segunda-feira, dezembro 19, 2011

Vai-te embora!

Mais um dia que passa, mais um dia em que o atual executivo português assume a sua incompetência.
Depois do secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Alexandre Miguel Mestre, foi a vez do primeiro.ministro, Passos Coelho, abrir a porta da rua aos professores.

Muitos dizem, como já li, que é inadmissível, outros que foi uma declaração plena de lucidez.

Segundo uma sondagem que efetuei junto dos meus botões, é unânime que estas declarações são sintomáticas da consciência do membros do governo de que não têm capacidade para resolver mais esta situação.

Todas as promessas eleitorais apontavam para um aperto de cinto, todas as medidas apontam para a guilhotina. As medidas que se adivinhavam severas e que iriam afetar TODA a população, acabaram por se focar nos que atravessam maiores dificuldades. Típico.

Passos Coelho e o seu executivo são tão bons a gerir o país quanto eu era compente a jogar Ceasar III aos 15 anos de idade. A diferença é que, depois de algum tempo a abusar da carga fiscal, a população revoltava-se e eu perdia o jogo. No caso real, o jogo é de conversa. Falam governo e oposição, falam comentadores, fala a comunicação social e fala-se mal...mas não se faz nada.

Esta situação mostra duas coisas:

1) Passos Coelho apercebe-se que não tem capacidade ou competência para diminuir os números do desemprego, ou seja, para criar emprego. Isso já muita gente sabia, mas nunca tinha sido assumido de forma tão clara como agora. É simples: aqui não há nem vai haver lugar para o pessoal que pretende trabalhar, por isso sigam lá para fora!

2) Passos Coelho revela pouca inteligência, pouca visão e, sobretudo, pouca capacidade de trabalho. Se o PM tivesse comunicado ao país que teria estabelecido acordos com países lusófonos para que os portugueses no desemprego possam procurar oportunidades de trabalho no estrangeiro, isso seria de louvar.
O apelo seria o mesmo, a diferença residiria na criação de condições.
O que Passos Coelho estupidamente se esquece é que quem está no desemprego e quer procurar oportunidades no estrangeiro tem que pagar viagens, alojamento e, tem que conseguir visto de trabalho.
Passos Coelho acha que, lá por Portugal ter as penas abertas a brasileiros, Angolanos, moçambicanos, etc etc, o recíproco se verifica.
Não é assim.
Enquanto Portugal é uma pequena casa, com pouco a oferecer, e que tem as portas abertas para os nossos "irmãos lusófonos", os ditos irmãos levantam um conjunto de obstáculos que tornam bem complicado o acesso ao mercado de trabalho nesses países.

Não estranho que um garoto que chegou a primeiro-ministro sem ter mérito, quer como jotinha, quer no curso que comprou, quer como moço de recados do padrinho, esteja agora a demonstrar que nunca seria/será capaz de fazer algo pelo país.
Também não estranho que um conjunto de teóricos como ministros não seja capaz de contornar a crise.

O que estranho é que não haja uma única criatura no meio de ministros, secretários de estado e assessores, que se lembre de dizer: "senhor primeiro-ministro, não era mal pensado se tentasse contactar os seus parceiros dos países que recomendou, sondar quanto ao interesse em receber os nossos profissionais e redigir uns daqueles papéis que se assinam no final e que permitem proporcionar melhores dias aos seus compatriotas e, depois de tudo assinado e acordado, comunicar ao país que foi capaz de fazer alguma coisa de produtivo por Portugal e pelos portuguegues".

Eu não espero nada deste tipo e dos seus comparsas, por isso mesmo decidi antecipar-me aos seus apelos...e vim andando.


FOI PROFUNDO


sexta-feira, dezembro 02, 2011

Ariane Fonseca: YOU SUCK!

Esta senhora colocou online uma lista chamada "40 motivos para se casar com um jornalista".
Como achei tolice, decidi ser desmancha prazeres, uma tarefa em que sou profissional.

Jornalista geralmente é criativo, ele vai surpreender você quando menos esperar;
Eu já era criativo bem antes de qualquer experiência jornalística

São curiosos e antenados, você sempre ficará por dentro de tudo que acontece;
e é preciso ser jornalista? qualquer cusco, porteira ou adolescente é assim...

