sábado, fevereiro 03, 2007

O "Não" e o argumento da Vida

Estes últimos dias têm sido marcados de forma mais acentuada pela discussão sobre o referendo. Não tem sido so na televisão, mesmo com amigos, no bar, à hora de almoço/lanche/jantar, no msn ou nos corredores, é um assunto que, mais que estar na moda, interessa.
Para além de ir tratando de notícias sobre as campanhas dos movimentos pró-"Sim" e pró-"Não", gosto de discutir pontos de vista com quem anda cá neste mundo (planeta e mundo do jornalismo) há mais tempo e, assim, formar uma opinião para ter o máximo de certeza que estou a colocar a cruzinha no lugar certo quando chegar o dia 11 de Fevereiro.


Um dos argumentos mais fortes, ou mesmo o principal, dos militantes pelo "Não" é o da Vida.
Os apoiantes e defensores do "Não" são pela Vida.
É claro que uma das acções da campanha é distribuir réplicas de fetos, outra é passar imagens de fetos...porque são pela Vida e o feto já é um ser vivo.
É claro que são pela Vida e são pela mulher e dizem que a lei já contempla os casos em que a mulher pode abortar.
Portanto...são pela Vida mas são mais pela Lei.
Porque se a lei actual permitir que se possa abortar, aí o feto já não tem direito à Vida.
Ou seja, são pela vida e o valor mais alto é o da Vida...desde que esteja previsto na lei!
E não querem mudar a lei porque são a favor da Vida...de acordo com a lei em vigor.
Mais ainda, a maior parte dos defensores do "Não" são conservadores e são os mesmos conservadores que são a favor do serviço militar.


O mesmo serviço militar que mandava os jovens portugueses para morrer no Ultramar e agora os manda para o Kosovo e para o Iraque em missões de paz para morrerem sem glória longe da família a "defender a pátria" ou, actualmente "a defender o bom nome da pátria".
Porque estes conservadores são a favor da vida e não querem que matem um ser vivo antes dele nascer. Mas se ele já tiver atingido a idade militar, aí já pode morrer, já é crescidinho.
A menos que sofra algum acidente e fique em estado vegetativo numa cama a levar soro e a comer por uma palhinha.
Nesse caso só pode ir quando "Deus" o chamar.
São estas hipocrisias que me fazem ter pena de viver neste país de brandos costumes que faz juntar as "consciências" quando é para regular as vidas dos outros.
Sim, porque não podemos esquecer uma coisa!
A maior parte dos militantes do "Não" são pessoas que estão bem na vida e podem mandar os filhos ou podem pedir aos pais para lhes pagarem uma viagem a Espanha ou Inglaterra "para resolver umas coisas" e esquecem-se que o "povão" resolve os seus "problemas" numa clínica sem condições ou mesmo com um pau de vide no útero!

FOI PROFUNDO!

2 comentários:

Anónimo disse...

basicamente.. a tua ideia é: se és povão marca "Sim" se estás bem na vida marca "Não"

profundo..

Pall Mall disse...

Sim senhor, gostei!

Dispenso...

Porque tudo o que é dito é dispensável...
Porque tudo o que é escrito é dispensável...

Este é um blog onde se fala a sério e se brinca.
Quem não goste de ironia ou sarcasmo que feche esta página rapidamente!
Aqui ninguém tem razão.
Eu não pretendo estar certo, pretendo observar e pretendo fazê-lo de uma forma atenta e crítica...de uma forma dispensável.

Dispenso...um blog dispensável.

pessoas já dispensaram um tempinho para dar uma espreitadela