Vivemos num país em que o Presidente da República veta uma lei porque estamos muito perto das eleições.
Não é porque é boa ou má.
Não é porque está de acordo com a Constituição ou vai contra ela.
É porque não é altura.
Belo argumento!
Seria válido caso fosse, como em casos anteriores, um diploma que visasse favorecer o PS ou alguém dentro do PS ou alguém próximo do PS e estivessem a aproveitar os últimos cartuchos para se "safarem".
Mas não.
Era sobre as uniões de facto.
E do que estive a ver, parece-me que a proposta apresentada era uma actualização da anterior, acertando pontos que necessitavam de ser revistos.
Mas o prof Cavaco do Bolo-Rei é da mesma escola de Manuela Ferreira Leite e, tal como Agosto não era altura de apresentar o programa de Governo do PSD, também não é mês para ler ou aprovar leis.
Esta velha guarda do PSD, a ala conservadora e retrógrada do PPD-PSD não faz um nada em Agosto!
Porque não admitem que querem aproveitar as férias e não estão para se chatear com apresentações de programas de governo ou análise de propostas do governo!
Agosto é o mês escolhido para os políticos fazerem ainda menos do que já é hábito.
Vão passear, vão a banhos, vão a feiras, dão uns beijinhos aqui e ali, fazem uns comícios e umas festas e o Alberto João manda umas papaias.
No final disto tudo o PSD tem o sentido de humor extremo de fazer uma Universidade de Verão!
"É um dos eventos mais importantes que a JSD organiza anualmente. Para nós a formação é uma aposta fundamental. Acreditamos que dessa forma se promove a renovação sustentada dos quadros políticos. Uma vez que formar é a condição fundamental para que tenhamos, no futuro, melhores políticos e melhor política", dizem eles.
Eles, os Jotas que estão a organizar esta Universidade também colocam outras citações na página na internet:
«For the things we have to learn before we can do them, we learn by doing them.»
Aristóteles.
Faz sentido colocar uma frase de Aristóteles em inglês, já que o senhor escrevia principalmente na língua de Sua Majestade... (benzo-me e sou ateu).
«My one regret in life is that I am not someone else.»
Woody Allen
Também se ajusta ao espírito.
Depois de ouvirem Manuela Ferreira Leite em entrevista à RTP, acredito que muitos militantes laranja preferiam ser outra pessoa, noutro lugar...
«Ask not what your country can do for you but what you can do for your country.»
John F. Kennedy – 20 de Janeiro de 1961
Eu acho que já muitos perguntaram isto a Manuela Ferreira Leite. Mas ela terá respondido: "mas eu ando há meses a falar sobre isso e continuam a fazer-me essa pergunta?". E termina com um riso de quem acha um escândalo e se sente ofendida e espantada.
«Comment voulez-vous gouverner un pays où il existe 246 variétés de fromage?»
Charles de Gaulle no Les Mots du Général, Ernest Mignon, 1962
Europa e Portugal – Recessão/Estagnação em 2009
Resposta de Manuela Ferreira Leite: "Ó meu amigo, então mas isso do queijo é alguma piada ao facto de eu me esquecer de muitas coisas muitas vezes?"
FOI PROFUNDO!
Nota: depois das críticas no DISPENSO, o Aníbal lá resolveu aprovar o aumento da escolaridade obrigatória para 12 anos e o alargamento do levantamento do sigilo bancário
terça-feira, agosto 25, 2009
Especial(istas)
Foi preciso chegar aos 29 anos para ir a um festival de Verão, mas posso garantir que valeu bem a pena.
Fui ao Festival do Sudoeste, edição 2009, e posso garantir que quem não foi perdeu um dos melhores concertos de sempre.
Os Faith No More são uma das bandas que eu mais ouvia durante a adolescência e, já então, eu achava que o Mike Patton era maluquinho. No SW09 confirmei que o homem é doido mas também confirmei que os FNM são gigantes em palco e o senhor Patton é um monstro que tem uma voz e uma presença em palco difíceis de encontrar.
Ora, mas serve isto para introduzir o que realmente quero expor.
Findo o Sudoeste (que para mim, e por motivos laborais, começou mais tarde e acabou mais cedo), veio a hora de ver as apreciações de quem sabe de música e de quem sabe de festivais.
Portanto, o SW agora já não vale nada, quer pelas pessoas que lá vão, quer pela organização.
Isto foi o que eu li.
Por acaso, não concordo.
Embora não perceba o porquê de colocarem várias bandas de Reggae. Eu rio-me com a capacidade da malta que fica horas em frente ao palco de Reggae...e quando muda a música parece que ainda estamos na mesma... e muda o grupo e parece que estamos na mesma música... e muda o dia e ainda parece que alguém deixou o CD no 'repeat'...
Mas isto é a minha opinião enquanto apreciador não especialista em música.
Ah! E eu não desgosto de Reggae.
Gosto muito de ler aqueles textinhos de quem acha que o Sudoeste AGORA é só criançada. Bem, antes também era. Mas há gente que se esquece que os anos passam.
Mas bom mesmo é poder aprender que agora Franz Ferdinand já não presta. E The Killers também não. Estava a ver se me lembrava de quem eram os outros que também tinham sido contemplados com esta perda de qualidade mas passou-me.
Isto faz-me lembrar de, há uns bons anos atrás, quando os Smashing Pumpkins lançaram o álbum Siamese Dream e eram os maiores. Depois foi saindo mais um e outro e outro álbum e eu "descobri" (através de quem percebe de música) que os Smashing Pumpkins já não eram a mesma coisa, já não eram bons. E a explicação? Tornaram-se comerciais.
Espera!
A lógica é:
vendem pouco - não são comerciais - são bons.
vendem muito - são comerciais - não são bons.
Ah! Pronto! Já percebi!
Os génios têm de ser incompreendidos.
Quando há muita gente a seguir um génio ele deixa de o ser porque isso significa que já há muita gente a compreender.
Está posta de parte a hipótese de haver muita gente incompreendida que se compreenda.
Isso não existe na música!
Aliás, eu acho que a lógica do especialista em música é mais algo que se define do seguinte modo: enquanto um grupo é pouco conhecido e a sua música é pouco divulgada, esse grupo é novidade, é um diamante em bruto e, a melhor parte, foi descoberto pelo especialista. Depois de se espalhar e ser apreciado por muitos, o especialista sente-se traído. O seu diamante esta a ficar polido e brilhante, já não é a mesma coisa, logo é mau.
Lógica:
diamante em bruto - bom
diamante polido - mau.
Nota: Este tipo de lógica não se aplica a bandas de culto como os Rolling Stones.
Juízo teve o Kurt Cobain.
Sabendo deste tipo de comportamento, pensou: "Epá! Andamos a vender demasiado! Qualquer dia ainda dizem que os Nirvana já não prestam!". E ZÁS!, matou-se.
Já outros tinham percebido o mesmo uns anos antes.
Elvis ou Jim Morrison, por exemplo.
O engraçado é que eles perceberam isto e, coincidência das coincidências, andavam encharcados em droga e álcool. Mas devia ser por razões medicinais...
Eu gosto de música.
Não percebo de música.
Deve ser por isso que eu penso que a meia dúzia de faixas de jazz de improviso de John Zorn que são catalogadas como pérolas musicais, não são mais que uma forma que Zorn encontrou para gozar com quem se apresenta como musicólogo, ou crítico de música. Ou então estava a hiperventilar quando encostou a boca ao instrumento. Ou estava bêbado. Ou a sentir-se mal.
Mas eu não percebo de música...
Deve ser por isso que me apanham numa noite de terça-feira de Queima das Fitas e me divirto a ouvir Quim Barreiros, que vou ao Maxime só para ver o Manuel João Vieira e os seus Irmãos Catita; ou que no meu carro tenho misturados Nitin Sawhney, O Rappa, Foo Fighters, Blasted Mechanism com Metallica, The Killers, Metric e Korn, com um bocado de Maria Rita e Serj Tankian, Zero 7, Sugar Ray e Terrorvision lá metidos.
E confesso que já consigo ouvir Jeff Buckley e Sufjan Stevens, o que é capaz de me colocar nas boas graças dos entendidos!
FOI PROFUNDO!
Fui ao Festival do Sudoeste, edição 2009, e posso garantir que quem não foi perdeu um dos melhores concertos de sempre.
Os Faith No More são uma das bandas que eu mais ouvia durante a adolescência e, já então, eu achava que o Mike Patton era maluquinho. No SW09 confirmei que o homem é doido mas também confirmei que os FNM são gigantes em palco e o senhor Patton é um monstro que tem uma voz e uma presença em palco difíceis de encontrar.
Ora, mas serve isto para introduzir o que realmente quero expor.
Findo o Sudoeste (que para mim, e por motivos laborais, começou mais tarde e acabou mais cedo), veio a hora de ver as apreciações de quem sabe de música e de quem sabe de festivais.
Portanto, o SW agora já não vale nada, quer pelas pessoas que lá vão, quer pela organização.
Isto foi o que eu li.
Por acaso, não concordo.
Embora não perceba o porquê de colocarem várias bandas de Reggae. Eu rio-me com a capacidade da malta que fica horas em frente ao palco de Reggae...e quando muda a música parece que ainda estamos na mesma... e muda o grupo e parece que estamos na mesma música... e muda o dia e ainda parece que alguém deixou o CD no 'repeat'...
Mas isto é a minha opinião enquanto apreciador não especialista em música.
Ah! E eu não desgosto de Reggae.
Gosto muito de ler aqueles textinhos de quem acha que o Sudoeste AGORA é só criançada. Bem, antes também era. Mas há gente que se esquece que os anos passam.
Mas bom mesmo é poder aprender que agora Franz Ferdinand já não presta. E The Killers também não. Estava a ver se me lembrava de quem eram os outros que também tinham sido contemplados com esta perda de qualidade mas passou-me.
Isto faz-me lembrar de, há uns bons anos atrás, quando os Smashing Pumpkins lançaram o álbum Siamese Dream e eram os maiores. Depois foi saindo mais um e outro e outro álbum e eu "descobri" (através de quem percebe de música) que os Smashing Pumpkins já não eram a mesma coisa, já não eram bons. E a explicação? Tornaram-se comerciais.
Espera!
A lógica é:
vendem pouco - não são comerciais - são bons.
vendem muito - são comerciais - não são bons.
Ah! Pronto! Já percebi!
Os génios têm de ser incompreendidos.
Quando há muita gente a seguir um génio ele deixa de o ser porque isso significa que já há muita gente a compreender.
Está posta de parte a hipótese de haver muita gente incompreendida que se compreenda.
Isso não existe na música!
Aliás, eu acho que a lógica do especialista em música é mais algo que se define do seguinte modo: enquanto um grupo é pouco conhecido e a sua música é pouco divulgada, esse grupo é novidade, é um diamante em bruto e, a melhor parte, foi descoberto pelo especialista. Depois de se espalhar e ser apreciado por muitos, o especialista sente-se traído. O seu diamante esta a ficar polido e brilhante, já não é a mesma coisa, logo é mau.
Lógica:
diamante em bruto - bom
diamante polido - mau.
Nota: Este tipo de lógica não se aplica a bandas de culto como os Rolling Stones.
Juízo teve o Kurt Cobain.
Sabendo deste tipo de comportamento, pensou: "Epá! Andamos a vender demasiado! Qualquer dia ainda dizem que os Nirvana já não prestam!". E ZÁS!, matou-se.
Já outros tinham percebido o mesmo uns anos antes.
Elvis ou Jim Morrison, por exemplo.
O engraçado é que eles perceberam isto e, coincidência das coincidências, andavam encharcados em droga e álcool. Mas devia ser por razões medicinais...
Eu gosto de música.
Não percebo de música.
Deve ser por isso que eu penso que a meia dúzia de faixas de jazz de improviso de John Zorn que são catalogadas como pérolas musicais, não são mais que uma forma que Zorn encontrou para gozar com quem se apresenta como musicólogo, ou crítico de música. Ou então estava a hiperventilar quando encostou a boca ao instrumento. Ou estava bêbado. Ou a sentir-se mal.
Mas eu não percebo de música...
Deve ser por isso que me apanham numa noite de terça-feira de Queima das Fitas e me divirto a ouvir Quim Barreiros, que vou ao Maxime só para ver o Manuel João Vieira e os seus Irmãos Catita; ou que no meu carro tenho misturados Nitin Sawhney, O Rappa, Foo Fighters, Blasted Mechanism com Metallica, The Killers, Metric e Korn, com um bocado de Maria Rita e Serj Tankian, Zero 7, Sugar Ray e Terrorvision lá metidos.
E confesso que já consigo ouvir Jeff Buckley e Sufjan Stevens, o que é capaz de me colocar nas boas graças dos entendidos!
FOI PROFUNDO!
sexta-feira, agosto 21, 2009
A idade é um posto...médico
Gostei muito de ouvir Manuela Ferreira Leite ontem à noite.
Caiu na estupidez do risinho arrogante acompanhado do "mas continuam a perguntar-me isso como se eu não andasse a falar disso há meses?".
Se já toda a gente sabe, então para que foi dar a entrevista? Iam falar dos netinhos?
Estamos em período pré-legislativas, o normal é falar-se das propostas de cada partido.
Além do mais, pressupõe-se que as pessoas e as ideias evoluam ou, pelo menos que se reajustem.