Eles não ganham bem, mas isso é bom porque vocês podem aprender a economizar dinheiro;
desde quando é que é bom ter pouco dinheiro? e os jornalistas não são os únicos que ganham pouco dinheiro, essa lógica seria melhor ainda para um arrumador! Nem quero imaginar como deve ser um incrível gestor para conseguir viver de trocos!

No Natal, Ano Novo, Carnaval… eles provavelmente estarão na redação. Mas, pense pelo lado positivo: antes trabalhando do que vagabundando;
ausente é sempre ausente, nunca é bom. Aplicação extrema desta lógica: um jornalista de guerra leva um tiro e morre: antes morto que enrolado com alguma prostituta estrangeira!

E outra! Trabalhando muito, eles não têm tempo de se interessar por outra pessoa;
Pouco inteligente. Trabalhando muito não tem tempo para qualquer outra pessoa. Em que planeta é que isso é bom?

Eles não são bons de matemática, mal sabem somar e subtrair; mas, para que saber isso se são os mestres da escrita?;
Bela generalização. Ponto 1: nem todos são maus com números, a matemática não é apenas uma questão de somar e subtrair, tem muito a ver com raciocínio. Ponto 2. Eu sei de muito jornalista que não se enquadra como mestre da escrita.

Acostumados com pautas, são bem organizados e planejam bem as coisas antes de fazê-las;
Ai sim? Eu ia jurar que os jornalistas estão bem longe de ser os melhores no que diz respeito a esta categoria...

Como é fissurado por fontes, quando você tiver uma ótima ideia, ele não vai dizer aos amigos que foi coisa da cabeça dele. Dará todas as honras para você!;
Alguém vive num mundo completamente estranho... O jornalista protege as fontes, pode dizer que não foi ideia dele mas pode não divulgar quem deu a ideia...

Como vivem numa rotina corrida, não tem muito tempo para opinar nas coisas da casa. O que você fizer, ele vai achar lindo;
Boa lógica. Experimenta esta: como o jornalista é objetivo, provavelmente vai dizer as coisas como elas são em vez de florear: feio é feio, não é "nota-se que fizeste isso com carinho e tens um bom gosto incrível".

Tudo é um grande brainstorm (tempestade de ideias). Monotonia não vai entrar na sua casa!;
Ora aqui está uma coisa chamada "tradução de merda" para ajudar a mais um raciocínio de caca.

Quando vocês brigarem, ele não vai achar que a opinião dele é a melhor. Tem que ouvir todos os lados de um fato, ele saberá analisar a situação!;
Opinião não é facto. Quando se mistura objetividade com subjetividade, dá asneira. Uma notícia não é opinativa. Quando se trata de opinar conta a visão de cada um

Em coberturas de grandes eventos, você poderá entrar de gaiato. Cada final de semana em um lugar diferente: jogos de futebol, avenida de escola de samba, lançamento de livros…;
E isso resulta onde mesmo? "olhe, era uma credencial para mim, que vou trabalhar, e o meu amorzinho, que vai só ver".

Mantêm revistas e jornais no banheiro. Você nunca ficará olhando para o vácuo enquanto faz suas necessidades fisiológicas. Ganhará conhecimento!;
Mais uma pessoa que não sabe a diferença entre uma casa-de-banho e uma biblioteca. Mijar/cagar e ir embora! É suposto ser algo rápido e não é para ficar a inalar o belo odor!

Idolatram pessoas totalmente desconhecidas (o seu Zé, a Dona Maria, o Juquinha…) Todos com ótimas histórias de vida que vocês podem usar no cotidiano também para se tornarem pessoas melhores!;
WHAT??????

Não vai faltar café na sua casa. Café e jornalista são praticamente sinônimos;
Mais uma vez, raciocínio de merda. Eu bebia muito mais café quando era estudante. E, se vamos por estereótipos, bom mesmo nisso de ser viciado em café é um polícia!

Ele pode escrever os votos matrimoniais da sua irmã, criar o conteúdo do site de negócios do seu pai, ensinar sua mãe a tirar fotos das amigas nos eventos do bairro. Ele aprende de tudo um pouco e gosta de compartilhar!;
Também pode cozinhar, lavar, passar, tratar do jardim, costurar... não quer dizer que seja bom nisso! Todos temos um amigo que acha que até sabe fazer trabalho de canalizador e reparar electrodomésticos!

