quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Eu bem digo...explorar é que está a dar!

Depois de eu ter escrito o post sobre as reformas de luxo e outro sobre a exploração dos recém-licenciados e ter falado do papel do Estado em toda a situação, eis que a senhora ministra da educação vem tomar uma medida que me parece um sinal... um sinal singular.
Eu diria que a senhora ministra lê o meu blogue e governa de acordo com o que lê. Mas actuando no sentido oposto das críticas.

A notícia é esta:

O Ministério da Educação pretende recrutar professores reformados para, em regime de voluntariado, colaborarem no apoio aos alunos nas salas de estudo, em projectos escolares ou no funcionamento das bibliotecas.

Segundo um projecto de despacho do secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, a que a Lusa teve acesso, as escolas definem no início de cada ano lectivo as suas necessidades, estabelecendo o perfil dos candidatos a recrutar e elaboram um programa de voluntariado.

O programa tem a duração de um ano lectivo, sendo renovável por iguais períodos de tempo. O trabalho do professor voluntário implica um mínimo de três horas por semana.

No final de cada ano lectivo, os professores voluntários elaboram um relatório anual da sua actividade, no qual deve constar uma autoavaliação.

Para a coordenação do trabalho voluntário será criada ao nível de cada Direcção Regional de Educação uma estrutura própria.

As áreas de intervenção do professor voluntário incluem ainda o apoio à formação de professores e pessoal não docente, o planeamento e realização de formação para pais, o apoio a visitas de estudo e o envolvimento em projectos de melhoria da sociedade local.

No texto do projecto de despacho, o secretário de Estado da Educação afirma que o "trabalho dos docentes aposentados se constituirá como uma actividade assente no reconhecimento das suas competências científicas, pedagógicas e cívicas, exercida de livre vontade, sem remuneração, numa prática privilegiada de realização pessoal e social".

A Federação Nacional dos Professores (FENPROF) já criticou a iniciativa do Governo, afirmando que aquelas actividades "deveriam ser da responsabilidade dos professores no activo", com os quais, no entanto, as escolas "não podem contar". Por outro lado, afirma que a medida "economicista" poderá "remeter para o desemprego jovens professores".

"Não se questiona, para as escolas e as comunidades, das actividades que são referidas (...), discorda-se é que, para as desenvolver e assumir em pleno, o ME, em vez de criar as indispensáveis condições às escolas dotando-as dos recursos que lhe fazem falta, pretenda, através do trabalho gratuito dos docentes aposentados, substituir aqueles que nelas deveriam ser colocados", afirma a FENPROF.

Em comunicado, a estrutura sindical afirma que este voluntariado não deverá conseguir muitos adeptos, uma vez que "um dos motivos de afastamento de muitos professores aposentados" das escolas é "a natureza e o rumo da política educativa do Ministério da Educação".

O projecto de despacho foi remetido para o Conselho das Escolas, tendo em vista a emissão de um parecer, e para as direcções regionais de educação. A Lusa tentou sem sucesso contactar o presidente deste órgão consultivo do Ministério da Educação, Álvaro Almeida dos Santos.

Como se não bastasse o regime quase esclavagista em que se vive mal se sai da universidade, como se não bastasse o constante braço de ferro entre governo/patronato e os funcionários quando se trata de dar um aumento a quem trabalha, eis que o ministério da Educação teve a ideia peregrina de pôr a trabalhar EM VOLUNTARIADO - um bonito sinónimo para "de graça" - quem já está na reforma.

Estes senhores políticos são mesmo chicos-espertos ou simplesmente o cérebro pára-lhes frequentemente????

Fico com um certo apetite de juntar às duas temáticas abordadas previamente uma nova.
A idade da reforma vai avançando, as pessoas têm de estar cada vez mais anos nos seus trabalhos até ter direito ao merecido descanso e, agora, quando o obtm vem uma senhora qualquer que meteram no governo dizer que vão ter de ir trabalhar de borla????

Porque é que o senhor Presidente da República não trabalha de borla? Ele é reformado!
Porque é que os senhores administradores de empresas públicas ou com participação do Estado não trabalham de borla? Eles são reformados!
Porque é que os senhores juízes reformados não são chamados para fazer umas horinhas por semana gratuitamente? Eles são reformados!

A lógica é espremer até ao tutano quem tem reformas normais ou miseráveis?

Que falta de vergonha na cara!

Ah! Tive uma ideia daquelas mesmo altamente inteligentes e que não passam pela cabeça de ninguém!
E que tal se pegassem nos professores que estão no desemprego e LHES PAGASSEM para fazer essa tarefa?
Sim, é verdade, é preciso ser um iluminado para pensar em algo tão complexo e que não envolva ir explorar quem já andou uma vida a trabalhar para ter um salário no final do mês e agora pode finalmente gozar a sua reforma!


FOI PROFUNDO!

terça-feira, fevereiro 03, 2009

A geração dos explorados

Recebi há coisa de uma semana atrás um email com um texto interessante. 
Um texto daqueles que já tive vontade de escrever várias vezes mas, talvez por estar numa área na qual o emprego é algo tão escasso, o receio de responder desta forma e sofrer represálias irreversíveis sempre foi imenso.

"Venho por este meio responder ao anúncio colocado por V. Ex.ª a 9 JAN 09 no sítio da internet www.net-empregos.com, onde pretendem recrutar um Licenciado em Engenharia do Ambiente ou semelhante, para exercer o cargo de comunicador inbound na área de engenharia e politicas da agricultura.
Permita-me a ousadia de lhe tecer algumas considerações ao referido anúncio: 
1. A Licenciatura em Engenharia do Ambiente ou semelhantes pressupõe um mínimo de frequência de Ensino superior de pelo menos 5 anos, onde pelo menos se paga, e em números redondos 1000€ anuais em propinas; 
2. A licenciatura em Engenharia do Ambiente ou semelhante pressupõe no seu curriculum pelo menos umas 5 (cinco) cadeiras de matemática generalista e aplicadas à Engenharia. 
3. Ainda que seja um recém-licenciado a concorrer ao emprego, este já possui um Know-How que lhe permite lidar com Decretos-lei, Portarias, Directivas Europeias, normativos de referência, etc. 
4. Pressupõe ainda um licenciado, ter uma dose de inteligência acima da média, que lhe permitiu concluir em tempo útil a sua licenciatura, e após ter estado os seus primeiros 25 anos de vida com a “mochila” às costas. 

O primeiro erro do seu anuncio consiste em aritmética pura, ou seja, o valor que pretende remunerar não se chega nem de perto nem de longe ao valor por si atribuído (630€). 

Senão vejamos: 
Salário Base 2,60 € 
Subsídio de refeição 0,79 € 
Multiplicando este valores pelas horas normais de trabalho e pelos dias úteis do mês obtêm-se o seguinte: 
Total hora 3,39 € 
Total dia 27,12€ (multiplicar pelas 8 horas de trabalho) 
Total mês 596,64€ (multiplicar pelos 22 dias úteis) 

Há ainda a descontar a este valor o IRS e a Segurança Social à taxa em vigor. 
De onde virá o restante? 
Será atribuído em forma de prémio por desempenho ou será subsidio de sapiência? 
Por certo V Ex.ª terá feito estas contas e ter-se-á enganado a transcrever o valor. Este seguramente andará mais perto dos 530€, ou mesmo dos 430€, do que o valor por si apresentado. 

O segundo erro do anúncio prende-se com o referido vencimento. 
Desta feita não por questões de aritmética, mas sim de princípio. 
Será possível que quando colocou o anúncio não fez as contas para chegar à conclusão que com esse vencimento estaria a ultrajar um (ou mais) licenciado, por auferirem um vencimento tão baixo? 
Será possível vivermos continuadamente num país que supostamente aposta na formação e depois oferece vencimentos na casa do salário mínimo? 
Para que tenhamos bem a noção dos valores ridículos de que estamos a falar, por curiosidade, vi um anúncio onde uma senhora se oferecia para limpezas e pedia 6€ à hora. Sensivelmente o dobro do que aqui oferecem. 
Admitindo que estaria desempregado e que realmente necessitava de emprego, por valores superiores a esses estaria a repor detergentes (nota: para mim uma profissão tão honrada e nobre como outra qualquer) nas prateleiras duma superfície comercial qualquer, que por certo não me obrigaria a desgaste mental de andar a ler decretos, portarias e tirar dúvidas com conteúdo científico. 

Atrevo-me a dizer que é vergonhoso, ou pelo menos deveria ser, para quem colocou o anúncio, e não menos vergonhoso para quem o mandou colocar. 
E se realmente é esse o salário que oferece tenha a dignidade de o ocultar e de não espalhar pelo país que é isto que os quadros superiores auferem pelo contributo que dão à nossa sociedade. 