Afinal, perante as constantes declarações dos agentes políticos, parece que todos os dias é necessário pensar em novas medidas para corrigir o que o Demolition-Man Sócrates anda a fazer para deixar Portugal na miséria.
Depois, caiu na palermice de se escudar atrás daquilo que são convicções pessoais e repetir o argumento dos "processos que estão na justiça", colocando tudo no mesmo saco, os suspeitos, os suspeitos de serem suspeitos e os arguidos.
Nem teve a inteligência de usar o argumento de "todos são inocentes até se provar que são culpados".
Não, optou pela casmurrice e por passar a ideia de que é uma pessoa de princípios e convicções fortes. Ou, traduzindo, casmurra.
Depois pegou no comportamento pouco democrático de Sócrates e disse logo que ia dar imensos exemplos concretos. Deu o dos professores que mandaram uma piada e foram corridos da escola onde estavam a leccionar e depois deu "imensos exemplos concretos" como o de pessoas que também sofreram represálias e por outros casos que todos sabemos e fomos tendo conhecimento. Pois... Típico. São sempre imensos exemplos e são sempre concretos mas resume-se sempre a um exemplo e uns tiros para o ar. MFL, versão cowgirl.
Ajudando a esta teoria do Sócrates Hitler, vem o raio do ataque de Alzheimer de MFL. A senhora esquece-se que limpou das listas de candidatos todos aqueles que lhe fizeram oposição dentro do partido ou, simplesmente, não estiveram com ela.
É claro que isso não é ditatorial! É apenas uma pontaria incrível que a MFL teve de ser apoiada por todos os bons candidatos...
E é o ram-ram chato do discurso anti-Sócrates, dizendo que o homem não faz nada bem e que leva o país para o caos. Que treta!
Depois perguntam-lhe pelas propostas e vem com dois argumentos perfeitamente tolos (e o melhor deixo para o final): primeiro não pode revelar porque vai apresentar o programa de governo no dia 27 (esquecendo-se que tinha dito e repetido que não há nada de novo a apresentar e que há meses que toda a gente sabe quais são as ideias de MFL e do PSD para o país), e depois quando lhe é pedido para indicar a área que considera primordial...manda com umas 5 ou 6 para cima da mesa! Brutal! Mais um bocadinho e arriscava-se a que alguém gritasse BINGO!
Continuando, ouvi-a dizer que Sócrates anda a copiar as ideias de MFL e do PSD.
Então opõem-se ao PS porque, segundo MFL, o programa de governo do PS tem promessas irrealizáveis e outras que já vêm do programa eleitoral anterior.
Ora, raio da coerência da MFL!
Primeiro diz que não pode avançar com números ou com compromissos que envolvam número porque há coisas que não sabe mas logo a seguir vem dizer que há promessas irrealizáveis...como se afinal já soubesse!
Mas já fiquei a saber que, segundo MFL, o programa do PS tem várias propostas bastante boas...copiadas do PSD.
Termino com um apontamento sobre aquele que achei o argumento mais ridículo de toda a exposição de MFL.
Então o PSD já tem as ideias há muito tempo, já tem o programa pronto há meses e só o vai distribuir no final de Agosto porquê? Porque, segundo MFL, não fazia sentido estar a distribuir no período de férias porque ninguém o ia ler (aproveitou para criticar o timming escolhido pelo PS para dar a conhecer o seu programa de governo).
Ora, isto pode resultar de eu ser meio "alien", mas eu costumo ler muito mais nas férias. E falo de livros, de jornais, de revistas e até leio os suplementos... Mas isso posso ser só eu, daí que possa ser a única pessoa a achar este argumento parvo.
Mas acho que seria a altura ideal para que as pessoas pudessem ler com calma, sem estarem a pensar no que fizeram ou vão ter de fazer no trabalho.
E, juntando a isto o facto de vários portugueses tirarem férias em Setembro, deduzo que MFL ache que quem tira férias em Setembro deve ser comunista ou socialista ou da oposição a MFL dentro do próprio PSD.
Eu não sou fã de Sócrates, irrita-me a sua maneira de falar e a mania que tem das estatísticas, mas aquilo a que tenho assistido nos últimos tempos é um desfile de artistas políticos de qualidade semelhante.
A grande vantagem que Sócrates tem em relação aos restantes - e isto é a minha opinião que, tal como este blog, é pessoal - é mesmo o facto de ser dos poucos governantes desde Cavaco a ter coragem de fazer reformas importantes. Algumas não foram bem feitas? Certo. Alguns ministros são fracos? Certo mais uma vez.
Mas olho para a oposição e lembro-me do Benfica da época passada: os que estão em campo jogam mal mas os que estão no banco dão-me vontade de me benzer, mesmo sendo praticamente ateu!
FOI PROFUNDO!
Caiu na estupidez do risinho arrogante acompanhado do "mas continuam a perguntar-me isso como se eu não andasse a falar disso há meses?".
Se já toda a gente sabe, então para que foi dar a entrevista? Iam falar dos netinhos?
Estamos em período pré-legislativas, o normal é falar-se das propostas de cada partido.
Além do mais, pressupõe-se que as pessoas e as ideias evoluam ou, pelo menos que se reajustem.
Afinal, perante as constantes declarações dos agentes políticos, parece que todos os dias é necessário pensar em novas medidas para corrigir o que o Demolition-Man Sócrates anda a fazer para deixar Portugal na miséria.
Depois, caiu na palermice de se escudar atrás daquilo que são convicções pessoais e repetir o argumento dos "processos que estão na justiça", colocando tudo no mesmo saco, os suspeitos, os suspeitos de serem suspeitos e os arguidos.
Nem teve a inteligência de usar o argumento de "todos são inocentes até se provar que são culpados".
Não, optou pela casmurrice e por passar a ideia de que é uma pessoa de princípios e convicções fortes. Ou, traduzindo, casmurra.
Depois pegou no comportamento pouco democrático de Sócrates e disse logo que ia dar imensos exemplos concretos. Deu o dos professores que mandaram uma piada e foram corridos da escola onde estavam a leccionar e depois deu "imensos exemplos concretos" como o de pessoas que também sofreram represálias e por outros casos que todos sabemos e fomos tendo conhecimento. Pois... Típico. São sempre imensos exemplos e são sempre concretos mas resume-se sempre a um exemplo e uns tiros para o ar. MFL, versão cowgirl.
Ajudando a esta teoria do Sócrates Hitler, vem o raio do ataque de Alzheimer de MFL. A senhora esquece-se que limpou das listas de candidatos todos aqueles que lhe fizeram oposição dentro do partido ou, simplesmente, não estiveram com ela.
É claro que isso não é ditatorial! É apenas uma pontaria incrível que a MFL teve de ser apoiada por todos os bons candidatos...
E é o ram-ram chato do discurso anti-Sócrates, dizendo que o homem não faz nada bem e que leva o país para o caos. Que treta!
Depois perguntam-lhe pelas propostas e vem com dois argumentos perfeitamente tolos (e o melhor deixo para o final): primeiro não pode revelar porque vai apresentar o programa de governo no dia 27 (esquecendo-se que tinha dito e repetido que não há nada de novo a apresentar e que há meses que toda a gente sabe quais são as ideias de MFL e do PSD para o país), e depois quando lhe é pedido para indicar a área que considera primordial...manda com umas 5 ou 6 para cima da mesa! Brutal! Mais um bocadinho e arriscava-se a que alguém gritasse BINGO!
Continuando, ouvi-a dizer que Sócrates anda a copiar as ideias de MFL e do PSD.
Então opõem-se ao PS porque, segundo MFL, o programa de governo do PS tem promessas irrealizáveis e outras que já vêm do programa eleitoral anterior.
Ora, raio da coerência da MFL!
Primeiro diz que não pode avançar com números ou com compromissos que envolvam número porque há coisas que não sabe mas logo a seguir vem dizer que há promessas irrealizáveis...como se afinal já soubesse!
Mas já fiquei a saber que, segundo MFL, o programa do PS tem várias propostas bastante boas...copiadas do PSD.
Termino com um apontamento sobre aquele que achei o argumento mais ridículo de toda a exposição de MFL.
Então o PSD já tem as ideias há muito tempo, já tem o programa pronto há meses e só o vai distribuir no final de Agosto porquê? Porque, segundo MFL, não fazia sentido estar a distribuir no período de férias porque ninguém o ia ler (aproveitou para criticar o timming escolhido pelo PS para dar a conhecer o seu programa de governo).
Ora, isto pode resultar de eu ser meio "alien", mas eu costumo ler muito mais nas férias. E falo de livros, de jornais, de revistas e até leio os suplementos... Mas isso posso ser só eu, daí que possa ser a única pessoa a achar este argumento parvo.
Mas acho que seria a altura ideal para que as pessoas pudessem ler com calma, sem estarem a pensar no que fizeram ou vão ter de fazer no trabalho.
E, juntando a isto o facto de vários portugueses tirarem férias em Setembro, deduzo que MFL ache que quem tira férias em Setembro deve ser comunista ou socialista ou da oposição a MFL dentro do próprio PSD.
Eu não sou fã de Sócrates, irrita-me a sua maneira de falar e a mania que tem das estatísticas, mas aquilo a que tenho assistido nos últimos tempos é um desfile de artistas políticos de qualidade semelhante.
A grande vantagem que Sócrates tem em relação aos restantes - e isto é a minha opinião que, tal como este blog, é pessoal - é mesmo o facto de ser dos poucos governantes desde Cavaco a ter coragem de fazer reformas importantes. Algumas não foram bem feitas? Certo. Alguns ministros são fracos? Certo mais uma vez.
Mas olho para a oposição e lembro-me do Benfica da época passada: os que estão em campo jogam mal mas os que estão no banco dão-me vontade de me benzer, mesmo sendo praticamente ateu!
FOI PROFUNDO!
quarta-feira, agosto 12, 2009
Criticar a demagogia de uma forma demagoga
No diário 'i' saiu hoje um artigo de crítica ao governo PS e às suas políticas económicas, nomeadamente na forma como trataram as PME's.
Não deixando de concordar com o que está escrito em "A política económica desastrosa de Sócrates, acho que peca por se centrar nas PME's e no Governo e ir pelo facilitismo e pela crítica fácil que se tem feito ouvir durante a governação Sócrates.
Quer dizer, fala-se no país que vive acima das possibilidades e esquecemos que num cenário de crise em que há instituições bancárias a ruir, outras continuam com lucros absurdos?
E não me refiro apenas a este último período de CRISE, falo da crise que se arrasta há anos e de que tanto se fala para subir taxas de juro para os empréstimos "porque tem de ser" ou "porque é o BCE que diz" e depois os lucros são os maiores de sempre.
Ou o preço do combustível que tem de aumentar a velocidade supersónica e depois desce ao ritmo do caracol.
Ou a permissividade que existe na exploração de jovens licenciados por parte de empresas que "albergam" centenas de jovens em troco de nada, permitindo assim uma escravatura do engano, com promessas que nunca são cumpridas.
Porque é que se opta sempre pela crítica do mesmo?
Quando o ex-ministro Manuel Pinho saiu do Governo houve quem o elogiasse pela forma como lidou com o grande capital, deixando sempre algumas alfinetadas (parte delas foram mesmo "baionetadas") ao procedimento de Pinho relativamente às PME's.
Eu digo porque é que se critica sempre de uma forma facilitista e repetitiva: porque as grandes empresas, quer se queira quer não, são os pilares da economia e são responsáveis por muitos postos de emprego. São também, em alguns casos, donas ou accionistas de empresas de comunicação ou de órgãos de comunicação.
E, juntando a isto o facto das redacções precisarem de mão-de-obra gratuita como um toxicodependente precisa da sua dose, convém não entrar por aí e atirar com areia para os olhos de quem lê, fazendo sempre o discurso do governo que é mau e que é responsável pelo desemprego.
Por um lado é, ao permitir que as empresas enveredem por esta forma de escravatura moderna. Criem-se regras! Quem trabalha deve receber!
É tão bonitinho andar a apontar o dedo e fazer de conta que mesmo ao nosso lado não se passa nada de censurável.
FOI PROFUNDO!
Não deixando de concordar com o que está escrito em "A política económica desastrosa de Sócrates, acho que peca por se centrar nas PME's e no Governo e ir pelo facilitismo e pela crítica fácil que se tem feito ouvir durante a governação Sócrates.
Quer dizer, fala-se no país que vive acima das possibilidades e esquecemos que num cenário de crise em que há instituições bancárias a ruir, outras continuam com lucros absurdos?
E não me refiro apenas a este último período de CRISE, falo da crise que se arrasta há anos e de que tanto se fala para subir taxas de juro para os empréstimos "porque tem de ser" ou "porque é o BCE que diz" e depois os lucros são os maiores de sempre.
Ou o preço do combustível que tem de aumentar a velocidade supersónica e depois desce ao ritmo do caracol.
Ou a permissividade que existe na exploração de jovens licenciados por parte de empresas que "albergam" centenas de jovens em troco de nada, permitindo assim uma escravatura do engano, com promessas que nunca são cumpridas.
Porque é que se opta sempre pela crítica do mesmo?
Quando o ex-ministro Manuel Pinho saiu do Governo houve quem o elogiasse pela forma como lidou com o grande capital, deixando sempre algumas alfinetadas (parte delas foram mesmo "baionetadas") ao procedimento de Pinho relativamente às PME's.
