Sou dador de sangue desde 1998, sempre me fizeram as mesmas perguntas, sempre tiveram os mesmos cuidados.
"Teve relações sexuais desprotegidas?" ou "Teve múltiplos parceiros sexuais?" são duas das perguntas que entram pela minha vida íntima.
Mas há coisa mais íntima que o sangue?
Íntima para mim, que cedo o meu, íntima para quem o vai receber.
Está definida a lista de comportamentos de risco e as questões são invasivas para todos.
Mas é uma invasão que protege quem vai receber. E essa proteção é necessária.
Lembram-se de toda a confusão em torno de Leonor Beleza?
Por mais que eu ache que as palavras do presidente do Instituto do Sangue traduzem uma mentalidade arcaica, elas vieram levantar uma problemática que faz muito sentido.
Os comportamentos de risco são alvo de escrutínio independentemente da escolha sexual do dador, Todos temos que passar por essa metidela de foice em seara alheia. O que é que o médico tem a ver com as minhas"pinceladas de amor" ou com o número de "telas que pintei"? É ele que zela pela segurança de quem vai usufruir do meu sangue.
A questão aqui é compreender que há heterossexuais promíscuos, da mesma forma que há homossexuais promíscuos. E, aqui está o que falta compreender: há homossexualidade monogâmica. Sim, eu sei, parece mentira, quando ouvimos falar em homossexuais, a nossa mente é imediatamente transportada para grandes festas, homens de corpo oleado, com asinhas, a praticar o coito anal e a contrariar tudo o que vem na Bíblia. Com lésbicas a história muda, mas isso não é relevante para o caso. O importante é que se criou o estereótipo do gay-em-festa-da-mangueira-em-que-ninguém-é-dono-de-ninguém e essa imagem vale para o pessoal do Instituto do Sangue.
Por isso é difícil compreender um casal gay monogâmico que vive uma vida dita normal, um casal gay que pretende adotar e viver uma vida dita normal. Por todos saberem que gay que é gay tem que andar em grandes orgias que, por norma, conduzem à partilha de coisas tipo copos, pilas, herpes e, está claro, HIV.
É preciso agradecer ao Hélder Trindade ter colocado os holofotes nesta questão.
É preciso que se questione o tipo de vida sexual? É. Mas em termos de segurança - usa camisinha? - ou de rodízio - teve múltiplos parceiros? - e não da orientação.
sexta-feira, maio 15, 2015
domingo, março 03, 2013
O homem é um animal racional...a mulher não (ou "como fazer com que as mulheres não falem comigo")
O homem é, em teoria um animal racional.
Sim.
A mulher já não.
Porquê?
Vejamos.
Segundo aquela estatística divulgada amplamente há umas décadas, existe uma proporção de 1 homem para 7 ou 8 mulheres.
Se considerarmos uma amostra bem reduzida de 5 homens e 35 mulheres, o que acontece?
Pela lógica, se os 5 homens praticarem a monogamia e forem fiéis, 30 mulheres vão acabar sozinhas.
Também usando a razão e a lógica, as 35 mulheres vão ter que optar por a) dividirem os 5 homens entre elas, abdicando da monogamia/fidelidade ou b) terão que disputar os 5 homens entre elas e as vencedoras ficarão "emparelhadas".
Se fizermos uma transposição para o mercado de trabalho, se uma empresa abre 5 vagas e há 35 candidatos, apenas ficarão aqueles que demonstrarem ser os mais capazes, os melhores, os mais merecedores.
Ora, a mulher não é racional.
A mulher acha que o homem tem que a conquistar, a seduzir, a merecer.
NÃO!
Quem tem que batalhar para não acabar só é a mulher!
O homem é fiel é fiel por uma questão de consciência, correção, não o é por necessidade ou obrigação. O homem poderia ser generoso/moralmente incorreto e deixar-se partilhar por várias mulheres.
A mulher ao exigir fidelidade tem que ter noção que o seu papel é o de interessada, não é o homem. Se uma mulher não o quiser, estatisticamente, há mais 6 ou 7 que o podem querer.
Então, homens que têm o hábito de comprar rosas, bombons, pagar jantares, dar jóias, presentinhos, lembrem-se disto: quem tem que conquistar não são vocês, são elas!
Mais ainda!
Ainda considerando a amostra, se um dos homens e uma das mulheres decidirem formar um casal, isso faz com que fiquem 4 homens para 29 mulheres, caso sejam dois os casais formados, os números passam para 3 para 28, se ficarem 3 pares, já são 27 mulheres para 2 homens e quando sobrar apenas 1 solteiro, temos 26 mulheres só para ele.
Por isso, pela lógica, teríamos um universo masculino num expositor e um público feminino a esforçar-se por merecer um dos escassos homens solteiros.
Já a realidade (totalmente manipulada pelas mulheres) leva os homens - inocentes e claramente movidos a hormonas a fazer - piruetas e malabarismos para ter AQUELA mulher, quando, na verdade os papéis deveriam estar invertidos... pela lógica!
As mulheres acabam com a racionalidade no mundo e os homens deixam-se levar...
P.S. eu acredito no que escrevi. Palavra de rapaz solteiro há 8 anos!
quarta-feira, fevereiro 20, 2013
O Said Zavad
Esse rapaz baixinho que muitos conhecem como Nuno Felício,
apareceu-me à frente em 2002, quando ambos entrámos em Jornalismo.
Era o mais velho da pandilha e o mais alto.
Tinha um aspecto de Wally que largara a fatiota de riscas
vermelhas e brancas e uma voz que se pode considerar "do catano".
A voz dele era tão brutal que ele poderia dizer impropérios
a uma jovem e ela iria sorrir e quase agradecer.
Era um tipo com um humor negro e sacana, tenho a certeza que
foi por isso que eu gostei do estilo dele.
Lembro-te de ter chegado a uma pauta de Sociologia Geral e,
perante uma nota infeliz de um colega e ao ver o rapaz aproximar-se no
corredor, diz-lhe "2? Ninguém tira 2 a Sociologia pá!".
Ele tinha uma forma terna de ser violento. Talvez pela voz,
talvez por ser mais velho, talvez por ser mais alto, ele dava-se ao luxo de não
filtrar o que dizia e ninguém ficava ofendido.
Fiquei surpreendido quando, pela primeira vez, vi o nome
completo do rapaz numa pauta. "Said Zavad? És taliban?", perguntei eu.
Respondeu-me que era libanês. Até nisso, o sacana!
Era um tipo diferente... Recatado mas não daquele tipo
introvertido.
Uma das capacidades mais interessantes que tinha era a criatividade. A mesma que usava para criar jingles para a RUC, usava no dia a dia. Foi assim que nasceu o Sanguinário de Eiras, por exemplo, a bonita alcunha que colocou ao Renato Rod Stewart Lopes.
Além de entrarmos ao mesmo tempo em Jornalismo, decidimos
fazer os testes para entrar na RUC no mesmo ano.
Entrámos, fizemos a formação juntos, fizemos o
"estágio" juntos e passámos várias horas na RUC na pura galhofa.
Também foi na mesma altura que o João Quaresma nos perguntou
se queriamos fazer parte da equipa dos relatos. No antigo estúdio 3, o Quaresma
aparece com um vídeo debaixo do braço e uma cassete de um jogo. Experimentámos
relatar e, ao fim de uns minutos, diz-nos que não havia dúvidas: o Nuno ia
relatar e eu ia fazer pista.
O que eu sei é que fomos os dois fazer o primeiro teste.
Chegámos a Alvalade numa noite fria de Novembro (dia 27, segundo o Google),
íamos relatar em off o Sporting – Gençlerbirligi (o Gençler, como o Nuno
dizia), a contar para a Taça UEFA.
Quando fui retirado do relvado por um responsável da UEFA,
disse ao Nuno "olha! fui o único repórter a estar atrás da baliza neste
jogo!". Ele respondeu: "És mesmo parolo! Não sabias? Eu também
não...".
Depois disso fizemos a estreia na Mata Real, num Paços de
Ferreira X Académica (diz-me o Google que foi dia 21 de Dezembro). Não sei
quanto ficou, a única coisa que ficou gravada na minha memória foi o Nuno a
entrar na zona de imprensa, um sótão incrivelmente baixo.
Quando entrei ia partindo a cabeça e comecei a rir. O Diogo
Lucas Pires, já experiente e conhecedor do estádio, perguntou-me de que ria se
quase parti a cabeça. Respondi-lhe que não conseguia parar de imaginar o Nuno a
entrar ali.
E realmente foi uma cena hilariante. Os 2 metros do Nuno num
sótão com pouco mais de 1metro de altura só davam mesmo para rir.
Tivemos momentos incríveis, recordo os 5 golos da Briosa no
Restelo, com o Diogo Lucas Pires a tentar controlar um trio que falava de tudo
menos do jogo e conseguia fazer piadas a partir de um pingo de chuva. Era
perigoso quando conseguia estar na pista com o Nuno a relatar "lá em
cima" e o Avelino Américo no estúdio.
A frase chave dele era “o jogo está fraquinho, fraquinho,
mau, péssimo, uma náusea!”.
Sei que acabámos por nos separar quando fomos estagiar. O
Nuno escolheu rádio, eu escolhi televisão. Os dois em Lisboa, de vez em quando
lá fazíamos a promessa de "temos que marcar alguma coisa pá!".
E calhou que o ponto de encontro fosse a porta da PJ,
durante a confusão toda da Universidade Moderna. Cheguei era quase meia noite e
o Nuno diz-me: "agora é que vens? Eu vou embora à uma!".
Só sei que ficámos na conversa até às 4h da madrugada.
Falámos das aventuras dos relatos principalmente. Estava lá uma personagem da
RTP, um tal de Fialho, de rabo de cavalo e cabelo grisalho, com quem
dissertámos acerca do CAGA, o Clube de Amigos do Gabriel Alves.
Ainda me cruzei com ele na RUC quando ele avisava que ia dar
formação às novas fornadas de malta da informação, mas essencialmente valeu-nos
o Facebook para manter as sempre disparatadas conversas.
Liguei-lhe em Abril de 2012. Desafiei-o para fazer o relato
da Académica em Alvalade comigo e pedi-lhe para perguntar aos
"patrões" se havia problema. No dia seguinte confirmou-me que iria
mas que estava enferrujado.
30 de Abril. Foi o dia em que relatei pela última vez com o
Nuno.
O Said Zavad fez o primeiro relato comigo e fez o último
também.
Nunca pensei.
Era sempre garantido que
seria um grande relato quando tinha o Nuno "lá em cima".
Sei que muitas pessoas acreditam que ele foi "lá para
cima", ou que "foi para um lugar melhor".
Eu sei e garanto que o Nuno estava muito bem e muito melhor
entre nós.
Também sei que tive a felicidade de conviver com ele e de o
ter como amigo e companheiro de várias lutas.
A tristeza que sinto por pensar que não o vou ver mais é
abafada por todas as recordações que tenho do Felício.
Como disse a uma amiga de infância do Nuno, não dou os
pêsames a ninguém, apenas os parabéns por o terem conhecido.
segunda-feira, setembro 10, 2012
Amigo Pedro
Olá Pedro, amigo.
Espero que te encontres bem, apesar de todos os sacrifícios que tu, cidadão, tens que fazer por imposição do Pedro, PM.
Sabes, amigo, antes do teu (des)governo ter convidado os portugueses a procurar a sorte no estrangeiro, eu já tinha tomado essa iniciativa. Depois das sábias palavras, fiquei à espera que fossem feitos acordos com, pelo menos, países de língua oficial semelhante à nossa, mas foi pura ilusão.
Dizer ao pessoal "vão" e não fazer nada, é o mesmo que mandar os teus amigos dar uma curva e ver se chove.
Não sei se te ensinaram, mas quando foste eleito, deram-te poder para tomar medidas, não foi só para praticar a oratória. Para isso bastava seres líder do teu partido e mandavas umas postas de pescada sem teres qualquer obrigação efetiva.
Olha, Pedro, amigo, eu sei que antes de ires para o governo dizias que o outro rapaz que tirou um curso duvidoso (ao contrário do teu e do teu amigo Miguel) se desculpava sempre com o passado, por isso esperei que não fizesses o mesmo. Ainda que tenhas razão, só que ele também tinha. Aliás, o grande problema que afeta todos é que alguém andou antes por este mundo e fez um conjunto de coisas que pesa na nossa vida. O tipo que descobriu o fogo, o rapaz que inventou o telefone, o Dom Afonso Henriques, o Prof. Cavaco, todos eles, pelo seu papel e pelo que fizeram, têm influência na nossa vida. Por isso, falar de quem andou por cá antes é uma coisinha normal e racional.
Também sei que defendias uma coisa quando estavas na oposição e agora fazes outra, mas até isso eu concordo que é normal. Aliás, tão normal que ainda continuo sem perceber como é que todos procedem da mesma forma, independentemente do partido.
Outra coisa que acho normal é que sejas azelha.
Por decisão dos meus pais, eu andei a estudar inglês desde pequeno (obrigado!), depois fui para a faculdade, eles andaram a pagar propinas (o teu partido não teve nada a ver com isso, pois não?), depois fui fazer um estágio curricular (não remunerado, como as empresas gostam), pelo meio andei a trabalhar e ainda resolvi pagar do meu bolso uma pós-graduação. Tenho 32 anos e formação e experiência para trabalhar (não te assustes!) em 4 áreas distintas.
Eu sei que não entendes o que te estou a dizer, já que o teu padrinho te pagou o curso numa privada (para não parecer mal, é que já estavas a ficar entradote) e a tua vasta experiência a colar cartazes e passear com tshirts do teu partido te garantiram assento em diversos conselhos de administração. Por acaso, todos em empresas do padrinho. Mas não julgues que condeno as cunhas. Toda a gente recomenda quem conhece, toda a gente pede recomendações, mas, como dizia um familiar meu: "antigamente as cunhas obrigavam a pessoa a dar o litro para não deixar mal quem o recomendou junto de quem aceitou a recomendação". Ou seja, eu até aceitaria que fosses trabalhar numa empresa do padrinho e subisses lá dentro, mas deves compreender que eu torça o nariz quando entras diretamente para o topo. Tu e os teus amigos jotinhas que acham que subir a pulso tem a ver com a dor que sentes nessa região do corpo por passares os dias a coçar a micose em troca de um salário de lorde.
É óbvio que tu, amigo, não tens culpa que o senhor do rancho folclórico e do curso das quatro cadeiras seja ainda mais "azelha" que tu. Acho uma certa graça quando apontavas tanto o dedo ao teu antecessor e vais escolher para teu braço direito um rapazote com as mesmas características.
Convenhamos que fazer uma licenciatura em 4 cadeiras devido ao currículo é espantoso. Colar cartazes é uma habilitação que me deixa pensativo. Será que passei ao lado de uma grande carreira só por não ter optado por uma atividade tão valorizada profissional e academicamente?
Quanto à tua comunicação no passado fim de semana... Eu estou no Brasil e segui atentamente via TSF (obrigado TSF!) e quase soltei uma lágrima ao pensar na forma como tanto te estava a custar proferir aquelas palavras.
Gosto muito dos teus discursos. Falas muito, não dizes grande coisa. Há quem ache que isso é ser um bom político. Disfarças as ideias com uma falta de mestria atroz! Então vens falar no que pretendes fazer com as medidas anunciadas mas depois as medidas vão servir para o contrário? Ai! Não bastava teres feito o curso tarde, também não aprendeste nada? Eu não tirei economia mas há noções básicas que deverias dominar.
Também gosto muito que vás chamar professores universitários para pastas importantes do teu governo, amigo. Então tu queres deixar nas mãos de teóricos algo tão prático como a condução de um país? É como se fossem instrutores de condução quando o país precisa de pilotos de rally!
Eu sei que não entendes, não te ensinaram nada disso.
Eu tive uma vidinha muito boa enquanto estudante, mas as bebedeiras, as festas, os excessos, nada disso me privou de adquirir saber. No teu caso, acho que tu continuas privado de várias coisas, uma delas é de inteligência. Mas digo-te isto como amigo, entende!
Também te posso dizer, sempre como amigo, que a incompetência dos outros não me incomoda assim tanto, a menos que se trate de um gajo que tem como função "levar o país a bom porto".
É que me deixa aborrecido que tanta a gente me torrasse a paciência quando votei em branco, mas hás-de compreender que não era capaz de votar em ti nem nos teus adversários. Espero que não leves a mal, amigo.
Gostaria ainda de te dizer uma coisa. Eu não sei se lês jornais ou se sabes das notícias lá de fora, mas tens vários primeiros ministros e presidentes que anunciaram cortes substanciais nos seus rendimentos. Tu, os teus compinchas e o professor Cavaco optaram pela solidariedade com o mexilhão. Bem sei que não teria um grande impacto, mas ser um líder implica dar o exemplo. E tu nunca deste. A menos que se possa contar com a bonita aula de expressão oral que deste um dia, já não me recordo quando.
Depois, se puderes e não te tomar muito tempo, explica-me o que andas a fazer quando vais ao estrangeiro. O Portas, esse, já sei que veio ao Brasil ver a Mariza.
O amigo Aníbal é outro.
Sinceramente, entre seres azelha e o Aníbal ser velhaco, não sei qual detesto mais.
Faço votos sinceros para que o nosso PR consiga reunir dinheiro suficiente para se aguentar cada mês, mesmo recebendo a Presidência da República, anualmente, mais do que a Casa Real de Espanha. Ainda se ele tivesse um curso de Economia ou conhecesse um professor da área, podia ser que ajudasse.
Não queria esquecer-me de te dizer que fico contente por teres encomendado umas centenas de carros de "serviço". Aposto que tinhas aí um dinheiro que podia ir para o QREN mas não sabias o que lhe fazer, então mandaste trocar a frota do estado. Aliás, de que serve a tua coleção de motoristas se não tiverem uns belos bólides para acelerar? Eu até questionava o exagero de motoristas, mas depois de alguma reflexão deduzi que serve para diminuir o desemprego.
E também tenho de saudar a contratação de assessores "especialistas" acabadinhos de sair da universidade e a receber que nem...especialistas. Deve ser da especialidade de colar cartazes. Sim, eu sei, isso é muito valorizado. E aplaudo a inteligência dos valores que são pagos "aleatoriamente" duas vezes no ano mas que não são subsídios de férias ou de Natal. De génio, Pedro, amigo!
Acho que se continuares assim ainda consegues juntar a maior manifestação em Portugal desde o 25 de Abril. Aliás, o 25 de Abril, esse sacana, que tem mais culpa na situação do país do que o homem com nome de filósofo ou do que o senhor do bolo rei.
Não te preocupes, enquanto houver dinheiro para minis, tremoços, cabeleireiro, pagar a anuidade do Benfica, cigarros e umas noitadas, o pessoal vai continuar a protestar só no Facebook e nos blogues (como eu estou a fazer, vês, amigo?).
Por isso, continua a empurrar as culpas para o Sócrates, o PS e a Troika, continua a governar o país como se tivesses 8 ou 9 aninhos e estivesses a ver a pilinha crescer, que nós vamos continuando a dizer mal de ti e a fazer pela vida.
Até ao dia...
Afinal, se um dia fomos quase donos do mundo, alguma fibra teremos. É claro que depois disso fomos descendo a pique (e tu estás lá no fundinho, amigo), mas isso são detalhes, cabe a cada um decidir se olha para o copo meio cheio ou meio vazio.
Abraço, Pedro, amigo.