Atentamente Rui Dinis 

P.S. Segundo as suas contas este documento vale 1,13€ (brutos) referente a 20 minutos de ocupação.

Quem escreve desta forma consegue colocar num email aquilo que passa pela cabeça de muitos nós.
Quantos colegas de curso (licenciados em jornalismo e outras licenciaturas na área da comunicação) estão registados em sites como o net-empregos ou o cargadetrabalhos e recebem diariamente várias ofertas de trabalho.

Sim, é de trabalho, não é de emprego.
A maior parte das ofertas não contemplam um salário!

Como?
Não há salário?

Quer dizer que temos de trabalhar de graça depois de anos na faculdade, a gastar dinheiro em propinas (aquela história do ensino superior tendencialmente gratuíto pode equiparar-se a uma Amy Winehouse tendencialmente sóbria e "clean"), em livros, em fotocópias, material escolar, transportes e alimentação - adoro especialmente aquela parte em que temos de entregar 3 cópias da monografia e do relatório de estágio e só uma delas é lida e, mesmo assim, só na diagonal. E não são três molhos de folhas, são 3 grupos de folhas devidamente encadernadinhas. - e não posso esquecer quem foi estudar para longe de casa dos pais.

Um somatório de encargos que, no final da licenciatura, tem como prémio o quê?
Um estágio curricular.
Leia-se: "um estágio em que as faculdades fornecem às empresas donas de orgãos de comunicação mão de obra gratuíta".
Depois disso, e como as empresas se habituaram à "mama" e, mais ainda, sabem que há imensos candidatos para um número restrito de vagas, usam o ridículo isco - no qual muitos caem - de dar a "possibilidade de integrar os quadros" ou de "um futuro na empresa", algo que se pode traduzir por outras palavras "vem! vem! ficas cá uns meses e depois vem outro que cai que nem um patinho como tu!".

Há pouco mais de um ano fui a uma entrevista para um projecto interessante. 
Havia dinheiro à farta - aliás, o responsável da empresa fez questão de frisar que a empresa recebia imenso dinheiro de vários patrocinadores, Estado e autarquias - e o senhor estava disposto a oferecer-me um ordenado de 1500€/mês, mais prémio de produtividade e prémio de assiduidade... mas só após 5 meses no emprego. Até chegar a essa altura iria estar dois meses a receber 4,60€/dia e outros 3 meses a receber 600€/mês.

O estranho disto é a visão de alguém que nos diz "olha, eu quero pagar-te um ordenado, mas antes disso pretendo explorar-te bem. Pode ser? Anda lá! Depois vais receber bem!".
Na altura cheirou-me a esturro e recusei. Hoje em dia não me arrependo, até porque nunca ouvi falar da empresa em questão - apesar de ter ido agorinha mesmo ver se estava em funcionamento e ter constatado que está, apesar de não ter tido o desenvolvimento/expansão que na altura me foi apresentado.

Mas, desde então, é raro ver uma oferta de algo sem dizer "não remunerado" ou onde diga no final "ajudas de custo" ou "subsídio de alimentação", geralmente na ordem dos 100€ a 150€.

Mas esta gente pensa o quê?
Que depois de andarmos a gastar uma pipa de massa nos estudos temos de andar a servir de burros de carga para os senhores encherem os bolsos às nossas custas?

Onde é que o Sindicato dos Jornalistas se impõe nesta hora?
Não se impõe.
Embora, por vezes, se disponha a perder uns minutos a enviar umas linhas sobre o assunto.

E o governo tem a sua culpa.
Porquê?
Por duas razões:
1) porque permite que estes abusos sejam cometidos sem qualquer regulação.
2) porque o próprio Estado faz o mesmo. Por exemplo, o Ministério da Educação tem os estagiários a trabalhar sem qualquer remuneração. Em algumas licenciaturas, em que o estágio coincidia com o último ano do curso (falo de pré-Bolonha), os alunos andavam a pagar propinas ao Estado e a trabalhar de borla para o mesmo Estado.

Agora expliquem-me:
QUE RAIO DE ÉPOCA É ESTA EM QUE TEMOS DE PAGAR PARA TRABALHAR?

As coisas chegaram a um ponto em que não há vergonha na cara de quem emprega. 
É suposto alguém viver com rendimentos inferiores às despesas correntes?
O descaramento é tanto que se oferece trabalho a troco de...experiência.
A falta de decência é tão grande que quem emprega já coloca anúncios como se estivesse a fazer o favor de aceitar alguém para trabalhar sem lhe pagar um tostão!

E nós, os que trabalhamos e prezamos o emprego, o salário e alguma estabilidade, trememos!
Vivemos com receio de fazer ou dizer alguma coisa que nos deite por terra as já raras oportunidades de trabalhar, ainda que mal pagos!

Se alguém quiser fazer alguma coisa quanto a isto, então que deixe comentário.
Pode ser que se comece a juntar uma pequena minoria de incomodados com o estado das coisas.


FOI PROFUNDO!

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Futebol bíblico na cidade dos arcebispos

Há dias assim e hoje fui apanhado de surpresa pelo título de uma notícia do jornal Record.


Caramba!

Que bonito!
Trocadilhos bíblicos num jornal de desporto.
Giro mas mesmo giro era dizer que o "Bom Jesus de Braga viu Moisés abrir o caminho da titularidade após recuperar de lesão".

Olarila!


FOI PROFUNDO!

terça-feira, janeiro 27, 2009

TGV = Também Gosto de Velocidade?

Mais um email recebi e mais um post de reacção.

"Há uns meses optei por ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio. Comprado o bilhete, dei comigo num comboio que só se diferenciava dos nossos Alfa por ser menos luxuoso e dotado de menos serviços de apoio aos passageiros.
A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas.
Não fora ser crítico do projecto TGV e conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemas únicos dos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos. Se não os conhecesse bem perguntaria onde
 gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criação de riqueza.
A resposta está na excelência das suas escolas, na qualidade do seu Ensino Superior, nos seus museus e escolas de arte, nas creches e jardins-de-infância em cada esquina, nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade. Percebe-se bem porque não construíram estádios de futebol desnecessários, porque não constroem aeroportos em cima de pântanos nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.
O TGV é um transporte adaptado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro,
 competitivo com o transporte aéreo. É por isso, para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem essas tecnologias, que existe TGV em França ou Espanha (com pequenas extensões a países vizinhos). É por razões de sensatez que não o encontramos na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros países ricos. Tirar 20 ou 30 minutos ao Lisboa-Porto à custa de um investimento de cerca de 7,5mil milhões de euros não terá qualquer repercussão na economia do País.Para além de que, dado hoje ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.
Com 7,5 mil milhões de euros pode construir-se mil escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas (a 2,5 milhões de euros cada uma), mais mil creches inexistentes (a 1 m
ilhão de euros cada uma), mais mil centros de dia para os nossos idosos (a 1 milhão de euros cada um). Ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas outras carências, como a urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária."


É difícil não partilhar da opinião do autor deste texto, no entanto há que deixar duas ou três perguntas no ar:
1) As decisões que levaram ao projecto do TGV remontam a um governo anterior, um governo do PSD. Logo, será que os militantes laranja podem criticar este projecto? Será o talento para decisões megalómanas um mal comum a todas as forças políticas do nosso território nacional?
2) O projecto do TGV é um projecto que envolve os dois países ibéricos. Daqui se pode concluir que o que se faz do lado português está condicionado pelo que se faz do lado espanhol e o que se faz do lado espanhol condiciona o que é para ser feito do lado português. Acho que até aqui não há dúvidas. Então, se quando o projecto foi delineado ficou previsto que a parte do projecto português e a parte do projecto espanhol estivessem articuladas, é natural que não haja muito por onde escapar. Aliás, o governo espanhol já alertou para o facto do trajecto/traçado do TGV espanhol ter sido projectado para continuar para Portugal, caso contrário teria sido feito de outra forma, presumo eu que seria menos dispendiosa. Será possível, dadas estas condicionantes, voltar atrás com o TGV em Portugal?
3) Será que os autarcas portugueses sabem o que é o TGV? Será que sabem qual a sua particularidade que o distingue relativamente a, por exemplo, um comboio Alfa? Será que quando exigem que o TGV pare em determinadas cidades eles sabem que isso vai fazer com que o TGV ande a uma velocidade inferior ao previsto e ao que seria normal?
4) O TGV ibérico vai fazer com o que o transporte de pessoas e bens (expressão bonita!) seja feito de forma mais rápida entre Portugal e Espanha. Isso significa que vai aumentar a entrada de produtos espanhóis em Portugal e a entrada de produtos portugueses em Espanha. Vamos ser inundados de mais produtos vindos do lado de lá da fronteira? O balanço entre importações e exportações que virá com o TGV será positivo ou negativo para o nosso país?