Eu digo porque é que se critica sempre de uma forma facilitista e repetitiva: porque as grandes empresas, quer se queira quer não, são os pilares da economia e são responsáveis por muitos postos de emprego. São também, em alguns casos, donas ou accionistas de empresas de comunicação ou de órgãos de comunicação.
E, juntando a isto o facto das redacções precisarem de mão-de-obra gratuita como um toxicodependente precisa da sua dose, convém não entrar por aí e atirar com areia para os olhos de quem lê, fazendo sempre o discurso do governo que é mau e que é responsável pelo desemprego.
Por um lado é, ao permitir que as empresas enveredem por esta forma de escravatura moderna. Criem-se regras! Quem trabalha deve receber!
É tão bonitinho andar a apontar o dedo e fazer de conta que mesmo ao nosso lado não se passa nada de censurável.
FOI PROFUNDO!
sexta-feira, junho 12, 2009
Bater a Portas
Quando era pequeno costumava andar a correr as ruas com os meus amigos e a bater a portas...
Este seria um bom começo para uma historinha a contar aos netinhos, mas não tenho netos nem historinha desse género para contar.
O que tenho é uma certa vontade de bater ao Portas, ao Paulo Portas.
Não é de hoje que os políticos são uma classe com uma coluna bastante flexível, mas lá pelo meio há sempre uns mais sérios e uns que conseguem roçar o descaramento.
Paulo Portas é um caso extremo.
Eu costumo dizer que se o Paulo Portas do Independente olhasse para o Paulo Portas do CDS-PP, ria-se de uma forma maquiavélica tal era a matéria prima proporcionada pelo PP do PP.
O homem é um copinho de leite que resolve andar com o sorriso mais amarelo e a simpatia mais forjada do mundo a passear-se pelo meio de feiras, praças e mercados, misturado com pessoas que o repugnam, tudo isto para se promover politicamente.
Vem defender o povão quando o que o move são políticas de direita.
Antes de entrar na política era advogado de acusação, juíz e carrasco de toda a classe política nacional.
Quando entrou na política trepou pelas costas de quem lhe estendeu a mão, Manuel Monteiro, depois deu-lhe uma facadinha nas costas, puxou-lhe o tapete, correu com ele do partido e subiu ao trono.
Fora as histórias no seio do partido ou mesmo a questão com Marcelo Rebelo de Sousa - mais uma traiçãozinha - há um facto que me deixa mesmo com vontade de pedir a uns ucranianos para darem uma sova no Paulo Portas.
Como é que um patife como o PP que enterra milhões na compra de uns submarinos quando estava no Ministério da Defesa, tem cara sequer para sair de casa? Como é que ele tem a distinta lata de criticar o governo ou seja lá quem for, de dar lições de moral, de vir falar com o mínimo de autoridade sobre as medidas que estão a ser tomadas contra a crise?
Como?
Alguém me explica como?
Alguém me explica como é possível uma cavalgadura como o Paulo Portas ainda não ter falecido politicamente?
Alguém me diz como é que o povo português, que se diz tão bom a julgar as pessoas, não dá uma lição eleitoral ao Paulo Portas?
Falem no Sócrates, falem, esqueçam-se do talento da senhora Ferreira Leite para as reformas nas finanças públicas ou do talento do senhor Portas para esbanjar dinheiro em submarinos que não servem para nada.
FOI PROFUNDO!
Este seria um bom começo para uma historinha a contar aos netinhos, mas não tenho netos nem historinha desse género para contar.
O que tenho é uma certa vontade de bater ao Portas, ao Paulo Portas.
Não é de hoje que os políticos são uma classe com uma coluna bastante flexível, mas lá pelo meio há sempre uns mais sérios e uns que conseguem roçar o descaramento.
Paulo Portas é um caso extremo.
Eu costumo dizer que se o Paulo Portas do Independente olhasse para o Paulo Portas do CDS-PP, ria-se de uma forma maquiavélica tal era a matéria prima proporcionada pelo PP do PP.
O homem é um copinho de leite que resolve andar com o sorriso mais amarelo e a simpatia mais forjada do mundo a passear-se pelo meio de feiras, praças e mercados, misturado com pessoas que o repugnam, tudo isto para se promover politicamente.
Vem defender o povão quando o que o move são políticas de direita.
Antes de entrar na política era advogado de acusação, juíz e carrasco de toda a classe política nacional.
Quando entrou na política trepou pelas costas de quem lhe estendeu a mão, Manuel Monteiro, depois deu-lhe uma facadinha nas costas, puxou-lhe o tapete, correu com ele do partido e subiu ao trono.
Fora as histórias no seio do partido ou mesmo a questão com Marcelo Rebelo de Sousa - mais uma traiçãozinha - há um facto que me deixa mesmo com vontade de pedir a uns ucranianos para darem uma sova no Paulo Portas.
Como é que um patife como o PP que enterra milhões na compra de uns submarinos quando estava no Ministério da Defesa, tem cara sequer para sair de casa? Como é que ele tem a distinta lata de criticar o governo ou seja lá quem for, de dar lições de moral, de vir falar com o mínimo de autoridade sobre as medidas que estão a ser tomadas contra a crise?
Como?
Alguém me explica como?
Alguém me explica como é possível uma cavalgadura como o Paulo Portas ainda não ter falecido politicamente?
Alguém me diz como é que o povo português, que se diz tão bom a julgar as pessoas, não dá uma lição eleitoral ao Paulo Portas?
Falem no Sócrates, falem, esqueçam-se do talento da senhora Ferreira Leite para as reformas nas finanças públicas ou do talento do senhor Portas para esbanjar dinheiro em submarinos que não servem para nada.
FOI PROFUNDO!
quinta-feira, junho 11, 2009
Maçaricos
Os senhores do desporto da TVI parecem principiantes.
Ontem estava a ver o jogo de Portugal e não sabia se havia de rir ou de chorar.
Não apenas pelo jogo, que foi mau, mesmo mau!
Larguei a televisão aos 33 minutos de jogo porque não tenho alma de masoquista mas deu para presenciar actos de principiantes durante essa meia horinha.
Avaliação dos jornalistas e comentadores - 3/10
Avaliação da equipa de produção - 1/10
Porquê?
Porque um dos artistas do microfone passou o tempo em que estive a ver o jogo a clicar e a clicar e a clicar no mouse.
Não fazia mais nada.
Era enquanto relatava e enquanto não relatava.
Tric tric tric tric tric
Depois eram as folhas.
Sempre a mexer em folhas.
E quem assistia ao jogo pela televisão tinha de levar com aquele ruído de fundo todo.
E a equipa de produção?
Não fez nada!
Nem os avisou da palermice que estavam a fazer (que se ouve perfeitamente nos auscultadores) nem foi capaz de fazer nada quanto ao som do repórter de pista.
Sim, porque o homem estava a falar no fundo de um poço.
E entre tric tric e folhas a virar, muitas vezes nem dava para ouvir o rapaz.
Se eu já não era fã do desporto da SIC, agora tembém a TVI se juntou à minha lista negra.
Valha-nos a SPORTV!
FOI PROFUNDO!
Ontem estava a ver o jogo de Portugal e não sabia se havia de rir ou de chorar.
Não apenas pelo jogo, que foi mau, mesmo mau!
Larguei a televisão aos 33 minutos de jogo porque não tenho alma de masoquista mas deu para presenciar actos de principiantes durante essa meia horinha.
Avaliação dos jornalistas e comentadores - 3/10
Avaliação da equipa de produção - 1/10
Porquê?
Porque um dos artistas do microfone passou o tempo em que estive a ver o jogo a clicar e a clicar e a clicar no mouse.
Não fazia mais nada.
Era enquanto relatava e enquanto não relatava.
Tric tric tric tric tric
Depois eram as folhas.
Sempre a mexer em folhas.
E quem assistia ao jogo pela televisão tinha de levar com aquele ruído de fundo todo.
E a equipa de produção?
Não fez nada!
Nem os avisou da palermice que estavam a fazer (que se ouve perfeitamente nos auscultadores) nem foi capaz de fazer nada quanto ao som do repórter de pista.
Sim, porque o homem estava a falar no fundo de um poço.
E entre tric tric e folhas a virar, muitas vezes nem dava para ouvir o rapaz.
Se eu já não era fã do desporto da SIC, agora tembém a TVI se juntou à minha lista negra.
Valha-nos a SPORTV!
FOI PROFUNDO!
terça-feira, junho 09, 2009
Vital e a mão que treme
Escreve Vital Moreira:
"Mesmo depois do compromtedor relatório de contas do BPN, ontem puiblicado, que confirmou o enorme buraco financeiro que os contribuintes portugeses vão ter de suportar, bem como o "desaparecimento" de valiosa parte da colecção de arte do banco, o PSD continua sem se dissociar do escândalo.
Que misteriosa força impede o PSD do gesto elementar de retirar a confiança partidária aos responsáveis por tanta trampolinice financeira?"Será que o senhor não verifica o que escreve?
Será que andou a publicar posts a correr?
"compromtedor", "portugeses" e "puiblicado" são palavras inexistentes no léxico português. Ou eram. Às tantas são mais uns neologismos do professor Marcelo.
(NÃO) FOI PROFUNDO!
quinta-feira, abril 23, 2009
A Rainha de Sabá
Ontem o comando funcionou e dei por mim a ver o telejornal da TVI.
Às vezes dá-me uma coisinha má e vejo-o mas ontem havia algo que requeria a minha atenção.
José Eduardo Moniz ia, provavelmente - mesmo muito provavelmente - reagir às palavras de José Sócrates em entrevista à RTP no dia anterior. Segundo o primeiro-ministro
""O telejornal daTVI das sextas-feiras não é um telejornal, mas sim uma caça ao homem".
Ui que mentiroso que o Sócrates é!
É, não é?
Segundo José Eduardo Moniz, o PM usou um tom pouco próprio para o cargo que usa e o jornalismo da TVI é caracterizado pelo rigor e isenção. Moniz elogiou ainda o jornalismo de investigação do seu canal.
Gargalhada total!
Em primeiro lugar, a reacção de Moniz é feita enquanto director geral da estação e enquanto marido da visada, Manuela Moura Guedes.
Acho que não estou a dizer nenhuma mentira se afirmar que Manuela Moura Guedes se comporta como a mulher do merceeiro enquanto apresenta o noticiário das noites de sexta.
Não?
Então ela não se comporta como a mulher do merceeiro?
Vai aviando os fregueses na caixa enquanto fala mal do presidente da câmara, do carteiro, do canalizador, do serviço demorado no centro de saúde, do médico que anda enrolado com a filha da prima do vizinho de uma senhora que ela conhece, enquanto conta que ouviu dizer que, no bairro onde ela mora, o sobrinho de uma senhora que vende bolos para fora saiu da prisão e anda a roubar vivendas e é suspeito de ter morto com 456 facadas um senhor de idade... etc.
Ora, com isto quero dizer quatro coisas sobre o jornalismo de rigor e isenção da TVI às sextas-feiras à noite.
1 - as três palavras estão desadequadas: jornalismo, rigor, isenção.
2- Jornalismo?
Considerar que a Manuela Moura Guedes está a fazer jornalismo é considerar que o Bruno Paixão e o Olegário Benquerença são bons árbitros. Que é o mesmo que dizer que todos vemos que eles são maus árbitros menos quem manda na arbitragem. E o resto entenda quem quiser.
3- Rigor?
Engraçado. Desde quando é que a TVI deixou de ser responsável pela maior parte dos boatos em forma de notícia que saem para a opinião pública?
Desde quando é que a TVI deixou de lançar como notícia suposições?
Desde quando é que a TVI deixou de fazer aquilo a que Moniz chama jornalismo de investigação? Sim, é que quando se investiga só se devem revelar os factos no final dessa mesma investigação, depois de estarem confirmados, comprovados. Aquilo que a TVI faz é pegar em qualquer pista e lançar para a praça pública como notícia.
Rigor?
Onde?
4- Isenção?
Realmente, não se pode acusar Moniz de não ter um sentido de humor apurado.
Pegando no que estava a dizer no segundo ponto, Manuela Moura Guedes acha realmente que presta um grande serviço, um serviço como jornalista.
Segundo aquilo que me ensinaram durante a licenciatura em Jornalismo, o jornalista deve reger-se pelo Código Deontológico, mas acredito que A MMG nunca tenha ouvido sequer falar de tal coisa.
Basta começar a ler o código para perceber o que estou a dizer.
Há um exemplo muito simples que se pode dar.
Há cerca de mês e meio, o noticiário da MMG levou perto de 40 minutos com notícias a "malhar" em José Sócrates.
Que o canal Benfica ocupe 40 minutos a falar do Mantorras ainda dá para compreender, mesmo achando estranho tanta atenção sobre um jogador, agora a TVI dedicar 40minutos ao primeiro-ministro?
Se isso não significa nada, vou ali e já volto.
Ainda dentro desse exemplo, basta notar que MMG não gosta de informar.
Gosta de meter sempre a sua colherada. Dá a notícia e comenta.
É o que dá ser a primeira-dama...
Há algumas semelhanças entre MMG e a Rainha de Sabá
De acordo com a Torá e o Velho Testamento, a rainha da terra de Sabá (cujo nome não é mencionado) teria ouvido sobre a grande sabedoria do rei Salomão de Israel, e viajado até ele com presentes de especiarias, ouro, pedras preciosas, e belas madeiras, pretendendo testá-lo com suas perguntas, como está registrado no Primeiro Livro de Reis (10:1-13) (relato copiado posteriormente no Segundo Livro de Crônicas, 9:1-12).