P.S. não te mando para o caralho só por uma questão de educação e por ser teu amigo
Espero que te encontres bem, apesar de todos os sacrifícios que tu, cidadão, tens que fazer por imposição do Pedro, PM.
Sabes, amigo, antes do teu (des)governo ter convidado os portugueses a procurar a sorte no estrangeiro, eu já tinha tomado essa iniciativa. Depois das sábias palavras, fiquei à espera que fossem feitos acordos com, pelo menos, países de língua oficial semelhante à nossa, mas foi pura ilusão.
Dizer ao pessoal "vão" e não fazer nada, é o mesmo que mandar os teus amigos dar uma curva e ver se chove.
Não sei se te ensinaram, mas quando foste eleito, deram-te poder para tomar medidas, não foi só para praticar a oratória. Para isso bastava seres líder do teu partido e mandavas umas postas de pescada sem teres qualquer obrigação efetiva.
Olha, Pedro, amigo, eu sei que antes de ires para o governo dizias que o outro rapaz que tirou um curso duvidoso (ao contrário do teu e do teu amigo Miguel) se desculpava sempre com o passado, por isso esperei que não fizesses o mesmo. Ainda que tenhas razão, só que ele também tinha. Aliás, o grande problema que afeta todos é que alguém andou antes por este mundo e fez um conjunto de coisas que pesa na nossa vida. O tipo que descobriu o fogo, o rapaz que inventou o telefone, o Dom Afonso Henriques, o Prof. Cavaco, todos eles, pelo seu papel e pelo que fizeram, têm influência na nossa vida. Por isso, falar de quem andou por cá antes é uma coisinha normal e racional.
Também sei que defendias uma coisa quando estavas na oposição e agora fazes outra, mas até isso eu concordo que é normal. Aliás, tão normal que ainda continuo sem perceber como é que todos procedem da mesma forma, independentemente do partido.
Outra coisa que acho normal é que sejas azelha.
Por decisão dos meus pais, eu andei a estudar inglês desde pequeno (obrigado!), depois fui para a faculdade, eles andaram a pagar propinas (o teu partido não teve nada a ver com isso, pois não?), depois fui fazer um estágio curricular (não remunerado, como as empresas gostam), pelo meio andei a trabalhar e ainda resolvi pagar do meu bolso uma pós-graduação. Tenho 32 anos e formação e experiência para trabalhar (não te assustes!) em 4 áreas distintas.
Eu sei que não entendes o que te estou a dizer, já que o teu padrinho te pagou o curso numa privada (para não parecer mal, é que já estavas a ficar entradote) e a tua vasta experiência a colar cartazes e passear com tshirts do teu partido te garantiram assento em diversos conselhos de administração. Por acaso, todos em empresas do padrinho. Mas não julgues que condeno as cunhas. Toda a gente recomenda quem conhece, toda a gente pede recomendações, mas, como dizia um familiar meu: "antigamente as cunhas obrigavam a pessoa a dar o litro para não deixar mal quem o recomendou junto de quem aceitou a recomendação". Ou seja, eu até aceitaria que fosses trabalhar numa empresa do padrinho e subisses lá dentro, mas deves compreender que eu torça o nariz quando entras diretamente para o topo. Tu e os teus amigos jotinhas que acham que subir a pulso tem a ver com a dor que sentes nessa região do corpo por passares os dias a coçar a micose em troca de um salário de lorde.
É óbvio que tu, amigo, não tens culpa que o senhor do rancho folclórico e do curso das quatro cadeiras seja ainda mais "azelha" que tu. Acho uma certa graça quando apontavas tanto o dedo ao teu antecessor e vais escolher para teu braço direito um rapazote com as mesmas características.
Convenhamos que fazer uma licenciatura em 4 cadeiras devido ao currículo é espantoso. Colar cartazes é uma habilitação que me deixa pensativo. Será que passei ao lado de uma grande carreira só por não ter optado por uma atividade tão valorizada profissional e academicamente?
Quanto à tua comunicação no passado fim de semana... Eu estou no Brasil e segui atentamente via TSF (obrigado TSF!) e quase soltei uma lágrima ao pensar na forma como tanto te estava a custar proferir aquelas palavras.
Gosto muito dos teus discursos. Falas muito, não dizes grande coisa. Há quem ache que isso é ser um bom político. Disfarças as ideias com uma falta de mestria atroz! Então vens falar no que pretendes fazer com as medidas anunciadas mas depois as medidas vão servir para o contrário? Ai! Não bastava teres feito o curso tarde, também não aprendeste nada? Eu não tirei economia mas há noções básicas que deverias dominar.
Também gosto muito que vás chamar professores universitários para pastas importantes do teu governo, amigo. Então tu queres deixar nas mãos de teóricos algo tão prático como a condução de um país? É como se fossem instrutores de condução quando o país precisa de pilotos de rally!
Eu sei que não entendes, não te ensinaram nada disso.
Eu tive uma vidinha muito boa enquanto estudante, mas as bebedeiras, as festas, os excessos, nada disso me privou de adquirir saber. No teu caso, acho que tu continuas privado de várias coisas, uma delas é de inteligência. Mas digo-te isto como amigo, entende!
Também te posso dizer, sempre como amigo, que a incompetência dos outros não me incomoda assim tanto, a menos que se trate de um gajo que tem como função "levar o país a bom porto".
É que me deixa aborrecido que tanta a gente me torrasse a paciência quando votei em branco, mas hás-de compreender que não era capaz de votar em ti nem nos teus adversários. Espero que não leves a mal, amigo.
Gostaria ainda de te dizer uma coisa. Eu não sei se lês jornais ou se sabes das notícias lá de fora, mas tens vários primeiros ministros e presidentes que anunciaram cortes substanciais nos seus rendimentos. Tu, os teus compinchas e o professor Cavaco optaram pela solidariedade com o mexilhão. Bem sei que não teria um grande impacto, mas ser um líder implica dar o exemplo. E tu nunca deste. A menos que se possa contar com a bonita aula de expressão oral que deste um dia, já não me recordo quando.
Depois, se puderes e não te tomar muito tempo, explica-me o que andas a fazer quando vais ao estrangeiro. O Portas, esse, já sei que veio ao Brasil ver a Mariza.
O amigo Aníbal é outro.
Sinceramente, entre seres azelha e o Aníbal ser velhaco, não sei qual detesto mais.
Faço votos sinceros para que o nosso PR consiga reunir dinheiro suficiente para se aguentar cada mês, mesmo recebendo a Presidência da República, anualmente, mais do que a Casa Real de Espanha. Ainda se ele tivesse um curso de Economia ou conhecesse um professor da área, podia ser que ajudasse.
Não queria esquecer-me de te dizer que fico contente por teres encomendado umas centenas de carros de "serviço". Aposto que tinhas aí um dinheiro que podia ir para o QREN mas não sabias o que lhe fazer, então mandaste trocar a frota do estado. Aliás, de que serve a tua coleção de motoristas se não tiverem uns belos bólides para acelerar? Eu até questionava o exagero de motoristas, mas depois de alguma reflexão deduzi que serve para diminuir o desemprego.
E também tenho de saudar a contratação de assessores "especialistas" acabadinhos de sair da universidade e a receber que nem...especialistas. Deve ser da especialidade de colar cartazes. Sim, eu sei, isso é muito valorizado. E aplaudo a inteligência dos valores que são pagos "aleatoriamente" duas vezes no ano mas que não são subsídios de férias ou de Natal. De génio, Pedro, amigo!
Acho que se continuares assim ainda consegues juntar a maior manifestação em Portugal desde o 25 de Abril. Aliás, o 25 de Abril, esse sacana, que tem mais culpa na situação do país do que o homem com nome de filósofo ou do que o senhor do bolo rei.
Não te preocupes, enquanto houver dinheiro para minis, tremoços, cabeleireiro, pagar a anuidade do Benfica, cigarros e umas noitadas, o pessoal vai continuar a protestar só no Facebook e nos blogues (como eu estou a fazer, vês, amigo?).
Por isso, continua a empurrar as culpas para o Sócrates, o PS e a Troika, continua a governar o país como se tivesses 8 ou 9 aninhos e estivesses a ver a pilinha crescer, que nós vamos continuando a dizer mal de ti e a fazer pela vida.
Até ao dia...
Afinal, se um dia fomos quase donos do mundo, alguma fibra teremos. É claro que depois disso fomos descendo a pique (e tu estás lá no fundinho, amigo), mas isso são detalhes, cabe a cada um decidir se olha para o copo meio cheio ou meio vazio.
Abraço, Pedro, amigo.
P.S. não te mando para o caralho só por uma questão de educação e por ser teu amigo
quarta-feira, dezembro 21, 2011
Sindicato Five
Esta semana apareceu uma reportagem interessante sobre Mário Nogueira e, de seguida, vários foram os comentários, muitos deles grátis, via Facebook, outros, na comunicação social, bem pagos.
Um dos comentadores foi Camilo Lourenço, um fenómeno nacional como se pode ver no seu blogue. Não costumo concordar com as ideias do senhor, é muito técnico, é o típico homem que vê as coisas do topo, não se chega onde pode sujar as mãos ou apanhar poeira nos sapatinhos engraxados.
Entre cursos que abordam o direito, o jornalismo e a economia, é professor universitário e comenta tudo, desde bola a economia, até educação e sindicalismo, falta-lhe, por certo, auxiliar Teresa Guilherme ou Júlia Pinheiro nas apreciações aos participantes nos maravilhosos reality shows que a TV portuguesa tem oferecido.
Finda esta pequena alfinetada nessa raça que são os comentadores pagos (digo pagos para legitimar a minha mania de mandar constantemente o bitaite de forma gratuíta), venha o homem do bigode.
A minha vida cruzou-se com Mário Nogueira em 2002/2003, quando tive oportunidade de o entrevistar diversas vezes e em diferentes ocasiões: como sindicalista, como militante do PCP e como dirigente da secção de Patinagem da AAC.
Serve isto para dizer que não vejo Mário Nogueira como um homem que fica sentado à sombra da bananeira a aproveitar o sol do sindicalismo.
Não aprecio o papel de líder sindical. Não aprecio por diversas razões.
No Reino Unido existe uma coisa chamada NUT : National Union of Teachers. Union. É isto. A União faz a força. Pelo menos é esta a lógica.
Não concordo com esta posição de dirigente sindical que não exerce a profissão que representa.
E muito menos que seja avaliado como se estivesse a exercer.
Se, como aconteceu com Mário Nogueira, um professor que não dá aulas é avaliado com um Bom, qual é a legitimidade para dar nota inferior a um professor que tenha dado aulas?
Voltando à questão da união e pegando no seu significado, o sindicado deve existir, sim, para defender os interesses da classe, mas deve existir graças a um movimento unificado de profissionais e não graças a um ex-profissional que larga o seu ofício para ser dirigente. Até concordo que haja uma redução do número de horas de aulas para poder dedicar-se ao sindicato, mas não posso concordar que se troque a profissão pelo sindicato. Muito menos concordo com a avaliação do sindicalista que não exerce como se exercesse.
Continuando, a longevidade dos cargos sindicais também me parece censurável.
Isso virou carreira? Mas carreira de quê, quando, como disse antes, quem se dedica aos sindicatos deixa de lado o ofício que deu origem ao próprio sindicato?
Não só não concordo com a existência de um líder sindical como não concordo com a "Alberto-João-Jardinzação" das direções sindicais.
Os sindicatos não podem e não devem ser um paraíso para quem, no fundo, deixa a profissão cujos interesses vai representar e, muito menos se justifica que se perpetue a permanência nos cargos.
O propósito dos sindicatos é louvável, já o seu papel tem sido questionável.
Os sindicatos não servem para ser apenas do contra, devem assumir uma postura atenta, com uma visão crítica e desempenhando um papel construtivo. Não se pode viver a dizer "não" e "não" e "não". É necessário apresentar alternativas às propostas que vão contra aquilo que consideram ser os interesses dos trabalhadores.
Não me parece que isso seja o que se passa.
segunda-feira, dezembro 19, 2011
Vai-te embora!
Mais um dia que passa, mais um dia em que o atual executivo português assume a sua incompetência.
Depois do secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Alexandre Miguel Mestre, foi a vez do primeiro.ministro, Passos Coelho, abrir a porta da rua aos professores.
Muitos dizem, como já li, que é inadmissível, outros que foi uma declaração plena de lucidez.
Segundo uma sondagem que efetuei junto dos meus botões, é unânime que estas declarações são sintomáticas da consciência do membros do governo de que não têm capacidade para resolver mais esta situação.
Todas as promessas eleitorais apontavam para um aperto de cinto, todas as medidas apontam para a guilhotina. As medidas que se adivinhavam severas e que iriam afetar TODA a população, acabaram por se focar nos que atravessam maiores dificuldades. Típico.
Passos Coelho e o seu executivo são tão bons a gerir o país quanto eu era compente a jogar Ceasar III aos 15 anos de idade. A diferença é que, depois de algum tempo a abusar da carga fiscal, a população revoltava-se e eu perdia o jogo. No caso real, o jogo é de conversa. Falam governo e oposição, falam comentadores, fala a comunicação social e fala-se mal...mas não se faz nada.
Esta situação mostra duas coisas:
1) Passos Coelho apercebe-se que não tem capacidade ou competência para diminuir os números do desemprego, ou seja, para criar emprego. Isso já muita gente sabia, mas nunca tinha sido assumido de forma tão clara como agora. É simples: aqui não há nem vai haver lugar para o pessoal que pretende trabalhar, por isso sigam lá para fora!
2) Passos Coelho revela pouca inteligência, pouca visão e, sobretudo, pouca capacidade de trabalho. Se o PM tivesse comunicado ao país que teria estabelecido acordos com países lusófonos para que os portugueses no desemprego possam procurar oportunidades de trabalho no estrangeiro, isso seria de louvar.
O apelo seria o mesmo, a diferença residiria na criação de condições.
O que Passos Coelho estupidamente se esquece é que quem está no desemprego e quer procurar oportunidades no estrangeiro tem que pagar viagens, alojamento e, tem que conseguir visto de trabalho.
Passos Coelho acha que, lá por Portugal ter as penas abertas a brasileiros, Angolanos, moçambicanos, etc etc, o recíproco se verifica.
Não é assim.
Enquanto Portugal é uma pequena casa, com pouco a oferecer, e que tem as portas abertas para os nossos "irmãos lusófonos", os ditos irmãos levantam um conjunto de obstáculos que tornam bem complicado o acesso ao mercado de trabalho nesses países.
Não estranho que um garoto que chegou a primeiro-ministro sem ter mérito, quer como jotinha, quer no curso que comprou, quer como moço de recados do padrinho, esteja agora a demonstrar que nunca seria/será capaz de fazer algo pelo país.
Também não estranho que um conjunto de teóricos como ministros não seja capaz de contornar a crise.
O que estranho é que não haja uma única criatura no meio de ministros, secretários de estado e assessores, que se lembre de dizer: "senhor primeiro-ministro, não era mal pensado se tentasse contactar os seus parceiros dos países que recomendou, sondar quanto ao interesse em receber os nossos profissionais e redigir uns daqueles papéis que se assinam no final e que permitem proporcionar melhores dias aos seus compatriotas e, depois de tudo assinado e acordado, comunicar ao país que foi capaz de fazer alguma coisa de produtivo por Portugal e pelos portuguegues".
Eu não espero nada deste tipo e dos seus comparsas, por isso mesmo decidi antecipar-me aos seus apelos...e vim andando.
FOI PROFUNDO
sexta-feira, dezembro 02, 2011
Ariane Fonseca: YOU SUCK!
Esta senhora colocou online uma lista chamada "40 motivos para se casar com um jornalista".
Como achei tolice, decidi ser desmancha prazeres, uma tarefa em que sou profissional.
Jornalista geralmente é criativo, ele vai surpreender você quando menos esperar;
Eu já era criativo bem antes de qualquer experiência jornalística
E outra! Trabalhando muito, eles não têm tempo de se interessar por outra pessoa;
Pouco inteligente. Trabalhando muito não tem tempo para qualquer outra pessoa. Em que planeta é que isso é bom?
Ele pode escrever os votos matrimoniais da sua irmã, criar o conteúdo do site de negócios do seu pai, ensinar sua mãe a tirar fotos das amigas nos eventos do bairro. Ele aprende de tudo um pouco e gosta de compartilhar!;
Leem livros raros, histórias para crianças e semiótica… Seus filhos serão super dotados se depender dele;
Claramente não é filha de um jornalista... livros raros, histórias para crianças e semiótica? Epá, primeiro, o que são livros raros? Segundo, histórias para crianças, provavelmente quando eram crianças. Terceiro, ninguém gosta de livros de semiótica, foram necessários para fazer o curso!
Como achei tolice, decidi ser desmancha prazeres, uma tarefa em que sou profissional.
Jornalista geralmente é criativo, ele vai surpreender você quando menos esperar;
Eu já era criativo bem antes de qualquer experiência jornalística
São curiosos e antenados, você sempre ficará por dentro de tudo que acontece;
e é preciso ser jornalista? qualquer cusco, porteira ou adolescente é assim...
e é preciso ser jornalista? qualquer cusco, porteira ou adolescente é assim...
Eles não ganham bem, mas isso é bom porque vocês podem aprender a economizar dinheiro;
desde quando é que é bom ter pouco dinheiro? e os jornalistas não são os únicos que ganham pouco dinheiro, essa lógica seria melhor ainda para um arrumador! Nem quero imaginar como deve ser um incrível gestor para conseguir viver de trocos!
desde quando é que é bom ter pouco dinheiro? e os jornalistas não são os únicos que ganham pouco dinheiro, essa lógica seria melhor ainda para um arrumador! Nem quero imaginar como deve ser um incrível gestor para conseguir viver de trocos!
No Natal, Ano Novo, Carnaval… eles provavelmente estarão na redação. Mas, pense pelo lado positivo: antes trabalhando do que vagabundando;
ausente é sempre ausente, nunca é bom. Aplicação extrema desta lógica: um jornalista de guerra leva um tiro e morre: antes morto que enrolado com alguma prostituta estrangeira!
ausente é sempre ausente, nunca é bom. Aplicação extrema desta lógica: um jornalista de guerra leva um tiro e morre: antes morto que enrolado com alguma prostituta estrangeira!
E outra! Trabalhando muito, eles não têm tempo de se interessar por outra pessoa;
Pouco inteligente. Trabalhando muito não tem tempo para qualquer outra pessoa. Em que planeta é que isso é bom?
Eles não são bons de matemática, mal sabem somar e subtrair; mas, para que saber isso se são os mestres da escrita?;
Bela generalização. Ponto 1: nem todos são maus com números, a matemática não é apenas uma questão de somar e subtrair, tem muito a ver com raciocínio. Ponto 2. Eu sei de muito jornalista que não se enquadra como mestre da escrita.
Bela generalização. Ponto 1: nem todos são maus com números, a matemática não é apenas uma questão de somar e subtrair, tem muito a ver com raciocínio. Ponto 2. Eu sei de muito jornalista que não se enquadra como mestre da escrita.
Acostumados com pautas, são bem organizados e planejam bem as coisas antes de fazê-las;
Ai sim? Eu ia jurar que os jornalistas estão bem longe de ser os melhores no que diz respeito a esta categoria...
Como é fissurado por fontes, quando você tiver uma ótima ideia, ele não vai dizer aos amigos que foi coisa da cabeça dele. Dará todas as honras para você!;
Alguém vive num mundo completamente estranho... O jornalista protege as fontes, pode dizer que não foi ideia dele mas pode não divulgar quem deu a ideia...
