que entram na faculdade com estatuto especial, que são filhos de diplomatas e que vivem numa redoma, isolados dos "pulas".

Agora o mais complicado.

Os deficientes.

Mas alguém acredita que pode haver uma igualdade de tratamento? Acham que todos podem desempenhar as mesmas funções?

O facto dos edifícios terem de contemplar estruturas adequadas para pessoas com deficiências motoras, a existência de sinalização sonora para os cegos, livros e brochuras em braille para os cegos, legendas para os surdos; tudo isso aponta para que tenha de haver um tratamento diferenciado. Diferente é o antónimo de igual. E este tratamento diferenciado é realista!

Agora, o que não se pode fazer é tratar os deficientes como coitadinhos.

E dou-vos dois exemplos.

A minha colega de curso Ana Morais. Cega. Fez o curso como qualquer outra pessoa mas precisava dos livros em braille e fazia os exames numa sala diferente. E isso fazia dela uma pessoa diferente? Sim. E não. Ela convivia e continua a conviver com toda a gente sem se passar por coitadinha. Aliás, durante as praxes ouvi-a dizer "vamos jogar à cabra cega! eu sou a cabra!". E nas aulas, virava-se para os professores e dizia: "ó professor, não estou a ver nadinha!".

Uma miúda excelente.

E o Paulo?

Um rapaz que já teve direito a reportagem na SportTv e na SIC porque não tem pernas nem braços.

Mas esse rapaz, que não tem pernas nem braços, conduz, joga futebol (spider style!), escreve, fuma...leva uma vida normal. Acho que só o vi pedir ajuda para descer escadas e é porque as próteses não dão jeito nenhum.

E foi esse mesmo rapaz que, numa mesa do bar da faculdade, se vira para os presentes e diz: "vou contar-vos uma anedota. era uma vez um gajo sem pernas nem braços...".

Tipo fantástico!

Vi-o há pouco tempo por Lisboa com a namorada e agora está num curso de actor e aparece em telenovelas.

E nunca o vi a fazer-se de coitadinho.

Mulheres que se queixam que se um homem não as deixam passar à frente e o chamam de mal-educado; pretos que se queixam que, só porque alguém é menos lesto a resolver alguma coisa, ou porque lhes dão um encontrão na noite, ou faz algo que lhes desagrade, é logo racismo; ou deficientes que reclamam prioridade nas filas... Isso é incorrecto.

Não tem nada a ver com igualdade ou diferenciação...tem a ver com ser tratado com mordomias e privilégios.

Finalizando, quero abordar o tema das quotas.

Quotas para mulheres no parlamento, quotas para pretos no ensino superior (isto existe no Brasil), são algo que me choca e algo do mais redutor que pode existir para alguém.

Já alguém ouviu falar em mérito próprio?

As mulheres vêem vedado o acesso a lugares de destaque? Cada vez menos isso acontece, é uma questão dos tempos e vai sendo resolvida, principalmente pela demonstração de capacidades superiores por parte de várias mulheres. As quotas podem servir para meter gente incapaz em lugares que não merecem só com base no género/sexo.

E as quotas no ensino superior?

Dizia-me um colega que estas surgiram porque as "minorias" (que bela expressão) normalmente têm menos possibiliades e não podem ir para colégios caros, ao contrário dos brancos ricos que compram as notas.

Belo argumento. Isso não acontece só aos pretos! Acontece a brancos pobres! Tentar ter direitos extra com base na côr é triste e, mais uma vez, redutor.

"Todos diferentes, todos iguais".

Esta foi uma expressão bonita que eu gostava de actualizar.

Que tal "todos iguais apesar das diferenças"?

Espero que tenha ficado bem explícito que pretendo apontar o dedo a quem pretende servir-se das suas diferenças para exigir uma igualdade falsa que não é mais do que usar uma característica particular para ter direito a favorecimentos.


FOI PROFUNDO!

Melhor que humor negro!

Hip Hip Hurra ao humor vermelho!

O Benfica adquiriu o estatuto de queixinhas, pedinte e bobo da côrte nestes últimos tempos.

A bem dizer, pedinte já é há algum tempo. Lembram-se da Operação Coração?