O relato prossegue apontando a rainha como maravilhada pela grande sabedoria e riqueza do rei Salomão, e pronunciando uma benção sobre a divindade do rei. Salomão respondeu, por sua vez, com presentes e "tudo o que ela desejou"
O Alcorão, texto religioso central do islã, nunca menciona a rainha de Sabá por seu nome, embora as fontes árabes a chamem de Balqis ou Bilqis. O relato corânico é similar àquele da Bíblia; a narrativa conta como Salomão recebeu relatos de um reino governado por uma rainha cujo povo venerava o Sol. Ele enviou uma carta, convidando-a a visitá-lo e discutir sobre a sua divindade, relatada como sendo Alá), o Senhor dos Mundos (Alamin) no texto islâmico. Ela aceitou o convite e preparou enigmas para testar sua sabedoria e seu conhecimento. Então, um dos ministros de Salomão (que tinha conhecimento do "Livro") propôs trazê-lo o trono de Sabá "num piscar de olhos".
Veja-se a forma como Moniz permite que MMG faça e diga o que quer e bem lhe apetece na apresentação do noticiário.
Vejam-se as questões que MMG dirige aos seus convidados, sejam eles convidados pontuais, sejam eles Marcelo Rebelo de Sousa, Miguel Sousa Tavares ou Vasco Pulido Valente.
Veja-se a forma como ela opina a torto e a direito, esquecendo-se do seu dever de INFORMAR de forma IMPARCIAL e apoiada apenas em FACTOS.
Nota: Não é isto uma defesa das palavras de José Sócrates nem um ataque às palavras de José Eduardo Moniz. É um mero comentário que resulta das palavras de um e do outro.
FOI PROFUNDO!
sexta-feira, abril 03, 2009
Borat é clone de "tuga"
Ah ah ah! O Borat é tão original e tem tanta piada!


Não.
O Borat realmente tem piada, é uma personagem bem conseguida mas...não é original.
E não é original porque antes de Sasha Baron Cohen o colocar no ecrã já em Portugal havia uma espécie de Borat.
Não acreditam?
Então vejam com os vossos olhos se o Borat não é um clone de um artista português bem conhecido:


FOI PROFUNDO!
segunda-feira, março 30, 2009
Cuspir para o ar
Desemprego.
Uma palavra chave associada a um fenómeno muito actual que afecta uma grande parcela da sociedade portuguesa e mundial. E eu, em particular.
Não custa pegar neste tópico e criticar o governo de José Sócrates.
E não se corre o risco de não se ter razão.
A menos que se queira ter piada, ironizar e atacar sem olhar à volta e observar o local de trabalho.
Augusto Madureira, o jornalista que está a trabalhar ao serviço de Conceição Lino no programa Nós Por Cá, conseguiu meter algumas vezes a pata na poça.
1. Há que dizer que, de facto, a iniciativa foi quase insignificante. A ida do primeiro-ministro a uma empresa para oficializar 12 estágios num call-center em data incerta é uma parvoíce, uma perda de tempo. Mas Sócrates não se referia a essa acção como "A Acção" do dia. Como se percebe pelo resto da peça, a acção é uma acção global e a análise de Augusto Madureira - que eu não considero ter vista curta - só pode ser fruto de uma distorção. E um jornalista que distorce uma notícia não está a fazer um bom trabalho.
2. A piadinha dos 40000 estágios profissionais e a decomposição matemática que é feita na peça é uma estupidez incrível! Quer dizer, quando um autarca ou ministro vai lançar a primeira pedra de um edifício, também vamos fazer as contas ao número de tijolos para ver quanto tempo é que o edifício demora a conduzir tendo em conta o que o autarca ou ministro em causa demorou a colocar a pedra??? Pelo amor de Deus!
3. Criticar o primeiro-ministro pelo número de vezes que tem de dizer bom dia é o mesmo que censurar o próprio patrão que tem de cumprimentar o segurança ao passar a cancela de entrada da SIC, depois cumprimenta a senhora da recepção, e ainda tem de cumprimentar todos os jornalistas e outros trabalhadores/funcionários que lhe passam à frente. Uma perda de tempo quando podia já estar a trabalhar se simplesmente ignorasse as pessoas.
4. E porque coloquei no título "cuspir para o ar"?
Uma empresa como a SIC vive de estagiários. Estagiários que trabalham sem receber, de borla, gratuitamente, sem ver um tostão.
Augusto Madureira deve desconhecer que uma empresa como a SIC, que continua a apresentar têm anualmente dezenas de estagiários.
E não estamos a falar de estágios profissionais, estamos a falar de estágios curriculares, estágios não remunerados. Estamos a falar de uma rotação de estagiários que permitem à SIC poupar um dinheirão em salários.
E, se o Augusto Madureira quisesse ser rigororoso, podia falar no facto dos estagiários da SIC não terem sequer direito a subsídio de alimentação ou de deslocações.
E, mais até, trabalham em horários engraçados, já que o horário da madrugada é assegurado por um pivot e um estagiário e, outros, têm de entrar de madrugada para assegurar o primeiro turno do online ou porque estão na equipa da edição da manhã. Já para não falar quando lhes calha trabalhar em dias como o sábado ou domingo, normalmente chamados de "fim-de-semana".
O Augusto Madureira pode pegar na sua vontade de fazer contas e calcular quanto é que a SIC poupa por ano em estagiários.
Só na redacção a SIC/SIC Notícias "mete" semestralmente cerca de 20 estagiários que não vêm um cêntimo pelo seu trabalho.
Presumo que o Augusto Madureira desconheça que liguem da SIC aos estagiários quando aparece ou há suspeitas de aparecer a Inspecção do Trabalho em Carnaxide para que estes atrasem um pouco a chegada até ordens superiores. Este comportamento mostra o quê?
Não é invulgar ver certas peças do Nós Por Cá darem a volta ao texto para conseguirem uma história mais sensasionalista, afinal, o objectivo do programa é chegar ao povo, mas esta acaba por ser mesmo um tiro no próprio pé,
Se o Eng. Sócrates obrigasse empresas como a SIC a pagar aos estagiários, isso sim, seria um incentivo.
O problema de fazer uma peça sem olhar para o nosso umbigo é o mesmo que se passa quando se cospe para o ar.
FOI PROFUNDO!
terça-feira, março 24, 2009
Há gente que nunca aprende
Em 1990 Frederik de Klerk aboliu o regime do Apartheid na África do Sul.
Apartheid significa "vida separada" e é de origem afrikaans.
Em 1948 passou a ser usada para designar um regime que dava todo o poder aos brancos e obrigava os povos restantes a viver à parte, impedidos pela lei de ser verdadeiros cidadãos.
Ora, honrando o seu pasado, a África do Sul rejeitou o visto ao Dalai Lama, alegando o "interesse nacional".
O Dalai Lama iria estar no país, para participar, na próxima sexta-feira em Joanesburgo, numa conferência promovida pelos organizadores do Mundial'2010.
Mais curioso é saber que a conferência estaria inserida no movimento que quer ver o futebol aliado à luta contra o racismo e a xenofobia.
E digo "estaria" uma vez que, com a ausência do Dalai Lama, a conferência de sexta-feira foi cancelada.
A China, por seu lado, deu o ar da sua graça: "Todos os países devem respeitar a soberania e a integridade territorial da China e se opôr à independência do Tibete. Apreciamos medidas desta natureza".
É estranho como certas nações não aprendem nada...nem com a própria história.
FOI PROFUNDO!
Apartheid significa "vida separada" e é de origem afrikaans.
Em 1948 passou a ser usada para designar um regime que dava todo o poder aos brancos e obrigava os povos restantes a viver à parte, impedidos pela lei de ser verdadeiros cidadãos.
Ora, honrando o seu pasado, a África do Sul rejeitou o visto ao Dalai Lama, alegando o "interesse nacional".
O Dalai Lama iria estar no país, para participar, na próxima sexta-feira em Joanesburgo, numa conferência promovida pelos organizadores do Mundial'2010.
Mais curioso é saber que a conferência estaria inserida no movimento que quer ver o futebol aliado à luta contra o racismo e a xenofobia.
E digo "estaria" uma vez que, com a ausência do Dalai Lama, a conferência de sexta-feira foi cancelada.
A China, por seu lado, deu o ar da sua graça: "Todos os países devem respeitar a soberania e a integridade territorial da China e se opôr à independência do Tibete. Apreciamos medidas desta natureza".
É estranho como certas nações não aprendem nada...nem com a própria história.
FOI PROFUNDO!
domingo, março 01, 2009
Deixem-se de mariquices!
Foi triste ligar o televisor e apanhar o discurso de um senhor chamado Horácio Cunha que, como irei expôr de seguida, passou a infância, juventude e idade adulta, fechado em casa e privado de acesso à televisão, internet, livros e qualquer outra forma que lhe pudesse dar acesso a saber algo sobre a vida animal.
Diz o senhor Cunha - que, por acaso, é meu conterrâneo - "Nunca vi um cão a acasalar com outro cão, nem um cavalo com outro cavalo", rematando com uma bonita conclusão em que nos informa que só viu "machos a lutar pelas fêmeas".
Em primeiro lugar, se vamos para o reino animal, o que se vê são machos a lutar por território e por comida! E só não lutam por cerveja e pelo comando para ver futebol porque não sabem o que isso é. Depois disso é que aparece a luta pelas fêmeas. E, mesmo assim, acho que é só para se gabarem aos amigos: "Vês aquela cadela? Ando de volta dela!".
E isto é ponto assente.
Depois, não sei como é que o senhor Horácio, que é do distrito de Coimbra, nunca viu um cão a acasalar com um cão!
Eu morei mais de 20 anos em Coimbra e não foram poucas as vezes em que vi cães a acasalar. Mais ainda, vi-os em rituais de "degustação olfactiva anal" e, mais romântico ainda, em demoradas lambidelas testiculares.
Posso juntar a este relato outro não menos relevante. Quando em grupos de cães vadios, chegam a juntar-se para cima de 6 machos todos em comboiozinho, e isto vi eu com os meus olhinhos.
É que para saber estas coisas nem é preciso ser-se um Richard Attenborough ou mesmo ter qualquer interesse especial em animais!
Sendo o senhor Horácio um militante socialista, talvez pudesse adquirir um Magalhães e ir ao youtube.
Lá pode colocar "gay dog" e verá um sem número de vídeos em que cães acasalam com cães. O mesmo sucede caso coloque "gay horse". Algum dos vídeos incluem preliminares.
Se alguém conhecer o senhor Horácio, por favor mostre-lhe o que se pode ver no youtube para que o senhor Horácio Cunha, militante do PS, não viva na ignorância e não vá dizer coisas sem sentido à frente multidões e, mais ainda, estando a ser filmado para depois aparecer nos telejornais.
Senhor Horácio, este é para si:
Ah!
E os meus parabéns pela excelente argumentação anti-casamento gay.
FOI PROFUNDO!
Se alguém conhecer o senhor Horácio, por favor mostre-lhe o que se pode ver no youtube para que o senhor Horácio Cunha, militante do PS, não viva na ignorância e não vá dizer coisas sem sentido à frente multidões e, mais ainda, estando a ser filmado para depois aparecer nos telejornais.
Senhor Horácio, este é para si:
Ah!
E os meus parabéns pela excelente argumentação anti-casamento gay.
FOI PROFUNDO!
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
Eu bem digo...explorar é que está a dar!
Depois de eu ter escrito o post sobre as reformas de luxo e outro sobre a exploração dos recém-licenciados e ter falado do papel do Estado em toda a situação, eis que a senhora ministra da educação vem tomar uma medida que me parece um sinal... um sinal singular.
Eu diria que a senhora ministra lê o meu blogue e governa de acordo com o que lê. Mas actuando no sentido oposto das críticas.
A notícia é esta:
O Ministério da Educação pretende recrutar professores reformados para, em regime de voluntariado, colaborarem no apoio aos alunos nas salas de estudo, em projectos escolares ou no funcionamento das bibliotecas.
Segundo um projecto de despacho do secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, a que a Lusa teve acesso, as escolas definem no início de cada ano lectivo as suas necessidades, estabelecendo o perfil dos candidatos a recrutar e elaboram um programa de voluntariado.
O programa tem a duração de um ano lectivo, sendo renovável por iguais períodos de tempo. O trabalho do professor voluntário implica um mínimo de três horas por semana.
No final de cada ano lectivo, os professores voluntários elaboram um relatório anual da sua actividade, no qual deve constar uma autoavaliação.
Para a coordenação do trabalho voluntário será criada ao nível de cada Direcção Regional de Educação uma estrutura própria.
As áreas de intervenção do professor voluntário incluem ainda o apoio à formação de professores e pessoal não docente, o planeamento e realização de formação para pais, o apoio a visitas de estudo e o envolvimento em projectos de melhoria da sociedade local.
No texto do projecto de despacho, o secretário de Estado da Educação afirma que o "trabalho dos docentes aposentados se constituirá como uma actividade assente no reconhecimento das suas competências científicas, pedagógicas e cívicas, exercida de livre vontade, sem remuneração, numa prática privilegiada de realização pessoal e social".