Alguém vive num mundo completamente estranho... O jornalista protege as fontes, pode dizer que não foi ideia dele mas pode não divulgar quem deu a ideia...
Como vivem numa rotina corrida, não tem muito tempo para opinar nas coisas da casa. O que você fizer, ele vai achar lindo;
Boa lógica. Experimenta esta: como o jornalista é objetivo, provavelmente vai dizer as coisas como elas são em vez de florear: feio é feio, não é "nota-se que fizeste isso com carinho e tens um bom gosto incrível".
Boa lógica. Experimenta esta: como o jornalista é objetivo, provavelmente vai dizer as coisas como elas são em vez de florear: feio é feio, não é "nota-se que fizeste isso com carinho e tens um bom gosto incrível".
Tudo é um grande brainstorm (tempestade de ideias). Monotonia não vai entrar na sua casa!;
Ora aqui está uma coisa chamada "tradução de merda" para ajudar a mais um raciocínio de caca.
Ora aqui está uma coisa chamada "tradução de merda" para ajudar a mais um raciocínio de caca.
Quando vocês brigarem, ele não vai achar que a opinião dele é a melhor. Tem que ouvir todos os lados de um fato, ele saberá analisar a situação!;
Opinião não é facto. Quando se mistura objetividade com subjetividade, dá asneira. Uma notícia não é opinativa. Quando se trata de opinar conta a visão de cada um
Opinião não é facto. Quando se mistura objetividade com subjetividade, dá asneira. Uma notícia não é opinativa. Quando se trata de opinar conta a visão de cada um
Em coberturas de grandes eventos, você poderá entrar de gaiato. Cada final de semana em um lugar diferente: jogos de futebol, avenida de escola de samba, lançamento de livros…;
E isso resulta onde mesmo? "olhe, era uma credencial para mim, que vou trabalhar, e o meu amorzinho, que vai só ver".
E isso resulta onde mesmo? "olhe, era uma credencial para mim, que vou trabalhar, e o meu amorzinho, que vai só ver".
Mantêm revistas e jornais no banheiro. Você nunca ficará olhando para o vácuo enquanto faz suas necessidades fisiológicas. Ganhará conhecimento!;
Mais uma pessoa que não sabe a diferença entre uma casa-de-banho e uma biblioteca. Mijar/cagar e ir embora! É suposto ser algo rápido e não é para ficar a inalar o belo odor!
Mais uma pessoa que não sabe a diferença entre uma casa-de-banho e uma biblioteca. Mijar/cagar e ir embora! É suposto ser algo rápido e não é para ficar a inalar o belo odor!
Idolatram pessoas totalmente desconhecidas (o seu Zé, a Dona Maria, o Juquinha…) Todos com ótimas histórias de vida que vocês podem usar no cotidiano também para se tornarem pessoas melhores!;
WHAT??????
WHAT??????
Não vai faltar café na sua casa. Café e jornalista são praticamente sinônimos;
Mais uma vez, raciocínio de merda. Eu bebia muito mais café quando era estudante. E, se vamos por estereótipos, bom mesmo nisso de ser viciado em café é um polícia!
Ele pode escrever os votos matrimoniais da sua irmã, criar o conteúdo do site de negócios do seu pai, ensinar sua mãe a tirar fotos das amigas nos eventos do bairro. Ele aprende de tudo um pouco e gosta de compartilhar!;
Também pode cozinhar, lavar, passar, tratar do jardim, costurar... não quer dizer que seja bom nisso! Todos temos um amigo que acha que até sabe fazer trabalho de canalizador e reparar electrodomésticos!
Tudo para o jornalista tem uma explicação. Eles nunca vão se contentar com a primeira versão de um fato. Você sempre terá uma resposta, mesmo que demore;
Sempre pensei que isso era um filósofo, um cientista ou um pastor da Igreja Universal. Afinal é o jornalista. Também pensei que o jornalista procurava quem tivesse a explicação mas, pelos vistos, estava enganado.
São ótimos investigadores. Se alguém no trabalho passar a perna em você, rapidinho ele descobre quem é!;
Esta mulher anda a ver muito Bored to Death...
Esta mulher anda a ver muito Bored to Death...
Como trabalham muito, não tem tempo para beber demais, fumar, se envolver com drogas…Você terá um companheiro saudável!;
Começo a achar que ela não conhece jornalistas...
Tá bom, vai… eles não costumam comer coisas muito saudáveis. Mas se você for legal e fizer comida para ele levar ao trabalho, isso se resolve rapidinho, não é? =);
Mas isso é característica de jornalista? Desde quando?
Mas isso é característica de jornalista? Desde quando?
Suas viagens nunca serão monótonas! Se acontecer qualquer movimento estranho, ele vai logo querer saber o que é e infiltrará você junto para desvendar o problema;
MEDO! Mas que tipo de jornalistas é que esta senhora conhece? Continuo a achar: muito Bored to Death naquela cabecinha...
MEDO! Mas que tipo de jornalistas é que esta senhora conhece? Continuo a achar: muito Bored to Death naquela cabecinha...
Amam roupas leves e simples no dia a dia. Você não vai gastar muito dinheiro com isso;
Mas também sabem se arrumar bonitinhos para os eventos. Você terá um parceiro que sabe ser simples, mas também sabe arrasar. Tudo vai depender da ocasião;
Lógica 1: ela acha que o jornalista não tem dinheiro para comprar roupa, é a mulher dele que compra. Lógica 2: se ele gasta menos em roupa, sobra mais para ela gastar em roupa
Mas também sabem se arrumar bonitinhos para os eventos. Você terá um parceiro que sabe ser simples, mas também sabe arrasar. Tudo vai depender da ocasião;
Lógica 1: ela acha que o jornalista não tem dinheiro para comprar roupa, é a mulher dele que compra. Lógica 2: se ele gasta menos em roupa, sobra mais para ela gastar em roupa
A agenda é o seu melhor amigo. Mas, não fique com ciúmes! Pense pelo lado positivo, nunca vai esquecer nenhuma data importante, porque tudo fica rigorosamente descrito lá;
Oh mulher! É uma ferramenta de trabalho, logo não estão lá as datas que ela acha que são importantes! Para isso serve o facebook! DAH!
Oh mulher! É uma ferramenta de trabalho, logo não estão lá as datas que ela acha que são importantes! Para isso serve o facebook! DAH!
Eles não ficam irritados com “nãos”, afinal, estão acostumados com assessorias de imprensa que não querem divulgar os bafões. Você não terá um companheiro irritado, mas, em compensação ele não vai desistir até conseguir o que quer. Mas só de não se grosso já vale, não é!?;
Claro, todo o jornalista lida com assessorias de imprensa. ahahah sem mais comentários...
Claro, todo o jornalista lida com assessorias de imprensa. ahahah sem mais comentários...
Como são antenados, também sempre ficam sabendo das novidades tecnológicas primeiro. Às vezes, até ganham de presente para testar a ferramenta. Você terá tudo em primeira mão na sua casa;
Começa por R e termina em ídiculo...
Começa por R e termina em ídiculo...
Eles não se importam com calor, chuva, trovões… afinal, precisam estar onde a notícia está! Você poderá ir na praia com 50 graus tranqüila ou aquela viagem dos sonhos pode se tornar um pesadelo no caos de São Paulo que ele não vai blasfemar. Ainda vai dar risada da situação;
Sim, o jornalista costuma andar com a mulher atrás. Aliás, acho curioso como a mulher é incoerente. No início fala da questão de ele não estar com ela mas estar a trabalhar e não a vagabundear, agora fala como se ele a levasse para o trabalho...
Sim, o jornalista costuma andar com a mulher atrás. Aliás, acho curioso como a mulher é incoerente. No início fala da questão de ele não estar com ela mas estar a trabalhar e não a vagabundear, agora fala como se ele a levasse para o trabalho...
Acham que podem salvar o mundo com uma matéria. Olha que sensibilidade!;
Eles acham que podem ajudar a mudar o mundo. É bem diferente...
Eles sempre sabem tudo todo o tempo;
Isso não é ser jornalista, é ser chato e pretensioso.
Gostam de música para acalmar;
1. E é preciso ser jornalista? 2. há jornalistas que precisam de silêncio, outros de agitação...
Leem livros raros, histórias para crianças e semiótica… Seus filhos serão super dotados se depender dele;
Claramente não é filha de um jornalista... livros raros, histórias para crianças e semiótica? Epá, primeiro, o que são livros raros? Segundo, histórias para crianças, provavelmente quando eram crianças. Terceiro, ninguém gosta de livros de semiótica, foram necessários para fazer o curso!
Sua vida social é infinitamente grande. Você nunca poderá reclamar que não conhece gente nova;
Ai não! Mas isto não tem fim? Então eles não têm tempo para outras pessoas mas a vida social é infinitamente grande? Há gente que não gosta pensar...
Ai não! Mas isto não tem fim? Então eles não têm tempo para outras pessoas mas a vida social é infinitamente grande? Há gente que não gosta pensar...
Eles estão acostumados com coisas chatas e sabem contorná-las muito bem. O casamento nunca vai virar algo monótono;
Não é contornar, chama-se "engolir sapos por se querer receber ao final do mês".
Não é contornar, chama-se "engolir sapos por se querer receber ao final do mês".
Eles gostam de camisas com estampas de alguma brincadeira sobre algo atual. Suas amigas vão ficar com inveja do seu companheiro inteligente;
Onde é que ela vai ver isto? Quem são os jornalistas que ela conhece? Eu conheço alguns com tshirts com frases estúpidas, com bonecos da disney ou da marvel ou com piadas sexuais, longe de estarem enquadrados neste pensamento...
Onde é que ela vai ver isto? Quem são os jornalistas que ela conhece? Eu conheço alguns com tshirts com frases estúpidas, com bonecos da disney ou da marvel ou com piadas sexuais, longe de estarem enquadrados neste pensamento...
Eles sempre têm uma opinião sobre qualquer coisa na face da Terra. Durante uma conversa entre amigos, vocês nunca ficarão apagados;
A maior parte das pessoas tem opinião sobre tudo, não significa que vão dizer algo acertado...
A maior parte das pessoas tem opinião sobre tudo, não significa que vão dizer algo acertado...
A maioria gosta de virar psicólogo, técnico de futebol e médico às vezes. Você terá um companheiro mil e uma utilidades;
Tirando a parte de técnico de futebol, isso faz-me lembrar várias pessoas que conheço. Quase todas do sexo feminino, quase nenhuma jornalista...
Tirando a parte de técnico de futebol, isso faz-me lembrar várias pessoas que conheço. Quase todas do sexo feminino, quase nenhuma jornalista...
Por causa da profissão, são forçados a aprender mais de um idioma. Você vai ouvir “Eu te amo” em, pelo menos, umas três línguas diferentes;
1) nem todos os jornalistas precisam de aprender outros idiomas. 2) quando aprendem não é pela profissão, é por fazer parte do programa escolar, 3) se só souber duas línguas já desarma o pensamento, 4) por fim, que raio vai fazer um gajo dizer à sua gaja "eu te amo" em três línguas????
1) nem todos os jornalistas precisam de aprender outros idiomas. 2) quando aprendem não é pela profissão, é por fazer parte do programa escolar, 3) se só souber duas línguas já desarma o pensamento, 4) por fim, que raio vai fazer um gajo dizer à sua gaja "eu te amo" em três línguas????
A primeira coisa que seu filho vai aprender é que a informação é a alma do negócio. Com dois anos, sua fofurinha vai saber o que é aquecimento global, mercado financeiro e já saberá criticar políticos;
O segredo é a alma do negócio e a primeira coisa que vai aprender é a não chorar a meio da noite :)
Gostam de mudar de cidade, estado e até de país. Você conhecerá muitos lugares!;
Verdadinha. Por outro lado, se gostam disso, há uma boa possibilidade de quererem mudar sozinhos, o que pode querer dizer que mudem de namorada e não casem.
Verdadinha. Por outro lado, se gostam disso, há uma boa possibilidade de quererem mudar sozinhos, o que pode querer dizer que mudem de namorada e não casem.
Assistem documentários e vão a museus o tempo todo, não importa o que seja. Ô cultura!
É. Os jornalistas adoram museus. E documentários. Odeiam futebol e filmes de porrada e tiros.
Sinceramente, aqui está algo escrito sem pés nem cabeça, uma tristeza que dá pena.
Não sei se o propósito era ter piada, mas convém sempre pensar um bocadinho no que se escreve, não basta meter um conjunto de ideias que parecem ter graça. No fim deve ler-se e decidir se está tudo direitinho... para não sair algo como isto!
Há pessoas malvadas no mundo que podem aproveitar para ser cruéis e "assassinar" o bonito texto da treta...
FOI PROFUNDO?
terça-feira, outubro 25, 2011
Questões sobre um país à deriva
Dois pontos prévios antes de começar:
1. A grande vantagem do país andar à deriva é ainda não ter afundado.
2. Enquanto ateu, não acredito em intervenções divinas, acredito nas capacidades humanas, por isso isso mesmo tenho pouca fé nos atuais governantes, indivíduos que não mostram ter o que é necessário para levar o país a bom porto.
Olhando para Portugal, ainda que à distância de um oceano, dou por mim a pensar se chegámos a um ponto em que não há ninguém capaz de governar o país e o meter na ordem.
Não digo, ao contrário de muitos, que seja preciso outro Salazar, também não acho que seja preciso fazer um intervalo na democracia, tudo isso revela pouca inteligência.
Aliás, Portugal tornou-se um país com muitos espertos, ao invés de vários inteligentes.
Não terei sido o único a receber emails com salários absurdos de deputados e gestores ou de antigos políticos, comparando quanto auferiam antes e depois dos cargos desempenhados "em prol da nação".
Não é algo que me surpreenda, embora confesse que o nível de pornografia dos salários tenha excedido o que eu pensava. O soft-core da minha imaginação é, na verdade, um hard-core bem próximo da categoria snuff.
É claro que cada um deve ganhar de acordo com as suas qualificações e de acordo com as suas responsabilidades, mas depois existem vários truques "mágicos" para meter mais algum dinheiro ao bolso. Prémios de desempenho, cartões de crédito da empresa, combustível, telemóvel...
Eu pegaria apenas na questão dos prémios de desempenho e de produtividade. Qual é mesmo a justificação para pagar milhões a estes artistas quando a economia nacional está em tal estado que se fala em...crise?
Como é que se justifica que as empresas tenham níveis de endividamento gigantescos e depois se dêem prémios de milhões aos seus gestores? Ninguém pensa em equilibrar as contas das empresas, pensam em meter dinheiro ao bolso e, como são os administradores a decidir os prémios da administração, não espanta que se preocupem com os seus respetivos umbigos.
Com o país passa-se o mesmo.
Quem está no poder preocupa-se em governar-se e tratar dos seus. Por isso mesmo acho hipócrita quando PS, PSD e CDS trocam acusações falando dos boys, quando todos fazem o mesmo. E, atenção, eu compreendo que se coloquem pessoas de confiança em lugares que devem ser de confiança política. É claro que isso faz pressupôr que, estando uma pessoa no cargo que não é do partido, vá fazer algo para prejudicar quem está no poleiro. É uma boa lógica que mostra que quem está na política sabe que o jogo sujo e a importância de estar no poder é superior ao bom desempenho do cargo que se está a ocupar.
Outra questão que não me sai do pensamento tem a ver com a gestão do país, nomeadamente quando olhamos para os impostos.
Eu não tenho formação em economia, mas era capaz de apostar que se taxassem as grandes fortunas, não se perderia grande coisa.
Vejamos: quantos salários de 1000€ correspondem a um qualquer grande empresário português? O que eu quero dizer é: se em vez de se taxarem uns milhares de trabalhadores que já não recebem grande coisa, podia taxar-se um ou outro grande empresário. Não só o retorno seria o mesmo, como o número de portugueses afetados seria bem menor.
E não só.
Julgo que não é preciso ter grande formação em economia para saber que, se as grandes fortunas fossem taxadas de forma visível, o montante em causa iria servir para alavancar a economia nacional de forma mais célere, permitindo que os mesmos que fossem taxados pudessem voltar rapidamente a usufruir das vantagens de uma economia recuperada. E isto sem ter que ir ao bolso de quem nada ou pouco tem.
As medidas implementadas pelo atual governo são vampíricas. Só falta sugar o sangue da classe média e da classe trabalhadora. Quanto menos se tem, mais se lhes cobra. É pouco inteligente, especialmente num período em que é necessário mobilizar o país para ser produtivo.
Se, por exemplo, o senhor Américo Amorim ou o senhor Belmiro Azevedo tiverem que "largar" uns milhões para o Estado, será que vão passar fome? Vão ter que vender um carro ou deixar o banco levar-lhes a casa?
Mas se tirarem 200 euros por mês a um trabalhador que já não leva muito para casa ao final do mês, é capaz de fazer uma grande diferença.
E quanto às manifestações...
Façam-me um favor!
Isso não é nada!
Não digo que se recorra à violência, queimar carros é estar a destruir o que o vizinho do lado trabalhou para conseguir e é ridículo. Os senhores do poleiro não sentem na pele se arder o Nissan que um empregado de restaurante demorou 3 anos a pagar!
Mas um dia de paralisação?
Uau! Que impacto!
Experimentem fazer como aqui no Brasil. Bancos parados, correios parados, funcionários da faculdade parados. Mas parados MESMO! Até às suas exigências serem atendidas.
Acredito que o pior pode não ter chegado pois, tal como sucede na Europa, não há solidariedade interna. Os governantes querem que os países mais ricos ajudem os países em dificuldades, mas as suas medidas internas consistem em fazer sofrer os cidadãos que já estão com o cinto apertado. Com que moral é que Passos Coelho reclama com Alemanha e França se ele próprio segue a mesma cartilha?
Não temos políticos competentes da mesma forma que não temos gestores competentes.
Se fossem competentes teríamos uma economia forte. Não temos.
Mas temos gestores pagos principescamente. E temos políticos pagos principescamente assim que acabam funções e vão para empresas privadas, semi-privadas ou públicas.
O que me deixa enojado é a forma como tantos senhores falam de ser necessário estarmos preparados para o aumento de desemprego e para mais esforços quando tantos deles acumulam cargos atrás de cargos em empresas e institutos e fundações e o que mais existir para os deixar de bolsos bem cheios.
Um jovem tem que aguentar meses ou anos à procura de emprego mas estes senhores vão buscar salários a 4, 5, 6 fontes. E são humanos que têm um dia de 24h como qualquer jovem que não pode trabalhar por ser necessário cortar nas despesas e por, como um dia ouvi dizer, a árvore não poder abrigar todos. Não abriga todos, mas há uns passarões que vão de galho em galho, de árvore em árvore e conseguem sempre um bom abrigo.
Se me querem convencer que estes artistas que acumulam funcões em várias empresas conseguem multiplicar as suas horas, muito bem, mas dificilmente me convencem da justiça deste tipo de situações. Uns com tanto, outros sem nada. Não há como pagar 1000€ a um jovem que está em início de carreira, mas os "velhos" podem andar a sugar 4000€ (no mínimo) por estarem presentes numa reunião.
E a mentirinha da redução da máquina do Estado? Eram os ministérios que iam ser reduzidos, afinal foram os ministros, os ministérios continuam lá, com os secretários de estado e acessores e motoristas e tudo o que é necessário para quem está no poleiro.