FOI PROFUNDO?

A primeira vez de Mário Crespo

Eu sei que o título apela ao lado mais perverso do leitor, mas desengane-se quem espera algo mais caliente.

Porquê a primeira vez de Mário Crespo?

Porque foi a primeira vez em que o vi a entrevistar alguém e me senti defraudado.

Ontem o entrevistado foi o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira.
Em 2002 - ano da tão debatida aprovação da Declaração de Impacto Ambiental e da alteração dos limites da ZPE do Estuário do Tejo - Pedro Silva Pereira era secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza e, por isso mesmo, foi uma boa escolha de Crespo para clarificar uma série de situações que têm andado a ser usadas num ping-pong de acusações e suspeições e sua respectiva defesa.

Ora, inicialmente, Mário Crespo conseguiu fazer as perguntas fundamentais para desmistificar e clarificar todo o processo burocrático (vou chamar-lhe burocrático quiçá erradamente mas tenho a péssima tendência de achar que tudo o que meta papeladas para resolver seja o que for acaba por ir dar em burocracia).

Tal como elogio o nível das perguntas, também me parece de elogiar a clareza das respostas.
Sabem quando - muito raramente - um político fala e explica algo e não ficamos com a impressão que ele está a inventar e a tentar enrolar o entrevistador e quem assiste à entrevista?
Pois bem, foi essa a impressão com que fiquei.

E onde foi que o Mário Crespo me desiludiu?

Foi quando decidiu arrancar para os "fait-divers".
Então fulana era prima?
E fulano era tio?
E o outro não era filho do tio?

Realmente isso é o que tem andado por toda a comunicação social e não discuto - tal como Pedro Silva Pereira não discutiu - a veracidade/falsidade dessas relações familiares metidas com negócios e reuniões e sabe-se lá o que mais. Ele remeteu isso para as investigações judiciais/judiciárias. 

O problema é do Mário Crespo.
O problema é que o homem nos habitou a ser de uma galáxia diferente, a ter um estilo diferente.
E quando o vemos a cair nas perguntas banais acaba por ser triste.
Mas bem se viu que não é nada o seu estilo tanto que, a páginas tantas, se viu meio atrapalhado, algo que foi notório quando o próprio pergunta ao ministro da Presidência se o tio do primeiro-ministro é tio do primeiro-ministro.

Devo terminar com dois ditados populares:
"No melhor pano cai a nódoa" ou "a excepção confirma a regra".

Qualquer um deles é demonstrativo da minha opinião acerca do jornalista Mário Crespo.
E que a próxima entrevista seja como o MC sempre me/nos habituou.


FOI PROFUNDO!

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Ainda se queixam da crise?

Murteira Nabo, chairman da Galp - cargo para o qual foi convidado pelo ministro da Economia, Manuel Pinho, já teve entre suas actividades as de:
- vereador da Câmara Municipal de Lisboa, 
- Presidente do C.A. da Companhia Portuguesa Rádio Marconi (C.P.R.M.), 
- Vice-Presidente da SOREFAME, de onde saiu para ser Secret
ário de Estado dos Transportes, 
- Administrador da Companhia Industrial de Portugal e Colónias, 
- Administrador Delegado da “IMOLEASING” - Sociedade de Locação Financeira Imobiliária S.A., 
- Secretário-Adjunto para a Educação, Saúde e Assuntos Sociais da Administração de Macau, 
- Secretário-Adjunto para os Assuntos Económicos da Administração de Macau, 
- Encarregado do Governo do Território de Macau entre Setembro, 
- Gerente Delegado da CPRM Marconi SGPS Comunicações, Lda., 
- Presidente da Comissão Executiva na Portugal Telecom Internacional, SGPS S.A.; 
- ministro do Equipamento Social, 
- Presidente do Conselho de Administração da Portugal Telecom SGPS, SA, 
- Presidente da Câmara do Comércio e Indústria Luso-Chinesa, 
- membro da Direcção da Associação Comercial de Lisboa, 
- vogal do Conselho de Administração do Banco Espírito Santo, SA, 
- membro do Conselho de Curadores da Fundação Oriente, 
- membro do INSEAD, 
- Presidente da Direcção da Proforum – Associação para o Desenvolvimento da Engenharia, 
- Presidente da Associação dos Antigos Alunos do Instituto Superior de Economia e Gestão
 (ISEG), 
- Presidente da Direcção da Cotec Portugal – Associação Empresarial para a Inovação e membro do Conselho Superior de Ciência, Tecnologia e Inovação (CSCTI) 
-  Bastonário da Ordem dos Advogados.

Não sei se falta aqui alguma coisa mas é de louvar a tendência para altos cargos que sempre assombrou a vida de Murteira Nabo. 
E, alerto já, não pretendo com isto discutir a competência ou inteligência do senhor.

Eu acredito que não faça sentido eu estar aqui a publicar uma parte do CV do chairman da
 GALP, mas o motivo é simples.
Muito recentemente o senhor disse que algo semelhante a se sentir próximo da empresa Portugal Telecom pois era reformado da PT.

Ora, esta bonita declaração de Murteira Nabo espoletou uma vontade imensa de escrever umas linhas sobre algo que me causa uma certa azia há um bom tempo..
Então resolvi fazer uma pesquisazinha e, perante os dados recolhidos, tentar juntar as peças do puzzle.


Aqui há uns tempinhos,  a revista Focus avançou com a notícia que dava conta do novo assessor jurídico da EDP. Pedro Santana Lopes foi uma nomeação do seu ex-ministro António Mexia (actual presidente executivo da EDP) e deu-lhe a ganhar cerca de 10.000€/mês.

O actual presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, António de Almeida, tinha desempenhado o cargo de presidente do Conselho de Administração da mesma EDP tendo saído do cargo mediante o pagamento de uma choruda indemnização (curiosamente não encontro qualquer notícia sobre isso na internet) e voltou à EDP pela mão de António Mexia.

António Mexia, enquanto presidente do Conselho de Administração da EDP, decidiu ainda no ano de 2008 um aumento de 118% aos senhores administradores da empresa, valor do qual ele "não se queixa" (palavras de Mexia, que já auferia, antes do aumento, 600000€/ano brutos, fora outros montantes que podiam acrescer. Vide LINK), esperando que a massa de trabalhadores da empresa também não se queixassem do aumento que lhes foi concedido, também com números semelhantes, apenas trocando o 1 do meio por uma vírgula, o que deu 1,8% de aumento aos funcionários da EDP.

Um quadro superior da GALP, convidado para a empresa por António Mexia em 2002, saiu com uma indemnização de 290.000€, em 2004. 
Saiu de lá para a REFER, quando Mexia passou a ser  Ministro das Obras Públicas e Transportes.

O filho de Miguel Horta e Costa (CDS-PPD), recém licenciado, entrou para lá com 28 anos e a receber, desde logo, 6600€ mensais.

(O que me faz lembrar uma anedota, uma bonita anedota que reza assim:
Empresário: Bom dia Sr. Eng., há quanto tempo ??!!! 
Ministro: Olha, olha, está tudo bem?! 
Empresário: Eh pá, mais ou menos, tenho o meu filho desempregado tu é que eras homem para me desenrascar o miúdo. 
Ministro: E que habilitações ele tem?! 
Empresário: Tem o 12.º completo. 
Ministro: O que ele sabe fazer?! 
Empresário:  Nada, sabe ir para a Discoteca e deitar-se às tantas da manhã!
Ministro: Posso arranjar-lhe um lugar como Assessor, fica a ganhar cerca de 4000, agrada-te?! 
Empresário:  Isso é muito dinheiro, com a cabeça que ele tem era uma desgraça não arranjas algo com um ordenado mais baixo?! 
Ministro: Sim, um lugar de Secretario já se ganha 3000 !...
Empresário: Ainda é muito dinheiro, não tens nada volta dos 600/700 ??? 
Ministro: Eh pá, isso não, para esse ordenado tem de ser Licenciado, falar Inglês e dominar Informática!!!)

Freitas do Amaral foi consultor da empresa, entre 2003 e 2005, por 6350 €/mês, além de gabinete e seguro de vida no valor de 70 meses de ordenado.

Manuel Queiró (CDS/PP) era administrador da área de imobiliário 8.000€/mês. A contratação de um administrador espanhol para o seu lugar passou por lhe serem oferecidos 15 anos de antiguidade, pagos na hora da sua saída, pagamento da casa e do colégio dos filhos, entre outras regalias.