Agora, perante a hipótese de ver o Futebol Clube do Porto arredado da disputa da Liga dos Campeões, o Benfica foi a correr à UEFA fazer queixinhas.

Dizia um benfiquista da minha família que o Benfica tinha toda a razão em ter ido à UEFA uma vez que era o principal interessado no afastamento do FCP da Champions.

Não discordo.

E até reconheço legitimidade ao Benfica para o ter feito, embora ache infantil.

E também admito que faço alguma força para que o FCP fique mesmo na LC uma vez que é o clube que melhor tem representado o país nas competições europeias.

Mas, vejamos agora o lado deprimente/humorístico da questão.

Pelos vistos, um representante da Federação Portuguesa de Futebol, terá dado uma resposta que, para além de pouco clara, para além de estranha por demonstrar desconhecimento de um facto que devia ser do domínio do senhor em causa, ainda seria desfavorável às pretensões encarnadas.

E agora para a risota total.

Visto o seu triunfante percurso para a Liga dos Campeões esfumar-se, o Benfica, pelos seus dirigentes, vem exigir à FPF uma indemnização por danos morais e não sei que mais!


Acho engraçado que o Benfica, numa época em que nada fez, tenha tido moral para se "fazer" a um lugar na LC. Também acho que os dirigentes benfiquistas devem ter uma moral enorme para, primeiro, se acharem no direito de ir à Champions, depois, para se acharem (mais uma vez) os defensores da justiça e terem ido à sede da UEFA fazer queixinhas do FCPorto, logo, toda esta história foi mais que favorável à moral dos moribundos benfiquistas, conquistadores de um honroso 4º lugar na principal liga portuguesa.

E onde foram os senhores buscar o valor de 30 milhões de euros? O Benfica acha que ia fazer 30 milhões com a ida à LC? Com quê? Prémios por vitória? Por passarem da 3ª eliminatória? Por se classificarem na fase de grupos? Por chegarem à final? Por vencerem? E mais direitos televisivos?

Vejam os casos de Liverpool e Manchester United.
Os primeiros amealharam 31 milhões de libras e os segundos 30 milhões de libras, num somatório de prémios da Champions, receitas televisivas e receitas de bilheteira.

O SLB pretende exigir uma soma correspondente a uma carreira ideal na Champions League, o que é sinónimo de moral no seu auge.

Ora, isto é exactamente o oposto do que os dirigentes do clube da Luz alegam.
Não vejo onde estão os danos.

Para os lados do Colombo os egos andam inchados como sempre...especialmente para quem conseguiu um 4º lugar num campeonato onde o FCPorto cilindrou e deixou os dois grandes rivais a léguas.


FOI PROFUNDO!

segunda-feira, junho 16, 2008

Queria um relato decente, por favor...

Fui passar o fim-de-semana prolongado ao Algarve e só quando lá cheguei é que me lembrei que Portugal iria jogar.

Sendo o jogo domingo ao final da tarde isso queria dizer duas coisas.

Voltaria mais tarde para Lisboa e teria de ver o jogo na TVI.

Medo...

Muito medo...



Eu tenho visto os jogos na Sportv e até agora acho que a única grande bacorada que ouvi foi a de um relatador que disse que o Kuyt era avançado do Feyennord.



Ver o jogo na TVI é um risco, embora não seja tão mau como na SIC.


De facto, quando ouço a voz do Sousa Martins fico receoso...

Mais receoso fico quando, logo no início da partida o ouço dizer que o Quaresma tinha cruzado uma bola de trivela. Nem seria nada espantoso, não fosse o facto de ter sido um "toque de letra", ou seja, um movimento bem mais complexo e, como devem calcular, visivelmente diferente.


O grande problema do Sousa Martins é que ele é pitosga.

Aliás, só isso explica que, quando o Nani bateu um livre directo e Pepe, vendo que a bola não ia para o alvo, decidiu tentar emendar a trajectória, tenha sido descrito pelo jornalista da TVI como "um lance estudado".


Mais tarde, num cruzamento da Suíça ao qual ninguém chegou, o SM disse "Senderos a desviar!"... Pois... com os olhos! E nem assim resultou, já que a bola seguiu a sua trajectória, que é como quem diz SEM DESVIOS!


Como em tudo na vida, há sempre seguidores.

