sexta-feira, julho 04, 2008

O autocarro dos malucos

Medo! Medo! Medo!


Eu nunca tive uma grande relação com os transportes públicos.

Em Coimbra preferia andar a pé, mesmo que fosse para atravessar a cidade. Esperar uma eternidade por um autocarro? Não há paciência!

Ir no meio daquele misto de odores que vão desde o maratonista que não toma banho desde 1982 até ao senhor que acha que melhor que um duche é encharcar-se em Brut? Não, obrigado!



Em Lisboa ando de Metro e Carris e, antes de chegar o calor, sempre foi tranquilo e até agradável.

Agora com o quentinho parece que há uma malta que gosta de ir fermentar o cheirinho a queijo e cebola para o meio do Metro a abarrotar.

E na Carris não muda muito. Então no final do dia é um suplício! Ninguém explica que quando se está a cheirar mal por baixo dos braços então não convém andar a levantar as asinhas! Eu não pago o meu 7 Colinas para andar numa câmara de gás com rodas!


Bem, isto é o dia-a-dia. Sair de casa, entrar no 28 em direcção ao Restelo, sair em Santa Apolónia, entrar no Metro para o Marquês de Pombal. Quando termina o trabalhinho, lá vou eu para o Metro de novo, Marquês até Santa Apolónia e de lá pulo para o 28 em direcção à Portela.


Hoje comecei o dia de uma forma quase caótica. Pelo menos psicologicamente eu fiquei naquele ponto em que me apetecia pegar num bato morto e desatar a bater com ele em meia dúzia de pessoas até ele miar!


Entro no autocarro e levo os meus óculos de sol colocados e vou a ouvir Smashing Pumpkins no volume máximo. Começo a notar um som meio estranho no meio da música. Era uma senhora que ia três filas atrás de onde eu ia sentado. A criatura ia a falar com a companheira do lado como se estivesse a falar de uma margem do Tejo para a outra!


Seguinte.

Entra um casal poucas paragens depois. O senhor resolveu que era surfista e andava em pé a abanar-se como se estivesse em cima de uma prancha, depois não conseguia sentar-se. Com os solavancos todos do percurso ainda temi que caísse alguém ao meu colo. Depois de conseguir sentar-se, descobriu um saco de plástico que andava pelo chão por baixo do assento. Esteve uns segundos a fazer algum esforço para o tirar enquanto ia conversando com duas maduras que estavam sentadas ao lado e à frente e lá conseguiu ficar com o saco livre, leve e solto à sua frente. Olhou para o saco e com o pé empurrou-o para onde? Para o meio do autocarro, onde toda a gente passa. Escusado será dizer que o saquinho que estava parado e não fazia mal a ninguém passou a enrolar-se nos pés de quem ia entrando e a ser levado pelo vento de um lado para o outro...

Muito esperto, ó Ti Jaquim!


Se isto já tinha sido meio estranho, pior foi quando entrei no Metro.

Como de costume, em Santa Apolónia estariam 10 pessoas distribuídas por todas as carruagens.

No Terreiro do Paço já entraram mais umas pessoas mas, ainda assim, estava quase vazio.

Um senhor que deveria ter o peso proporcional à sua idade veio na direcção dos três lugares livres ao meu lado e frente e, para gáudio da minha pessoa, optou por se sentar entre mim e a janela! Eu respirei fundo para encher a caixa toráxica e ele se sentir apertado. Resultado: nenhum. Continuou como se nada fosse. Baixa-Chiado, Restauradores, Avenida, Marquês, sempre com os dois lugares vagos e sempre colado a mim de tal forma que sentia a respiração e o batimento cardíaco do homem!

Credo!


Anda de Transportes públicos! É bom para o ambiente e é melhor que ir ao circo!





FOI PROFUNDO!

1 comentário:

Mary Birth disse...

LLLLLLLOOOOOOOOLLLLLLLL
Entendo o teu sofrimento!
O preço da gasolina obriga a certos sacrifícios, como andar de transportes públicos em Lisboa no Verão.
Acho que o dia perfeito no Metro será quando encontrares o Srº Que-Anda-Nu e agarra no varão junto das portas como se fosse uma Stripper... é uma visão quase apocalíptica.

Boa sorte!

Dispenso...

Porque tudo o que é dito é dispensável...
Porque tudo o que é escrito é dispensável...

Este é um blog onde se fala a sério e se brinca.
Quem não goste de ironia ou sarcasmo que feche esta página rapidamente!
Aqui ninguém tem razão.
Eu não pretendo estar certo, pretendo observar e pretendo fazê-lo de uma forma atenta e crítica...de uma forma dispensável.

Dispenso...um blog dispensável.

pessoas já dispensaram um tempinho para dar uma espreitadela