Querem diminuir a despesa? Que tal começarem por onde realmente se gasta dinheiro? Ou devo dizer que devem começar por onde se deita dinheiro fora?.
É que eu também recebi os emails com os montantes gastos pelas autarquias em flores, músicos, balões, champanhe, etc, mas tal como as autarquias temos o Estado e as grandes empresas a deitar dinheiro fora nestas coisinhas fúteis.
Eu gostava de ver gente competente e corajosa à frente do país, gostava de ver gente inteligente, mas acho que é pedir demais.
Vamos continuar com o país em modo Tomás Taveira: Aguenta e não chora...
1. A grande vantagem do país andar à deriva é ainda não ter afundado.
2. Enquanto ateu, não acredito em intervenções divinas, acredito nas capacidades humanas, por isso isso mesmo tenho pouca fé nos atuais governantes, indivíduos que não mostram ter o que é necessário para levar o país a bom porto.
Olhando para Portugal, ainda que à distância de um oceano, dou por mim a pensar se chegámos a um ponto em que não há ninguém capaz de governar o país e o meter na ordem.
Não digo, ao contrário de muitos, que seja preciso outro Salazar, também não acho que seja preciso fazer um intervalo na democracia, tudo isso revela pouca inteligência.
Aliás, Portugal tornou-se um país com muitos espertos, ao invés de vários inteligentes.
Não terei sido o único a receber emails com salários absurdos de deputados e gestores ou de antigos políticos, comparando quanto auferiam antes e depois dos cargos desempenhados "em prol da nação".
Não é algo que me surpreenda, embora confesse que o nível de pornografia dos salários tenha excedido o que eu pensava. O soft-core da minha imaginação é, na verdade, um hard-core bem próximo da categoria snuff.
É claro que cada um deve ganhar de acordo com as suas qualificações e de acordo com as suas responsabilidades, mas depois existem vários truques "mágicos" para meter mais algum dinheiro ao bolso. Prémios de desempenho, cartões de crédito da empresa, combustível, telemóvel...
Eu pegaria apenas na questão dos prémios de desempenho e de produtividade. Qual é mesmo a justificação para pagar milhões a estes artistas quando a economia nacional está em tal estado que se fala em...crise?
Como é que se justifica que as empresas tenham níveis de endividamento gigantescos e depois se dêem prémios de milhões aos seus gestores? Ninguém pensa em equilibrar as contas das empresas, pensam em meter dinheiro ao bolso e, como são os administradores a decidir os prémios da administração, não espanta que se preocupem com os seus respetivos umbigos.
Com o país passa-se o mesmo.
Quem está no poder preocupa-se em governar-se e tratar dos seus. Por isso mesmo acho hipócrita quando PS, PSD e CDS trocam acusações falando dos boys, quando todos fazem o mesmo. E, atenção, eu compreendo que se coloquem pessoas de confiança em lugares que devem ser de confiança política. É claro que isso faz pressupôr que, estando uma pessoa no cargo que não é do partido, vá fazer algo para prejudicar quem está no poleiro. É uma boa lógica que mostra que quem está na política sabe que o jogo sujo e a importância de estar no poder é superior ao bom desempenho do cargo que se está a ocupar.
Outra questão que não me sai do pensamento tem a ver com a gestão do país, nomeadamente quando olhamos para os impostos.
Eu não tenho formação em economia, mas era capaz de apostar que se taxassem as grandes fortunas, não se perderia grande coisa.
Vejamos: quantos salários de 1000€ correspondem a um qualquer grande empresário português? O que eu quero dizer é: se em vez de se taxarem uns milhares de trabalhadores que já não recebem grande coisa, podia taxar-se um ou outro grande empresário. Não só o retorno seria o mesmo, como o número de portugueses afetados seria bem menor.
E não só.
Julgo que não é preciso ter grande formação em economia para saber que, se as grandes fortunas fossem taxadas de forma visível, o montante em causa iria servir para alavancar a economia nacional de forma mais célere, permitindo que os mesmos que fossem taxados pudessem voltar rapidamente a usufruir das vantagens de uma economia recuperada. E isto sem ter que ir ao bolso de quem nada ou pouco tem.
As medidas implementadas pelo atual governo são vampíricas. Só falta sugar o sangue da classe média e da classe trabalhadora. Quanto menos se tem, mais se lhes cobra. É pouco inteligente, especialmente num período em que é necessário mobilizar o país para ser produtivo.
Se, por exemplo, o senhor Américo Amorim ou o senhor Belmiro Azevedo tiverem que "largar" uns milhões para o Estado, será que vão passar fome? Vão ter que vender um carro ou deixar o banco levar-lhes a casa?
Mas se tirarem 200 euros por mês a um trabalhador que já não leva muito para casa ao final do mês, é capaz de fazer uma grande diferença.
E quanto às manifestações...
Façam-me um favor!
Isso não é nada!
Não digo que se recorra à violência, queimar carros é estar a destruir o que o vizinho do lado trabalhou para conseguir e é ridículo. Os senhores do poleiro não sentem na pele se arder o Nissan que um empregado de restaurante demorou 3 anos a pagar!
Mas um dia de paralisação?
Uau! Que impacto!
Experimentem fazer como aqui no Brasil. Bancos parados, correios parados, funcionários da faculdade parados. Mas parados MESMO! Até às suas exigências serem atendidas.
Acredito que o pior pode não ter chegado pois, tal como sucede na Europa, não há solidariedade interna. Os governantes querem que os países mais ricos ajudem os países em dificuldades, mas as suas medidas internas consistem em fazer sofrer os cidadãos que já estão com o cinto apertado. Com que moral é que Passos Coelho reclama com Alemanha e França se ele próprio segue a mesma cartilha?
Não temos políticos competentes da mesma forma que não temos gestores competentes.
Se fossem competentes teríamos uma economia forte. Não temos.
Mas temos gestores pagos principescamente. E temos políticos pagos principescamente assim que acabam funções e vão para empresas privadas, semi-privadas ou públicas.
O que me deixa enojado é a forma como tantos senhores falam de ser necessário estarmos preparados para o aumento de desemprego e para mais esforços quando tantos deles acumulam cargos atrás de cargos em empresas e institutos e fundações e o que mais existir para os deixar de bolsos bem cheios.
Um jovem tem que aguentar meses ou anos à procura de emprego mas estes senhores vão buscar salários a 4, 5, 6 fontes. E são humanos que têm um dia de 24h como qualquer jovem que não pode trabalhar por ser necessário cortar nas despesas e por, como um dia ouvi dizer, a árvore não poder abrigar todos. Não abriga todos, mas há uns passarões que vão de galho em galho, de árvore em árvore e conseguem sempre um bom abrigo.
Se me querem convencer que estes artistas que acumulam funcões em várias empresas conseguem multiplicar as suas horas, muito bem, mas dificilmente me convencem da justiça deste tipo de situações. Uns com tanto, outros sem nada. Não há como pagar 1000€ a um jovem que está em início de carreira, mas os "velhos" podem andar a sugar 4000€ (no mínimo) por estarem presentes numa reunião.
E a mentirinha da redução da máquina do Estado? Eram os ministérios que iam ser reduzidos, afinal foram os ministros, os ministérios continuam lá, com os secretários de estado e acessores e motoristas e tudo o que é necessário para quem está no poleiro.
Querem diminuir a despesa? Que tal começarem por onde realmente se gasta dinheiro? Ou devo dizer que devem começar por onde se deita dinheiro fora?.
É que eu também recebi os emails com os montantes gastos pelas autarquias em flores, músicos, balões, champanhe, etc, mas tal como as autarquias temos o Estado e as grandes empresas a deitar dinheiro fora nestas coisinhas fúteis.
Eu gostava de ver gente competente e corajosa à frente do país, gostava de ver gente inteligente, mas acho que é pedir demais.
Vamos continuar com o país em modo Tomás Taveira: Aguenta e não chora...
segunda-feira, outubro 17, 2011
São todos umas vítimas!
POR FAVOR!!!
Fiz algum mal a alguém para ter de ouvir/ler tanta teoria de vitimização de Passos Coelho e do PSD?
A que governo pertenceram os gatunos que destruiram um "pequeno" banco português em "meia dúzia de tostões", obrigando a que recentemente, um governo de outro partido tivesse de canalizar uns "milhõezitos" para tapar o buraco e impedir que particulares e empresas vissem o seu dinheirito ir à vida?
Qual foi o governo que assinou os "papéis" do TGV?
Qual foi o governo que acordou a compra dos submarinos?
Qual foi o governo que não torrou milhões em alcatrão?
Sócrates era criticado por andar a desculpar-se com o governo anterior, Passos faz o mesmo.
Quando todos criticaram (com razão) o talento que Sócrates exibia para não cumprir promessas eleitorais, onde estão agora as vozes para apontar o dedo a Passos que faz tudo ao contrário do que prometeu na campanha eleitoral?
Comparar Sócrates e Passos Coelho é triste. Tudo o que foi apontado a Sócrates pode ser facilmente aplicado a Passos: jotinha que nunca fez nada a não ser....presidir à jota, trabalhar na empresa do "padrinho" e "comprar" o curso por pressão do mesmo "padrinho".
Andamos a brincar ou acham mesmo que o pessoal é ceguinho????
Fiz algum mal a alguém para ter de ouvir/ler tanta teoria de vitimização de Passos Coelho e do PSD?
A que governo pertenceram os gatunos que destruiram um "pequeno" banco português em "meia dúzia de tostões", obrigando a que recentemente, um governo de outro partido tivesse de canalizar uns "milhõezitos" para tapar o buraco e impedir que particulares e empresas vissem o seu dinheirito ir à vida?
Qual foi o governo que assinou os "papéis" do TGV?
Qual foi o governo que acordou a compra dos submarinos?
Qual foi o governo que não torrou milhões em alcatrão?
Sócrates era criticado por andar a desculpar-se com o governo anterior, Passos faz o mesmo.
Quando todos criticaram (com razão) o talento que Sócrates exibia para não cumprir promessas eleitorais, onde estão agora as vozes para apontar o dedo a Passos que faz tudo ao contrário do que prometeu na campanha eleitoral?
Comparar Sócrates e Passos Coelho é triste. Tudo o que foi apontado a Sócrates pode ser facilmente aplicado a Passos: jotinha que nunca fez nada a não ser....presidir à jota, trabalhar na empresa do "padrinho" e "comprar" o curso por pressão do mesmo "padrinho".
Andamos a brincar ou acham mesmo que o pessoal é ceguinho????
quarta-feira, janeiro 05, 2011
Política com cheiro a mofo
Eu sou da geração que um dia foi tratada por Geração Rasca.
Essa geração que ainda foi tendo convicções e foi saindo para a rua a manifestar-se com as decisões de uma classe política que nunca foi considerada rasca.
Os jovens, por norma, são uns rebeldes, uns inconscientes, são uns doidivanas e não estão habilitados a produzir nada que se aproveite.
Se estudam, então falta-lhes a experiência prática, se trabalham e escaparam aos estudos, então falta-lhes o saber teórico. Se estudam e trabalham, então falta-lhes... a experiência de vida que só tem quem anda cá há muitos anos.
Não é propriamente uma novidade que sempre fomos governados/liderados por gente com um determinado nível etário, a malta jovem ainda não está qualificada para a política a sério, não está habilitada a liderar seja o que for.
Quem está? São os senhores que possuem um B.I. que os habilita a desempenhar funções de responsabilidade, que lhes abre portas para chegar a cargos de chefia.
Mas, se esses senhores nos têm arrastado para a crise que está instalada nos dias de hoje, será que vão dizer "se fosse um jovem isto estava pior ou tinha entrado em crise há uns bons anos"?
O que vemos no panorama político actual?
Políticos experientes que querem ganhar as Presidenciais.
Cavaco e Alegre, para começar.
Depois Nobre. Não é político. Não é uma criança.
Moura. Deputado. Longe de ser um jovem.
O mais jovem é a tradicional Joana D'Arc, o homem que o PCP lança na corrida só para o queimar.
Depois há mais uns artistas mas, perdoem-me, para artista preferia que aparecesse no boletim de voto o Manuel João Vieira.
Pegando nos candidatos, começo por Defensor Moura. Só entrou na corrida para disputar uns rounds com Cavaco e fazer sangrar o actual PR. Ao contrário do que já li na comunicação social, Moura quase desfez Cavaco no debate entre os dois. Mas isso não vale de muito. Pelo menos para Defensor Moura. Aposto que não vai ter mais votos por isso, ou pelo menos de uma forma significativa.
O candidato do PC já cheira a queimado, por isso acho que não há muito a dizer. É mais um com as duas características dominantes do PC: honesto e "cassete".
Nobre. Um erro de casting. Ninguém discute o valor do senhor, mas quem é que vai meter um médico, um humanitário como PR? Não me parece que o bom caractér do senhor vá ser útil para o país se o meterem na presidência.
Alegre. Uma tristeza. Como disse e muito bem Fernando Nobre, o CV deste candidato resume-se a "eu lutei contra o fascismo", "a mim ninguém me cala" e 25 anos de cu sentado na AR. Sinceramente, tem perfil para testar cadeiras para o IKEA ou para contar histórias a criancinhas. E acho de muito mau gosto que continuem a tratar o senhor por doutor...e ele gosta. O mais negativo que tem é a preguiça. Preguiça de se preparar para os debates, por exemplo, preguiça de pensar ou de preparar o que diz, já que insiste em lançar palavras bonitas e vazias. Nunca o ouvi dizer "eu quero fazer isto e isto faz-se assim, assim e assado!". Não. Ele manda uma versão romanceada, floreada e superficial de algo que as pessoas querem ouvir. E isso é muito lindo...para escrever livros. Nesse caso, Alegre pode ficar pela escrita e fica muito bem. PR é que não.
Cavaco. É mau. É muito mau. Ao pé do que tenho visto e ouvido nos últimos tempos, o episódio do Bolo-Rei de boca aberta é digno de um livro de boas maneiras da Paula Bobonne. A arrogância com que diz que alguém tem que nascer duas vezes para ser tão honesto quanto ele, a forma como não responde a nada e ainda se lembra da ideia peregrina de mandar as pessoas para o site da Presidência da República (deve viver num mundo alternativo em que todos os portugueses têm internet e computador), o discurso de vitimização: "todos me atacam e andam em campanha para me denegrir", a hipocrisia de quem diz que faz uma campanha pela positiva e sem insultos e depois resolve chamar os seus opositores de mentirosos e fá-lo diariamente...
Juntando a isto a sua dicção e as suas ideias repetitivas e limitadas, suspeito que o homem esteja a ficar debilitado.
São estes os senhores que avançam para tomar conta do nosso país. Cheira-me a mofo. Cheira-me a política de naftalina...
FOI PROFUNDO!
Essa geração que ainda foi tendo convicções e foi saindo para a rua a manifestar-se com as decisões de uma classe política que nunca foi considerada rasca.
Os jovens, por norma, são uns rebeldes, uns inconscientes, são uns doidivanas e não estão habilitados a produzir nada que se aproveite.
Se estudam, então falta-lhes a experiência prática, se trabalham e escaparam aos estudos, então falta-lhes o saber teórico. Se estudam e trabalham, então falta-lhes... a experiência de vida que só tem quem anda cá há muitos anos.
Não é propriamente uma novidade que sempre fomos governados/liderados por gente com um determinado nível etário, a malta jovem ainda não está qualificada para a política a sério, não está habilitada a liderar seja o que for.
Quem está? São os senhores que possuem um B.I. que os habilita a desempenhar funções de responsabilidade, que lhes abre portas para chegar a cargos de chefia.
Mas, se esses senhores nos têm arrastado para a crise que está instalada nos dias de hoje, será que vão dizer "se fosse um jovem isto estava pior ou tinha entrado em crise há uns bons anos"?
O que vemos no panorama político actual?
Políticos experientes que querem ganhar as Presidenciais.
Cavaco e Alegre, para começar.
Depois Nobre. Não é político. Não é uma criança.
Moura. Deputado. Longe de ser um jovem.
O mais jovem é a tradicional Joana D'Arc, o homem que o PCP lança na corrida só para o queimar.
Depois há mais uns artistas mas, perdoem-me, para artista preferia que aparecesse no boletim de voto o Manuel João Vieira.
Pegando nos candidatos, começo por Defensor Moura. Só entrou na corrida para disputar uns rounds com Cavaco e fazer sangrar o actual PR. Ao contrário do que já li na comunicação social, Moura quase desfez Cavaco no debate entre os dois. Mas isso não vale de muito. Pelo menos para Defensor Moura. Aposto que não vai ter mais votos por isso, ou pelo menos de uma forma significativa.
O candidato do PC já cheira a queimado, por isso acho que não há muito a dizer. É mais um com as duas características dominantes do PC: honesto e "cassete".
Nobre. Um erro de casting. Ninguém discute o valor do senhor, mas quem é que vai meter um médico, um humanitário como PR? Não me parece que o bom caractér do senhor vá ser útil para o país se o meterem na presidência.
Alegre. Uma tristeza. Como disse e muito bem Fernando Nobre, o CV deste candidato resume-se a "eu lutei contra o fascismo", "a mim ninguém me cala" e 25 anos de cu sentado na AR. Sinceramente, tem perfil para testar cadeiras para o IKEA ou para contar histórias a criancinhas. E acho de muito mau gosto que continuem a tratar o senhor por doutor...e ele gosta. O mais negativo que tem é a preguiça. Preguiça de se preparar para os debates, por exemplo, preguiça de pensar ou de preparar o que diz, já que insiste em lançar palavras bonitas e vazias. Nunca o ouvi dizer "eu quero fazer isto e isto faz-se assim, assim e assado!". Não. Ele manda uma versão romanceada, floreada e superficial de algo que as pessoas querem ouvir. E isso é muito lindo...para escrever livros. Nesse caso, Alegre pode ficar pela escrita e fica muito bem. PR é que não.
Cavaco. É mau. É muito mau. Ao pé do que tenho visto e ouvido nos últimos tempos, o episódio do Bolo-Rei de boca aberta é digno de um livro de boas maneiras da Paula Bobonne. A arrogância com que diz que alguém tem que nascer duas vezes para ser tão honesto quanto ele, a forma como não responde a nada e ainda se lembra da ideia peregrina de mandar as pessoas para o site da Presidência da República (deve viver num mundo alternativo em que todos os portugueses têm internet e computador), o discurso de vitimização: "todos me atacam e andam em campanha para me denegrir", a hipocrisia de quem diz que faz uma campanha pela positiva e sem insultos e depois resolve chamar os seus opositores de mentirosos e fá-lo diariamente...
Juntando a isto a sua dicção e as suas ideias repetitivas e limitadas, suspeito que o homem esteja a ficar debilitado.
São estes os senhores que avançam para tomar conta do nosso país. Cheira-me a mofo. Cheira-me a política de naftalina...
FOI PROFUNDO!
segunda-feira, maio 24, 2010
PPC - Pedro Pensador Coelho
Sai já para começar uma vénia para Pedro Passos Coelho.
Embora o considere o adversário ideal para o Eng Sócrates porque é o mais parecido com Sócrates visto que sabe usar as mesmas "armas", parece-me ser um tipo inteligente.
É claro que muitos acreditam que Sócrates e Passos Coelho não serão adversários nas próximas eleições, mas isso não é uma variável a consideram para o que pretendo expôr.
Ao contrário do que tem sido normal na política portuguesa, Passos Coelho adoptou uma forma diferente de se comportar.