Tudo para o jornalista tem uma explicação. Eles nunca vão se contentar com a primeira versão de um fato. Você sempre terá uma resposta, mesmo que demore;
Sempre pensei que isso era um filósofo, um cientista ou um pastor da Igreja Universal. Afinal é o jornalista. Também pensei que o jornalista procurava quem tivesse a explicação mas, pelos vistos, estava enganado.

São ótimos investigadores. Se alguém no trabalho passar a perna em você, rapidinho ele descobre quem é!;
Esta mulher anda a ver muito Bored to Death...

Como trabalham muito, não tem tempo para beber demais, fumar, se envolver com drogas…Você terá um companheiro saudável!;
Começo a achar que ela não conhece jornalistas...

Tá bom, vai… eles não costumam comer coisas muito saudáveis. Mas se você for legal e fizer comida para ele levar ao trabalho, isso se resolve rapidinho, não é? =);
Mas isso é característica de jornalista? Desde quando?

Suas viagens nunca serão monótonas! Se acontecer qualquer movimento estranho, ele vai logo querer saber o que é e infiltrará você junto para desvendar o problema;
MEDO! Mas que tipo de jornalistas é que esta senhora conhece? Continuo a achar: muito Bored to Death naquela cabecinha...

Amam roupas leves e simples no dia a dia. Você não vai gastar muito dinheiro com isso;
Mas também sabem se arrumar bonitinhos para os eventos. Você terá um parceiro que sabe ser simples, mas também sabe arrasar. Tudo vai depender da ocasião;
Lógica 1: ela acha que o jornalista não tem dinheiro para comprar roupa, é a mulher dele que compra. Lógica 2: se ele gasta menos em roupa, sobra mais para ela gastar em roupa

A agenda é o seu melhor amigo. Mas, não fique com ciúmes! Pense pelo lado positivo, nunca vai esquecer nenhuma data importante, porque tudo fica rigorosamente descrito lá;
Oh mulher! É uma ferramenta de trabalho, logo não estão lá as datas que ela acha que são importantes! Para isso serve o facebook! DAH!

Eles não ficam irritados com “nãos”, afinal, estão acostumados com assessorias de imprensa que não querem divulgar os bafões. Você não terá um companheiro irritado, mas, em compensação ele não vai desistir até conseguir o que quer. Mas só de não se grosso já vale, não é!?;
Claro, todo o jornalista lida com assessorias de imprensa. ahahah sem mais comentários...

Como são antenados, também sempre ficam sabendo das novidades tecnológicas primeiro. Às vezes, até ganham de presente para testar a ferramenta. Você terá tudo em primeira mão na sua casa;
Começa por R e termina em ídiculo...

Eles não se importam com calor, chuva, trovões… afinal, precisam estar onde a notícia está! Você poderá ir na praia com 50 graus tranqüila ou aquela viagem dos sonhos pode se tornar um pesadelo no caos de São Paulo que ele não vai blasfemar. Ainda vai dar risada da situação;
Sim, o jornalista costuma andar com a mulher atrás. Aliás, acho curioso como a mulher é incoerente. No início fala da questão de ele não estar com ela mas estar a trabalhar e não a vagabundear, agora fala como se ele a levasse para o trabalho...

Acham que podem salvar o mundo com uma matéria. Olha que sensibilidade!;
Eles acham que podem ajudar a mudar o mundo. É bem diferente...

Eles sempre sabem tudo todo o tempo;
Isso não é ser jornalista, é ser chato e pretensioso.

Gostam de música para acalmar;
1. E é preciso ser jornalista? 2. há jornalistas que precisam de silêncio, outros de agitação...

Leem livros raros, histórias para crianças e semiótica… Seus filhos serão super dotados se depender dele;
Claramente não é filha de um jornalista... livros raros, histórias para crianças e semiótica? Epá, primeiro, o que são livros raros? Segundo, histórias para crianças, provavelmente quando eram crianças. Terceiro, ninguém gosta de livros de semiótica, foram necessários para fazer o curso!

Sua vida social é infinitamente grande. Você nunca poderá reclamar que não conhece gente nova;
Ai não! Mas isto não tem fim? Então eles não têm tempo para outras pessoas mas a vida social é infinitamente grande? Há gente que não gosta pensar...