A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) já criticou a iniciativa do Governo, afirmando que aquelas actividades "deveriam ser da responsabilidade dos professores no activo", com os quais, no entanto, as escolas "não podem contar". Por outro lado, afirma que a medida "economicista" poderá "remeter para o desemprego jovens professores".
"Não se questiona, para as escolas e as comunidades, das actividades que são referidas (...), discorda-se é que, para as desenvolver e assumir em pleno, o ME, em vez de criar as indispensáveis condições às escolas dotando-as dos recursos que lhe fazem falta, pretenda, através do trabalho gratuito dos docentes aposentados, substituir aqueles que nelas deveriam ser colocados", afirma a FENPROF.
Em comunicado, a estrutura sindical afirma que este voluntariado não deverá conseguir muitos adeptos, uma vez que "um dos motivos de afastamento de muitos professores aposentados" das escolas é "a natureza e o rumo da política educativa do Ministério da Educação".
O projecto de despacho foi remetido para o Conselho das Escolas, tendo em vista a emissão de um parecer, e para as direcções regionais de educação. A Lusa tentou sem sucesso contactar o presidente deste órgão consultivo do Ministério da Educação, Álvaro Almeida dos Santos.
Segundo um projecto de despacho do secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, a que a Lusa teve acesso, as escolas definem no início de cada ano lectivo as suas necessidades, estabelecendo o perfil dos candidatos a recrutar e elaboram um programa de voluntariado.
O programa tem a duração de um ano lectivo, sendo renovável por iguais períodos de tempo. O trabalho do professor voluntário implica um mínimo de três horas por semana.
No final de cada ano lectivo, os professores voluntários elaboram um relatório anual da sua actividade, no qual deve constar uma autoavaliação.
Para a coordenação do trabalho voluntário será criada ao nível de cada Direcção Regional de Educação uma estrutura própria.
As áreas de intervenção do professor voluntário incluem ainda o apoio à formação de professores e pessoal não docente, o planeamento e realização de formação para pais, o apoio a visitas de estudo e o envolvimento em projectos de melhoria da sociedade local.
No texto do projecto de despacho, o secretário de Estado da Educação afirma que o "trabalho dos docentes aposentados se constituirá como uma actividade assente no reconhecimento das suas competências científicas, pedagógicas e cívicas, exercida de livre vontade, sem remuneração, numa prática privilegiada de realização pessoal e social".
A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) já criticou a iniciativa do Governo, afirmando que aquelas actividades "deveriam ser da responsabilidade dos professores no activo", com os quais, no entanto, as escolas "não podem contar". Por outro lado, afirma que a medida "economicista" poderá "remeter para o desemprego jovens professores".
"Não se questiona, para as escolas e as comunidades, das actividades que são referidas (...), discorda-se é que, para as desenvolver e assumir em pleno, o ME, em vez de criar as indispensáveis condições às escolas dotando-as dos recursos que lhe fazem falta, pretenda, através do trabalho gratuito dos docentes aposentados, substituir aqueles que nelas deveriam ser colocados", afirma a FENPROF.
Em comunicado, a estrutura sindical afirma que este voluntariado não deverá conseguir muitos adeptos, uma vez que "um dos motivos de afastamento de muitos professores aposentados" das escolas é "a natureza e o rumo da política educativa do Ministério da Educação".
O projecto de despacho foi remetido para o Conselho das Escolas, tendo em vista a emissão de um parecer, e para as direcções regionais de educação. A Lusa tentou sem sucesso contactar o presidente deste órgão consultivo do Ministério da Educação, Álvaro Almeida dos Santos.
Como se não bastasse o regime quase esclavagista em que se vive mal se sai da universidade, como se não bastasse o constante braço de ferro entre governo/patronato e os funcionários quando se trata de dar um aumento a quem trabalha, eis que o ministério da Educação teve a ideia peregrina de pôr a trabalhar EM VOLUNTARIADO - um bonito sinónimo para "de graça" - quem já está na reforma.
Estes senhores políticos são mesmo chicos-espertos ou simplesmente o cérebro pára-lhes frequentemente????
Fico com um certo apetite de juntar às duas temáticas abordadas previamente uma nova.
A idade da reforma vai avançando, as pessoas têm de estar cada vez mais anos nos seus trabalhos até ter direito ao merecido descanso e, agora, quando o obtm vem uma senhora qualquer que meteram no governo dizer que vão ter de ir trabalhar de borla????
Porque é que o senhor Presidente da República não trabalha de borla? Ele é reformado!
Porque é que os senhores administradores de empresas públicas ou com participação do Estado não trabalham de borla? Eles são reformados!
Porque é que os senhores juízes reformados não são chamados para fazer umas horinhas por semana gratuitamente? Eles são reformados!
A lógica é espremer até ao tutano quem tem reformas normais ou miseráveis?
Que falta de vergonha na cara!
Ah! Tive uma ideia daquelas mesmo altamente inteligentes e que não passam pela cabeça de ninguém!
E que tal se pegassem nos professores que estão no desemprego e LHES PAGASSEM para fazer essa tarefa?
Sim, é verdade, é preciso ser um iluminado para pensar em algo tão complexo e que não envolva ir explorar quem já andou uma vida a trabalhar para ter um salário no final do mês e agora pode finalmente gozar a sua reforma!
FOI PROFUNDO!
terça-feira, fevereiro 03, 2009
A geração dos explorados
Recebi há coisa de uma semana atrás um email com um texto interessante.
Um texto daqueles que já tive vontade de escrever várias vezes mas, talvez por estar numa área na qual o emprego é algo tão escasso, o receio de responder desta forma e sofrer represálias irreversíveis sempre foi imenso.
"Venho por este meio responder ao anúncio colocado por V. Ex.ª a 9 JAN 09 no sítio da internet www.net-empregos.com, onde pretendem recrutar um Licenciado em Engenharia do Ambiente ou semelhante, para exercer o cargo de comunicador inbound na área de engenharia e politicas da agricultura.
"Venho por este meio responder ao anúncio colocado por V. Ex.ª a 9 JAN 09 no sítio da internet www.net-empregos.com, onde pretendem recrutar um Licenciado em Engenharia do Ambiente ou semelhante, para exercer o cargo de comunicador inbound na área de engenharia e politicas da agricultura.
Permita-me a ousadia de lhe tecer algumas considerações ao referido anúncio:
1. A Licenciatura em Engenharia do Ambiente ou semelhantes pressupõe um mínimo de frequência de Ensino superior de pelo menos 5 anos, onde pelo menos se paga, e em números redondos 1000€ anuais em propinas;
2. A licenciatura em Engenharia do Ambiente ou semelhante pressupõe no seu curriculum pelo menos umas 5 (cinco) cadeiras de matemática generalista e aplicadas à Engenharia.
3. Ainda que seja um recém-licenciado a concorrer ao emprego, este já possui um Know-How que lhe permite lidar com Decretos-lei, Portarias, Directivas Europeias, normativos de referência, etc.
4. Pressupõe ainda um licenciado, ter uma dose de inteligência acima da média, que lhe permitiu concluir em tempo útil a sua licenciatura, e após ter estado os seus primeiros 25 anos de vida com a “mochila” às costas.
O primeiro erro do seu anuncio consiste em aritmética pura, ou seja, o valor que pretende remunerar não se chega nem de perto nem de longe ao valor por si atribuído (630€).
Senão vejamos:
Salário Base 2,60 €
Subsídio de refeição 0,79 €
Multiplicando este valores pelas horas normais de trabalho e pelos dias úteis do mês obtêm-se o seguinte:
Total hora 3,39 €
Total dia 27,12€ (multiplicar pelas 8 horas de trabalho)
Total mês 596,64€ (multiplicar pelos 22 dias úteis)
Há ainda a descontar a este valor o IRS e a Segurança Social à taxa em vigor.
De onde virá o restante?
Será atribuído em forma de prémio por desempenho ou será subsidio de sapiência?
Por certo V Ex.ª terá feito estas contas e ter-se-á enganado a transcrever o valor. Este seguramente andará mais perto dos 530€, ou mesmo dos 430€, do que o valor por si apresentado.
O segundo erro do anúncio prende-se com o referido vencimento.
Desta feita não por questões de aritmética, mas sim de princípio.
Será possível que quando colocou o anúncio não fez as contas para chegar à conclusão que com esse vencimento estaria a ultrajar um (ou mais) licenciado, por auferirem um vencimento tão baixo?
Será possível vivermos continuadamente num país que supostamente aposta na formação e depois oferece vencimentos na casa do salário mínimo?
Para que tenhamos bem a noção dos valores ridículos de que estamos a falar, por curiosidade, vi um anúncio onde uma senhora se oferecia para limpezas e pedia 6€ à hora. Sensivelmente o dobro do que aqui oferecem.
Admitindo que estaria desempregado e que realmente necessitava de emprego, por valores superiores a esses estaria a repor detergentes (nota: para mim uma profissão tão honrada e nobre como outra qualquer) nas prateleiras duma superfície comercial qualquer, que por certo não me obrigaria a desgaste mental de andar a ler decretos, portarias e tirar dúvidas com conteúdo científico.
Atrevo-me a dizer que é vergonhoso, ou pelo menos deveria ser, para quem colocou o anúncio, e não menos vergonhoso para quem o mandou colocar.
E se realmente é esse o salário que oferece tenha a dignidade de o ocultar e de não espalhar pelo país que é isto que os quadros superiores auferem pelo contributo que dão à nossa sociedade.
Atentamente Rui Dinis
P.S. Segundo as suas contas este documento vale 1,13€ (brutos) referente a 20 minutos de ocupação.
Quem escreve desta forma consegue colocar num email aquilo que passa pela cabeça de muitos nós.
Quem escreve desta forma consegue colocar num email aquilo que passa pela cabeça de muitos nós.
Quantos colegas de curso (licenciados em jornalismo e outras licenciaturas na área da comunicação) estão registados em sites como o net-empregos ou o cargadetrabalhos e recebem diariamente várias ofertas de trabalho.
Sim, é de trabalho, não é de emprego.
A maior parte das ofertas não contemplam um salário!
Como?
Não há salário?
Quer dizer que temos de trabalhar de graça depois de anos na faculdade, a gastar dinheiro em propinas (aquela história do ensino superior tendencialmente gratuíto pode equiparar-se a uma Amy Winehouse tendencialmente sóbria e "clean"), em livros, em fotocópias, material escolar, transportes e alimentação - adoro especialmente aquela parte em que temos de entregar 3 cópias da monografia e do relatório de estágio e só uma delas é lida e, mesmo assim, só na diagonal. E não são três molhos de folhas, são 3 grupos de folhas devidamente encadernadinhas. - e não posso esquecer quem foi estudar para longe de casa dos pais.
Um somatório de encargos que, no final da licenciatura, tem como prémio o quê?
Um estágio curricular.
Leia-se: "um estágio em que as faculdades fornecem às empresas donas de orgãos de comunicação mão de obra gratuíta".
Depois disso, e como as empresas se habituaram à "mama" e, mais ainda, sabem que há imensos candidatos para um número restrito de vagas, usam o ridículo isco - no qual muitos caem - de dar a "possibilidade de integrar os quadros" ou de "um futuro na empresa", algo que se pode traduzir por outras palavras "vem! vem! ficas cá uns meses e depois vem outro que cai que nem um patinho como tu!".
Há pouco mais de um ano fui a uma entrevista para um projecto interessante.
Havia dinheiro à farta - aliás, o responsável da empresa fez questão de frisar que a empresa recebia imenso dinheiro de vários patrocinadores, Estado e autarquias - e o senhor estava disposto a oferecer-me um ordenado de 1500€/mês, mais prémio de produtividade e prémio de assiduidade... mas só após 5 meses no emprego. Até chegar a essa altura iria estar dois meses a receber 4,60€/dia e outros 3 meses a receber 600€/mês.
O estranho disto é a visão de alguém que nos diz "olha, eu quero pagar-te um ordenado, mas antes disso pretendo explorar-te bem. Pode ser? Anda lá! Depois vais receber bem!".
Na altura cheirou-me a esturro e recusei. Hoje em dia não me arrependo, até porque nunca ouvi falar da empresa em questão - apesar de ter ido agorinha mesmo ver se estava em funcionamento e ter constatado que está, apesar de não ter tido o desenvolvimento/expansão que na altura me foi apresentado.
Mas, desde então, é raro ver uma oferta de algo sem dizer "não remunerado" ou onde diga no final "ajudas de custo" ou "subsídio de alimentação", geralmente na ordem dos 100€ a 150€.
Mas esta gente pensa o quê?
Que depois de andarmos a gastar uma pipa de massa nos estudos temos de andar a servir de burros de carga para os senhores encherem os bolsos às nossas custas?
Onde é que o Sindicato dos Jornalistas se impõe nesta hora?
Não se impõe.
Embora, por vezes, se disponha a perder uns minutos a enviar umas linhas sobre o assunto.
E o governo tem a sua culpa.
Porquê?
Por duas razões:
1) porque permite que estes abusos sejam cometidos sem qualquer regulação.
2) porque o próprio Estado faz o mesmo. Por exemplo, o Ministério da Educação tem os estagiários a trabalhar sem qualquer remuneração. Em algumas licenciaturas, em que o estágio coincidia com o último ano do curso (falo de pré-Bolonha), os alunos andavam a pagar propinas ao Estado e a trabalhar de borla para o mesmo Estado.
Agora expliquem-me:
QUE RAIO DE ÉPOCA É ESTA EM QUE TEMOS DE PAGAR PARA TRABALHAR?