Estamos habituados a ver a velha prática do "vamos deixar que eles façam asneira e se afundem porque assim o povo castiga-os e vota em nós".
E quando ouço dizer que nos últimos 16 anos fomos governados em 16 anos pelo PS e 3 pelo PSD dá-me vontade de rir.
Quem chama a isso governar deve estar a considerar apenas o plano teórico. Guterres não tomou decisões porque corria o risco de ser contestado pelo povo ao assumir reformas impopulares, depois Durão passou por lá, Santana foi um erro de casting e Sócrates foi o primeiro que teve a rica ideia de agir e só acertou numa pequena percentagem das reformas. Isto, para não regredir uns anos na cronologia governativa e analisar o governo de Cavaco e na aplicação de fundos europeus em alcatrão.
Resumindo, décadas de fraca política e fraco investimento do dinheiro que nos foi sendo dado pela Europa.
PPC acaba por confirmar o que muitos esperavam dele. Trouxe sangue novo à política portuguesa, mas trouxe também uma nova atitude.
Quando se ouve falar em alianças e em andar com o partido rival ao colo/às costas, parece-me que, em boa verdade, o senhor tem cabeça e não tem medo de a usar.
Passos Coelho quer ser primeiro-ministro mas não quer ser bombeiro. Ao estar a estender a mão a Sócrates não está só a ajudar o país. Está a ajudar-se naquilo que julga ser o seu futuro enquanto líder do governo.
PPC terá reflectido e concluído que, se quer governar, convém que o faça com o país nas melhores condições possíveis. Para tal não pode deixar que o país se afunde mais. E seria isso que aconteceria se o PSD, com o objectivo de "entalar" Sócrates e o PS, optasse por fazer uma oposição que inviabilizasse as decisões do executivo actual.
Assim, PPC e o PSD acabam por ter uma palavra a dizer ao ouvirem e se fazerem ouvir por Sócrates e pelo PS.
É claro que posso estar errado, mas prefiro pensar que alguém está a mudar a política portuguesa.
FOI PROFUNDO!
Embora o considere o adversário ideal para o Eng Sócrates porque é o mais parecido com Sócrates visto que sabe usar as mesmas "armas", parece-me ser um tipo inteligente.
É claro que muitos acreditam que Sócrates e Passos Coelho não serão adversários nas próximas eleições, mas isso não é uma variável a consideram para o que pretendo expôr.
Ao contrário do que tem sido normal na política portuguesa, Passos Coelho adoptou uma forma diferente de se comportar.
Estamos habituados a ver a velha prática do "vamos deixar que eles façam asneira e se afundem porque assim o povo castiga-os e vota em nós".
E quando ouço dizer que nos últimos 16 anos fomos governados em 16 anos pelo PS e 3 pelo PSD dá-me vontade de rir.
Quem chama a isso governar deve estar a considerar apenas o plano teórico. Guterres não tomou decisões porque corria o risco de ser contestado pelo povo ao assumir reformas impopulares, depois Durão passou por lá, Santana foi um erro de casting e Sócrates foi o primeiro que teve a rica ideia de agir e só acertou numa pequena percentagem das reformas. Isto, para não regredir uns anos na cronologia governativa e analisar o governo de Cavaco e na aplicação de fundos europeus em alcatrão.
Resumindo, décadas de fraca política e fraco investimento do dinheiro que nos foi sendo dado pela Europa.
PPC acaba por confirmar o que muitos esperavam dele. Trouxe sangue novo à política portuguesa, mas trouxe também uma nova atitude.
Quando se ouve falar em alianças e em andar com o partido rival ao colo/às costas, parece-me que, em boa verdade, o senhor tem cabeça e não tem medo de a usar.
Passos Coelho quer ser primeiro-ministro mas não quer ser bombeiro. Ao estar a estender a mão a Sócrates não está só a ajudar o país. Está a ajudar-se naquilo que julga ser o seu futuro enquanto líder do governo.
PPC terá reflectido e concluído que, se quer governar, convém que o faça com o país nas melhores condições possíveis. Para tal não pode deixar que o país se afunde mais. E seria isso que aconteceria se o PSD, com o objectivo de "entalar" Sócrates e o PS, optasse por fazer uma oposição que inviabilizasse as decisões do executivo actual.
Assim, PPC e o PSD acabam por ter uma palavra a dizer ao ouvirem e se fazerem ouvir por Sócrates e pelo PS.
É claro que posso estar errado, mas prefiro pensar que alguém está a mudar a política portuguesa.
FOI PROFUNDO!
A opinião
Já dizia o Herman, numa das suas rábulas, que as opiniões são como as vaginas, cada um tem a sua e quem quiser dá-la, dá-a.
A opinião tem algo de especial, é subjectiva, o facto de cada um ter a sua opinião faz com que ela seja muito própria, muito particular. Em alguns casos, a opinião pode não ser certa ou errada, noutros, mesmo sendo certa acaba por ter contornos errados.
Assim, resolvi abordar a questão da opinião por dois prismas. Os "fazedores" de opinião profissionais e o boom de "fazedores" de opinião.
Estes últimos são uma "raça" que proliferou com os blogues e parece ter conferido a todo e a cada um (incluindo este vosso amiguinho) o hábito de partilhar certos pontos de vista e, em muitos casos, uma confiança exacerbada que faz com que muitos achem que têm algo importante, interessante e acertado para partilhar com quem ouve ou lê o que publicam.
Ora, o grande problema da subjectividade pode resumir-se a uma frase de Ortega y Gasset: "eu sou eu e a minha circunstância". Isto não é mais do que dizer que o que nós dizemos ou pensamos está relacionado com a nossa experiência de vida e o saber adquirido e acumulado. Por isso, é mais que óbvio que duas pessoas com vivências distintas possam opinar de diferentes formas sobre o mesmo tema. Nuns casos não há certo ou errado, noutros casos há o velho problema da falta de informação.
Deste modo, uma divergência de opiniões pode ser enriquecedora mas pode também traduzir alguma ignorância.
Dentro destes "opinion makers" de trazer por casa (grupo em que me incluo) há aqueles que são movidos por paixões e inclinações, sejam clubísticas, partidárias ou profissionais. Não é de estranhar que cores políticas e cores clubísticas originem visões e opiniões distintas.
Acho positiva a partilha de pontos de vista na blogosfera, pode dar-nos a possibilidade de observar o mundo e as suas ocorrências de formas que, provavelmente, nunca nos teriam ocorrido. É enriquecedor, não só porque podemos, por um lado, considerá-las um complemento, como, por outro, pegar no que achámos errado e construir um novo capítulo da nossa observação ao repensar o nosso ponto de vista ao desmontar as teorias alheias que nos parecem erradas.
Depois, e voltando aos "opinion makers" da nossa praça, temos que reconhecer que, na sua grande maioria, são pessoas habilitadas para produzir as suas opiniões. Na sua maioria porque há alguns indivíduos que não perceberam que há uma coisa chamada liberdade de expressão e há o direito ao silêncio. Muitas vezes deviam levar em conta que ficariam muito melhor calados ou quietos.
Porque temos Rebelo de Sousa e Vitorino a dar-nos os seus sermões inteligentes mas, em muitos casos, carregados de parcialidade?
Porque se tem uma comunicação social a passar uma imagem de imparcialidade mas, em sentido contrário, a impingir ao povo de forma regular informações e opiniões com um travozinho a parcialidade?
Pegando no desporto, como se explica a proliferação de comentadores que ninguém sabe quem são ou que são ex-praticantes?
Nos casos referidos há uma questão que me parece pertinente: nem o saber teórico confere a uma pessoa talento para comentar de forma acertada e o mesmo se deve aplicar aos que possuem o saber vindo da prática.
Se um bom aluno não tem de dar necessariamente um bom professor e um professor não tem obrigatoriamente de ter sido um bom aluno, julgo que fica claro que o mesmo se aplica aos comentadores e "fazedores" de opinião.
Já me esquecia do terceiro tipo de opinadores: os dos leitores de jornais e blogues online.
É triste e deprimente ler uma notícia ou um artigo de opinião e depois cometer o erro de descer um pouco mais e tentar ler a imitação de português que muitos publicam achando que estão a fazer uma grande coisa.
A sede de se dizer o que pensa dá, na maior parte das ocasiões, em asneira.
A menos que se entre no website do Expresso e se vá deixar uma ou outra linha nos artigos do Henrique Raposo. "A tempo e a desmodo" talvez seja o pior exemplo do que é o tempo de antena concedido a quem ousa partilhar a sua opinião de forma paga e supostamente profissional.
Em jeito de conclusão, não me causa qualquer confusão observar a proliferação de comentadores na blogosfera, mas parece-me cada vez mais assustador notar a falta de qualidade de quem é pago para nos faz chegar periodicamente o seu ponto de vista com fraca qualidade, pouco poder de análise e visão parcial ou curta.
FOI PROFUNDO!
A opinião tem algo de especial, é subjectiva, o facto de cada um ter a sua opinião faz com que ela seja muito própria, muito particular. Em alguns casos, a opinião pode não ser certa ou errada, noutros, mesmo sendo certa acaba por ter contornos errados.
Assim, resolvi abordar a questão da opinião por dois prismas. Os "fazedores" de opinião profissionais e o boom de "fazedores" de opinião.
Estes últimos são uma "raça" que proliferou com os blogues e parece ter conferido a todo e a cada um (incluindo este vosso amiguinho) o hábito de partilhar certos pontos de vista e, em muitos casos, uma confiança exacerbada que faz com que muitos achem que têm algo importante, interessante e acertado para partilhar com quem ouve ou lê o que publicam.
Ora, o grande problema da subjectividade pode resumir-se a uma frase de Ortega y Gasset: "eu sou eu e a minha circunstância". Isto não é mais do que dizer que o que nós dizemos ou pensamos está relacionado com a nossa experiência de vida e o saber adquirido e acumulado. Por isso, é mais que óbvio que duas pessoas com vivências distintas possam opinar de diferentes formas sobre o mesmo tema. Nuns casos não há certo ou errado, noutros casos há o velho problema da falta de informação.
Deste modo, uma divergência de opiniões pode ser enriquecedora mas pode também traduzir alguma ignorância.
Dentro destes "opinion makers" de trazer por casa (grupo em que me incluo) há aqueles que são movidos por paixões e inclinações, sejam clubísticas, partidárias ou profissionais. Não é de estranhar que cores políticas e cores clubísticas originem visões e opiniões distintas.
Acho positiva a partilha de pontos de vista na blogosfera, pode dar-nos a possibilidade de observar o mundo e as suas ocorrências de formas que, provavelmente, nunca nos teriam ocorrido. É enriquecedor, não só porque podemos, por um lado, considerá-las um complemento, como, por outro, pegar no que achámos errado e construir um novo capítulo da nossa observação ao repensar o nosso ponto de vista ao desmontar as teorias alheias que nos parecem erradas.
Depois, e voltando aos "opinion makers" da nossa praça, temos que reconhecer que, na sua grande maioria, são pessoas habilitadas para produzir as suas opiniões. Na sua maioria porque há alguns indivíduos que não perceberam que há uma coisa chamada liberdade de expressão e há o direito ao silêncio. Muitas vezes deviam levar em conta que ficariam muito melhor calados ou quietos.
Porque temos Rebelo de Sousa e Vitorino a dar-nos os seus sermões inteligentes mas, em muitos casos, carregados de parcialidade?
Porque se tem uma comunicação social a passar uma imagem de imparcialidade mas, em sentido contrário, a impingir ao povo de forma regular informações e opiniões com um travozinho a parcialidade?
Pegando no desporto, como se explica a proliferação de comentadores que ninguém sabe quem são ou que são ex-praticantes?
Nos casos referidos há uma questão que me parece pertinente: nem o saber teórico confere a uma pessoa talento para comentar de forma acertada e o mesmo se deve aplicar aos que possuem o saber vindo da prática.
Se um bom aluno não tem de dar necessariamente um bom professor e um professor não tem obrigatoriamente de ter sido um bom aluno, julgo que fica claro que o mesmo se aplica aos comentadores e "fazedores" de opinião.
Já me esquecia do terceiro tipo de opinadores: os dos leitores de jornais e blogues online.
É triste e deprimente ler uma notícia ou um artigo de opinião e depois cometer o erro de descer um pouco mais e tentar ler a imitação de português que muitos publicam achando que estão a fazer uma grande coisa.
A sede de se dizer o que pensa dá, na maior parte das ocasiões, em asneira.
A menos que se entre no website do Expresso e se vá deixar uma ou outra linha nos artigos do Henrique Raposo. "A tempo e a desmodo" talvez seja o pior exemplo do que é o tempo de antena concedido a quem ousa partilhar a sua opinião de forma paga e supostamente profissional.
Em jeito de conclusão, não me causa qualquer confusão observar a proliferação de comentadores na blogosfera, mas parece-me cada vez mais assustador notar a falta de qualidade de quem é pago para nos faz chegar periodicamente o seu ponto de vista com fraca qualidade, pouco poder de análise e visão parcial ou curta.
FOI PROFUNDO!
segunda-feira, abril 05, 2010
Prémios assim...só no Euromilhões?
António Mexia é um português cheio de sorte.
Não teve de jogar no Euromilhões para "ganhar" de uma vez 3,1 milhões de euros.
O senhor não ganha propriamente mal,tendo auferido, em 2009, 700 mil euros em salários fixos e 600 mil euros em remuneração variável (que varia segundo objectivos atingidos). Juntou a estes "trocos" um prémio plurianual de mandato de 1,8 milhões de euros (600 mil euros por cada um dos três anos. Em declarações à Lusa, Seguro reiterou esta posição e sublinhou ainda o facto da EDP ser a empresa mais endividada do mercado de capitais com 14,007 mil milhões de euros (mais 117 milhões do que em 2008).
O presidente da EDP recebeu em 2009 mais de 1,9 milhões de euros em remunerações fixas, variáveis e prémios plurianuais, ou seja 0,19 por cento dos 1,024 mil milhões de euros do lucro da eléctrica.
Considerando apenas as remunerações fixas e variáveis, António Mexia absorve 0,13 por cento dos lucros da EDP em 2009 (que foram de 1,024 mil milhões de euros) e 0,04 por cento do EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), que ascenderam a 3,363 mil milhões de euros.
Se formos para o país vizinho e considerarmos o maior concorrente ibérico da EDP, a espanhola Iberdrola, o presidente executivo, Ignacio Sánchez Galán, recebeu no ano passado 5,34 milhões de euros em salários, ou seja, 0,19 por cento dos lucros (2,81 mil milhões de euros) e 0,07 por cento do EBITDA (que foram de 6,81 mil milhões de euros).
Sánchez Galán ainda recebeu em 2009 uma fatia 3,05 milhões de euros de “gratificação por objectivos estratégicos plurianuais e situações excepcionais e pontuais”.
Voltando ao nosso jardim à beira mar plantado e continuando na área da energia, a Galp, as diferenças são grandes.
O presidente da GALP, Manuel Ferreira de Oliveira, recebeu no ano passado 1,337 milhões de euros de salário fixo e 236,84 mil euros de remuneração variável, o que dá um total de 1,573 milhões de euros. Estamos a falar de 0,74 por cento dos lucros da empresa em 2009 (213 milhões de euros) e 0,19 por cento do EBITDA (que foi de 819 milhões de euros).
Passando para a REN - Redes Energéticas Nacionais, o agora ex-presidente José Penedos arrecadou um total de 621 mil euros em 2009 (377 mil euros fixos e 244 mil variáveis), 0,46 por cento dos lucros (134 milhões de euros) e 0,15 por cento do EBITDA (409 milhões de euros).
Se formos ver os casos da Portugal Telecom e do banco BES, duas empresas do PSI-20 cujos CEO ganham mais de um milhão de euros por ano, Zeinal Bava auferiu na PT durante o ano passado 1,505 milhões de euros (711 mil euros fixos e 794 de remuneração variável), 0,22 por cento do lucro, e o presidente do BES, Ricardo Salgado, ficou 1,053 milhões de euros, ou 0,20 por cento dos resultados líquidos.
Parece que a crise fica para os que menos têm.
Os cortes salariais são um "bónus" exclusivo para quem não ganha fortunas.
Por alguma razão lhes chamam gestores de topo. Não é pela forma como conduzem as empresas a que presidem, é mesmo pela forma fabulosa como gerem as suas contas bancárias e tratam de assegurar o futuro deles e dos deles.
FOI PROFUNDO!
Não teve de jogar no Euromilhões para "ganhar" de uma vez 3,1 milhões de euros.
O senhor não ganha propriamente mal,tendo auferido, em 2009, 700 mil euros em salários fixos e 600 mil euros em remuneração variável (que varia segundo objectivos atingidos). Juntou a estes "trocos" um prémio plurianual de mandato de 1,8 milhões de euros (600 mil euros por cada um dos três anos. Em declarações à Lusa, Seguro reiterou esta posição e sublinhou ainda o facto da EDP ser a empresa mais endividada do mercado de capitais com 14,007 mil milhões de euros (mais 117 milhões do que em 2008).
O presidente da EDP recebeu em 2009 mais de 1,9 milhões de euros em remunerações fixas, variáveis e prémios plurianuais, ou seja 0,19 por cento dos 1,024 mil milhões de euros do lucro da eléctrica.
Considerando apenas as remunerações fixas e variáveis, António Mexia absorve 0,13 por cento dos lucros da EDP em 2009 (que foram de 1,024 mil milhões de euros) e 0,04 por cento do EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), que ascenderam a 3,363 mil milhões de euros.
Se formos para o país vizinho e considerarmos o maior concorrente ibérico da EDP, a espanhola Iberdrola, o presidente executivo, Ignacio Sánchez Galán, recebeu no ano passado 5,34 milhões de euros em salários, ou seja, 0,19 por cento dos lucros (2,81 mil milhões de euros) e 0,07 por cento do EBITDA (que foram de 6,81 mil milhões de euros).
Sánchez Galán ainda recebeu em 2009 uma fatia 3,05 milhões de euros de “gratificação por objectivos estratégicos plurianuais e situações excepcionais e pontuais”.
Voltando ao nosso jardim à beira mar plantado e continuando na área da energia, a Galp, as diferenças são grandes.
O presidente da GALP, Manuel Ferreira de Oliveira, recebeu no ano passado 1,337 milhões de euros de salário fixo e 236,84 mil euros de remuneração variável, o que dá um total de 1,573 milhões de euros. Estamos a falar de 0,74 por cento dos lucros da empresa em 2009 (213 milhões de euros) e 0,19 por cento do EBITDA (que foi de 819 milhões de euros).
Passando para a REN - Redes Energéticas Nacionais, o agora ex-presidente José Penedos arrecadou um total de 621 mil euros em 2009 (377 mil euros fixos e 244 mil variáveis), 0,46 por cento dos lucros (134 milhões de euros) e 0,15 por cento do EBITDA (409 milhões de euros).
Se formos ver os casos da Portugal Telecom e do banco BES, duas empresas do PSI-20 cujos CEO ganham mais de um milhão de euros por ano, Zeinal Bava auferiu na PT durante o ano passado 1,505 milhões de euros (711 mil euros fixos e 794 de remuneração variável), 0,22 por cento do lucro, e o presidente do BES, Ricardo Salgado, ficou 1,053 milhões de euros, ou 0,20 por cento dos resultados líquidos.
Parece que a crise fica para os que menos têm.
Os cortes salariais são um "bónus" exclusivo para quem não ganha fortunas.