Eles estão acostumados com coisas chatas e sabem contorná-las muito bem. O casamento nunca vai virar algo monótono;
Não é contornar, chama-se "engolir sapos por se querer receber ao final do mês".

Eles gostam de camisas com estampas de alguma brincadeira sobre algo atual. Suas amigas vão ficar com inveja do seu companheiro inteligente;
Onde é que ela vai ver isto? Quem são os jornalistas que ela conhece? Eu conheço alguns com tshirts com frases estúpidas, com bonecos da disney ou da marvel ou com piadas sexuais, longe de estarem enquadrados neste pensamento...

Eles sempre têm uma opinião sobre qualquer coisa na face da Terra. Durante uma conversa entre amigos, vocês nunca ficarão apagados;
A maior parte das pessoas tem opinião sobre tudo, não significa que vão dizer algo acertado...

A maioria gosta de virar psicólogo, técnico de futebol e médico às vezes. Você terá um companheiro mil e uma utilidades;
Tirando a parte de técnico de futebol, isso faz-me lembrar várias pessoas que conheço. Quase todas do sexo feminino, quase nenhuma jornalista...

Por causa da profissão, são forçados a aprender mais de um idioma. Você vai ouvir “Eu te amo” em, pelo menos, umas três línguas diferentes;
1) nem todos os jornalistas precisam de aprender outros idiomas. 2) quando aprendem não é pela profissão, é por fazer parte do programa escolar, 3) se só souber duas línguas já desarma o pensamento, 4) por fim, que raio vai fazer um gajo dizer à sua gaja "eu te amo" em três línguas????

A primeira coisa que seu filho vai aprender é que a informação é a alma do negócio. Com dois anos, sua fofurinha vai saber o que é aquecimento global, mercado financeiro e já saberá criticar políticos;
O segredo é a alma do negócio e a primeira coisa que vai aprender é a não chorar a meio da noite :)

Gostam de mudar de cidade, estado e até de país. Você conhecerá muitos lugares!;
Verdadinha. Por outro lado, se gostam disso, há uma boa possibilidade de quererem mudar sozinhos, o que pode querer dizer que mudem de namorada e não casem.

Assistem documentários e vão a museus o tempo todo, não importa o que seja. Ô cultura!
É. Os jornalistas adoram museus. E documentários. Odeiam futebol e filmes de porrada e tiros.

Sinceramente, aqui está algo escrito sem pés nem cabeça, uma tristeza que dá pena.
Não sei se o propósito era ter piada, mas convém sempre pensar um bocadinho no que se escreve, não basta meter um conjunto de ideias que parecem ter graça. No fim deve ler-se e decidir se está tudo direitinho... para não sair algo como isto!
Há pessoas malvadas no mundo que podem aproveitar para ser cruéis e "assassinar" o bonito texto da treta...

FOI PROFUNDO?

terça-feira, outubro 25, 2011

Questões sobre um país à deriva

Dois pontos prévios antes de começar:
1. A grande vantagem do país andar à deriva é ainda não ter afundado.
2. Enquanto ateu, não acredito em intervenções divinas, acredito nas capacidades humanas, por isso isso mesmo tenho pouca fé nos atuais governantes, indivíduos que não mostram ter o que é necessário para levar o país a bom porto.

Olhando para Portugal, ainda que à distância de um oceano, dou por mim a pensar se chegámos a um ponto em que não há ninguém capaz de governar o país e o meter na ordem.
Não digo, ao contrário de muitos, que seja preciso outro Salazar, também não acho que seja preciso fazer um intervalo na democracia, tudo isso revela pouca inteligência.
Aliás, Portugal tornou-se um país com muitos espertos, ao invés de vários inteligentes.

Não terei sido o único a receber emails com salários absurdos de deputados e gestores ou de antigos políticos, comparando quanto auferiam antes e depois dos cargos desempenhados "em prol da nação".
Não é algo que me surpreenda, embora confesse que o nível de pornografia dos salários tenha excedido o que eu pensava. O soft-core da minha imaginação é, na verdade, um hard-core bem próximo da categoria snuff.