Guido Albuquerque, cunhado de Morais Sarmento, passou da ESSO para a GALP, valendo-lhe 17 anos de antiguidade, ordenado de 17.400€ e seguro de vida igual a 70 meses de ordenado.

Ferreira do Amaral, presidente do Conselho de Administração. Um cargo não executivo era  remunerado de forma simbólica: 3.000€/mês, pelas presenças. Mas, pouco depois da nomeação, passou a receber PPRs  no valor de 10.000€, o que dá uma verba total de 13.000€.

Ainda na GALP, um engenheiro agrónomo foi trabalhar para a área financeira a 10.000€/mês; uma especialista em Finanças foi para o Marketing por 9800€/mês. 

Aquando da divulgação destes dados, o presidente da Comissão executiva auferia 30.000€e os vogais 17.500€.

Mas continuemos.

Em Setembro de 2002 foi publicada na II Série do Diário da República a aposentação do Exmº. Senhor Juiz Desembargador Dr. José Manuel Branquinho de Oliveira Lobo, a quem foi atribuído o número de pensionista 438.881, que, no dia 1 de Abril de 2002, havia sido sujeito a uma “Junta Médica” que, por força de uma doença do foro psiquiátrico, considerou a sua incapacidade para estar ao serviço do Estado, o que foi determinante para a sua passagem à aposentação.

O Dr. Branquinho Lobo passou a auferir uma pensão de aposentação no montante
de 5.320,00€.

Contudo, por resolução proferida no dia 30 de Julho de 2004, o Conselho de Ministros do Governo do Dr. Pedro Santana Lopes nomeou o Dr. Branquinho Lobo como Director Nacional da Polícia de Segurança Pública.

O Dr. Branquinho Lobo passou a acumular a sua pensão de aposentação por incapacidade com o vencimento de Director Nacional da P.S.P..

E que tal se pegarmos num dos casos que mais repudio?
Que tal analisarmos o caso do Presidente da República?

Aníbal Cavaco Silva recebe três pensões pagas pelo Estado, distribuídas da seguinte forma:
4.152,00€ - Banco de Portugal.
2.328,00€ - Universidade Nova de Lisboa.
2.876,00€ - Por sido primeiro-ministro.

Ora, o senhor Presidente da República acumula estas três reformas com o com o vencimento de P.R..
É um bonito exemplo de hipocrisia, especialmente quando o senhor PR também gosta de vir falar sobre a crise e sobre como os portugueses têm de apertar o cinto. Obviamente, o senhor Aníbal deve incluir-se no grupo dos espanhóis!

A advogada Vera Sampaio foi contratada como assessora pelo membro do Governo Senhor Doutor Manuel Pedro Cunha da Silva Pereira, Ministro da Presidência.
Foi autorizada a continuar a dar aulas numa universidade privada.
Vera Sampaio é filha do Senhor ex-presidente.
Já o filho de Jorge Sampaio, depois de se ter formado foi logo para consultor da Portugal Telecom.

Com apenas 50 anos de idade e gozando de plena saúde, o socialista Vasco Franco, número 2 do PS na Câmara de Lisboa durante as presidências de Sampaio e de Soares, está reformado com uma pensão de 3.035€, um valor bastante acima do seu vencimento como vereador. Foi aposentado como técnico superior de 1ª classe – apesar de as suas habilitações literárias serem equivalentes ao 9º ano.

Entrou para o Ministério da Administração Interna em 1972 e dos 30 anos passados só ali cumpriu sete de dedicação exclusiva; três foram para o serviço militar e os restantes 20 na vereação da Câmara de Lisboa, doze dos quais a tempo inteiro. Vasco Franco diz que a lei o autoriza a contar a dobrar 10 dos 12 anos como vereador a tempo inteiro: triplicar o salário.
Já depois de ter entregue o pedido de reforma, Vasco Franco foi convidado para administrador da Sanest (uma sociedade de capitais públicos), com um ordenado líquido de 4000€ mensais. Foi convidado pelo presidente da Câmara da Amadora, cuja mulher é secretária de Vasco Franco na Câmara de Lisboa.
A acumulação de vencimentos foi autorizada mas o salário de administrador é reduzido em 50% – para 2000€ – a partir de Julho, mês em que se inicia a reforma, segundo Vasco Franco.
A somar aos mais de 5000€ da reforma e do lugar de administrador, Vasco Franco recebe ainda mais 900€ de outra reforma, por ter sido ferido em combate em Moçambique já depois do 25 de Abril e cerca de 250€ em senhas de presença pela actuação como vereador sem pelouro.
Contas feitas, o novo reformado triplicou o salário que auferia no activo, ganhando agora mais de 6000€ limpos. Além de carro, motorista, secretária, assessores e telemóvel.

O que também é deveras interessante é o caso dos deputados e ex-deputados.

Após as eleições legislativas o que acontece aos deputados que não foram re-eleitos?

Quando terminam as funções, os deputados e governantes têm o direito, por Lei a um subsídio que dizem de reintegração:
Um mês de salário (3.449€) por cada seis meses de Assembleia ou governo.

Desta maneira um deputado que o tenha sido durante um ano recebe dois salários (6.898€). Se o tiver sido durante 10 anos, recebe vinte salários (68.980€). Feitas as contas e os deputados que saíram na última "substituição legislativa", o Erário Público desembolsou mais de 2.500.000€!
E há que lembrar que o "cargo" (peço desculpa de não lhe chamar profissão) de deputado não é desempenhado em exclusividade. Ou seja, os senhores deputados podem desempenhar outras funções - que são remuneradas, está claro - enquanto têm assento na Assembleia da República.

Há ainda aqueles que têm direito a subvenções vitalícias ou pensões de reforma, mesmo que não tenham 60 anos, bastando para isso que tenham sido titulares de cargos políticos por mais de 12 anos.

Alguém quer ver uma lista de ilustres reformados do Parlamento?
Calculei que sim.

Almeida Santos - 4.400€;
Medeiros Ferreira - 2.800€;
Manuela Aguiar - 2.800€;
Pedro Roseta - 2.800€;
Helena Roseta - 2.800€;
Narana Coissoró - 2.800€;
Álvaro Barreto - 3.500€;
Vieira de Castro - 2.800€;
Leonor Beleza - 2.200€;
Isabel Castro - 2.200€;
José Leitão - 2.400€;
Artur Penedos - 1.800€;
Bagão Félix - 1.800€.

Depois, há também uma lista de reintegrados:

Luís Filipe Pereira 26.890€/9 anos de serviço;
Sónia Fortuzinhos 62.000€/ 9 anos e meio de serviço;
Maria Santos 62.000€/9 anos de serviço;
Paulo Pedroso 48.000€/7 anos e meio de serviço
(aos quais pode juntar indemnizações pelo processo Casa Pia. Ah, e, como se pode ver, se fosse outro indivíduo qualquer a ser acusado de qualquer crime seria uma coisa perfeitamente natural e integrada no processo de investigação, mas como o senhor Paulo Pedroso é político, tem direito a uma indemnização.);
David Justino 38.000€/5 anos e meio de serviço;
Ana Benavente 62.000€/9 anos de serviço;
M.ª Carmo Romão 62.000€/9 anos de serviço;
Luís Nobre Guedes 62.000€/9 anos e meio de serviço.

A maioria dos outros deputados que não regressaram estiveram lá somente na última legislatura, isto é, 3 anos, o suficiente para terem recebido cerca de 20.000€ cada.

Mais um grupo de espanhóis que dizem que os portugueses têm que apertar o cinto.