O comentador, uma personagem que não faço a mínima ideia de quem seja, depois de ouvir o SM dizer "Portugal não tem jogado com canhotos mas hoje tem um em campo, Miguel Veloso", rematou a seguinte pérola: "sim, mas Cristiano Ronaldo joga com os dois pés".

Ena ena!

Agora se joga com os dois pés é canhoto?

Ó senhor que eu não sei o nome nem imagino quem seja, a palavra ambidextro diz-lhe alguma coisa?



Mais valia irem buscar malta à Rádio Universidade de Coimbra para fazer estes relatos do Euro.





FOI PROFUNDO!

quinta-feira, junho 12, 2008

Eu seja ceguinho!

Esta é daquelas expressões mesmo infelizes.
Em honra de quem a usa:

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FOI PROFUNDO!

quarta-feira, junho 11, 2008

Esgotado!

Passam pouco mais de trinta minutos da meia-noite.

Estava quietinho na cama a ler um livrinho e a ouvir Muse quando ouço pela janela alguém gritar assim: "Acabou tudo. Tudinho. A barata e a cara, já não há nada!".

Foi o combustível.

Quando cheguei a casa para ver o Portugal X República Checa já estava uma fila impressionante que se estendia para dentro da rotunda da zona sul do Parque das Nações. O autocarro em que vinha teve de parar quase em terceira fila tal era a quantidade de carros alinhados à espera de vez para abastecerem.

Entrei em casa e fiquei a ver o jogo. Portugal já ganhava por um golo.

Ao intervalo fui à janela e o caos parecia não ter fim. Nem com a selecção a jogar o pessoal arredava rodas.

No final do jogo fui fazer o jantar e a curiosidade levou-me de novo à janela.

A fila continuava imensa mas estavam também no local dois carros da polícia.

8 agentes tentavam controlar o trânsito e dividiam-se entre o interior do posto, o acesso ao mesmo posto e a estrada onde estava o aglomerado de veículos.

Entretanto, saem quatro polícias que levam duas placas onde estavam colados avisos. Já estavam esgotados alguns combustíveis. O primeiro foi o gasóleo normal.

Isto passou-se pouco depois das 20 horas.

Até agora o movimento de carros no entra e sai das bombas da Repsol abrandou mas continou bem acima do normal.


Tudo isto porquê?

Por causa da paralisação dos camionistas.

Os hipermercados e supermercados estão a ficar de prateleiras vazias por todo o país. Em Coimbra, dizia-me o meu pai, não há uma única bomba com combustível.


E tudo isto porquê?

Porque, ao contrário dos restantes tugas, os camionistas e seus patrões decidiram ser firmes. Até demais. Já houve um morto. Mas nestas coisas há sempre exageros, normalmente não chegam a este extremo. Mas não é uma andorinha que faz a Primavera nem é por morrer uma andorinha que esta acaba, perdoem-me a minimização do que se passou. É trágico sim senhor.


Muitos dizem que os camionistas só estão a pensar neles e não querem saber de mais ninguém. Eu pergunto: então e os senhores que reclamam por causa do preço dos combustíveis e, quando parecia estar tudo mobilizado para um boicote massivo...eis que tudo pensou no seu umbigo. Era porque os outros postos estavam cheios, era porque estavam com pressa, era porque o tanque estava quase no fim... O bom umbiguismo português no seu melhor.


Depois vem a velha questão de bater no ceguinho.

Quem é o culpado?

É o Governo!

É o Sócrates e os seus ministros.


Será?

Então acham que baixar os impostos é a solução não é?

Ora prestem bem atenção.

O Governo aqui há uns tempos baixou os impostos dos ginásios não foi?

E o que aconteceu?

Ficou tudo na mesma em termos de preços.

O que mudou?

Mudou que os senhores dos ginásios começaram a ter lucros maiores. Até os que baixaram ligeiramente os preços.


É que é isso que pode acontecer se o Governo decidir baixar os impostos sobre o petróleo e seus derivados.

Os senhores da GALP, BP e Repsol (e Total e etc) vão fazer as suas continhas e vão enganar o bom do tuga. Os cálculos vão ser algo do género: descer os preços dos combustíveis de forma que a diferença entre a descida dos impostos se sobreponha à descida dos preços, para aumentar ainda mais os lucros.