É claro que cada um deve ganhar de acordo com as suas qualificações e de acordo com as suas responsabilidades, mas depois existem vários truques "mágicos" para meter mais algum dinheiro ao bolso. Prémios de desempenho, cartões de crédito da empresa, combustível, telemóvel...
Eu pegaria apenas na questão dos prémios de desempenho e de produtividade. Qual é mesmo a justificação para pagar milhões a estes artistas quando a economia nacional está em tal estado que se fala em...crise?
Como é que se justifica que as empresas tenham níveis de endividamento gigantescos e depois se dêem prémios de milhões aos seus gestores? Ninguém pensa em equilibrar as contas das empresas, pensam em meter dinheiro ao bolso e, como são os administradores a decidir os prémios da administração, não espanta que se preocupem com os seus respetivos umbigos.
Com o país passa-se o mesmo.
Quem está no poder preocupa-se em governar-se e tratar dos seus. Por isso mesmo acho hipócrita quando PS, PSD e CDS trocam acusações falando dos boys, quando todos fazem o mesmo. E, atenção, eu compreendo que se coloquem pessoas de confiança em lugares que devem ser de confiança política. É claro que isso faz pressupôr que, estando uma pessoa no cargo que não é do partido, vá fazer algo para prejudicar quem está no poleiro. É uma boa lógica que mostra que quem está na política sabe que o jogo sujo e a importância de estar no poder é superior ao bom desempenho do cargo que se está a ocupar.

Outra questão que não me sai do pensamento tem a ver com a gestão do país, nomeadamente quando olhamos para os impostos.
Eu não tenho formação em economia, mas era capaz de apostar que se taxassem as grandes fortunas, não se perderia grande coisa.
Vejamos: quantos salários de 1000€ correspondem a um qualquer grande empresário português? O que eu quero dizer é: se em vez de se taxarem uns milhares de trabalhadores que já não recebem grande coisa, podia taxar-se um ou outro grande empresário. Não só o retorno seria o mesmo, como o número de portugueses afetados seria bem menor.

E não só.
Julgo que não é preciso ter grande formação em economia para saber que, se as grandes fortunas fossem taxadas de forma visível, o montante em causa iria servir para alavancar a economia nacional de forma mais célere, permitindo que os mesmos que fossem taxados pudessem voltar rapidamente a usufruir das vantagens de uma economia recuperada. E isto sem ter que ir ao bolso de quem nada ou pouco tem.
As medidas implementadas pelo atual governo são vampíricas. Só falta sugar o sangue da classe média e da classe trabalhadora. Quanto menos se tem, mais se lhes cobra. É pouco inteligente, especialmente num período em que é necessário mobilizar o país para ser produtivo.
Se, por exemplo, o senhor Américo Amorim ou o senhor Belmiro Azevedo tiverem que "largar" uns milhões para o Estado, será que vão passar fome? Vão ter que vender um carro ou deixar o banco levar-lhes a casa?
Mas se tirarem 200 euros por mês a um trabalhador que já não leva muito para casa ao final do mês, é capaz de fazer uma grande diferença.

E quanto às manifestações...
Façam-me um favor!
Isso não é nada!
Não digo que se recorra à violência, queimar carros é estar a destruir o que o vizinho do lado trabalhou para conseguir e é ridículo. Os senhores do poleiro não sentem na pele se arder o Nissan que um empregado de restaurante demorou 3 anos a pagar!
Mas um dia de paralisação?
Uau! Que impacto!
Experimentem fazer como aqui no Brasil. Bancos parados, correios parados, funcionários da faculdade parados. Mas parados MESMO! Até às suas exigências serem atendidas.

Acredito que o pior pode não ter chegado pois, tal como sucede na Europa, não há solidariedade interna. Os governantes querem que os países mais ricos ajudem os países em dificuldades, mas as suas medidas internas consistem em fazer sofrer os cidadãos que já estão com o cinto apertado. Com que moral é que Passos Coelho reclama com Alemanha e França se ele próprio segue a mesma cartilha?

Não temos políticos competentes da mesma forma que não temos gestores competentes.
Se fossem competentes teríamos uma economia forte. Não temos.
Mas temos gestores pagos principescamente. E temos políticos pagos principescamente assim que acabam funções e vão para empresas privadas, semi-privadas ou públicas.

O que me deixa enojado é a forma como tantos senhores falam de ser necessário estarmos preparados para o aumento de desemprego e para mais esforços quando tantos deles acumulam cargos atrás de cargos em empresas e institutos e fundações e o que mais existir para os deixar de bolsos bem cheios.