Mais um dado pleno de beleza surge quando descubro que 9 em cada 10 aposentados com mais de 5.000€ mensais foram juízes.
Virando umas páginas para trás, podemos ver a lista de Aposentados no ano de 2005 (Janeiro a Novembro):

Janeiro
Ministério da Justiça
5380.20€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
Março
Ministério da Justiça
7148.12€ procurador-geral Adjunto Procuradoria-Geral República
5380.20€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5484.41€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
Empresas Públicas e Sociedades Anónimas
6082.48€ Jurista CTT Correios Portugal SA
Abril
Ministério da Justiça
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5338.40€ Procuradora-Geral Adjunta
Procuradoria-Geral República - Antigos Subscritores
6193.34€ Professor Auxiliar Convidado
Maio
Ministério da Justiça
5663.51€ Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Procurador-Geral Adjunto Procuradoria-Geral República
5460.37€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5663.51€ Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5338.40€ Procuradora-Geral Adjunta Procuradoria-Geral República
5663.51€ Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
Junho
Ministério da Justiça
5663.51€ Juiz Conselheiro Supremo Tribunal Administrativo
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5663.51€ Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
Julho
Ministério da Justiça
5182.91€ Juiz Direito Conselho Superior Magistratura
5182.91€ Procurador República Procuradoria-Geral República
5307.63€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Procurador-Geral Adjunto Procuradoria-Geral República
Agosto
Ministério da Justiça
5173.46€ Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5173.46€ Conservadora Direcção Geral Registos Notariado
5173.46€ Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5173.46€ Notário Direcção Geral Registos Notariado
5173.46€ Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5663.51€ Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5663.51€ Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5043.12€ Notária Direcção Geral Registos Notariado
5173.46€ Conservador 1ª Classe Direcção Geral Registos Notariado
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5027.65€ Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5663.51€ Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5173.46€ Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5173.46€ Notário Direcção Geral Registos Notariado
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5159.57€ Conservador Direcção Geral Registos Notariado
5173.46€ Notária Direcção Geral Registos Notariado
5173.46€ Ajudante Principal Direcção Geral Registos Notariado
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5173.46€ Notário 1ª Classe Direcção Geral Registos Notariado
5173.46€ Notária Direcção Geral Registos Notariado
Setembro
Ministério dos Negócios Estrangeiros
7284.78€ Vice-Cônsul Principal Secretaria-Geral (Quadro Externo)
6758.68€ Vice-Cônsul Secretaria-Geral (Quadro Externo)Ministério da Justiça
5663.51€ Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
Ministério da Educação
5103.95€ Presidente Conselho Nacional Educação
Outubro
Ministério da Justiça
5498.55€ Procurador-Geral Adjunto Procuradoria-Geral República
Novembro
Ministério dos Negócios Estrangeiros
7327.27€ Técnica Especialista Secretaria-Geral (Quadro Externo)
Tribunal de Contas
5663.51€ Presidente
Ministério da Justiça
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5663.51€ Juiz Conselheiro Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior Magistratura
5498.55€ Juiz Desembargador Conselho Superior MagistraturaMinistério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
5015.16€ Professor Coordenador Inst. Superior Engenharia Lisboa

Vítor Constâncio, o governador do Banco de Portugal, ganha 272.628 € por ano, ou seja quase 3.894 contos mensais, 14 meses/ano.
(se quiserem saber mais pormenores sigam este LINK)

Vejam mais uma lista interessante:

Central bank governors' salaries (US$)  
(estes dados são ainda relativos a 2003. não consegui encontrar uma lista actualizada)

Joseph Yam (Hong Kong) $1,120,000 (1)
Malcolm Knight (General Manager, BIS) $450,000
Nout Wellink (Netherlands) $440,000
Jean Pierre Roth (Swiss National Bank) $429,000
Wim Duisenberg (European Central Bank) $417,000 (2)
Mervyn King (Bank of England) $411,160
Ian Macfarlane (Australia) $325,123 (3)
John Hurley (Ireland) $315,000
Bill McDonough (New York Fed) $315,000
Toshihiko Fukui (Bank of Japan) $276,076 (4)
Alan Bollard (Reserve Bank of New Zealand) $255,672 (5)
Bodil Nyboe Andersen (National Bank of Denmark) $253,000
Klaus Liebscher (Austria) $247,150
Lars Heikenstein (Sweden) $241,000
Matti Vanhala (Finland) $233,000
Alan Greenspan (Federal Reserve) $172,000
Svein Igvar Gjedrem (Norges Bank) $151,000
Zdenek Tuma (Czech National Bank) $110,000

O que faria com que o governador do Banco de Portugal aparecesse ali no meio a receber 361.240$, ou seja, o sétimo mais bem pago do mundo - considerando o valor que aufere actualmente. 
O que faz todo o sentido, especialmente quando situamos a economia nacional no seio da economia mundial, também ficando num sétimo lugar. Ou então não.

Outros ordenados chorudos do Banco de Portugal :
O Vice-governador, Pedro Duarte Neves           - 254.586 €/ano
O Vice-governador, José Martins de Matos       - 244.536 €/ano
O administrador José Silveira Godinho              - 413.250 €/ano (acumula com uma pensão do BdP, mais 139.550 €/ano)
O administrador Vítor Rodrigues Pessoa           - 316.084 €/ano (inclui também acumula com uma pensão do BdP, mais 139.550 €/ano)
O administrador Manuel Ramos Sebastião        - 226.081 €/ano (saiu em Março de 2008 da administração do Banco de Portugal depois do ministro da Economia, Manuel Pinho, o ter nomeado para Presidente da Autoridade da Concorrência)

O ex-Vice-governador, António Pereira Marta, que saiu do BdP em 2006, acumulava com o seu salário de 244.174 €/ano a sua pensão como reformado do Banco de Portugal.

Campos e Cunha, ex-ministro das Finanças recebeu durante os dois meses em que esteve no Executivo 4600€ mensais de ordenado e uma reforma de 8.000€ do Banco de Portugal.

Mira Amaral saiu da Caixa Geral de Depósitos (CGD) com uma reforma de gestor 18.000€. Na altura acumulava uma pensão de 1800€, como deputado e 16.000€ como líder executivo da CGD. Esteve em funções apenas 1 ano e 9 meses.

Há algum tempo atrás, escrevi um pequeno textinho sobre os juízes quando o  presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, chamou a atenção para o facto das remunerações dos magistrados estarem congeladas há cerca de 16 anos.
Ora, há que ter alguma pena dos senhores juízes.
Segundo o actual bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto, os magistrados têm direito aos seguintes privilégios: 
- Recebem um subsídio de renda de casa no valor de 700€/mês, mesmo que residam em casa própria. Se forem casados com outro magistrado, habitando em casa própria cada um deles recebe esse subsídio, o que aponta para uma verba de 1400€/mês
Melhor ainda, os magistrados aposentados ou jubilados podem incorporar esse subsídio nas suas reformas e nas mesmas condições dos que se encontram  no activo. 
E mais! O subsídio de renda de casa dos magistrados está isento de IRS, após acórdão do STA, ou seja, decisões dos magistrados. 

Acho fantástico que alguém possa auferir uma remuneração permanente, que essa remuneração entre no cálculo da reforma, mas que esteja isenta de IRS.

- Os magistrados do Supremo Tribunal Administrativo, do Supremo Tribunal de Justiça e do Tribunal Constitucional que residam fora da área da Grande Lisboa recebem ajudas de custo precisamente quando se deslocam para o seu local de trabalho. A situação torna-se tanto mais incompreensível quanto é certo que os referidos magistrados usufruem de viagens totalmente gratuitas em todos os transportes públicos terrestres e fluviais, incluindo os comboios Alfa.

Ora, depois da imbecilidade que foi a construção de dez estádios para o Euro 2004, bem visível em estádios como o de Leiria, Aveiro ou do Algarve e, um pouco menos mas também notória, do Bessa, Guimarães ou Coimbra, o Estado Português continua na senda do dinheiro mal gasto em infraestruturas desportivas.

A cidade de Al-Kahder, nos arredores de Belém, na Cisjordânia, tem um novo estádio cuja construção foi financiada por Portugal, através do Instituto Português de Cooperação para o Desenvolvimento. (vide o LINK)
O recinto custou dois milhões de dólares, tem capacidade para seis mil espectadores, é certificado pela FIFA e dispõe de piso sintético e iluminação. 
A cerimónia de inauguração abriu com uma marcha de escuteiros locais, conduzindo as bandeiras de Portugal e da Palestina, e a execução dos respectivos hinos nacionais. 
A cerimónia contou com intervenções da ministra do Turismo, Khouloud Daibes, em representação do Presidente, Jorge Torres Pereira, representante de Portugal junto da Autoridade Nacional Palestiniana, em nome do Governo português e do IPAD, e o presidente da Câmara de Al- Khader, Adnan Sbeih.

Segundo a Agência Lusa, Portugal ofereceu camisolas dos jogadores Cristiano Ronaldo, Deco e Quaresma, que ficaram expostas numa sala do estádio Al-Khader.
Os organizadores tinham previsto a exibição de mensagens vídeo de Luís Figo, Cristiano Ronaldo, José Mourinho e Luís Filipe Scolari, para serem difundidas durante a cerimónia.
Segundo o representante diplomático de Portugal, estas 'seriam naturalmente, mensagens de apoio às esperanças e às alegrias bem conhecidas dos praticantes e adeptos do futebol e representariam mais uma forma de passar uma mensagem de paz à juventude palestiniana, na língua internacional, que é o desporto'.
Khalil Shahwan, director do Departamento de Juventude e Desportos de Belém, agradeceu, em entrevista publicada pelo diário El-Quds, à 'nação amiga portuguesa' pela sua importante contribuição, esperando que esta sirva de exemplo a outros países, para que ajudem o povo palestiniano a realizar as suas necessidades."