Quando é que o português vai abrir os olhos?

Quando é que vamos ver que os coitadinhos dos senhores dos bancos têm de aumentar as taxas de juro porque o Banco Central Europeu também aumentou e depois os senhores dos bancos apresentam os maiores lucros de sempre?

Quando é que vamos ver que os senhores dos hipermercados compensam os preços de uns produtos com os preços de outros e acabamos por ser sempre os financiadores dos barquinhos e carrinhos e casinhas dos senhores administradores?


Vejam o caso da EDP, que nem é um exemplo de exploração como as gasolineiras, em que os funcionários foram aumentados em 1,8% e o CEO se auto-aumentou em 118% (sim, são cento e dezoito) bem como aos restantes administradores.

Porquê?

Nas palavras do senhor Mexia, porque são os administradores que geram as mais-valias para a empresa.

Tipo barco negreiro. Os escravos remam mas o capitão/comandante é o responsável pelas descobertas. O pessoal quer lá saber se o Tião e o Arsénio trabalharam que nem uns animais para levar o barco a bom porto. Deles não reza a História.


Por isso, tuguinhas, reclamem com os senhores dos camiões, reclamem com o Governo, encham os depósitos e as despensas. Mas não pensem, ok?


Como diz uma letra dos Tu Metes Nojo... o bom do tuga é como a nêspera. Anda ali na árvore, não faz nada, só trata de si...um dia vem uma velha e zás! comeu-a!

Isso! Continuem a ser comidos e a reclamar com a velha errada!




FOI PROFUNDO!

segunda-feira, junho 09, 2008

Dr. Não-Faz-Nem-Nunca-Fez-Nenhum

Na última entrevista da Judite de Sousa o convidado foi Manuel Alegre.


Mais uma vez, uma entre muitas, o senhor recebeu o epíteto de doutor. E digo epíteto porque não é título.

Ele não tirou curso nenhum.
O senhor não terminou o curso de Direito.
Por castigo político, foi chamado para a tropa.
Em Angola, esteve preso e foi reenviado para Coimbra, com residência fixa.
Depois, exilou-se e foi figura marcante da oposição portuguesa em Argel, ficando o curso para trás.


Ninguém lhe retira o papel que desempenhou na luta verbal contra o regime fascista mas desde quando é que isso dá equivalência a um curso?
Ou o facto de ser um aclamado poeta, também isso não lhe dá equivalência a uma licenciatura.


As pessoas, principalmente os jornalistas, talvez se sintam receosas de o tratar por senhor, mas doutor? Façam-me o favor!


O senhor Manuel Alegre, que é uma pessoa sempre tão frontal e justa, tem problemas em
assumir frontalmente e repôr a justiça no seu tratamento?
Porque não diz, como já ouvi outros políticos dizer "olhe, eu não sou doutor".
Orgulho?


Termino este post com uma pequena menção.

O senhor Manuel Alegre é um feliz habitante do Parlamento, não é um deputado.


Lembro-me do senhor ser eleito por Coimbra, cidade pela qual nunca fez nada, nem sei se alguma vez terá feito (mas aqui a culpa pode ser minha e o desconhecimento pode ser por falta de informação da minha parte) e não o vejo fazer nada de produtivo nem nunca o vi fazer.

É um palrador, fala fala fala e usa demagogia.

Quando Judite de Sousa lhe perguntou quais os projectos ou propostas que tinha ele falou em termos gerais e evasivos como "macroeconomia" e "reunir com especialistas para estudar" em vez de mostrar que realmente tem ideias e não passa a vida a ser uma carraça do próprio partido.


Dr Manuel Alegre, licenciado em falar e nada fazer.



FOI PROFUNDO

24 horas de má qualidadezinha

Muitas vezes dou por mim a perguntar aos meus botões: "porque é que eu resolvi ser jornalista?".
Não porque não goste da profissão, mas porque vejo televisão, ouço rádio, abro jornais, vejo páginas de internet de órgãos de comunicação e fico desgostoso.
Mas foi isto que ensinaram a alguém?
Porque é que não há um jornalista rico que monte um órgão de comunicação e o ponha a trabalhar como deve ser? Quer dizer, se for rico deve preferir os lucros à qualidade...mas isso são pormenores.