Um jovem tem que aguentar meses ou anos à procura de emprego mas estes senhores vão buscar salários a 4, 5, 6 fontes. E são humanos que têm um dia de 24h como qualquer jovem que não pode trabalhar por ser necessário cortar nas despesas e por, como um dia ouvi dizer, a árvore não poder abrigar todos. Não abriga todos, mas há uns passarões que vão de galho em galho, de árvore em árvore e conseguem sempre um bom abrigo.
Se me querem convencer que estes artistas que acumulam funcões em várias empresas conseguem multiplicar as suas horas, muito bem, mas dificilmente me convencem da justiça deste tipo de situações. Uns com tanto, outros sem nada. Não há como pagar 1000€ a um jovem que está em início de carreira, mas os "velhos" podem andar a sugar 4000€ (no mínimo) por estarem presentes numa reunião.

E a mentirinha da redução da máquina do Estado? Eram os ministérios que iam ser reduzidos, afinal foram os ministros, os ministérios continuam lá, com os secretários de estado e acessores e motoristas e tudo o que é necessário para quem está no poleiro.
Querem diminuir a despesa? Que tal começarem por onde realmente se gasta dinheiro? Ou devo dizer que devem começar por onde se deita dinheiro fora?.
É que eu também recebi os emails com os montantes gastos pelas autarquias em flores, músicos, balões, champanhe, etc, mas tal como as autarquias temos o Estado e as grandes empresas a deitar dinheiro fora nestas coisinhas fúteis.

Eu gostava de ver gente competente e corajosa à frente do país, gostava de ver gente inteligente, mas acho que é pedir demais.

Vamos continuar com o país em modo Tomás Taveira: Aguenta e não chora...

segunda-feira, outubro 17, 2011

São todos umas vítimas!

POR FAVOR!!!
Fiz algum mal a alguém para ter de ouvir/ler tanta teoria de vitimização de Passos Coelho e do PSD?

A que governo pertenceram os gatunos que destruiram um "pequeno" banco português em "meia dúzia de tostões", obrigando a que recentemente, um governo de outro partido tivesse de canalizar uns "milhõezitos" para tapar o buraco e impedir que particulares e empresas vissem o seu dinheirito ir à vida?

Qual foi o governo que assinou os "papéis" do TGV?
Qual foi o governo que acordou a compra dos submarinos?
Qual foi o governo que não torrou milhões em alcatrão?

Sócrates era criticado por andar a desculpar-se com o governo anterior, Passos faz o mesmo.

Quando todos criticaram (com razão) o talento que Sócrates exibia para não cumprir promessas eleitorais, onde estão agora as vozes para apontar o dedo a Passos que faz tudo ao contrário do que prometeu na campanha eleitoral?

Comparar Sócrates e Passos Coelho é triste. Tudo o que foi apontado a Sócrates pode ser facilmente aplicado a Passos: jotinha que nunca fez nada a não ser....presidir à jota, trabalhar na empresa do "padrinho" e "comprar" o curso por pressão do mesmo "padrinho".

Andamos a brincar ou acham mesmo que o pessoal é ceguinho????

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Política com cheiro a mofo

Eu sou da geração que um dia foi tratada por Geração Rasca.
Essa geração que ainda foi tendo convicções e foi saindo para a rua a manifestar-se com as decisões de uma classe política que nunca foi considerada rasca.

Os jovens, por norma, são uns rebeldes, uns inconscientes, são uns doidivanas e não estão habilitados a produzir nada que se aproveite.
Se estudam, então falta-lhes a experiência prática, se trabalham e escaparam aos estudos, então falta-lhes o saber teórico. Se estudam e trabalham, então falta-lhes... a experiência de vida que só tem quem anda cá há muitos anos.

Não é propriamente uma novidade que sempre fomos governados/liderados por gente com um determinado nível etário, a malta jovem ainda não está qualificada para a política a sério, não está habilitada a liderar seja o que for.

Quem está? São os senhores que possuem um B.I. que os habilita a desempenhar funções de responsabilidade, que lhes abre portas para chegar a cargos de chefia.

Mas, se esses senhores nos têm arrastado para a crise que está instalada nos dias de hoje, será que vão dizer "se fosse um jovem isto estava pior ou tinha entrado em crise há uns bons anos"?