O dinheiro por aqui escasseia para urgências, maternidades, centros de saúde e escolas primárias,mas há sempre dois milhões para oferecer um estádio à Palestina. 

Este post já vai muito longo mas não posso escapar-me à publicação de um texto que recebi por email e que relata as contas feitas por um cidadão português:

"Em cada 100 euros que o patrão paga pela minha força de
trabalho, o Estado, e muito bem, tira-me 20 euros
para o IRS e 11 euros para a Segurança Social.
O meu patrão, por cada 100 euros que paga pela minha
força de trabalho, é obrigado a dar ao Estado, e muito
 bem, mais 23,75 euros para a Segurança Social.
 E por cada 100 euros de riqueza que eu produzo, o Estado,
e muito bem, retira ao meu patrão outros 33 euros.
Cada vez que eu, no supermercado, gasto os 100 euros que
o meu patrão pagou, o Estado, e muito bem, fica com 21 euros para si.
Em resumo:
Quando ganho 100 euros, o Estado fica quase com 55.
 Quando gasto 100 euros, o Estado, no mínimo, cobra 21.
Quando lucro 100 euros, o Estado enriquece 33.
Quando compro um carro, uma casa, herdo um quadro,
registo os meus negócios ou peço uma certidâo, o Estado,
 e muito bem, fica com quase metade das verbas envolvidas no caso.
Eu pago e acho muito bem, portanto exijo :
- Um sistema de ensino que garanta cultura, civismo e futuro
emprego para os meus filhos.
 - Serviços de saúde exemplares.
- Um hospital bem equipado a menos de 20 km da minha casa.
- Estradas largas, sem buracos e bem sinalizadas em todo o país.
 - Auto-estradas sem portagens. Pontes que não caíam.
 - Tribunais com capacidade para decidir processos em menos de um ano.
 - Uma máquina fiscal que cobre igualitariamente os impostos.
 Eu pago, e por isso quero ter, quando lá chegar, a reforma
garantida e jardins públicos e espaços verdes bem tratados e seguros.
 ....Polícia eficiente e equipada.
 ....Os monumentos do meu País bem conservados e abertos ao
público, uma orquestra sinfónica.
 ....Filmes criados em Portugal.
 ....E, no mínimo, que não haja um único caso de fome e miséria nesta terra.
 .... Na pior das hipóteses, cada 300 euros em circulação em
Portugal garantem ao Estado 100 euros de receita.
 ....Portanto, Srs. Governantes, governem-se com o dinheiro
que lhes dou porque eu quero e tenho direito a tudo isto.

assinado:
Um português contribuinte.

Depois disto, faz sentido pegar em dados publicados pelo Correio da Manhã, relativos ao ano de 2004 e que dão conta do peso dos funcionários públicos na população activa nacional, em comparação com outras realidades europeias.

(Fonte EUROSTAT)

Suécia----------------  33,3% 
Dinamarca-----------  30,4% 
Bélgica---------------- 28,8%
Reino Unido---------  27,4% 
Finlândia-------------  26,4%
Holanda--------------  25,9% 
França----------------  24,6%
Alemanha------------  24%
Hungria---------------  22% 
Eslováquia------------ 21,4%
Áustria---------------- 20,9%
Grécia----------------  20,6%
Irlanda---------------- 20,6%
Polónia---------------- 19,8%
Itália-------------------19,2%
República Checa---   19,2% 
PORTUGAL---------    17,9%
Espanha-------------- 17,2% 
Luxemburgo---------- 16%

Ou muito me engano ou estes números (ah! números: a paixão do senhor Sócrates. Ou será Eng. Sócrates?) indicam que não há pois funcionários públicos a mais, até somos o 3º país da U.E. com menor percentagem de funcionários públicos na população activa.

Se formos a ter em atenção certos pormenores, chegamos à conclusão que há áreas onde o despesismo é gritante e poderia ser evitado:

- Cada ministro deste e de outros governos tem, para seu serviço pessoal e sob as suas ordens directas:
  - uma média de 136  pessoas entre:
     - secretários e subsecretários de estado,
     - chefes de gabinete,
     - funcionários do gabinete,
     - assessores, 
     -secretárias 
     - motoristas) 
  - 56 viaturas.
Estes número são APENAS cinco vezes superiores ao resto da Europa.

Mas as fortunas que se esbanjam não param por aqui.

António Carrapatoso, figura de proa da Telecel/Vodafone e destacado dirigente do PSD viu prescrever uma dívida de 700.000€ de IRS. 
Talvez eu seja uma criança muito inocente mas pergunto-me por que razão prescreveu esta dívida? 
Eu já ouvi falar tantas vezes em cobrança coerciva, será que não era aplicável neste caso? O indivíduo em causa não tem, nem nunca teve, paradeiro desconhecido.
António Carrapatoso até apareceu com alguma frequência, nos écrans da televisão para entrevistas e comentários. E sempre as virtudes do "sistema" em que vivemos. 

Em 2005 os CTT pagaram 19000€ mil euros a Luís Felipe Scolari por uma palestra de 45 minutos, que teve como tema algo parecido com «Como fortalecer o espírito de grupo» no dia 14 de Janeiro desse ano, no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, durante um Encontro dos Correios de Portugal.
A decoração custou mais de 430000€ e havia dois carros de luxo. 
Junte-se a isto a despesa efectivamente facturada entre 8 de Julho de 2002 e 31 de Maio de 2005, com a decoração do gabinete do presidente do Conselho da Administração dos CTT, Carlos Horta e Costa, bem como a sua sala de visitas e ainda das salas de visitas e refeições que custou 430.691€. 
Carlos Horta e Costa teve à sua disposição, entre 2002 e 2005, um Jaguar S Type (a renda para o adquirir custou cerca de 50.758€) e um Mercedes Benz S320CDI (comprado em Abril de 2004 por 84000€). 
O Relatório da Inspecção-Geral das Obras Públicas conclui haver «indícios de má gestão» e «falta de contenção de uma empresa que gere dinheiros públicos», pelo anterior Conselho de Administração que liderou os CTT entre 8 de Julho de 2002 e 31 de Maio de 2005.

Foi aberta uma investigação relativa ao mesmo período, devido aos CTT terem participado num negócio de milhões de euros com a SLN/BPN, relativo à aquisição de viaturas. 
Os CTT terão pago pelo fornecimento de viaturas mais 2 milhões de euros do que deviam. 
Outro negócio que também está a ser investigado, é o que diz respeito ao pagamento de comissões na venda de um edifício dos CTT em Coimbra. 

Juntando todos os factos relatados (e que foram recolhidos quer em jornais, em emails e outras publicações online e são tidos como verdadeiros) eu pergunto:
1) os senhores deste país que foram referidos neste post sabem de onde vem a crise?
2) os senhores deste país que foram referidos neste post  continuam a achar que é necessário despedir pessoal para cortar na despesa?
3) os senhores deste país que foram referidos neste post continuam a achar que são espanhóis na hora em que dizem que os portugueses têm de apertar o cinto?
4) os senhores deste país que foram referidos neste post sabem que a crise para eles não é a crise para o resto dos portugueses?
5) os senhores deste país que foram referidos neste post ainda não conseguiram perceber qual a origem da falência da Segurança Social?
6) os senhores deste país que foram referidos neste post ainda não perceberam qual a solução para cortar no dinheiro que se gasta sem quê nem porquê em Portugal?


Peço desculpa pelo post extremamente longo...


FOI PROFUNDO!

terça-feira, dezembro 09, 2008

Estranhas semelhanças

Adolf Hitler e Barack Obama.


O que têm em comum estes dois homens?

As diferenças são imensas, mas têm uma semelhança interessante.

Ambos sobem ao poder num momento de crise para as suas nações.


Hitler "estabeleceu como objectivos políticos a construção de um novo Estado (o III Reich) que fosse capaz de prover autarquia económica para a Alemanha, conquistar seu "espaço vital’’, libertá-la das cadeias do Tratado de Versalhes e aniquilar o bolchevismo", enquanto Obama "apresenta um programa que remonta a Kennedy e, mais propriamente, a Rosevelt e a seu programa de reabilitação da economia dos EUA, com protecionismo e uma nova aliança “capital-trabalho”. Esta é a força de sua candidatura, da “esperança” que ele apresenta. É possível esta nova retomada dos EUA [...] Lembremos que a crise de 29 começou em situação parecida, [,,,] A crise teve repercussões profundas no mundo [...] a tomada do poder na Alemanha pelos Nazistas, a guerra civil espanhola e, 10 anos depois, a II Guerra mundial."