Ora bem, estava eu a passear na feira do livro quando uma amiga me diz que gostava muito dos livros do José Rodrigues dos Santos. Acredito. Dizia-me ela que se notava que o pivot da RTP tinha feito uma pesquisa excelente. Também acredito.


A questão, para mim, é: como é que um jornalista com a responsabilidade do JRS tem tempo para fazer pesquisa e escrever um romance? E dois?

É que há sempre um lado que sai a perder e isso vê-se quando comete algumas gafes (ver post sobre "martinfer") típicas de quem não faz o "trabalho de casa" bem feito.


Mas passemos para outra estação.

Recordo os noticiarios da SIC apresentados por Rodrigo Guedes de Carvalho. Recordo especialmente como ele se preparava para os apresentar. Todos a trabalhar para ele e o RGC a passear ou sentado de pernas esticadas e pés em cima da secretária. Maravilha!
E outra... Marta Atalaia, apresentadora do Opinião Pública, que apresentava o programa depois de ter três pessoas a preparar um dossiê, perguntas e a trabalhar para ela...enquanto a senhora falava ao telefone ou andava não sei por onde. Preparar o tema? Para quê?

Talvez tenha sido azar e eu os tenha apanhado em dias maus.


Eu da TVI nem queria falar. O Júlio Magalhães já viu melhores dias e a Manuela Moura Guedes...bem, a Manuela Moura Guedes na gala da TVI a falar sobre o que é o bom jornalismo é o mesmo que o Hitler usar a Estrela de David.


Nos jornais o panorama nem está assim tão mau. Leio meia dúzia deles todos os dias, incluindo 24 Horas, Global, Metro e Destak.

Não se pode exigir muito dos últimos três mas sempre se podia pedir que tivessem um pouco mais de cuidado e qualidade no que escrevem.


O 24 Horas é uma aberração. Leio-o pela mesma razão que lia a revista Super Interessante.
É um "freak show".

Começa logo com uma anormalidade que assina como Gracinha de Sousa Botelho, que tem como objectivo na vida ler e dissecar tudo o que o Correio da Manhã diz. Pouco mais.
Só o nome, Gracinha, mete dó e é sintomático dos distúrbios de quem escreve.


Pelo meio, muita notícia que não o é.
É porreiro saber que o filho do Jorge Sampaio andou a correr, não é? E que não sei quem andou às compras não sei onde. E que fulano saiu à noite, que cicrano tem um casaco novo e beltrano não se chateou com a ex-namorada, ao contrário do que o 24Horas tinha dito anteriormente.


A finalizar, a coluna de Carlos Castro.
Tenho pena que, com tanto acelera que há em Lisboa, ainda nenhum tenha chocado de frente com o senhor. De preferência um transporte público...podia ser amarelo...e podia ser daqueles articulados...
Que triste que o homem é! (eu também não devo ser muito alegre, se não nem o lia).
É amigo de todos, conhece todos, sabe de tudo e prevê tudo!
E afirma-se jornalista!


Agora percebem porque me pergunto o porquê de ter decidido ser jornalista?
Isto está crítico!




FOI PROFUNDO!

Ecologia não compensa

Não gosto muito do copy/paste mas neste caso justifica-se:


Em 1996, as primeiras viaturas eléctricas de produção em série, os EV1 (Electric Vehicle 1), foram fabricados nos EUA pela General Motors, e circularam pelas estradas da Califórnia.



Eram viaturas rápidas:
faziam dos 0 aos 100 km/h,
em menos de 9 segundos !
E silenciosas !



Não produziam nenhum gás de combustão (nem sequer tinham tubo de escape)

Eram facilmente recarregáveis com energia eléctrica na garagem de casa.





Dez anos mais tarde, estes carros do futuro desapareceram completamente!
Em primeiro lugar, estas viaturas não podiam ser compradas, mas únicamente alugadas!
Os contratos de aluguer não foram, pura e simplesmente, renovados.
A General Motors recuperou todos os EV1, apesar da oposição dos seus utilizadores
A GM destruiu todas estas viaturas!

Em 1997, a Nissan apresentou o modelo eléctrico Hypermini no salão de Tokyo.

O Município da cidade de Pasadena (Califórnia - EUA) adoptou esta viatura como veiculo profissional para os seus empregados.