O que vemos no panorama político actual?
Políticos experientes que querem ganhar as Presidenciais.

Cavaco e Alegre, para começar.
Depois Nobre. Não é político. Não é uma criança.
Moura. Deputado. Longe de ser um jovem.
O mais jovem é a tradicional Joana D'Arc, o homem que o PCP lança na corrida só para o queimar.
Depois há mais uns artistas mas, perdoem-me, para artista preferia que aparecesse no boletim de voto o Manuel João Vieira.

Pegando nos candidatos, começo por Defensor Moura. Só entrou na corrida para disputar uns rounds com Cavaco e fazer sangrar o actual PR. Ao contrário do que já li na comunicação social, Moura quase desfez Cavaco no debate entre os dois. Mas isso não vale de muito. Pelo menos para Defensor Moura. Aposto que não vai ter mais votos por isso, ou pelo menos de uma forma significativa.

O candidato do PC já cheira a queimado, por isso acho que não há muito a dizer. É mais um com as duas características dominantes do PC: honesto e "cassete".

Nobre. Um erro de casting. Ninguém discute o valor do senhor, mas quem é que vai meter um médico, um humanitário como PR? Não me parece que o bom caractér do senhor vá ser útil para o país se o meterem na presidência.

Alegre. Uma tristeza. Como disse e muito bem Fernando Nobre, o CV deste candidato resume-se a "eu lutei contra o fascismo", "a mim ninguém me cala" e 25 anos de cu sentado na AR. Sinceramente, tem perfil para testar cadeiras para o IKEA ou para contar histórias a criancinhas. E acho de muito mau gosto que continuem a tratar o senhor por doutor...e ele gosta. O mais negativo que tem é a preguiça. Preguiça de se preparar para os debates, por exemplo, preguiça de pensar ou de preparar o que diz, já que insiste em lançar palavras bonitas e vazias. Nunca o ouvi dizer "eu quero fazer isto e isto faz-se assim, assim e assado!". Não. Ele manda uma versão romanceada, floreada e superficial de algo que as pessoas querem ouvir. E isso é muito lindo...para escrever livros. Nesse caso, Alegre pode ficar pela escrita e fica muito bem. PR é que não.

Cavaco. É mau. É muito mau. Ao pé do que tenho visto e ouvido nos últimos tempos, o episódio do Bolo-Rei de boca aberta é digno de um livro de boas maneiras da Paula Bobonne. A arrogância com que diz que alguém tem que nascer duas vezes para ser tão honesto quanto ele, a forma como não responde a nada e ainda se lembra da ideia peregrina de mandar as pessoas para o site da Presidência da República (deve viver num mundo alternativo em que todos os portugueses têm internet e computador), o discurso de vitimização: "todos me atacam e andam em campanha para me denegrir", a hipocrisia de quem diz que faz uma campanha pela positiva e sem insultos e depois resolve chamar os seus opositores de mentirosos e fá-lo diariamente...
Juntando a isto a sua dicção e as suas ideias repetitivas e limitadas, suspeito que o homem esteja a ficar debilitado.

São estes os senhores que avançam para tomar conta do nosso país. Cheira-me a mofo. Cheira-me a política de naftalina...


FOI PROFUNDO!

segunda-feira, maio 24, 2010

PPC - Pedro Pensador Coelho

Sai já para começar uma vénia para Pedro Passos Coelho.

Embora o considere o adversário ideal para o Eng Sócrates porque é o mais parecido com Sócrates visto que sabe usar as mesmas "armas", parece-me ser um tipo inteligente.

É claro que muitos acreditam que Sócrates e Passos Coelho não serão adversários nas próximas eleições, mas isso não é uma variável a consideram para o que pretendo expôr.

Ao contrário do que tem sido normal na política portuguesa, Passos Coelho adoptou uma forma diferente de se comportar.