Ambos com um objectivo comum, a retoma económica, ambos com métodos semelhantes, ambos tentando livrar-se de um "inimigo", no caso alemão eram as imposições de Versalhes, no caso norte-americano temos o endividamento do Estado, das empresas e dos individuos, endividamento esse que adquiriu uma globalização estranha, com empresas por todo o mundo a comprar as dívidas de sabe-se lá quem.

No seu tempo, Hitler era visto pelos alemães tal como hoje é visto Obama nos EUA. Obviamente que ninguém acredita que exista o perigo de seguirem rumos idênticos - especialmente depois de Obama se manifestar contra a guerra do Iraque - mas acaba por ser curioso que sigam o mesmo caminho de recuperação económica.

Este mundo é mesmo irónico...



FOI PROFUNDO!

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Eu sou melhor que D. Afonso Henriques

Acabei de me lembrar que sou uma pessoa impressionante.

Sou um indivíduo, no meio de muitos outros, é verdade, que tem várias razões para se poder comparar com um sem número de individualidades da História e dizer "olha! Eu sou melhor que este gajo!".

É verdade!

Não acreditam em mim?


Veja-se o caso de D.Afonso Henriques.


Tudo bem que foi o primeiro rei de Portugal, que foi ele que fundou o país mas...

a) o homem viveu no século XIIHenriques, (25 de Julho de 1109 a 6 de Dezembro de 1185, eu passei de um milénio para o outro;

b) eu tenho um leitor de mp3, ele ouvia músiquinha da côrte;

c) eu tenho mais de 800 amigos só no Hi5, ele zangou-se com a própria mãe, Teresa de Leão (filho de uma "espanhola"...xiiiii), e chegou a andar em guerra com a progenitora. Mesmo que tivesse Hi5, a maior parte dos seus amigos e conhecidos andavam sempre em batalhas e não tinham tempo para criar perfis. Já para não falar que não tinham como tirar fotos, não tinham electricidade nem internet e, até aposto, o Dom (chamo-lhe Dom para simplificar) não devia saber o nome de mais de 4 ou 5 e seriam apenas os nobres).

d) fez doações à Igreja para que esta o reconhecesse como Rei e Portugal como Reino e tinha um judeu, o grão-rabino Yahia Ben Yahia, ministro das Finanças. Eu nem gosto de religiões e muito menos tenho de lhes dar alguma coisa para ter algo em troca. Quer dizer, talvez por isso eu não seja rei de nada. Mas, hoje em dia, quem é rei de alguma coisa? E, actualmente, há alguma monarquia que não esteja decadente e endividada? Tirando os reis e equivalentes das zonas onde há petróleo.

e) D.Afonso Henriques passava frio e andava com roupas estranhas e armaduras em metal pesadissímas. Eu posso andar nu pela casa e basta-me ligar um aquecedor ou o aquecimento central para não ter frio. Armaduras? Para quê?

f) ele andava a cavalo ou a pé, eu só ando a pé quando quero e posso escolher andar de carro, autocarro ou metro ou, para deslocações maiores, posso usar o comboio ou o avião. Queria ver o Dom a ir a cavalo até ao Brasil. Ah, pois, nessa altura nem sabiam que havia Brasil!

g) o que me faz lembrar de outra questão. Eu já morei no Brasil, no calor, com praias, etc. O Dom foi, no máximo, ali ao lado a Espanha e nem comprou caramelos! Só ia lá para andar à traulitada e para assinar tratados. Ainda por cima, naquela que terá sido a sua última batalha, magoou-se ao tentar escapar pelas portas de Badajoz (repito, nem trouxe caramelos!) e teve de ser tratado pelo seu rival e cunhado, Fernando de Leão.

h) não tinha telemóvel, eu tenho dois. Quando queria falar com alguém que estivesse longe, tinha de mandar recado por um mensageiro a cavalo e esperar que este voltasse com a resposta.



E vou parar por aqui.

Podia falar do facto do Dom não ter multibanco ou não poder pedir uma pizza por telefone naqueles dias em que não estava onde os criados o pudessem servir, ou no facto de ter de aguentar com os casamentos decididos pelos pais (não que eu possa falar muito, já que nem namorada tenho. Mas quando tiver posso decidir se caso com ela sem qualquer imposição parental), ou no facto de não terem água corrente ou esgotos...


Ah!

E eu tenho um blogue, o Dom nem escrever sabia!





FOI PROFUNDO!

segunda-feira, dezembro 01, 2008

A credibilidade das votações online

Deliciem-se com o pedacinho de literatura que vos apresento de seguida.
Aviso já que se trata de futebol mas não vou abordar o tema em si.


Suazo é o mais popular do Mundo

CRISTIANO RONALDO EM 20.º NA VOTAÇÃO DA IFFHS

Nem Cristiano Ronaldo, Kaká, Ronaldinho Gaúcho ou Lionel Messi. Neste momento, o jogador mais popular do Mundo é David Suazo, do Benfica, que recebeu 196.079 dos mais de 800 mil votos contabilizados na eleição promovida pela Federação Internacional de Estatísticas e História do Futebol (IFFHS), entidade reconhecida pela FIFA.

A votação - qualquer pessoa pode votar, no site da referida organização, em www.ifffhs.de - prolonga-se até 3 de Janeiro de 2009, sendo depois anunciados os resultados finais da mesma. De qualquer forma, foi divulgado ontem o balanço provisório da eleição, para já liderada pelo avançado benfiquista.

O campeão de 2007, o egípcio do Ah-Ahly de Manuel José, Mohammed Aboutreika, ocupa o segundo lugar com 159.955 votos. Marcos, guarda-redes do Palmeiras, campeão do Mundo de 2002, está no último lugar do pódio, batendo por quase 3.000 votos o compatriota Rogério Ceni.

Favorito à Bola de Ouro da France Football e ao prémio FIFA para melhor jogador do ano, o português Cristiano Ronaldo, do Manchester United, está num modesto 20.º lugar, com 3.238 pontos, logo atrás do grande rival, o argentino Lionel Messi, do Barcelona, 19.º com 3.370.

Confira o top-20 da votação:

1. David Suazo (Honduras/Benfica), 196.079 votos
2. Mohamed Aboutreika (Egipto/Al-Ahly), 159.955
3. Marcos (Brasil/Palmeiras), 86.954
4. Rogério Ceni (Brasil/São Paulo), 84.141
5. Faisal Agab (Sudão/Al-Merreihk), 72.509
6. Alireza Nikbakht (Irão/Perspolis), 69.916
7. Dario Srna (Croácia/Shakhtar Donetsk), 18.649
8. Yasser Al-Qahtani (Arábia Saudita/Al-Hilal), 10.173
9. Vladimir Bystrov (Rússia/Spartak Moscovo), 9.003
10. Alessandro Del Piero (Itália/Juventus), 8.063
11. Jorge Valdívia (Chile/Al-Ain), 6.554
12. Guillermo Ochoa (México/América), 5.835
13. Nemanja Vidic (Sérvia/Manchester United), 5.166
14. Peng Han (China/Shandong Luneng), 5.044
15. Euzebiusz Smolarek (Polónia/Bolton), 4.553
16. Hicham Aboucharouan (Marrocos/Tunis), 4.249
17. Andrey Arshavin (Rússia/Zenit), 3.800
18. Adrian Mutu (Roménia/Fiorentina), 3.595
19. Lionel Messi (Argentina/Barcelona), 3.370
20. Cristiano Ronaldo (Portugal/Manchester United), 3.238

Ora muito bem, aqui temos o fabuloso, o fantástico, o incrível mundo das votações virtuais.
Neste mundo, e só neste mundo, podemos observar que o actual avançado das Honduras e do Benfica é o futebolista mais popular do mundo!
Aliás, acaba por ser quase hilariante, não fosse Suazo ter sido jogador do Inter de Milão e figura de proa de uma selecção hondurenha que está perto de se classificar para o Mundial.
Mas riam-se:
1. David Suazo (Honduras/Benfica), 196.079 votos (79 votantes eram das Honduras, os restantes eram benfiquistas. Mas o que são 100000 num universo de mais de 6 milhões?)
2. Mohamed Aboutreika (Egipto/Al-Ahly), 159.955 (QUEM???????)
5. Faisal Agab (Sudão/Al-Merreihk), 72.509 (Desculpe? Podia repetir?)
6. Alireza Nikbakht (Irão/Perspolis), 69.916 (Aqui devia estar uma gargalhada. Imaginem uma gargalhada, por favor)
8. Yasser Al-Qahtani (Arábia Saudita/Al-Hilal), 10.173 (Aqui imaginem urina. Alguma urina e dores abdominais de tanto rir.)
9. Vladimir Bystrov (Rússia/Spartak Moscovo), 9.003 (Sim, sim, muito bom! Quem é?)
11. Jorge Valdívia (Chile/Al-Ain), 6.554 (Deste ouvi falar. Vinha para o Benfica. Não veio. Tal como muitos outros.)
12. Guillermo Ochoa (México/América), 5.835 (Ochoa? Só conheço os colombianos, aqueles do narcotráfico. E um fotógrafo meu amigo.)
14. Peng Han (China/Shandong Luneng), 5.044 (É caso para dizer "Han?")
16. Hicham Aboucharouan (Marrocos/Tunis), 4.249 (Aboucharou...AN?)