As coisas chegaram a um ponto em que não há vergonha na cara de quem emprega.
É suposto alguém viver com rendimentos inferiores às despesas correntes?
O descaramento é tanto que se oferece trabalho a troco de...experiência.
A falta de decência é tão grande que quem emprega já coloca anúncios como se estivesse a fazer o favor de aceitar alguém para trabalhar sem lhe pagar um tostão!
E nós, os que trabalhamos e prezamos o emprego, o salário e alguma estabilidade, trememos!
Vivemos com receio de fazer ou dizer alguma coisa que nos deite por terra as já raras oportunidades de trabalhar, ainda que mal pagos!
Se alguém quiser fazer alguma coisa quanto a isto, então que deixe comentário.
Pode ser que se comece a juntar uma pequena minoria de incomodados com o estado das coisas.
FOI PROFUNDO!
sexta-feira, janeiro 30, 2009
Futebol bíblico na cidade dos arcebispos
Há dias assim e hoje fui apanhado de surpresa pelo título de uma notícia do jornal Record.
Caramba!
Que bonito!
Trocadilhos bíblicos num jornal de desporto.
Giro mas mesmo giro era dizer que o "Bom Jesus de Braga viu Moisés abrir o caminho da titularidade após recuperar de lesão".
Olarila!
FOI PROFUNDO!
terça-feira, janeiro 27, 2009
TGV = Também Gosto de Velocidade?
Mais um email recebi e mais um post de reacção.

"Há uns meses optei por ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio. Comprado o bilhete, dei comigo num comboio que só se diferenciava dos nossos Alfa por ser menos luxuoso e dotado de menos serviços de apoio aos passageiros.
A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas.
Não fora ser crítico do projecto TGV e conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemas únicos dos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos. Se não os conhecesse bem perguntaria onde
A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas.
Não fora ser crítico do projecto TGV e conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemas únicos dos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos. Se não os conhecesse bem perguntaria onde
gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criação de riqueza.
A resposta está na excelência das suas escolas, na qualidade do seu Ensino Superior, nos seus museus e escolas de arte, nas creches e jardins-de-infância em cada esquina, nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade. Percebe-se bem porque não construíram estádios de futebol desnecessários, porque não constroem aeroportos em cima de pântanos nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.
O TGV é um transporte adaptado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro,
A resposta está na excelência das suas escolas, na qualidade do seu Ensino Superior, nos seus museus e escolas de arte, nas creches e jardins-de-infância em cada esquina, nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade. Percebe-se bem porque não construíram estádios de futebol desnecessários, porque não constroem aeroportos em cima de pântanos nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.
O TGV é um transporte adaptado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro,
competitivo com o transporte aéreo. É por isso, para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem essas tecnologias, que existe TGV em França ou Espanha (com pequenas extensões a países vizinhos). É por razões de sensatez que não o encontramos na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros países ricos. Tirar 20 ou 30 minutos ao Lisboa-Porto à custa de um investimento de cerca de 7,5mil milhões de euros não terá qualquer repercussão na economia do País.Para além de que, dado hoje ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.
Com 7,5 mil milhões de euros pode construir-se mil escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas (a 2,5 milhões de euros cada uma), mais mil creches inexistentes (a 1 m
Com 7,5 mil milhões de euros pode construir-se mil escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas (a 2,5 milhões de euros cada uma), mais mil creches inexistentes (a 1 m
ilhão de euros cada uma), mais mil centros de dia para os nossos idosos (a 1 milhão de euros cada um). Ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas outras carências, como a urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária."

É difícil não partilhar da opinião do autor deste texto, no entanto há que deixar duas ou três perguntas no ar:
1) As decisões que levaram ao projecto do TGV remontam a um governo anterior, um governo do PSD. Logo, será que os militantes laranja podem criticar este projecto? Será o talento para decisões megalómanas um mal comum a todas as forças políticas do nosso território nacional?
2) O projecto do TGV é um projecto que envolve os dois países ibéricos. Daqui se pode concluir que o que se faz do lado português está condicionado pelo que se faz do lado espanhol e o que se faz do lado espanhol condiciona o que é para ser feito do lado português. Acho que até aqui não há dúvidas. Então, se quando o projecto foi delineado ficou previsto que a parte do projecto português e a parte do projecto espanhol estivessem articuladas, é natural que não haja muito por onde escapar. Aliás, o governo espanhol já alertou para o facto do trajecto/traçado do TGV espanhol ter sido projectado para continuar para Portugal, caso contrário teria sido feito de outra forma, presumo eu que seria menos dispendiosa. Será possível, dadas estas condicionantes, voltar atrás com o TGV em Portugal?
3) Será que os autarcas portugueses sabem o que é o TGV? Será que sabem qual a sua particularidade que o distingue relativamente a, por exemplo, um comboio Alfa? Será que quando exigem que o TGV pare em determinadas cidades eles sabem que isso vai fazer com que o TGV ande a uma velocidade inferior ao previsto e ao que seria normal?
4) O TGV ibérico vai fazer com o que o transporte de pessoas e bens (expressão bonita!) seja feito de forma mais rápida entre Portugal e Espanha. Isso significa que vai aumentar a entrada de produtos espanhóis em Portugal e a entrada de produtos portugueses em Espanha. Vamos ser inundados de mais produtos vindos do lado de lá da fronteira? O balanço entre importações e exportações que virá com o TGV será positivo ou negativo para o nosso país?
FOI PROFUNDO?
A primeira vez de Mário Crespo
Eu sei que o título apela ao lado mais perverso do leitor, mas desengane-se quem espera algo mais caliente.
Porquê a primeira vez de Mário Crespo?
Porque foi a primeira vez em que o vi a entrevistar alguém e me senti defraudado.
Ontem o entrevistado foi o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira.
Em 2002 - ano da tão debatida aprovação da Declaração de Impacto Ambiental e da alteração dos limites da ZPE do Estuário do Tejo - Pedro Silva Pereira era secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza e, por isso mesmo, foi uma boa escolha de Crespo para clarificar uma série de situações que têm andado a ser usadas num ping-pong de acusações e suspeições e sua respectiva defesa.
Em 2002 - ano da tão debatida aprovação da Declaração de Impacto Ambiental e da alteração dos limites da ZPE do Estuário do Tejo - Pedro Silva Pereira era secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza e, por isso mesmo, foi uma boa escolha de Crespo para clarificar uma série de situações que têm andado a ser usadas num ping-pong de acusações e suspeições e sua respectiva defesa.
Ora, inicialmente, Mário Crespo conseguiu fazer as perguntas fundamentais para desmistificar e clarificar todo o processo burocrático (vou chamar-lhe burocrático quiçá erradamente mas tenho a péssima tendência de achar que tudo o que meta papeladas para resolver seja o que for acaba por ir dar em burocracia).
Tal como elogio o nível das perguntas, também me parece de elogiar a clareza das respostas.
Sabem quando - muito raramente - um político fala e explica algo e não ficamos com a impressão que ele está a inventar e a tentar enrolar o entrevistador e quem assiste à entrevista?
Pois bem, foi essa a impressão com que fiquei.
E onde foi que o Mário Crespo me desiludiu?
Foi quando decidiu arrancar para os "fait-divers".
Então fulana era prima?
E fulano era tio?
E o outro não era filho do tio?
Realmente isso é o que tem andado por toda a comunicação social e não discuto - tal como Pedro Silva Pereira não discutiu - a veracidade/falsidade dessas relações familiares metidas com negócios e reuniões e sabe-se lá o que mais. Ele remeteu isso para as investigações judiciais/judiciárias.
Sabem quando - muito raramente - um político fala e explica algo e não ficamos com a impressão que ele está a inventar e a tentar enrolar o entrevistador e quem assiste à entrevista?
Pois bem, foi essa a impressão com que fiquei.
E onde foi que o Mário Crespo me desiludiu?
Foi quando decidiu arrancar para os "fait-divers".
Então fulana era prima?
E fulano era tio?
E o outro não era filho do tio?
Realmente isso é o que tem andado por toda a comunicação social e não discuto - tal como Pedro Silva Pereira não discutiu - a veracidade/falsidade dessas relações familiares metidas com negócios e reuniões e sabe-se lá o que mais. Ele remeteu isso para as investigações judiciais/judiciárias.
O problema é do Mário Crespo.
O problema é que o homem nos habitou a ser de uma galáxia diferente, a ter um estilo diferente.
E quando o vemos a cair nas perguntas banais acaba por ser triste.
Mas bem se viu que não é nada o seu estilo tanto que, a páginas tantas, se viu meio atrapalhado, algo que foi notório quando o próprio pergunta ao ministro da Presidência se o tio do primeiro-ministro é tio do primeiro-ministro.
O problema é que o homem nos habitou a ser de uma galáxia diferente, a ter um estilo diferente.
E quando o vemos a cair nas perguntas banais acaba por ser triste.
Mas bem se viu que não é nada o seu estilo tanto que, a páginas tantas, se viu meio atrapalhado, algo que foi notório quando o próprio pergunta ao ministro da Presidência se o tio do primeiro-ministro é tio do primeiro-ministro.
Devo terminar com dois ditados populares:
"No melhor pano cai a nódoa" ou "a excepção confirma a regra".
Qualquer um deles é demonstrativo da minha opinião acerca do jornalista Mário Crespo.
E que a próxima entrevista seja como o MC sempre me/nos habituou.
FOI PROFUNDO!
"No melhor pano cai a nódoa" ou "a excepção confirma a regra".
Qualquer um deles é demonstrativo da minha opinião acerca do jornalista Mário Crespo.
E que a próxima entrevista seja como o MC sempre me/nos habituou.
FOI PROFUNDO!
sexta-feira, janeiro 23, 2009
Ainda se queixam da crise?
Murteira Nabo, chairman da Galp - cargo para o qual foi convidado pelo ministro da Economia, Manuel Pinho, já teve entre suas actividades as de:
- vereador da Câmara Municipal de Lisboa,
- Presidente do C.A. da Companhia Portuguesa Rádio Marconi (C.P.R.M.),
- Vice-Presidente da SOREFAME, de onde saiu para ser Secret
ário de Estado dos Transportes,
- Administrador da Companhia Industrial de Portugal e Colónias,
- Administrador Delegado da “IMOLEASING” - Sociedade de Locação Financeira Imobiliária S.A.,
- Secretário-Adjunto para a Educação, Saúde e Assuntos Sociais da Administração de Macau,
- Secretário-Adjunto para os Assuntos Económicos da Administração de Macau,
- Encarregado do Governo do Território de Macau entre Setembro,
- Gerente Delegado da CPRM Marconi SGPS Comunicações, Lda.,
- Presidente da Comissão Executiva na Portugal Telecom Internacional, SGPS S.A.;
- ministro do Equipamento Social,
- Presidente do Conselho de Administração da Portugal Telecom SGPS, SA,
- Presidente da Câmara do Comércio e Indústria Luso-Chinesa,
- membro da Direcção da Associação Comercial de Lisboa,
- vogal do Conselho de Administração do Banco Espírito Santo, SA,
- membro do Conselho de Curadores da Fundação Oriente,
- membro do INSEAD,
- Presidente da Direcção da Proforum – Associação para o Desenvolvimento da Engenharia,
- Presidente da Associação dos Antigos Alunos do Instituto Superior de Economia e Gestão
(ISEG),
- Presidente da Direcção da Cotec Portugal – Associação Empresarial para a Inovação e membro do Conselho Superior de Ciência, Tecnologia e Inovação (CSCTI)
- Bastonário da Ordem dos Advogados.
Não sei se falta aqui alguma coisa mas é de louvar a tendência para altos cargos que sempre assombrou a vida de Murteira Nabo.
E, alerto já, não pretendo com isto discutir a competência ou inteligência do senhor.
Eu acredito que não faça sentido eu estar aqui a publicar uma parte do CV do chairman da
GALP, mas o motivo é simples.
Muito recentemente o senhor disse que algo semelhante a se sentir próximo da empresa Portugal Telecom pois era reformado da PT.
Ora, esta bonita declaração de Murteira Nabo espoletou uma vontade imensa de escrever umas linhas sobre algo que me causa uma certa azia há um bom tempo..
Então resolvi fazer uma pesquisazinha e, perante os dados recolhidos, tentar juntar as peças do puzzle.

Aqui há uns tempinhos, a revista Focus avançou com a notícia que dava conta do novo assessor jurídico da EDP. Pedro Santana Lopes foi uma nomeação do seu ex-ministro António Mexia (actual presidente executivo da EDP) e deu-lhe a ganhar cerca de 10.000€/mês.
O actual presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, António de Almeida, tinha desempenhado o cargo de presidente do Conselho de Administração da mesma EDP tendo saído do cargo mediante o pagamento de uma choruda indemnização (curiosamente não encontro qualquer notícia sobre isso na internet) e voltou à EDP pela mão de António Mexia.
António Mexia, enquanto presidente do Conselho de Administração da EDP, decidiu ainda no ano de 2008 um aumento de 118% aos senhores administradores da empresa, valor do qual ele "não se queixa" (palavras de Mexia, que já auferia, antes do aumento, 600000€/ano brutos, fora outros montantes que podiam acrescer. Vide LINK), esperando que a massa de trabalhadores da empresa também não se queixassem do aumento que lhes foi concedido, também com números semelhantes, apenas trocando o 1 do meio por uma vírgula, o que deu 1,8% de aumento aos funcionários da EDP.