Essencialmente era muito apreciado pela sua facilidade de manobra e estacionamento, e ainda pela sua grande operacionalidade em se movimentar dentro da cidade.
Em Agosto de 2006, expirou o contrato de aluguer das referidas viaturas, entre o Município de Pasadena e a Nissan.
O Município tentou comprar as viaturas mas a Nissan recusou peremptoriamente.

A Nissan recuperou todas as viaturas para as destruir!

Em 2003, a Toyota decide parar a produção do RAV4-EV. (EV - veiculo eléctrico)

Este 4x4 eléctrico, um produto de alto refinamento tecnológico, era muito apreciado pelos utilizadores.


Em 2005, os contratos de aluguer das viaturas, expiraram.
A Toyota imediatamente se apressou a recuperar todos estes veículos afim de os destruir!


Mas entretanto, alguns cidadãos americanos começaram a organizar-se:
A associação “DontCrush” entra em acção para tentar salvar os RAV4‑EV.
Esta associação fez pressão sobre a Toyota durante 3 meses.
Finalmente a Toyota recuou e autorizou, os que alugaram estes veículos RAV4‑EV, a comprá-los.

Curiosamente enquanto que os veículos eléctricos são destruídos em massa, os de combustão são bem protegidos.

Os “lobbies” das grandes companhias petrolíferas não querem que os veículos eléctricos sobrevivam e assim vão fazendo guerras no Médio Oriente por causa do petróleo e matando pessoas em todo mundo com a poluição dos combustíveis!



E agora, digo eu, considerando que isto seja verdade, em que raio de mundo vivemos nós?Anda tudo com preocupações ecológicas e depois manda-se para o lixo um projecto que poderia ser revolucionário?

Se calhar o problema é esse...

Vivemos numa era em que o que é revolucionário é mau.

Antes, veio a Revolução Agrícola...foi bom.
Depois, a Revolução Industrial...ui que bom!
Mais tarde, a Revolução Tecnológica...maravilha!

Cá em Portugal, 1974 trouxe a Revolução dos Cravos...tirando os dias em que uma malta suspira por Salazar, foi suberbo!
Agora, uma Revolução Ecológica? Uiiii que medo!

Sabem qual é a diferença?
Todas as anteriores serviram para enriquecer os ricos, até o 25 de Abril. Aliás, "até" é uma palavra que nem fica ali bem, porque com o Estado Novo tudo pertencia ao Estado. Era bonito se hoje em dia PT, Galp, Edp e outras grandes empresas cotadas em Bolsa pertencessem somente ao Estado.
Agora, uma Revolução Ecológica? Viver da Natureza? Isso é muito barato, não dá lucros.

E depois, lá se iam os combustíveis à base do petróleo, lá se ia toda uma indústria onde mamam tantos ricos e poderosos, desde aqueles que o procuram, aos que o retiram, refinam, transportam, vendem...e os que produzem armamento para que se lute por causa do petróleo ou por causa da mísera passagem de um "pipeline".

Por isso, carros que não andem a gasóleo ou gasolina...são poucos e a maioria cabe numa mão e anda nos bolsos das criancinhas...


FOI PROFUNDO!

Acham que os combustíveis estão caros?

No dia 21 de Maio recebi um email que me surpreendeu.
Li, fiquei meio espantado e até pensei em escrever sobre isso.

No entanto, faltava algo que me obrigasse a pôr mãos à obra.

Na sexta-feira passada trocaram a minha impressora do trabalho por uma novinha em folha. Vinha ainda na caixa e tudo.

Hoje, estive a imprimir umas coisas, perto de trezentas páginas e, surpresa das surpresas, quando ia a pouco mais de metade da tarefa, a impressora ficou sem tinta.
Estranho! Então a impressora é nova!
Mas isto tem uma explicação.

Ora leiam:



O que é que custa quase 4600 € o litro e nem é para beber?
Resposta: TINTA DE IMPRESSORA!