Também não deixa de ter a sua beleza ver Messi e Ronaldo nos dois últimos lugares do top20.

19. Lionel Messi (Argentina/Barcelona), 3.370
20. Cristiano Ronaldo (Portugal/Manchester United), 3.238


Qual a lição que podemos tirar disto?
Talvez que estas votações são uma aberração e são inúteis?
Talvez que quem gosta de futebol vê futebol e não vai à internet votar naquilo que já se sabe que é óbvio?
Já agora, fiquei a saber que ninguém ouviu falar de Kaká, Ronaldinho ou Ibrahimovic.


FOI PROFUNDO!

terça-feira, novembro 04, 2008

Mau até ao final

A fraca capacidade intelectual de George W. Bush sempre foi algo que o próprio viu impossível de esconder, assim como também nunca foi segredo que o ainda Presidente dos Estados Unidos da América nunca foi fã de trabalhar e ainda se soube desde o início que este quase ex-Presidente dos EUA estava preso à vontade das grandes companhias norte-americanas, em especial as petrolíferas.


Daí que não constitua uma grande surpresa o coelho que George W. Bush tirou da cartola em vésperas de sair da cadeira do poder.


Segundo o Público, Bush resolveu mudar as regras da política ambiental em vésperas de sair da Casa Branca.


Amanhã, enquanto os norte-americanos estiverem a votar, a administração Bush vai estar a aprovar alterações à política ambiental de última hora, antes de deixar a Casa Branca:

1) a retirada do lobo da lista de espécies ameaçadas;

2) a autorização da implantação de centrais eléctricas perto de parques nacionais

3) aliviar das normas para a exploração mineira;

e estas são apenas algumas das alterações propostas que não obtiveram o aval das associações ambientalistas.

O que se pretendia era um programa que visasse a redução das emissões de gases com efeito de estufa, mas isso não parece ser uma prioridade para Bush e seus "comparsas".


A aprovação destas alterações foi feita "ao sprint" já que, sendo aprovadas até sábado, ainda entram em vigor antes que Bush saia da Casa Branca, a 20 de Janeiro. Uma vez em vigor não será provável que próxima administração as anule, até porque esta não deverá ser uma prioridade para o próximo Presidente, segundo Matt Madia (citado pelo Público) do OMB Watch, que monitoriza a Gestão e Orçamento da Casa Branca, por onde têm que passar estas alterações. “É uma reacção natural de alguém que sabe que está prestes a perder o poder. A indústria deverá beneficiar se estas mudanças se concretizarem, , quer seja a indústria de produção eléctrica, de exploração mineira ou agrícola, isto vai remover as restrições governamentais à sua actividade; vão poder poluir mais, o que acabará por prejudicar as pessoas”.


Mas nem tudo é negativo. A administração Bush aprovou um plano para criar aquele que será o maior santuário de vida selvagem marinha do Oceano Pacífico.


O mais curioso é que as leis nos EUA costumam demorar 30 a 60 dias até serem aprovadas, estas medidas foram-no em tempo record. Mais curioso ainda é que estas alterações podiam esperar até ao novo Presidente tomar posse e decidir se as aprovaria. Aliás, nem é algo inédito, o actual presidente GWB teve uma experiência destas quando chegou à Casa Branca.




FOI PROFUNDO!

segunda-feira, novembro 03, 2008

Igualzinho...mas diferente.

Há coisas levadas da breca!

Recentemente fiz download de um eBook chamado "Conspirações - Tudo o que não querem que você saiba".
Hoje, movido pela curiosidade, espreitei algumas partes do livro.

Gostei especialmente de uma passagem:

"Há conspirólogos que pensam o contrário. Segundo eles, Poe conhecia os detalhes do crime porque ele era o assassino. Três dias antes do ocorrido, Mary Rogers foi vista próxima ao Hudson, com um homem alto, moreno, de aproximadamente 30 anos. Poe se encaixa perfeitamente na descrição, embora fosse baixinho e pálido. "

Reparem em como o senhor baixinho e pálido se encaixava perfeitamente na descrição...de um homem alto e moreno.

Hum...

Eu garanto que percebi, ou não fosse eu loiro, de olhinho azul e com os meu metro e sessenta de altura! Pode dizer-se que esta descrição me assenta na perfeição!


FOI PROFUNDO!

sexta-feira, outubro 31, 2008

Assim eu até gosto de censura!

Isto é apenas uma prendinha para quem costuma dar um pulinho até este blogue.




FOI PROFUNDO!

segunda-feira, outubro 27, 2008

Vós "soides" um "homem sexual"?

Já por mais que uma vez que me rotulam de "demasiado liberal".
Talvez seja...

Acho que vivo com umas lentes fictícias que me obrigam a ver o mundo de uma forma demasiado pacífica em que as pessoas devem respeitar as opções dos outros, desde que essas opções não prejudiquem ninguém.


Alguém me explica em que é que o casamento de dois homens ou de duas mulheres vai atrapalhar a vida de alguém?


Vou meter aqui uma pitadinha de sarcasmo...
Porque é que a Igreja é contra o casamento de homossexuais?
Se a Igreja é contra o aborto e é contra os homossexuais, temos aqui um contra-senso!
Há algum grupo com maior probabilidade de não fazer um aborto que os homossexuais?


Ora, voltando à parte em que escrevia com alguma seriedade, que a Igreja seja contra o casamento religioso de duas pessoas do mesmo sexo, eu entendo. Que seja contra o casamento de duas pessoas do mesmo sexo no civil, acho que é estarem a meter o nariz onde não são chamados.

Especialmente quando estamos a falar de uma das instituições mais hipócritas da História da Humanidade! Ainda mais quando sabemos que, nos dias que correm, o que não falta são padres gays e padres pedófilos.


Aqueles machões que dizem que os homossexuais deviam ser todos metidos num barco e mandados para o fundo do mar são aqueles mesmo machões que acham que ser Homem é chegar a casa e malhar forte e feio na mulher, que acham que Homem que é Homem é aquele que ao fim do dia vai beber uns copos com os amigos, depois vão às putas e, quando chega a casa, bate na mulher.


O que me leva à crítica a quem critica o casamento de gays ou lésbicas.


Num momento em que a taxa de divórcios é altíssima, em que as pessoas casam e descasam com a maior das facilidades e de uma forma quase rotineira, parece-me uma hipocrisia criticar duas pessoas que realmente gostam uma da outra e querem ficar juntas para sempre.

Depois de vermos facilitado o processo de divórcio vemos bloqueada a possibilidade de duas pessoas se casarem.


E, já agora, deixo uma pequena farpa.

Apesar de não ter ainda uma opinião formada sobre a adopção por parte de casais do mesmo sexo, gostava de saber como é que se critica tanto a adopção de crianças por casais de gays ou de lésbicas e ninguém discute porque não há um controlo sobre casais onde há violência doméstica, sobre casais onde um ou os dois cônjuges têm como desporto preferido casar ou descasar.

Será que o facto de ter dois pais do mesmo sexo será mais perturbador do que ter pais violentos, bebados, drogados ou sem estabilidade emocional ou até mesmo sem estabilidade no casamento?

Ou será que o que realmente preocupa é que uma criança cresca num ambiente em que todos olham de lado para os pais dela?




FOI PROFUNDO??


p.s. obrigado ao Brain Estruming pela foto que "roubei"

Dispenso...

Porque tudo o que é dito é dispensável...
Porque tudo o que é escrito é dispensável...

Este é um blog onde se fala a sério e se brinca.
Quem não goste de ironia ou sarcasmo que feche esta página rapidamente!
Aqui ninguém tem razão.
Eu não pretendo estar certo, pretendo observar e pretendo fazê-lo de uma forma atenta e crítica...de uma forma dispensável.

Dispenso...um blog dispensável.

pessoas já dispensaram um tempinho para dar uma espreitadela