Por alguma razão lhes chamam gestores de topo. Não é pela forma como conduzem as empresas a que presidem, é mesmo pela forma fabulosa como gerem as suas contas bancárias e tratam de assegurar o futuro deles e dos deles.
FOI PROFUNDO!
terça-feira, fevereiro 02, 2010
Confusões e Opiniões
Ainda me lembro de, há uns tempos, ter escrito um pequeno texto sobre como pela primeira vez não tinha gostado da prestação de Mário Crespo, um jornalista cujo trabalho sempre admirei.
Crespo é uma figura incontornável, especialmente pelo seu estilo invulgar e pelos pozinhos de cultura que acrescenta nos seus noticiários e nos programas de informação que vem apresentando.
Infelizmente, esta última polémica foi o equivalente a um trambolhão nas escadas, caindo alguns degraus no caminho que foi subindo com o trabalho de qualidade que todos lhe reconhecemos.
Embora não concorde com quem critica os artigos de opinião de Mário Crespo no DN, tenho de reconhecer que tenho algumas dúvidas quanto à lógica dos mesmos.
Ou seja, sendo um artigo de opinião fica bem claro que quem o escreve está a passar uma mensagem pessoal e subjectiva. Até aqui parece-me que Mário Crespo não está a cometer nenhum "crime jornalístico", por assim dizer. No entanto, a mesma lógica que impede um jornalista de fazer publicidade, deve servir de ponto guia para os jornalistas que pretendem dar a sua opinião. Se bem que muitos jornalistas têm blogues e esses blogues são (e devem ser) pessoais e traduzir visões pessoais e não necessariamente imparciais.
Portanto, o facto de MC escrever artigos de opinião não é escandaloso ou incorrecto, mas poderia ser evitado, afinal a imagem do jornalista é uma imagem de rigor, imparcialidade e objectividade. Até porque, no seu trabalho, o jornalista DEVE relatar factos. PONTO. Opiniões? Para isso é que servem os comentadores e os especialistas que vão comentar e os que não são especialistas mas também vão comentar... Depois há os jornalistas especializados que vão opinar acerca de determinado assunto porque a sua carreira lhes permite serem (mais uma vez) especialistas em determinada área. Nos artigos de opinião de Mário Crespo ele dá a sua opinião enquanto...indivíduo. Não é especialista em nada a não ser naquilo em que todos somos especialistas: em sofrer na pele um conjunto de situações que afectam os portugueses. Nisso eu também sou especialista. Mas não tenho voz. E também não tenho responsabilidade. E Mário Crespo tem ambas. Eu sei que parece quase uma frase do 'Homem Aranha' mas quanto maior é o poder que nos conferem, maior deve ser a nossa responsabilidade. E Mário Crespo acabou por cometer o pecado de aproveitar o tempo de antena concedido para libertar tudo o que lhe vai na alma.
E não cai nada bem esta conversa do diz que disse, do ouvi dizer que fulano disse que. Caramba! Eu insulto árbitros e as suas respectivas mães e tal como eu também milhares ou milhões de portugueses o fazem. E era capaz de apostar que o mesmo se passa por todo o mundo. Se os senhores árbitros se manifestassem como o MC contra algum dirigente, treinador ou jogador que tenha comentado à mesa de um restaurante "aquele ladrão gamou-nos um penálti. É sempre assim, quando apita os nossos jogos somos sempre roubados. É um incompetente!", havia de ser bonito.
Era mais simples se Sócrates tivesse feito as críticas para uma câmara ou microfone, tal como fez acerca de Manuela Moura Guedes, embora acho que se alguém o processasse deviam ser os travestis. Afinal, os travestis vestem-se como mulheres mas ao reconhecerem que são travestis reconhecem que são originalmente homens. E todos sabemos que MMG ainda hoje se faz passar por jornalista e isenta e defensora da verdade quando claramente não o é. E o seu noticiário à sexta-feira estava feito à sua imagem.
Aliás, todas estas questões com José Sócrates mostram uma mentalidade altamente ultrapassada dos críticos. Quer dizer que José Sócrates, por ser Primeiro-Ministro, deve ignorar e ser superior a todas as críticas que lhe são feitas? Portanto, a comunicação social pode publicar tudo o que lhe apetecer sobre JS e ele, enquanto PM, deve ser superior e ignorar? Um dos requisitos para ser PM é ter sangue de barata? É que se esta é a lógica, parece-me que o PM é o alvo ideal para todo e qualquer um libertar a sua fúria, já que na sua imensa grandeza deve ignorar todas as críticas, certas ou erradas.
Não entendo qual é o choque do PM processar um jornal ou jornalista por lançar uma falsidade para a praça pública.
Já é tempo de se parar com a mania de venderem notícias que espelham o espírito puramente comercial, quase feirante e mercenário das redacções que temos, sem verificarem os factos, sem procurarem as várias versões dos factos e, especialmente, recorrendo a fontes claramente duvidosas cujas intenções são claras, fontes essas que continuam a ser ouvidas mesmo depois de se confirmar uma e outra e outra vez a falsidade dos pseudo-factos por elas fornecidos e reproduzidos nas TVs, Jornais e rádios e internet. Esta impunidade não choca ninguém?
O que também me parece errado é que Mário Crespo perca o seu estilo, a sua compostura, o seu rigor, a sua classe e qualidade, quando o entrevistado ou o assunto abordado resvala para tópicos da governação e MC não consegue abster-se de comentar ou faz um ataque cerrado e pouco lógico, nada condizente com aquilo a que nos habituou. Quase que diria que Mário Crespo por vezes sofre de "ataques moura-guedianos".
E isso não é bom.
Ao contrário de Mário Crespo, que é, sem sombra de dúvida, bom e competente.
Estas situações são condenáveis em qualquer jornalista mas são mais surpreendentes quando surgem de alguém como Mário Crespo, que nos habituou a ser melhor que isso.
FOI PROFUNDO!
Crespo é uma figura incontornável, especialmente pelo seu estilo invulgar e pelos pozinhos de cultura que acrescenta nos seus noticiários e nos programas de informação que vem apresentando.
Infelizmente, esta última polémica foi o equivalente a um trambolhão nas escadas, caindo alguns degraus no caminho que foi subindo com o trabalho de qualidade que todos lhe reconhecemos.
Embora não concorde com quem critica os artigos de opinião de Mário Crespo no DN, tenho de reconhecer que tenho algumas dúvidas quanto à lógica dos mesmos.
Ou seja, sendo um artigo de opinião fica bem claro que quem o escreve está a passar uma mensagem pessoal e subjectiva. Até aqui parece-me que Mário Crespo não está a cometer nenhum "crime jornalístico", por assim dizer. No entanto, a mesma lógica que impede um jornalista de fazer publicidade, deve servir de ponto guia para os jornalistas que pretendem dar a sua opinião. Se bem que muitos jornalistas têm blogues e esses blogues são (e devem ser) pessoais e traduzir visões pessoais e não necessariamente imparciais.
Portanto, o facto de MC escrever artigos de opinião não é escandaloso ou incorrecto, mas poderia ser evitado, afinal a imagem do jornalista é uma imagem de rigor, imparcialidade e objectividade. Até porque, no seu trabalho, o jornalista DEVE relatar factos. PONTO. Opiniões? Para isso é que servem os comentadores e os especialistas que vão comentar e os que não são especialistas mas também vão comentar... Depois há os jornalistas especializados que vão opinar acerca de determinado assunto porque a sua carreira lhes permite serem (mais uma vez) especialistas em determinada área. Nos artigos de opinião de Mário Crespo ele dá a sua opinião enquanto...indivíduo. Não é especialista em nada a não ser naquilo em que todos somos especialistas: em sofrer na pele um conjunto de situações que afectam os portugueses. Nisso eu também sou especialista. Mas não tenho voz. E também não tenho responsabilidade. E Mário Crespo tem ambas. Eu sei que parece quase uma frase do 'Homem Aranha' mas quanto maior é o poder que nos conferem, maior deve ser a nossa responsabilidade. E Mário Crespo acabou por cometer o pecado de aproveitar o tempo de antena concedido para libertar tudo o que lhe vai na alma.
E não cai nada bem esta conversa do diz que disse, do ouvi dizer que fulano disse que. Caramba! Eu insulto árbitros e as suas respectivas mães e tal como eu também milhares ou milhões de portugueses o fazem. E era capaz de apostar que o mesmo se passa por todo o mundo. Se os senhores árbitros se manifestassem como o MC contra algum dirigente, treinador ou jogador que tenha comentado à mesa de um restaurante "aquele ladrão gamou-nos um penálti. É sempre assim, quando apita os nossos jogos somos sempre roubados. É um incompetente!", havia de ser bonito.
Era mais simples se Sócrates tivesse feito as críticas para uma câmara ou microfone, tal como fez acerca de Manuela Moura Guedes, embora acho que se alguém o processasse deviam ser os travestis. Afinal, os travestis vestem-se como mulheres mas ao reconhecerem que são travestis reconhecem que são originalmente homens. E todos sabemos que MMG ainda hoje se faz passar por jornalista e isenta e defensora da verdade quando claramente não o é. E o seu noticiário à sexta-feira estava feito à sua imagem.
Aliás, todas estas questões com José Sócrates mostram uma mentalidade altamente ultrapassada dos críticos. Quer dizer que José Sócrates, por ser Primeiro-Ministro, deve ignorar e ser superior a todas as críticas que lhe são feitas? Portanto, a comunicação social pode publicar tudo o que lhe apetecer sobre JS e ele, enquanto PM, deve ser superior e ignorar? Um dos requisitos para ser PM é ter sangue de barata? É que se esta é a lógica, parece-me que o PM é o alvo ideal para todo e qualquer um libertar a sua fúria, já que na sua imensa grandeza deve ignorar todas as críticas, certas ou erradas.
Não entendo qual é o choque do PM processar um jornal ou jornalista por lançar uma falsidade para a praça pública.
Já é tempo de se parar com a mania de venderem notícias que espelham o espírito puramente comercial, quase feirante e mercenário das redacções que temos, sem verificarem os factos, sem procurarem as várias versões dos factos e, especialmente, recorrendo a fontes claramente duvidosas cujas intenções são claras, fontes essas que continuam a ser ouvidas mesmo depois de se confirmar uma e outra e outra vez a falsidade dos pseudo-factos por elas fornecidos e reproduzidos nas TVs, Jornais e rádios e internet. Esta impunidade não choca ninguém?
O que também me parece errado é que Mário Crespo perca o seu estilo, a sua compostura, o seu rigor, a sua classe e qualidade, quando o entrevistado ou o assunto abordado resvala para tópicos da governação e MC não consegue abster-se de comentar ou faz um ataque cerrado e pouco lógico, nada condizente com aquilo a que nos habituou. Quase que diria que Mário Crespo por vezes sofre de "ataques moura-guedianos".
E isso não é bom.
Ao contrário de Mário Crespo, que é, sem sombra de dúvida, bom e competente.
Estas situações são condenáveis em qualquer jornalista mas são mais surpreendentes quando surgem de alguém como Mário Crespo, que nos habituou a ser melhor que isso.
FOI PROFUNDO!
terça-feira, dezembro 01, 2009
MST: versão Velho do Restelo
O meu profundo amor e admiração por Miguel Sousa Tavares conhece um novo capítulo.
Não só continua a partilhar a sua visão parcial, redutora e generalizante, como gosta de ser mais papista que o Papa, juntando a isso o velho hábito de cuspir no prato onde come.
Não só continua a partilhar a sua visão parcial, redutora e generalizante, como gosta de ser mais papista que o Papa, juntando a isso o velho hábito de cuspir no prato onde come.
MST é aquele senhor que não tem nada de se queixar mas queixa-se na mesma.
É um menino da mamã, copinho de leite, que tem emprego garantido porque é mau e rancoroso e tem a mamã famosa, a quem dão tempo de antena porque é tendencioso e diz umas larachas polémicas (e todos sabemos que o polémico vende.
Volto hoje a fazer algo que não faço há muito tempo. Vou pegar num textinho que me chegou por email e vou comentando.
Miguel Sousa Tavares - Sublime! (Leitura obrigatória)
(Começamos logo pelo rótulo “Sublime” e a recomendação “leitura obrigatória” que me dão a saber que há quem aprecie e que talvez eu seja realmente um ET por não gostar ou concordar com as visões e opiniões de MST).
Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira (Olha! A amiga estrangeira não tem nome? Vá, diz lá. Chama-se Maité. Aquela que indignou tanta gente porque disse umas coisas terríveis sobre Portugal e a sua História e porque “cuspiu” num monumento nacional. Todos sabemos que isso de não saber História de Portugal e cuspir em todo o lado é exclusivo de quem cá nasceu!); quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim. (Ficamos a saber que o MST costuma fazer muitas vezes o percurso referido. Provavelmente tem de ganhar a vida a conduzir camiões de mercadorias espanhóis)
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente. (e assim sabemos que o MST conduz o seu camião até ao domingo. Alguém tem de meter comida na mesa lá em casa!)
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto. (É uma boa explicação. Mais ou menos semelhante àquela que darão ao facto do MST ser um comentador de actualidade e de desporto em órgãos de comunicação nacionais. Porque afinal há dinheiro para esbanjar. Contratar quem procura emprego é complicado porque não há dinheiro, mas pagar a certas pessoas para irem dar o bitaite já tem orçamento disponível)
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me. (O MST dedica-se à observação na área dos transportes, deslocando-se ao Brasil para aferir o número de quilómetros de auto-estradas existentes num país de referência no que diz respeito a vias terrestres. Ó MST, a viagem de autocarro entre Salvador e o Vila Velha(ES) oferece umas fantásticas horas de passeio em caminhos de cabras. Possivelmente algo a reter e a recomendar.)
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida. (Claro. Todos os camiões espanhóis trazem comida. Aliás, pelo MST ficamos a saber que os camionistas espanhóis se dedicam exclusivamente à exportação de alimentos. Pelo menos para Portugal. Também há uns que transportam outros produtos mas seguem para a fronteira com França.)
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável. (Claro. Diria mesmo que conheço alguns mineiros na aldeia dos meus avós. Sim, porque em Portugal não há agricultura. Mas há extracção de minérios raros como a cenoura e o nabo ou a cebola. Também há alguns apicultores lá na aldeia, só que não tendo abelhas tratam dos olivais, dos pomares, dos pinhais, das vinhas…)
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos... Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos. (Pano para mangas! Ora, obviamente que o MST tinha de embirrar com o restaurante e com o facto de não se poder fumar. Foi ele que, há uns tempinhos, disse que incomodava mais uma criança a fazer barulho num restaurante do que o fumo do tabaco. Ah! E que os pais dele só o levaram a um restaurante quando ele tinha 13 anos. Se o MST é apologista de Quioto e do comboio, porque foi ele passear de carro? Não me digam que o senhor MST quando vai fazer turismo tem medo de não apanhar internet no comboio! Por acaso fiquei curioso com este conhecimento todo do MST à volta dos comboios portugueses. Ele sabe de camiões, de estradas, de comboios…onde vai ele buscar tempo para comentar futebol e actualidade ou para escrever magníficos romances?)
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações. (Claro que o MST faz sempre análise inteligentes. Custava-lhe muito dizer que ainda se andava a debater o trajecto do TGV porque havia uma série de exigências parvas. Como o MST é pouco dado a sensacionalismos e a empolar factos, resolveu pegar numa série de propostas sem sentido, juntou-as e apresentou-as como se fossem não apenas uma proposta como a proposta final e aquilo que se vai fazer.)
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa. (O MST andou em boas escolas e percebe imenso sobre tudo mas nunca lhe explicaram que uma subida, quando é feita no sentido oposto é uma descida, da mesma forma que a mesma ponte por onde se entra também pode ser usada para sair. O MST passa muito tempo em engarrafamentos no seu camião de mercadorias espanhol e a andar de coimboio, nunca reparou como é caótico o transito para entrar ou sair de Lisboa pela 25 de Abril ou pela Vasco da Gama. )
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros! (isto diz a “amiga estrangeira” do MST que não mora em Lisboa mas conseguiu fazer uma análise apurada do trânsito da capital. Quando se anda com um génio dá para estas coisas. Ficou contaminada pela capacidade imensa de observação, análise e interpretação do MST.)
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta... - Não, não vai ter. (Nem passageiros nem motorista! E talvez também não tenha carruagens! Talvez seja como a A6, um fantasmas! Um comboio fantasmaaaaaaaa MWAHHHAHHHAHH! Olha MST, uma boa ideia para um livro! Com sorte ainda dá uma telenovela da TVI e depois pode ir fazer o papel de familiar de uma das personagens… Agora um pouco mais a sério, aquilo que tem dominado as conversas sobre a importância do TGV nem têm sido os passageiros mas as mercadorias. Provavelmente o MST está com medo de perder o emprego de camionista.)
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar. (Claro. Porque o MST deve andar a ouvir e a ler algo diferente do que eu e talvez mais uns malucos lemos. TGV importante para transporte de pessoas e bens de e para Portugal. Que ele discutisse se entram mais ou saem mais, ainda admitia, mas o MST prefere ficar pelos exemplos tristes para dar uma imagem do país que consegue ser pior do que a real. É o caos, o drama, o horror! MST em versão Artur Albarran.)
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo? (Sim, claro. É que no país da “amiga estrangeira” despedem os governos. Segundo me lembro há o caso de Fernando Collor de Mello, mas esse chegou a Presidente e resolveu que ele e a família tinham de enriquecer às custas do cargo e meteu-se num sem número de vigarices que acabou com o conhecido Impeachment. Aqui em Portugal não há nada a esse nível, embora ninguém viva na ilusão de que os nossos políticos, gestores e empresários são uns santinhos. O nosso pior lobo é um cordeirinho no país da “amiga estrangeira” do MST.)
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade. Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo.
Até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa. - Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido. (Ena pá! As coisas que eu aprendo com o MST! Temos vários aeroportos? Aposto que devem estar nos terrenos onde agora não há agricultura! Eu só conheço 3 aeroportos em Portugal continental, o de Lisboa, o do Porto e o de Faro, mas pode estar a escapar-me algum que tenham feito em cima de alguma árvore e eu por vezes tenho dificuldades em ver para sítios mais altos que eu. Eu e os Aeroportos de Portugal, que também ainda não foram informados pelo MST da existência desses vários aeroportos.E também acho que faz sentido o que diz o MST. Ir de Coimbra a Faro para apanhar uma low cost é um mimo de ideia! Ou ir de Vila Real a Faro, isso sim, seria genial! Ou de Beja ao Porto! Ou, então estava a pensar em Ponta Delgada, Santa Maria, Horta ou Flores, podendo ainda escolher Funchal, Porto Santo, Faial ou Pico. Isso então era uma ideia iluminada! Aliás, os estrangeiros que vêm a Portugal, seja de férias ou de negócios iam adorar ir parar ao meio do oceano e depois podia escolher vir de avião (porque as viagens entre o continente e as regiões insulares são uma pechincha!) ou de barquinho.)
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha. (Este homem é um compêndio! Desde quando é que alguém bebe água de um rio ou de uma barragem??? Será que o discurso do MST se deve a andar a beber água de rios e riachos e outros cursos de água onde só quadrúpedes e aves costumam matar a sede? Será que ele tem conhecimento dos tratamentos a que a água que lhe sai da torneira é sujeita antes de chegar a casa do MST? É verdade que a água foi dada como tóxica, contendo pesticidas e insecticidas, mas será que ele sabe que esses produtos químicos são aplicados em diversos vegetais que nós ingerimos? E será que ele sabe que quando chegam à nossa cozinha estão em condições de serem consumidos?)