Um quadro superior da GALP, convidado para a empresa por António Mexia em 2002, saiu com uma indemnização de 290.000€, em 2004.
Saiu de lá para a REFER, quando Mexia passou a ser Ministro das Obras Públicas e Transportes.
O filho de Miguel Horta e Costa (CDS-PPD), recém licenciado, entrou para lá com 28 anos e a receber, desde logo, 6600€ mensais.
(O que me faz lembrar uma anedota, uma bonita anedota que reza assim:
Empresário: Bom dia Sr. Eng., há quanto tempo ??!!!
Ministro: Olha, olha, está tudo bem?!
Empresário: Eh pá, mais ou menos, tenho o meu filho desempregado tu é que eras homem para me desenrascar o miúdo.
Ministro: E que habilitações ele tem?!
Empresário: Tem o 12.º completo.
Ministro: O que ele sabe fazer?!
Empresário: Nada, sabe ir para a Discoteca e deitar-se às tantas da manhã!
Ministro: Posso arranjar-lhe um lugar como Assessor, fica a ganhar cerca de 4000, agrada-te?!
Empresário: Isso é muito dinheiro, com a cabeça que ele tem era uma desgraça não arranjas algo com um ordenado mais baixo?!
Ministro: Sim, um lugar de Secretario já se ganha 3000 !...
Empresário: Ainda é muito dinheiro, não tens nada volta dos 600/700 ???
Ministro: Eh pá, isso não, para esse ordenado tem de ser Licenciado, falar Inglês e dominar Informática!!!)
Freitas do Amaral foi consultor da empresa, entre 2003 e 2005, por 6350 €/mês, além de gabinete e seguro de vida no valor de 70 meses de ordenado.
Manuel Queiró (CDS/PP) era administrador da área de imobiliário 8.000€/mês. A contratação de um administrador espanhol para o seu lugar passou por lhe serem oferecidos 15 anos de antiguidade, pagos na hora da sua saída, pagamento da casa e do colégio dos filhos, entre outras regalias.
Guido Albuquerque, cunhado de Morais Sarmento, passou da ESSO para a GALP, valendo-lhe 17 anos de antiguidade, ordenado de 17.400€ e seguro de vida igual a 70 meses de ordenado.
Ferreira do Amaral, presidente do Conselho de Administração. Um cargo não executivo era remunerado de forma simbólica: 3.000€/mês, pelas presenças. Mas, pouco depois da nomeação, passou a receber PPRs no valor de 10.000€, o que dá uma verba total de 13.000€.
Ainda na GALP, um engenheiro agrónomo foi trabalhar para a área financeira a 10.000€/mês; uma especialista em Finanças foi para o Marketing por 9800€/mês.
Aquando da divulgação destes dados, o presidente da Comissão executiva auferia 30.000€e os vogais 17.500€.
Mas continuemos.
Em Setembro de 2002 foi publicada na II Série do Diário da República a aposentação do Exmº. Senhor Juiz Desembargador Dr. José Manuel Branquinho de Oliveira Lobo, a quem foi atribuído o número de pensionista 438.881, que, no dia 1 de Abril de 2002, havia sido sujeito a uma “Junta Médica” que, por força de uma doença do foro psiquiátrico, considerou a sua incapacidade para estar ao serviço do Estado, o que foi determinante para a sua passagem à aposentação.
O Dr. Branquinho Lobo passou a auferir uma pensão de aposentação no montante
de 5.320,00€.
Contudo, por resolução proferida no dia 30 de Julho de 2004, o Conselho de Ministros do Governo do Dr. Pedro Santana Lopes nomeou o Dr. Branquinho Lobo como Director Nacional da Polícia de Segurança Pública.
O Dr. Branquinho Lobo passou a acumular a sua pensão de aposentação por incapacidade com o vencimento de Director Nacional da P.S.P..
E que tal se pegarmos num dos casos que mais repudio?
Que tal analisarmos o caso do Presidente da República?
Aníbal Cavaco Silva recebe três pensões pagas pelo Estado, distribuídas da seguinte forma:
4.152,00€ - Banco de Portugal.
2.328,00€ - Universidade Nova de Lisboa.
2.876,00€ - Por sido primeiro-ministro.
Ora, o senhor Presidente da República acumula estas três reformas com o com o vencimento de P.R..
É um bonito exemplo de hipocrisia, especialmente quando o senhor PR também gosta de vir falar sobre a crise e sobre como os portugueses têm de apertar o cinto. Obviamente, o senhor Aníbal deve incluir-se no grupo dos espanhóis!
A advogada Vera Sampaio foi contratada como assessora pelo membro do Governo Senhor Doutor Manuel Pedro Cunha da Silva Pereira, Ministro da Presidência.
Foi autorizada a continuar a dar aulas numa universidade privada.
Vera Sampaio é filha do Senhor ex-presidente.
Já o filho de Jorge Sampaio, depois de se ter formado foi logo para consultor da Portugal Telecom.
Com apenas 50 anos de idade e gozando de plena saúde, o socialista Vasco Franco, número 2 do PS na Câmara de Lisboa durante as presidências de Sampaio e de Soares, está reformado com uma pensão de 3.035€, um valor bastante acima do seu vencimento como vereador. Foi aposentado como técnico superior de 1ª classe – apesar de as suas habilitações literárias serem equivalentes ao 9º ano.
Entrou para o Ministério da Administração Interna em 1972 e dos 30 anos passados só ali cumpriu sete de dedicação exclusiva; três foram para o serviço militar e os restantes 20 na vereação da Câmara de Lisboa, doze dos quais a tempo inteiro. Vasco Franco diz que a lei o autoriza a contar a dobrar 10 dos 12 anos como vereador a tempo inteiro: triplicar o salário.
Já depois de ter entregue o pedido de reforma, Vasco Franco foi convidado para administrador da Sanest (uma sociedade de capitais públicos), com um ordenado líquido de 4000€ mensais. Foi convidado pelo presidente da Câmara da Amadora, cuja mulher é secretária de Vasco Franco na Câmara de Lisboa.
A acumulação de vencimentos foi autorizada mas o salário de administrador é reduzido em 50% – para 2000€ – a partir de Julho, mês em que se inicia a reforma, segundo Vasco Franco.
A somar aos mais de 5000€ da reforma e do lugar de administrador, Vasco Franco recebe ainda mais 900€ de outra reforma, por ter sido ferido em combate em Moçambique já depois do 25 de Abril e cerca de 250€ em senhas de presença pela actuação como vereador sem pelouro.
Contas feitas, o novo reformado triplicou o salário que auferia no activo, ganhando agora mais de 6000€ limpos. Além de carro, motorista, secretária, assessores e telemóvel.
O que também é deveras interessante é o caso dos deputados e ex-deputados.
Após as eleições legislativas o que acontece aos deputados que não foram re-eleitos?
Quando terminam as funções, os deputados e governantes têm o direito, por Lei a um subsídio que dizem de reintegração:
Um mês de salário (3.449€) por cada seis meses de Assembleia ou governo.
Desta maneira um deputado que o tenha sido durante um ano recebe dois salários (6.898€). Se o tiver sido durante 10 anos, recebe vinte salários (68.980€). Feitas as contas e os deputados que saíram na última "substituição legislativa", o Erário Público desembolsou mais de 2.500.000€!
E há que lembrar que o "cargo" (peço desculpa de não lhe chamar profissão) de deputado não é desempenhado em exclusividade. Ou seja, os senhores deputados podem desempenhar outras funções - que são remuneradas, está claro - enquanto têm assento na Assembleia da República.
Há ainda aqueles que têm direito a subvenções vitalícias ou pensões de reforma, mesmo que não tenham 60 anos, bastando para isso que tenham sido titulares de cargos políticos por mais de 12 anos.
Alguém quer ver uma lista de ilustres reformados do Parlamento?
Calculei que sim.
Almeida Santos - 4.400€;
Medeiros Ferreira - 2.800€;
Manuela Aguiar - 2.800€;
Pedro Roseta - 2.800€;
Helena Roseta - 2.800€;
Narana Coissoró - 2.800€;
Álvaro Barreto - 3.500€;
Vieira de Castro - 2.800€;
Leonor Beleza - 2.200€;
Isabel Castro - 2.200€;
José Leitão - 2.400€;
Artur Penedos - 1.800€;
Bagão Félix - 1.800€.
Depois, há também uma lista de reintegrados:
Luís Filipe Pereira 26.890€/9 anos de serviço;
Sónia Fortuzinhos 62.000€/ 9 anos e meio de serviço;
Maria Santos 62.000€/9 anos de serviço;
Paulo Pedroso 48.000€/7 anos e meio de serviço
(aos quais pode juntar indemnizações pelo processo Casa Pia. Ah, e, como se pode ver, se fosse outro indivíduo qualquer a ser acusado de qualquer crime seria uma coisa perfeitamente natural e integrada no processo de investigação, mas como o senhor Paulo Pedroso é político, tem direito a uma indemnização.);
David Justino 38.000€/5 anos e meio de serviço;
Ana Benavente 62.000€/9 anos de serviço;
M.ª Carmo Romão 62.000€/9 anos de serviço;
Luís Nobre Guedes 62.000€/9 anos e meio de serviço.
A maioria dos outros deputados que não regressaram estiveram lá somente na última legislatura, isto é, 3 anos, o suficiente para terem recebido cerca de 20.000€ cada.
Mais um grupo de espanhóis que dizem que os portugueses têm que apertar o cinto.
Mais um dado pleno de beleza surge quando descubro que 9 em cada 10 aposentados com mais de 5.000€ mensais foram juízes.
Virando umas páginas para trás, podemos ver a lista de Aposentados no ano de 2005 (Janeiro a Novembro):
Janeiro
Ministério da Justiça
5380.20€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
Março
Ministério da Justiça
7148.12€ procurador-geral Adjunto Procuradoria-Geral República
5380.20€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5484.41€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
Empresas Públicas e Sociedades Anónimas
6082.48€ Jurista CTT Correios Portugal SA
Abril
Ministério da Justiça
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5338.40€ Procuradora-Geral Adjunta
Procuradoria-Geral República - Antigos Subscritores
6193.34€ Professor Auxiliar Convidado
Maio
Ministério da Justiça
5663.51€ Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Procurador-Geral Adjunto Procuradoria-Geral República
5460.37€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5663.51€ Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5338.40€ Procuradora-Geral Adjunta Procuradoria-Geral República
5663.51€ Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
Junho
Ministério da Justiça
5663.51€ Juiz Conselheiro Supremo Tribunal Administrativo
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5663.51€ Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
Julho
Ministério da Justiça
5182.91€ Juiz Direito Conselho Superior Magistratura
5182.91€ Procurador República Procuradoria-Geral República
5307.63€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Procurador-Geral Adjunto Procuradoria-Geral República
Agosto
Ministério da Justiça
5173.46€ Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5173.46€ Conservadora Direcção Geral Registos Notariado
5173.46€ Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5173.46€ Notário Direcção Geral Registos Notariado
5173.46€ Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5663.51€ Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5663.51€ Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5043.12€ Notária Direcção Geral Registos Notariado
5173.46€ Conservador 1ª Classe Direcção Geral Registos Notariado
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5027.65€ Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5663.51€ Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5173.46€ Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5173.46€ Notário Direcção Geral Registos Notariado
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5159.57€ Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5173.46€ Notária Direcção Geral Registos Notariado
5173.46€ Ajudante Principal Direcção Geral Registos Notariado
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5173.46€ Notário 1ª Classe Direcção Geral Registos Notariado
5173.46€ Notária Direcção Geral Registos Notariado
Setembro
Ministério dos Negócios Estrangeiros
7284.78€ Vice-Cônsul Principal Secretaria-Geral (Quadro Externo)
6758.68€ Vice-Cônsul Secretaria-Geral (Quadro Externo)Ministério da Justiça
5663.51€ Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
Ministério da Educação
5103.95€ Presidente Conselho Nacional Educação
Outubro
Ministério da Justiça
5498.55€ Procurador-Geral Adjunto Procuradoria-Geral República
Novembro
Ministério dos Negócios Estrangeiros
7327.27€ Técnica Especialista Secretaria-Geral (Quadro Externo)
Tribunal de Contas
5663.51€ Presidente
Ministério da Justiça
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5663.51€ Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior MagistraturaMinistério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
5015.16€ Professor Coordenador Inst. Superior Engenharia Lisboa
Vítor Constâncio, o governador do Banco de Portugal, ganha 272.628 € por ano, ou seja quase 3.894 contos mensais, 14 meses/ano.
(se quiserem saber mais pormenores sigam este LINK)
Vejam mais uma lista interessante:
Central bank governors' salaries (US$)
(estes dados são ainda relativos a 2003. não consegui encontrar uma lista actualizada)
Joseph Yam (Hong Kong) $1,120,000 (1)
Malcolm Knight (General Manager, BIS) $450,000
Nout Wellink (Netherlands) $440,000
Jean Pierre Roth (Swiss National Bank) $429,000
Wim Duisenberg (European Central Bank) $417,000 (2)
Mervyn King (Bank of England) $411,160
Ian Macfarlane (Australia) $325,123 (3)
John Hurley (Ireland) $315,000
Bill McDonough (New York Fed) $315,000
Toshihiko Fukui (Bank of Japan) $276,076 (4)
Alan Bollard (Reserve Bank of New Zealand) $255,672 (5)
Bodil Nyboe Andersen (National Bank of Denmark) $253,000
Klaus Liebscher (Austria) $247,150
Lars Heikenstein (Sweden) $241,000
Matti Vanhala (Finland) $233,000
Alan Greenspan (Federal Reserve) $172,000
Svein Igvar Gjedrem (Norges Bank) $151,000
Zdenek Tuma (Czech National Bank) $110,000
O que faria com que o governador do Banco de Portugal aparecesse ali no meio a receber 361.240$, ou seja, o sétimo mais bem pago do mundo - considerando o valor que aufere actualmente.