Há não muito tempo, as impressoras eram caras e barulhentas.
Com as impressoras a jacto de tinta, o mercado doméstico mudou, pois
fomos seduzidos pela qualidade, velocidade e facilidade dessas novas
impressoras.
Aí veio a grande golpada dos fabricantes: oferecer impressoras cada
vez mais baratas, e fazer tinteiros cada vez mais caros.
Uma HP DJ3845 vendida nas principais lojas por 70 € vem com um
conjunto de tinteiros.
A reposição dos dois tinteiros (10 ml o preto e 8 ml o de cor), fica à
volta de 45 €.
Nos modelos mais baratos, o conjunto de tinteiros pode custar mais do
que a própria impressora.
Pode acontecer que valha mais trocar a impressora do que fazer a
reposição dos tinteiros!
Para piorar, de uns tempos para cá passaram a DIMINUIR a quantidade de
tinta (mantendo o preço).
As impressoras HP1410 e 3920 que usam os tinteiros HP 21 e 22, vêm
agora com tinteiros só com 5 (cinco) ml de tinta!
Um Cartucho HP, com uns míseros 10ml de tinta custa 19 €.
Isto dá 1.9 € por mililitro.
Só para comparação, Champagne Veuve Clicquot City Travelle custa por
mililitro 0.43 € .
A Lexmark vende um tinteiro para a linha de impressoras X, o tinteiro
26, com 5,5 ml de tinta de cor por 25 €.
Fazendo as contas: 1000ml / 5.5ml = 181 tinteiros x 25 € = 4525 €
4525 € por um litro de tinta!
Com este valor podemos comprar aproximadamente:
- 300gr de OURO;
- 3 TVs de Plasma de 42';
- 45 impressoras que utilizam este tinteiro;
- 4 notebooks;
- 8 Micros Intel com 256 MB.

Depois desta bela exposição, falei com um dos camaradas da informática da empresa e perguntei o que sabia sobre o assunto.

Basicamente, os senhores vão fazendo impressoras cada vez mais fracas, mais leves para pouparem no material e poderem, desta forma, baixar os preços, inflaccionando os preços dos tinteiros.

E o zé povinho...paga!!!

Eu é que não compro impressora nenhuma!


FOI PROFUNDO!

Português Suave

Lembro-me de, há uns bons anos, alguém ter contacto que, durante o Antigo Regime, um certo indivíduo chegou a uma tabacaria e pediu "Era um Português Suave..." mas acentuando o "Suave" e dizendo-o de uma forma sarcástica, uma vez que o dono da tabacaria era um suposto bufo da PIDE. O sujeito em questão foi detido passado pouco tempo.

E isto vem a que propósito?

Vem a propósito dos portugueses suaves que povoam este jardim à beira-mar plantado.

Quer dizer, andei durante dias e dias a receber mensagens e emails e o raio-que-o-parta a dizer "não vás à BP nem à Repsol nem à Galp nos dias 1,2 e 3 de Junho" e depois o que vejo?


A Repsol em frente à minha casa esteve com o ritmo de sempre, nos noticiários só se ouvia e via o pessoal que trabalha nos referidos postos de abastecimento a dizerem que foi um dia normal, que não se tinha registado qualquer quebra... Invenção?

Não.

Logo depois vinham os "fura-greves" a dizer que os outros postos estavam lotados e tinham urgência em abastecer, ou que estavam quase a ficar sem combustível e aquele era o posto mais próximo.

Tretas!

Para meter a porcaria da bandeirinha na janela ou no carro ou nos tomates (desculpem lá o palavreado) está tudo mobilizado, agora para meter um travão a uma situação que afecta todos, já tanto faz se pagam mais ou menos. Reclama-se mas assobia-se para o lado.

É isso que somos, um país de assobiadores.

Depois quando o combustível chegar aos 2 euros viramos país de ecologistas. É ver a malta a andar de bicicleta.

O que vale é que para ir até à Suíça e até à Áustria ver a bola há sempre dinheiro!


FOI PROFUNDO!

Dispenso...

Porque tudo o que é dito é dispensável...
Porque tudo o que é escrito é dispensável...

Este é um blog onde se fala a sério e se brinca.
Quem não goste de ironia ou sarcasmo que feche esta página rapidamente!
Aqui ninguém tem razão.
Eu não pretendo estar certo, pretendo observar e pretendo fazê-lo de uma forma atenta e crítica...de uma forma dispensável.

Dispenso...um blog dispensável.

pessoas já dispensaram um tempinho para dar uma espreitadela