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais. (Esta explicação é magnífica! Eu até acho que devia ser colocada em postais e ser vendida aos turistas! Portugal: o país onde não há agricultura, onde a agricultura não tem futuro, onde já não tinha e onde não pode haver agricultura por causa da água, seja por falta ou por excesso desta.)
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor. (Mais uma explicação parva do MST. Presumo que o MST seja contra o turismo e contra o investimento em unidades que atraiam o turismo estrangeiro. Provavelmente o MST acredita que não temos mesmo agricultura e que seria a agricultura o grande gerador de riqueza! O facto de termos um país com um bom clima não é suficiente para atrair o turismo e o capital estrangeiro. É preciso haver condições. Não é porque não aprecio golfe que acho que não deve haver um investimento em empreendimentos do género. Há quem goste e normalmente são pessoas ricas que deixam aqui neste jardim à beira mar plantado uns “trocos” que ajudam a economia nacional. Às tantas o MST acha que, tal como temos vários aeroportos, também devemos ter milhares de campos de golfe pelo país…)
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez. (Portanto, fomos doidos quando conseguimos a independência, quando andámos à traulitada com um exército mais poderoso para mantermos o território e a autonomia, fomos doidos quando um doido de um rei mandou plantar um pinhal imenso que depois serviu para fazer umas embarcações e meter lá uns doidos que, por acaso, “trouxeram novos mundos ao mundo”; assim como fomos doidos quando explorámos as riquezas dos países onde fomos parar e depois as esbanjámos para mostrar ao mundo a nossa grandeza; assim como depois fomos doidos ao nos metermos numa união de países europeus que nos obriga a não produzir leite, a não ir para a pesca e a estragar colheitas agrícolas mas nos dá dinheiro para os projectos mais megalómanos e inúteis… MST, já fomos pequeninos e raçudos e nisso fomos grandes e por isso surgiu Portugal; depois voltámos a ser grandes, mesmo enormes quando nos metemos nos Descobrimentos, fomos grandes e ficámos ricos. Mas como sempre isso não chegava, foi preciso mostrar ao mundo. Então resolvemos estoirar tudo. Hoje em dia, o país que em tempos foi uma grande potência mundial, aproveita os dinheiros da Europa para fazer a maior ponte, a maior barragem… Temos o péssimo hábito de acharmos que neste cantinho de terra é preciso fazer coisas enormes para mostrarmos o que valemos. Se somos doidos ou ricos? Somos e seremos um povo condicionado pela sua vaidade e pela ânsia de dar nas vistas.)
Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém! (que observação inteligente! Por norma as pessoas quando vão conhecer outros países costumam achar muito agradável passear nas auto-estradas. Deve ser por isso que o Brasil não tem turistas… quase não tem auto-estradas.)
(Começamos logo pelo rótulo “Sublime” e a recomendação “leitura obrigatória” que me dão a saber que há quem aprecie e que talvez eu seja realmente um ET por não gostar ou concordar com as visões e opiniões de MST).
Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira (Olha! A amiga estrangeira não tem nome? Vá, diz lá. Chama-se Maité. Aquela que indignou tanta gente porque disse umas coisas terríveis sobre Portugal e a sua História e porque “cuspiu” num monumento nacional. Todos sabemos que isso de não saber História de Portugal e cuspir em todo o lado é exclusivo de quem cá nasceu!); quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim. (Ficamos a saber que o MST costuma fazer muitas vezes o percurso referido. Provavelmente tem de ganhar a vida a conduzir camiões de mercadorias espanhóis)
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente. (e assim sabemos que o MST conduz o seu camião até ao domingo. Alguém tem de meter comida na mesa lá em casa!)
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto. (É uma boa explicação. Mais ou menos semelhante àquela que darão ao facto do MST ser um comentador de actualidade e de desporto em órgãos de comunicação nacionais. Porque afinal há dinheiro para esbanjar. Contratar quem procura emprego é complicado porque não há dinheiro, mas pagar a certas pessoas para irem dar o bitaite já tem orçamento disponível)
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me. (O MST dedica-se à observação na área dos transportes, deslocando-se ao Brasil para aferir o número de quilómetros de auto-estradas existentes num país de referência no que diz respeito a vias terrestres. Ó MST, a viagem de autocarro entre Salvador e o Vila Velha(ES) oferece umas fantásticas horas de passeio em caminhos de cabras. Possivelmente algo a reter e a recomendar.)
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida. (Claro. Todos os camiões espanhóis trazem comida. Aliás, pelo MST ficamos a saber que os camionistas espanhóis se dedicam exclusivamente à exportação de alimentos. Pelo menos para Portugal. Também há uns que transportam outros produtos mas seguem para a fronteira com França.)
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável. (Claro. Diria mesmo que conheço alguns mineiros na aldeia dos meus avós. Sim, porque em Portugal não há agricultura. Mas há extracção de minérios raros como a cenoura e o nabo ou a cebola. Também há alguns apicultores lá na aldeia, só que não tendo abelhas tratam dos olivais, dos pomares, dos pinhais, das vinhas…)
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos... Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos. (Pano para mangas! Ora, obviamente que o MST tinha de embirrar com o restaurante e com o facto de não se poder fumar. Foi ele que, há uns tempinhos, disse que incomodava mais uma criança a fazer barulho num restaurante do que o fumo do tabaco. Ah! E que os pais dele só o levaram a um restaurante quando ele tinha 13 anos. Se o MST é apologista de Quioto e do comboio, porque foi ele passear de carro? Não me digam que o senhor MST quando vai fazer turismo tem medo de não apanhar internet no comboio! Por acaso fiquei curioso com este conhecimento todo do MST à volta dos comboios portugueses. Ele sabe de camiões, de estradas, de comboios…onde vai ele buscar tempo para comentar futebol e actualidade ou para escrever magníficos romances?)
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações. (Claro que o MST faz sempre análise inteligentes. Custava-lhe muito dizer que ainda se andava a debater o trajecto do TGV porque havia uma série de exigências parvas. Como o MST é pouco dado a sensacionalismos e a empolar factos, resolveu pegar numa série de propostas sem sentido, juntou-as e apresentou-as como se fossem não apenas uma proposta como a proposta final e aquilo que se vai fazer.)
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa. (O MST andou em boas escolas e percebe imenso sobre tudo mas nunca lhe explicaram que uma subida, quando é feita no sentido oposto é uma descida, da mesma forma que a mesma ponte por onde se entra também pode ser usada para sair. O MST passa muito tempo em engarrafamentos no seu camião de mercadorias espanhol e a andar de coimboio, nunca reparou como é caótico o transito para entrar ou sair de Lisboa pela 25 de Abril ou pela Vasco da Gama. )
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros! (isto diz a “amiga estrangeira” do MST que não mora em Lisboa mas conseguiu fazer uma análise apurada do trânsito da capital. Quando se anda com um génio dá para estas coisas. Ficou contaminada pela capacidade imensa de observação, análise e interpretação do MST.)
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta... - Não, não vai ter. (Nem passageiros nem motorista! E talvez também não tenha carruagens! Talvez seja como a A6, um fantasmas! Um comboio fantasmaaaaaaaa MWAHHHAHHHAHH! Olha MST, uma boa ideia para um livro! Com sorte ainda dá uma telenovela da TVI e depois pode ir fazer o papel de familiar de uma das personagens… Agora um pouco mais a sério, aquilo que tem dominado as conversas sobre a importância do TGV nem têm sido os passageiros mas as mercadorias. Provavelmente o MST está com medo de perder o emprego de camionista.)
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar. (Claro. Porque o MST deve andar a ouvir e a ler algo diferente do que eu e talvez mais uns malucos lemos. TGV importante para transporte de pessoas e bens de e para Portugal. Que ele discutisse se entram mais ou saem mais, ainda admitia, mas o MST prefere ficar pelos exemplos tristes para dar uma imagem do país que consegue ser pior do que a real. É o caos, o drama, o horror! MST em versão Artur Albarran.)
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo? (Sim, claro. É que no país da “amiga estrangeira” despedem os governos. Segundo me lembro há o caso de Fernando Collor de Mello, mas esse chegou a Presidente e resolveu que ele e a família tinham de enriquecer às custas do cargo e meteu-se num sem número de vigarices que acabou com o conhecido Impeachment. Aqui em Portugal não há nada a esse nível, embora ninguém viva na ilusão de que os nossos políticos, gestores e empresários são uns santinhos. O nosso pior lobo é um cordeirinho no país da “amiga estrangeira” do MST.)
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade. Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo.
Até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa. - Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido. (Ena pá! As coisas que eu aprendo com o MST! Temos vários aeroportos? Aposto que devem estar nos terrenos onde agora não há agricultura! Eu só conheço 3 aeroportos em Portugal continental, o de Lisboa, o do Porto e o de Faro, mas pode estar a escapar-me algum que tenham feito em cima de alguma árvore e eu por vezes tenho dificuldades em ver para sítios mais altos que eu. Eu e os Aeroportos de Portugal, que também ainda não foram informados pelo MST da existência desses vários aeroportos.E também acho que faz sentido o que diz o MST. Ir de Coimbra a Faro para apanhar uma low cost é um mimo de ideia! Ou ir de Vila Real a Faro, isso sim, seria genial! Ou de Beja ao Porto! Ou, então estava a pensar em Ponta Delgada, Santa Maria, Horta ou Flores, podendo ainda escolher Funchal, Porto Santo, Faial ou Pico. Isso então era uma ideia iluminada! Aliás, os estrangeiros que vêm a Portugal, seja de férias ou de negócios iam adorar ir parar ao meio do oceano e depois podia escolher vir de avião (porque as viagens entre o continente e as regiões insulares são uma pechincha!) ou de barquinho.)
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha. (Este homem é um compêndio! Desde quando é que alguém bebe água de um rio ou de uma barragem??? Será que o discurso do MST se deve a andar a beber água de rios e riachos e outros cursos de água onde só quadrúpedes e aves costumam matar a sede? Será que ele tem conhecimento dos tratamentos a que a água que lhe sai da torneira é sujeita antes de chegar a casa do MST? É verdade que a água foi dada como tóxica, contendo pesticidas e insecticidas, mas será que ele sabe que esses produtos químicos são aplicados em diversos vegetais que nós ingerimos? E será que ele sabe que quando chegam à nossa cozinha estão em condições de serem consumidos?)
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais. (Esta explicação é magnífica! Eu até acho que devia ser colocada em postais e ser vendida aos turistas! Portugal: o país onde não há agricultura, onde a agricultura não tem futuro, onde já não tinha e onde não pode haver agricultura por causa da água, seja por falta ou por excesso desta.)
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor. (Mais uma explicação parva do MST. Presumo que o MST seja contra o turismo e contra o investimento em unidades que atraiam o turismo estrangeiro. Provavelmente o MST acredita que não temos mesmo agricultura e que seria a agricultura o grande gerador de riqueza! O facto de termos um país com um bom clima não é suficiente para atrair o turismo e o capital estrangeiro. É preciso haver condições. Não é porque não aprecio golfe que acho que não deve haver um investimento em empreendimentos do género. Há quem goste e normalmente são pessoas ricas que deixam aqui neste jardim à beira mar plantado uns “trocos” que ajudam a economia nacional. Às tantas o MST acha que, tal como temos vários aeroportos, também devemos ter milhares de campos de golfe pelo país…)
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez. (Portanto, fomos doidos quando conseguimos a independência, quando andámos à traulitada com um exército mais poderoso para mantermos o território e a autonomia, fomos doidos quando um doido de um rei mandou plantar um pinhal imenso que depois serviu para fazer umas embarcações e meter lá uns doidos que, por acaso, “trouxeram novos mundos ao mundo”; assim como fomos doidos quando explorámos as riquezas dos países onde fomos parar e depois as esbanjámos para mostrar ao mundo a nossa grandeza; assim como depois fomos doidos ao nos metermos numa união de países europeus que nos obriga a não produzir leite, a não ir para a pesca e a estragar colheitas agrícolas mas nos dá dinheiro para os projectos mais megalómanos e inúteis… MST, já fomos pequeninos e raçudos e nisso fomos grandes e por isso surgiu Portugal; depois voltámos a ser grandes, mesmo enormes quando nos metemos nos Descobrimentos, fomos grandes e ficámos ricos. Mas como sempre isso não chegava, foi preciso mostrar ao mundo. Então resolvemos estoirar tudo. Hoje em dia, o país que em tempos foi uma grande potência mundial, aproveita os dinheiros da Europa para fazer a maior ponte, a maior barragem… Temos o péssimo hábito de acharmos que neste cantinho de terra é preciso fazer coisas enormes para mostrarmos o que valemos. Se somos doidos ou ricos? Somos e seremos um povo condicionado pela sua vaidade e pela ânsia de dar nas vistas.)
Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém! (que observação inteligente! Por norma as pessoas quando vão conhecer outros países costumam achar muito agradável passear nas auto-estradas. Deve ser por isso que o Brasil não tem turistas… quase não tem auto-estradas.)
Devo dizer que, por um lado, acredito que esta conversa tenha existido, por outro, cheira-me a MST armado em Leonor Pinhão, aproveitando uma eventual conversa para depois lhe meter mais uns pozinhos e destilar o veneno do costume e dissertar à volta de um diálogo que só existiu na sua mente.
O MST tem a sorte de viver num país onde têm a sua opinião em conta, onde compram os seus livros, onde discutem os seus pontos de vista, onde é alguém considerado. Em vez de aproveitar o facto de ser ouvido e lido para dizer e escrever algo que se aproveite, algo de construtivo, resolve a cada palavra fazer mais sangue.
O país não está bom mas não está tão mal como o MST o pintou, não é calamidade que o MST descreveu.
O MST e a comunicação social preferem fintar as suas responsabilidades e agarrar-se com unhas e dentes ao verdadeiro motivo do mau serviço que andam a prestar: dinheiro.
Os jornais têm de vender, as televisões têm de ser rentáveis e, por isso, contratam MST e afins para mandarem o seu bitaite. Mesmo sabendo que muito dos se diz e escreve não vale nada, continuam a dar-lhes tempo de antena pois sabem que a polémica vende mais.
O MST e a comunicação social preferem fintar as suas responsabilidades e agarrar-se com unhas e dentes ao verdadeiro motivo do mau serviço que andam a prestar: dinheiro.
Os jornais têm de vender, as televisões têm de ser rentáveis e, por isso, contratam MST e afins para mandarem o seu bitaite. Mesmo sabendo que muito dos se diz e escreve não vale nada, continuam a dar-lhes tempo de antena pois sabem que a polémica vende mais.
Da mesma forma que umas alarvidades ditas pelo MST são motivo de conversa durante dias ou semanas, também os escândalos lançados irresponsavelmente pela comunicação social portuguesa só contribuem para o clima de suspeição e desconfiança que se vive.
Para quando se tomarão medidas CONCRETAS? Para quando serão sancionados os agentes da justiça que são responsáveis pelas fugas ao segredo de justiça? Para quando serão criadas regras que impeçam os jornalistas de continuar a servirem de megafone de boatos a eles transmitidos por irresponsáveis? Para quando a criação de uma real consciência nas redacções que impeça o jornalismo mercenário que temos visto ultimamente que passa por cima de tudo e de todos sem olhar às mais fundamentais regras como a apuração da veracidade dos factos? Porque é que os jornalistas continuam a confiar em fontes “envenenadas”? Porque é que temos jornais, rádios e televisões com notícias de destaque perfeitamente contraditórias num curto espaço de tempo como fosse normal? Como é que a comunicação social portuguesa se desdiz quase de um dia para o outro e todos assobiam para o lado?
Para quando se tomarão medidas CONCRETAS? Para quando serão sancionados os agentes da justiça que são responsáveis pelas fugas ao segredo de justiça? Para quando serão criadas regras que impeçam os jornalistas de continuar a servirem de megafone de boatos a eles transmitidos por irresponsáveis? Para quando a criação de uma real consciência nas redacções que impeça o jornalismo mercenário que temos visto ultimamente que passa por cima de tudo e de todos sem olhar às mais fundamentais regras como a apuração da veracidade dos factos? Porque é que os jornalistas continuam a confiar em fontes “envenenadas”? Porque é que temos jornais, rádios e televisões com notícias de destaque perfeitamente contraditórias num curto espaço de tempo como fosse normal? Como é que a comunicação social portuguesa se desdiz quase de um dia para o outro e todos assobiam para o lado?
FOI PROFUNDO(?)
Política para quê? Políticos para quê?
Apetece-me começar este texto como o Marco do Big Brother:
Epá, se há gajos que me chateiam, pá, são os políticos.
Falam, falam, falam e não os vejo a fazer nada.
Estava a ver um post no facebook de um amigo "laranja" quando me apeteceu responder-lhe.
Mas a resposta não é para ele. A resposta é para quem manda, não é para os jotas que gostam de andar pelo país com a sua tshirt colorida com bandeirinhas e de carrinho a apitar e agitar o pano onde está a imagem do partido.
A culpa não é deles. Eles até se filiam e depois acabam por ter de andar a defender as ideias do partido como se deles fossem, mesmo quando nem concordam.
O que me causa uma certa confusão é ver o tipo de críticas que por aí aparecem, ano após ano, governo após governo:
Andamos há anos com sucessivos governos de PSD e PS que mais não fazem que acautelar o próprio futuro e o dos seus compadres. quando pinga dinheiro da comunidade e anda tudo bem, até parecem competentes, quando estala a crise e fecham a torneira, são todos uns incapazes, uns corruptos e sei lá o quê mais.
No dia em que a política passar a ter como propósito servir o país eu bato palmas.
Até lá continuamos a ver este ping pong do:
"o seu governo é uma lastima"
"mas o seu fez pior"
"mas estes números são os piores de sempre"
"mas recordo-lhe quando no ano tal vocês fizeram não sei quê".
"mas os senhores é que aprovaram uma lei não sei das quantas"
"mas essa lei vem do tempo do governo do seu partido".
Ou, mais ridículo ainda, quando se acusam de ir copiar propostas uns dos outros mas depois dizem que não concordam em nada; ou quando rejeitam as ideias adversárias mas acabam por dizer o mesmo, usando outras palavras.
É tudo farinha do mesmo saco.
Há indivíduos que estão mesmo convencidos que a política consiste na arte da retórica e da oratória, que estão convictos que justificam a sua função e salário ao mandar umas larachas e brincar com o sentido das palavras ou com as palavras dos outros; que julgam que o facto de andarem a criticar as visões dos outros já é um bom serviço, que não têm de trabalhar para encontrar soluções, alternativas.
Se tivessem vergonha na cara estavam todos calados e trabalhavam.
FOI PROFUNDO!
quinta-feira, outubro 22, 2009
Graças a Deus!
Não sou fã de Saramago. Não sou mesmo. Acho que o homem tem ataques estranhos de “xexézice” e também acho que o facto de ele ser um escritor reconhecido não faz dele uma pessoa inteligente. É um motivo de orgulho para o povo português como escritor que ganhou um Nobel mas podemos parar por aí. Tudo o resto depende dos gostos de cada um.
Acho que ele deve ser criticado por ter abandonado Portugal e ter ido morar para Espanha. Acho sim. Acho que o argumento que usou dizendo que paga os impostos a horas é infeliz. Parece que o sentimento de amor à pátria pode ser comprado. Aliás, nem é comprado, parece que é uma grande coisa um tipo cumprir com as suas obrigações!