O que faz todo o sentido, especialmente quando situamos a economia nacional no seio da economia mundial, também ficando num sétimo lugar. Ou então não.
Outros ordenados chorudos do Banco de Portugal :
O Vice-governador, Pedro Duarte Neves - 254.586 €/ano
O Vice-governador, José Martins de Matos - 244.536 €/ano
O administrador José Silveira Godinho - 413.250 €/ano (acumula com uma pensão do BdP, mais 139.550 €/ano)
O administrador Vítor Rodrigues Pessoa - 316.084 €/ano (inclui também acumula com uma pensão do BdP, mais 139.550 €/ano)
O administrador Manuel Ramos Sebastião - 226.081 €/ano (saiu em Março de 2008 da administração do Banco de Portugal depois do ministro da Economia, Manuel Pinho, o ter nomeado para Presidente da Autoridade da Concorrência)
O ex-Vice-governador, António Pereira Marta, que saiu do BdP em 2006, acumulava com o seu salário de 244.174 €/ano a sua pensão como reformado do Banco de Portugal.
Campos e Cunha, ex-ministro das Finanças recebeu durante os dois meses em que esteve no Executivo 4600€ mensais de ordenado e uma reforma de 8.000€ do Banco de Portugal.
Mira Amaral saiu da Caixa Geral de Depósitos (CGD) com uma reforma de gestor 18.000€. Na altura acumulava uma pensão de 1800€, como deputado e 16.000€ como líder executivo da CGD. Esteve em funções apenas 1 ano e 9 meses.
Há algum tempo atrás, escrevi um pequeno textinho sobre os juízes quando o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, chamou a atenção para o facto das remunerações dos magistrados estarem congeladas há cerca de 16 anos.
Ora, há que ter alguma pena dos senhores juízes.
Segundo o actual bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto, os magistrados têm direito aos seguintes privilégios:
- Recebem um subsídio de renda de casa no valor de 700€/mês, mesmo que residam em casa própria. Se forem casados com outro magistrado, habitando em casa própria cada um deles recebe esse subsídio, o que aponta para uma verba de 1400€/mês
Melhor ainda, os magistrados aposentados ou jubilados podem incorporar esse subsídio nas suas reformas e nas mesmas condições dos que se encontram no activo.
E mais! O subsídio de renda de casa dos magistrados está isento de IRS, após acórdão do STA, ou seja, decisões dos magistrados.
Acho fantástico que alguém possa auferir uma remuneração permanente, que essa remuneração entre no cálculo da reforma, mas que esteja isenta de IRS.
- Os magistrados do Supremo Tribunal Administrativo, do Supremo Tribunal de Justiça e do Tribunal Constitucional que residam fora da área da Grande Lisboa recebem ajudas de custo precisamente quando se deslocam para o seu local de trabalho. A situação torna-se tanto mais incompreensível quanto é certo que os referidos magistrados usufruem de viagens totalmente gratuitas em todos os transportes públicos terrestres e fluviais, incluindo os comboios Alfa.
Ora, depois da imbecilidade que foi a construção de dez estádios para o Euro 2004, bem visível em estádios como o de Leiria, Aveiro ou do Algarve e, um pouco menos mas também notória, do Bessa, Guimarães ou Coimbra, o Estado Português continua na senda do dinheiro mal gasto em infraestruturas desportivas.
A cidade de Al-Kahder, nos arredores de Belém, na Cisjordânia, tem um novo estádio cuja construção foi financiada por Portugal, através do Instituto Português de Cooperação para o Desenvolvimento. (vide o LINK)
O recinto custou dois milhões de dólares, tem capacidade para seis mil espectadores, é certificado pela FIFA e dispõe de piso sintético e iluminação.
A cerimónia de inauguração abriu com uma marcha de escuteiros locais, conduzindo as bandeiras de Portugal e da Palestina, e a execução dos respectivos hinos nacionais.
A cerimónia contou com intervenções da ministra do Turismo, Khouloud Daibes, em representação do Presidente, Jorge Torres Pereira, representante de Portugal junto da Autoridade Nacional Palestiniana, em nome do Governo português e do IPAD, e o presidente da Câmara de Al- Khader, Adnan Sbeih.
Segundo a Agência Lusa, Portugal ofereceu camisolas dos jogadores Cristiano Ronaldo, Deco e Quaresma, que ficaram expostas numa sala do estádio Al-Khader.
Os organizadores tinham previsto a exibição de mensagens vídeo de Luís Figo, Cristiano Ronaldo, José Mourinho e Luís Filipe Scolari, para serem difundidas durante a cerimónia.
Segundo o representante diplomático de Portugal, estas 'seriam naturalmente, mensagens de apoio às esperanças e às alegrias bem conhecidas dos praticantes e adeptos do futebol e representariam mais uma forma de passar uma mensagem de paz à juventude palestiniana, na língua internacional, que é o desporto'.
Khalil Shahwan, director do Departamento de Juventude e Desportos de Belém, agradeceu, em entrevista publicada pelo diário El-Quds, à 'nação amiga portuguesa' pela sua importante contribuição, esperando que esta sirva de exemplo a outros países, para que ajudem o povo palestiniano a realizar as suas necessidades."
O dinheiro por aqui escasseia para urgências, maternidades, centros de saúde e escolas primárias,mas há sempre dois milhões para oferecer um estádio à Palestina.
Este post já vai muito longo mas não posso escapar-me à publicação de um texto que recebi por email e que relata as contas feitas por um cidadão português:
"Em cada 100 euros que o patrão paga pela minha força de
trabalho, o Estado, e muito bem, tira-me 20 euros
para o IRS e 11 euros para a Segurança Social.
O meu patrão, por cada 100 euros que paga pela minha
força de trabalho, é obrigado a dar ao Estado, e muito
bem, mais 23,75 euros para a Segurança Social.
E por cada 100 euros de riqueza que eu produzo, o Estado,
e muito bem, retira ao meu patrão outros 33 euros.
Cada vez que eu, no supermercado, gasto os 100 euros que
o meu patrão pagou, o Estado, e muito bem, fica com 21 euros para si.
Em resumo:
Quando ganho 100 euros, o Estado fica quase com 55.
Quando gasto 100 euros, o Estado, no mínimo, cobra 21.
Quando lucro 100 euros, o Estado enriquece 33.
Quando compro um carro, uma casa, herdo um quadro,
registo os meus negócios ou peço uma certidâo, o Estado,
e muito bem, fica com quase metade das verbas envolvidas no caso.
Eu pago e acho muito bem, portanto exijo :
- Um sistema de ensino que garanta cultura, civismo e futuro
emprego para os meus filhos.
- Serviços de saúde exemplares.
- Um hospital bem equipado a menos de 20 km da minha casa.
- Estradas largas, sem buracos e bem sinalizadas em todo o país.
- Auto-estradas sem portagens. Pontes que não caíam.
- Tribunais com capacidade para decidir processos em menos de um ano.
- Uma máquina fiscal que cobre igualitariamente os impostos.
Eu pago, e por isso quero ter, quando lá chegar, a reforma
garantida e jardins públicos e espaços verdes bem tratados e seguros.
....Polícia eficiente e equipada.
....Os monumentos do meu País bem conservados e abertos ao
público, uma orquestra sinfónica.
....Filmes criados em Portugal.
....E, no mínimo, que não haja um único caso de fome e miséria nesta terra.
.... Na pior das hipóteses, cada 300 euros em circulação em
Portugal garantem ao Estado 100 euros de receita.
....Portanto, Srs. Governantes, governem-se com o dinheiro
que lhes dou porque eu quero e tenho direito a tudo isto.
assinado:
Um português contribuinte.
Depois disto, faz sentido pegar em dados publicados pelo Correio da Manhã, relativos ao ano de 2004 e que dão conta do peso dos funcionários públicos na população activa nacional, em comparação com outras realidades europeias.
(Fonte EUROSTAT)
Suécia---------------- 33,3%
Dinamarca----------- 30,4%
Bélgica---------------- 28,8%
Reino Unido--------- 27,4%
Finlândia------------- 26,4%
Holanda-------------- 25,9%
França---------------- 24,6%
Alemanha------------ 24%
Hungria--------------- 22%
Eslováquia------------ 21,4%
Áustria---------------- 20,9%
Grécia---------------- 20,6%
Irlanda---------------- 20,6%
Polónia---------------- 19,8%
Itália-------------------19,2%
República Checa--- 19,2%
PORTUGAL--------- 17,9%
Espanha-------------- 17,2%
Luxemburgo---------- 16%
Ou muito me engano ou estes números (ah! números: a paixão do senhor Sócrates. Ou será Eng. Sócrates?) indicam que não há pois funcionários públicos a mais, até somos o 3º país da U.E. com menor percentagem de funcionários públicos na população activa.
Se formos a ter em atenção certos pormenores, chegamos à conclusão que há áreas onde o despesismo é gritante e poderia ser evitado:
- Cada ministro deste e de outros governos tem, para seu serviço pessoal e sob as suas ordens directas:
- uma média de 136 pessoas entre:
- secretários e subsecretários de estado,
- chefes de gabinete,
- funcionários do gabinete,
- assessores,
-secretárias
- motoristas)
- 56 viaturas.
Estes número são APENAS cinco vezes superiores ao resto da Europa.
Mas as fortunas que se esbanjam não param por aqui.
António Carrapatoso, figura de proa da Telecel/Vodafone e destacado dirigente do PSD viu prescrever uma dívida de 700.000€ de IRS.
Talvez eu seja uma criança muito inocente mas pergunto-me por que razão prescreveu esta dívida?
Eu já ouvi falar tantas vezes em cobrança coerciva, será que não era aplicável neste caso? O indivíduo em causa não tem, nem nunca teve, paradeiro desconhecido.
António Carrapatoso até apareceu com alguma frequência, nos écrans da televisão para entrevistas e comentários. E sempre as virtudes do "sistema" em que vivemos.
Em 2005 os CTT pagaram 19000€ mil euros a Luís Felipe Scolari por uma palestra de 45 minutos, que teve como tema algo parecido com «Como fortalecer o espírito de grupo» no dia 14 de Janeiro desse ano, no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, durante um Encontro dos Correios de Portugal.
A decoração custou mais de 430000€ e havia dois carros de luxo.
Junte-se a isto a despesa efectivamente facturada entre 8 de Julho de 2002 e 31 de Maio de 2005, com a decoração do gabinete do presidente do Conselho da Administração dos CTT, Carlos Horta e Costa, bem como a sua sala de visitas e ainda das salas de visitas e refeições que custou 430.691€.
Carlos Horta e Costa teve à sua disposição, entre 2002 e 2005, um Jaguar S Type (a renda para o adquirir custou cerca de 50.758€) e um Mercedes Benz S320CDI (comprado em Abril de 2004 por 84000€).
O Relatório da Inspecção-Geral das Obras Públicas conclui haver «indícios de má gestão» e «falta de contenção de uma empresa que gere dinheiros públicos», pelo anterior Conselho de Administração que liderou os CTT entre 8 de Julho de 2002 e 31 de Maio de 2005.
Foi aberta uma investigação relativa ao mesmo período, devido aos CTT terem participado num negócio de milhões de euros com a SLN/BPN, relativo à aquisição de viaturas.
Os CTT terão pago pelo fornecimento de viaturas mais 2 milhões de euros do que deviam.
Outro negócio que também está a ser investigado, é o que diz respeito ao pagamento de comissões na venda de um edifício dos CTT em Coimbra.
Juntando todos os factos relatados (e que foram recolhidos quer em jornais, em emails e outras publicações online e são tidos como verdadeiros) eu pergunto:
1) os senhores deste país que foram referidos neste post sabem de onde vem a crise?
2) os senhores deste país que foram referidos neste post continuam a achar que é necessário despedir pessoal para cortar na despesa?
3) os senhores deste país que foram referidos neste post continuam a achar que são espanhóis na hora em que dizem que os portugueses têm de apertar o cinto?
4) os senhores deste país que foram referidos neste post sabem que a crise para eles não é a crise para o resto dos portugueses?
5) os senhores deste país que foram referidos neste post ainda não conseguiram perceber qual a origem da falência da Segurança Social?
6) os senhores deste país que foram referidos neste post ainda não perceberam qual a solução para cortar no dinheiro que se gasta sem quê nem porquê em Portugal?
Peço desculpa pelo post extremamente longo...
FOI PROFUNDO!
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Dispenso...
Porque tudo o que é dito é dispensável...
Porque tudo o que é escrito é dispensável...
Este é um blog onde se fala a sério e se brinca.
Quem não goste de ironia ou sarcasmo que feche esta página rapidamente!
Aqui ninguém tem razão.
Eu não pretendo estar certo, pretendo observar e pretendo fazê-lo de uma forma atenta e crítica...de uma forma dispensável.
Dispenso...um blog dispensável.
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