Infeliz mesmo foi o artista do PSD, o eurodeputado Mário David, que convidou Saramago a renunciar à cidadania portuguesa. Provavelmente o senhor David (como o da Estrela dos judeus) ainda não reparou que o Estado português é laico, ou seja, a religião está de um lado, o Estado está do outro. A nação portuguesa aceita todas as religiões, respeita-as e não segue nenhuma. Cada um tem liberdade para seguir a sua religião ou para não seguir nenhuma.
Provavelmente o senhor Mário David julga que somos um país daqueles que segue o Corão e é dirigido por líderes espirituais. A atitude do eurodeputado é de uma falta de consciência a toda a prova! Não só pelo retrocesso temporal à época do “Deus, Pátria, Família”, mas também pela idiotice de convidar um português que ganhou um Nobel e tem tido uma voz activa, a renunciar à sua nacionalidade lusa.
Aqui gostamos mesmo é de dizer que o Figo e o Ronaldo são um orgulho para o país. Agora um gajo que escreve e pensa? Credo? Quantos toques seguidos consegue dar com uma bola?
Pegando na questão religiosa, eu sou baptizado, ateu e pondero a hipótese de me casar pela igreja….um dia. Logo, sou um incoerente. É verdade, eu admito-o. Mas eu não tenho a certeza de nada. Eu duvido. Pronto. Sobretudo duvido da instituição Igreja e da forma como actua e censuro a sua longa história.
Com que então não concordam com a parte em que Saramago diz que “O Deus da Bíblia não é de fiar: é vingativo e má pessoa”?
Pessoalmente acho o Deus da Bíblia um gajo porreiro.
Vejam se vos faz lembrar alguma coisa:
1) Vou fazer um filho a uma virgem que é casada (mas como sou eu não é pecado) e depois mando-o espalhar a minha palavra. Quando ele tiver boa idade mando-o levar umas chibatadas, deixo que o preguem a uma cruz e lhe metam uma bonita coroa de espinhos. Mas isso é porque as pessoas são más e ele vai pagar pelos pecados deles. Ah! Depois ele morre (mas é por uma boa causa) só que 3 dias depois faço-o voltar dos mortos para espetar um cagaço à mãe e depois deixo-o desaparecer de novo.
2) Pessoal, eu sou o Moisés e vou levar-vos a um sitio brutal. Em principio vamos conseguir passar no meio do mar mas isso é se vocês se portarem bem e não adorarem nada a não ser Deus. Nada de adorarem figurinhas em madeira ou metais preciosos ok? Eu vou ter de ir fazer uma mijinha ao monte e vou ver se falo com Deus. [Moisés vai ao monte, volta com duas placas com 10 mandamentos e o resto da malta está numa orgia incrível] Epá! Ó pessoal, eu disse-vos para não fazerem essas cenas! O que vale é que Deus não é vingativo nem má pessoa e agora vai castigar-vos mas é só para o vosso próprio bem.
3) Olá, eu sou Deus e fiz-vos a todos à minha imagem. Embora alguns de vocês tenham sido feitos depois (ou durante) uma noite de bebedeira e o resultado tenha ficado visivelmente afectado… Eu fiz aqui uma listinha de coisas que vocês devem e não devem fazer e se vocês as cumprirem vêm para um sítio altamente a que eu decidi chamar céu ou paraíso. Se vocês se portarem mal, vão para o Inferno. Eu criei a Terra e tudo o que nela existe e também criei o Inferno e meti lá o Mefisto, o Belzebu, o Diabo, o Cornudo. É que eu sou tão poderoso que em vez de criar tudo bem criadinho resolvi deixar margem de manobra para alguns de vocês fazerem asneira e também resolvi criar o destino para quem se porta mal. É claro que o Inferno e o Diabo representam o Mal e eu só criei o Bem e criei o Homem e o Homem é que decide o seu caminho mas o Inferno existe e pelos vistos fui eu que o criei. Tenho de deixar de beber. Beijos. Deus.
4) Furacões, Tufões, maremotos, vulcões, homicídios, genocídios, pragas, epidemias, SIDA, fome, guerra… Isso foi o Homem que criou. Incluindo as catástrofes naturais. O Homem criou-as no sentido em que faz asneiras e eu tenho de arranjar um castigo. É claro que é pedagógico, não estou a ser mau ou vingativo.
5) As Cruzadas e a Santa Inquisição foram responsabilidade humana. Deus estava a dormir e o Homem resolveu começar isso nas costas dele. Foram erros de interpretação e Deus só sabe criar coisas ou criar castigos divinos, não sabe acabar com “cenas” religiosas.
6) O facto das igrejas (edifícios) serem locais onde se espalha a palavra do Senhor e o Senhor defender a riqueza de espírito, não impede que grande parte das igrejas ostentem uma riqueza imensa, entre ouro e pinturas e esculturas… E é preciso dar esmolinhas. Mas é para ajudar a Igreja…a ajudar quem precisa. É claro que os templos, mesmo os mais recentes, são feitos à imagem da palavra do Senhor.
A generalidade das histórias da Bíblia usam uma pedagogia que assenta em descrições de recompensas por bom comportamento e castigo por mau comportamento. E as fábulas contadas dão razão a Saramago. Todas elas têm contornos de malvadez, de vingança, tal como têm de recompensa. A forma como se tentam passar os valores positivos não é lá muito positiva.
O Objectivo da Bíblia é bom, é louvável. A forma como conta as histórias para se retirarem lições de vida é que leva Saramago a dizer, e acertadamente, que Deus é mau e vingativo.
E porque não?
Não é a Bíblia que diz que fomos feitos à imagem de Deus? E não temos todos um lado mau e vingativo? O que Saramago se esqueceu de dizer foi que a Bíblia tenta que não sejamos maus ou vingativos e tenta ensinar-nos a ser bons para o próximo.
E disto fala alguém que mal conhece os dois testamentos, novo e o antigo.
No entanto, conheço a história da religião e da Igreja Católica e não sou fã. Assim como não sou fã de Saramago. Gostei do Ensaio Sobre a Cegueira e de resto acho que o senhor gosta de se fazer difícil de ler.
Ainda assim, e pagando no que dizia anteriormente, o que Saramago escreve é a visão dele, é ficção! Aquilo que ele diz é a opinião dele, como tal está carregada de subjectividade. Um indivíduo pode veicular a percepção que tem das coisas sem ter necessariamente de estar certo. Aliás, qualquer religião é facilmente criticável. Pela história e pela actualidade. Vamos pegar em todas as falhas das várias religiões e podemos passar gerações a editar livros.
Porque se critica Saramago quando ele vê apenas o lado mau de Deus e não se critica a Igreja que apenas o apresenta como uma perfeição de divindade? Porque é que o que o Homem faz mal é culpa sua e tem de penitenciar e o que faz de bom tem de agradecer a Deus?
Não vos parece estranho?
Porque é que um jogador de futebol marca um golo e agradece a Deus e quando falha não lhe exige responsabilidades também? Porque é quando alguém faz um teste ou um exame e corre bem há quem responda “correu sim, graças a Deus” e quando corre mal é “azar”? Porque é que quando fazemos uma viagem longa e tudo corre bem a nossa avó diz “ai que bom, graças a Deus que tudo correu bem” e quando alguém tem um acidente é por causa do óleo da estrada ou por causa do “boi” que nos bateu e que não sabe conduzir? Porque é que quando há uma catástrofe, morrem centenas ou milhares de pessoas e aparece uma criancinha viva lá no meio foi “graças a Deus”…e os outros todos que foram desta para melhor? E porque é que quando se morre se vai para melhor?
E há um sindicato de Deuses? Um que atira com os Dez Mandamentos e outro que manda apedrejar o pessoal e cortar membros? Um que diz que só se pode copular para reprodução e outro que diz que as mulheres têm de andar todas tapadas. E porque é que há religiões em que se acredita em reencarnação mas nunca ninguém disse “olha, eu sou o teu vizinho e reencarnei nesta loira boazona. Seria possível devolveres o meu corta-relva?”? E quando alguém diz que é a reencarnação de não sei quem (normalmente é sempre de alguém com poder) leva logo com o descrédito da população? Porque é que existe aquela frase “vinde a mim as criancinhas pois é delas o Reino de Deus” e há padres que aproveitam a dica para lhes ensinarem o que é a pedofilia? Porque é que há religiões que acreditam que um elefante escreveu um livro? Porque é que em certa religião as vacas são sagradas mas as mulheres não têm direito a nada?
Não acho que valha a pena estar a malhar só no Saramago ou só na Igreja e na Religião quando são ambos tão bons para criticar. Ambos têm as suas virtudes e defeitos reconhecidos, mas todos sabemos que neste mundo só sabemos apontar o que está mal. Não sei se é pela malvadez de apontar o dedo ao outro ou se é com a generosidade de quem tenta mostrar o que está mal para dar a oportunidade de mudar. Na realidade, ninguém leva uma palmadinha nas costas porque não comete um crime. É de esperar que não se cometam crimes. Ninguém leva os parabéns porque trata bem a família. Não é suposto tratar mal a família. Obviamente que o oposto é sempre de assinalar. Acho que é meio óbvio.
Eu cá vou continuando com as minhas dúvidas e incertezas, vivendo neste mundo em que é mais provável encontrar uma pessoa que acredite em anjos e em Deus do que uma que ache que um teste cientifico é fiável.
Quanto a Saramago, acho que depois de tanta publicidade ele bem pode agradecer a Deus pelos resultados que vai obter com as vendas do livro “Caim”.
Ah! Obviamente que isto é a minha opinião, não é uma notícia ou um artigo cientifico, não há aqui rigor académico, não existe menção de bibliografia consultada, não me apresento como um especialista em coisa nenhuma.
Acho que ele deve ser criticado por ter abandonado Portugal e ter ido morar para Espanha. Acho sim. Acho que o argumento que usou dizendo que paga os impostos a horas é infeliz. Parece que o sentimento de amor à pátria pode ser comprado. Aliás, nem é comprado, parece que é uma grande coisa um tipo cumprir com as suas obrigações!
Infeliz mesmo foi o artista do PSD, o eurodeputado Mário David, que convidou Saramago a renunciar à cidadania portuguesa. Provavelmente o senhor David (como o da Estrela dos judeus) ainda não reparou que o Estado português é laico, ou seja, a religião está de um lado, o Estado está do outro. A nação portuguesa aceita todas as religiões, respeita-as e não segue nenhuma. Cada um tem liberdade para seguir a sua religião ou para não seguir nenhuma.
Provavelmente o senhor Mário David julga que somos um país daqueles que segue o Corão e é dirigido por líderes espirituais. A atitude do eurodeputado é de uma falta de consciência a toda a prova! Não só pelo retrocesso temporal à época do “Deus, Pátria, Família”, mas também pela idiotice de convidar um português que ganhou um Nobel e tem tido uma voz activa, a renunciar à sua nacionalidade lusa.
Aqui gostamos mesmo é de dizer que o Figo e o Ronaldo são um orgulho para o país. Agora um gajo que escreve e pensa? Credo? Quantos toques seguidos consegue dar com uma bola?
Pegando na questão religiosa, eu sou baptizado, ateu e pondero a hipótese de me casar pela igreja….um dia. Logo, sou um incoerente. É verdade, eu admito-o. Mas eu não tenho a certeza de nada. Eu duvido. Pronto. Sobretudo duvido da instituição Igreja e da forma como actua e censuro a sua longa história.
Com que então não concordam com a parte em que Saramago diz que “O Deus da Bíblia não é de fiar: é vingativo e má pessoa”?
Pessoalmente acho o Deus da Bíblia um gajo porreiro.
Vejam se vos faz lembrar alguma coisa:
1) Vou fazer um filho a uma virgem que é casada (mas como sou eu não é pecado) e depois mando-o espalhar a minha palavra. Quando ele tiver boa idade mando-o levar umas chibatadas, deixo que o preguem a uma cruz e lhe metam uma bonita coroa de espinhos. Mas isso é porque as pessoas são más e ele vai pagar pelos pecados deles. Ah! Depois ele morre (mas é por uma boa causa) só que 3 dias depois faço-o voltar dos mortos para espetar um cagaço à mãe e depois deixo-o desaparecer de novo.
2) Pessoal, eu sou o Moisés e vou levar-vos a um sitio brutal. Em principio vamos conseguir passar no meio do mar mas isso é se vocês se portarem bem e não adorarem nada a não ser Deus. Nada de adorarem figurinhas em madeira ou metais preciosos ok? Eu vou ter de ir fazer uma mijinha ao monte e vou ver se falo com Deus. [Moisés vai ao monte, volta com duas placas com 10 mandamentos e o resto da malta está numa orgia incrível] Epá! Ó pessoal, eu disse-vos para não fazerem essas cenas! O que vale é que Deus não é vingativo nem má pessoa e agora vai castigar-vos mas é só para o vosso próprio bem.
3) Olá, eu sou Deus e fiz-vos a todos à minha imagem. Embora alguns de vocês tenham sido feitos depois (ou durante) uma noite de bebedeira e o resultado tenha ficado visivelmente afectado… Eu fiz aqui uma listinha de coisas que vocês devem e não devem fazer e se vocês as cumprirem vêm para um sítio altamente a que eu decidi chamar céu ou paraíso. Se vocês se portarem mal, vão para o Inferno. Eu criei a Terra e tudo o que nela existe e também criei o Inferno e meti lá o Mefisto, o Belzebu, o Diabo, o Cornudo. É que eu sou tão poderoso que em vez de criar tudo bem criadinho resolvi deixar margem de manobra para alguns de vocês fazerem asneira e também resolvi criar o destino para quem se porta mal. É claro que o Inferno e o Diabo representam o Mal e eu só criei o Bem e criei o Homem e o Homem é que decide o seu caminho mas o Inferno existe e pelos vistos fui eu que o criei. Tenho de deixar de beber. Beijos. Deus.
4) Furacões, Tufões, maremotos, vulcões, homicídios, genocídios, pragas, epidemias, SIDA, fome, guerra… Isso foi o Homem que criou. Incluindo as catástrofes naturais. O Homem criou-as no sentido em que faz asneiras e eu tenho de arranjar um castigo. É claro que é pedagógico, não estou a ser mau ou vingativo.
5) As Cruzadas e a Santa Inquisição foram responsabilidade humana. Deus estava a dormir e o Homem resolveu começar isso nas costas dele. Foram erros de interpretação e Deus só sabe criar coisas ou criar castigos divinos, não sabe acabar com “cenas” religiosas.
6) O facto das igrejas (edifícios) serem locais onde se espalha a palavra do Senhor e o Senhor defender a riqueza de espírito, não impede que grande parte das igrejas ostentem uma riqueza imensa, entre ouro e pinturas e esculturas… E é preciso dar esmolinhas. Mas é para ajudar a Igreja…a ajudar quem precisa. É claro que os templos, mesmo os mais recentes, são feitos à imagem da palavra do Senhor.
A generalidade das histórias da Bíblia usam uma pedagogia que assenta em descrições de recompensas por bom comportamento e castigo por mau comportamento. E as fábulas contadas dão razão a Saramago. Todas elas têm contornos de malvadez, de vingança, tal como têm de recompensa. A forma como se tentam passar os valores positivos não é lá muito positiva.
O Objectivo da Bíblia é bom, é louvável. A forma como conta as histórias para se retirarem lições de vida é que leva Saramago a dizer, e acertadamente, que Deus é mau e vingativo.
E porque não?
Não é a Bíblia que diz que fomos feitos à imagem de Deus? E não temos todos um lado mau e vingativo? O que Saramago se esqueceu de dizer foi que a Bíblia tenta que não sejamos maus ou vingativos e tenta ensinar-nos a ser bons para o próximo.
E disto fala alguém que mal conhece os dois testamentos, novo e o antigo.
No entanto, conheço a história da religião e da Igreja Católica e não sou fã. Assim como não sou fã de Saramago. Gostei do Ensaio Sobre a Cegueira e de resto acho que o senhor gosta de se fazer difícil de ler.
Ainda assim, e pagando no que dizia anteriormente, o que Saramago escreve é a visão dele, é ficção! Aquilo que ele diz é a opinião dele, como tal está carregada de subjectividade. Um indivíduo pode veicular a percepção que tem das coisas sem ter necessariamente de estar certo. Aliás, qualquer religião é facilmente criticável. Pela história e pela actualidade. Vamos pegar em todas as falhas das várias religiões e podemos passar gerações a editar livros.
Porque se critica Saramago quando ele vê apenas o lado mau de Deus e não se critica a Igreja que apenas o apresenta como uma perfeição de divindade? Porque é que o que o Homem faz mal é culpa sua e tem de penitenciar e o que faz de bom tem de agradecer a Deus?
Não vos parece estranho?
Porque é que um jogador de futebol marca um golo e agradece a Deus e quando falha não lhe exige responsabilidades também? Porque é quando alguém faz um teste ou um exame e corre bem há quem responda “correu sim, graças a Deus” e quando corre mal é “azar”? Porque é que quando fazemos uma viagem longa e tudo corre bem a nossa avó diz “ai que bom, graças a Deus que tudo correu bem” e quando alguém tem um acidente é por causa do óleo da estrada ou por causa do “boi” que nos bateu e que não sabe conduzir? Porque é que quando há uma catástrofe, morrem centenas ou milhares de pessoas e aparece uma criancinha viva lá no meio foi “graças a Deus”…e os outros todos que foram desta para melhor? E porque é que quando se morre se vai para melhor?
E há um sindicato de Deuses? Um que atira com os Dez Mandamentos e outro que manda apedrejar o pessoal e cortar membros? Um que diz que só se pode copular para reprodução e outro que diz que as mulheres têm de andar todas tapadas. E porque é que há religiões em que se acredita em reencarnação mas nunca ninguém disse “olha, eu sou o teu vizinho e reencarnei nesta loira boazona. Seria possível devolveres o meu corta-relva?”? E quando alguém diz que é a reencarnação de não sei quem (normalmente é sempre de alguém com poder) leva logo com o descrédito da população? Porque é que existe aquela frase “vinde a mim as criancinhas pois é delas o Reino de Deus” e há padres que aproveitam a dica para lhes ensinarem o que é a pedofilia? Porque é que há religiões que acreditam que um elefante escreveu um livro? Porque é que em certa religião as vacas são sagradas mas as mulheres não têm direito a nada?
Não acho que valha a pena estar a malhar só no Saramago ou só na Igreja e na Religião quando são ambos tão bons para criticar. Ambos têm as suas virtudes e defeitos reconhecidos, mas todos sabemos que neste mundo só sabemos apontar o que está mal. Não sei se é pela malvadez de apontar o dedo ao outro ou se é com a generosidade de quem tenta mostrar o que está mal para dar a oportunidade de mudar. Na realidade, ninguém leva uma palmadinha nas costas porque não comete um crime. É de esperar que não se cometam crimes. Ninguém leva os parabéns porque trata bem a família. Não é suposto tratar mal a família. Obviamente que o oposto é sempre de assinalar. Acho que é meio óbvio.
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FOI PROFUNDO!
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Dispenso...
Porque tudo o que é dito é dispensável...
Porque tudo o que é escrito é dispensável...
Este é um blog onde se fala a sério e se brinca.
Quem não goste de ironia ou sarcasmo que feche esta página rapidamente!
Aqui ninguém tem razão.
Eu não pretendo estar certo, pretendo observar e pretendo fazê-lo de uma forma atenta e crítica...de uma forma dispensável.
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