Estamos habituados a ver a velha prática do "vamos deixar que eles façam asneira e se afundem porque assim o povo castiga-os e vota em nós".
E quando ouço dizer que nos últimos 16 anos fomos governados em 16 anos pelo PS e 3 pelo PSD dá-me vontade de rir.
Quem chama a isso governar deve estar a considerar apenas o plano teórico. Guterres não tomou decisões porque corria o risco de ser contestado pelo povo ao assumir reformas impopulares, depois Durão passou por lá, Santana foi um erro de casting e Sócrates foi o primeiro que teve a rica ideia de agir e só acertou numa pequena percentagem das reformas. Isto, para não regredir uns anos na cronologia governativa e analisar o governo de Cavaco e na aplicação de fundos europeus em alcatrão.
Resumindo, décadas de fraca política e fraco investimento do dinheiro que nos foi sendo dado pela Europa.

PPC acaba por confirmar o que muitos esperavam dele. Trouxe sangue novo à política portuguesa, mas trouxe também uma nova atitude.
Quando se ouve falar em alianças e em andar com o partido rival ao colo/às costas, parece-me que, em boa verdade, o senhor tem cabeça e não tem medo de a usar.

Passos Coelho quer ser primeiro-ministro mas não quer ser bombeiro. Ao estar a estender a mão a Sócrates não está só a ajudar o país. Está a ajudar-se naquilo que julga ser o seu futuro enquanto líder do governo.
PPC terá reflectido e concluído que, se quer governar, convém que o faça com o país nas melhores condições possíveis. Para tal não pode deixar que o país se afunde mais. E seria isso que aconteceria se o PSD, com o objectivo de "entalar" Sócrates e o PS, optasse por fazer uma oposição que inviabilizasse as decisões do executivo actual.
Assim, PPC e o PSD acabam por ter uma palavra a dizer ao ouvirem e se fazerem ouvir por Sócrates e pelo PS.

É claro que posso estar errado, mas prefiro pensar que alguém está a mudar a política portuguesa.


FOI PROFUNDO!

A opinião

Já dizia o Herman, numa das suas rábulas, que as opiniões são como as vaginas, cada um tem a sua e quem quiser dá-la, dá-a.

A opinião tem algo de especial, é subjectiva, o facto de cada um ter a sua opinião faz com que ela seja muito própria, muito particular. Em alguns casos, a opinião pode não ser certa ou errada, noutros, mesmo sendo certa acaba por ter contornos errados.

Assim, resolvi abordar a questão da opinião por dois prismas. Os "fazedores" de opinião profissionais e o boom de "fazedores" de opinião.

Estes últimos são uma "raça" que proliferou com os blogues e parece ter conferido a todo e a cada um (incluindo este vosso amiguinho) o hábito de partilhar certos pontos de vista e, em muitos casos, uma confiança exacerbada que faz com que muitos achem que têm algo importante, interessante e acertado para partilhar com quem ouve ou lê o que publicam.

Ora, o grande problema da subjectividade pode resumir-se a uma frase de Ortega y Gasset: "eu sou eu e a minha circunstância". Isto não é mais do que dizer que o que nós dizemos ou pensamos está relacionado com a nossa experiência de vida e o saber adquirido e acumulado. Por isso, é mais que óbvio que duas pessoas com vivências distintas possam opinar de diferentes formas sobre o mesmo tema. Nuns casos não há certo ou errado, noutros casos há o velho problema da falta de informação.
Deste modo, uma divergência de opiniões pode ser enriquecedora mas pode também traduzir alguma ignorância.

Dentro destes "opinion makers" de trazer por casa (grupo em que me incluo) há aqueles que são movidos por paixões e inclinações, sejam clubísticas, partidárias ou profissionais. Não é de estranhar que cores políticas e cores clubísticas originem visões e opiniões distintas.

Acho positiva a partilha de pontos de vista na blogosfera, pode dar-nos a possibilidade de observar o mundo e as suas ocorrências de formas que, provavelmente, nunca nos teriam ocorrido. É enriquecedor, não só porque podemos, por um lado, considerá-las um complemento, como, por outro, pegar no que achámos errado e construir um novo capítulo da nossa observação ao repensar o nosso ponto de vista ao desmontar as teorias alheias que nos parecem erradas.

Depois, e voltando aos "opinion makers" da nossa praça, temos que reconhecer que, na sua grande maioria, são pessoas habilitadas para produzir as suas opiniões. Na sua maioria porque há alguns indivíduos que não perceberam que há uma coisa chamada liberdade de expressão e há o direito ao silêncio. Muitas vezes deviam levar em conta que ficariam muito melhor calados ou quietos.

Porque temos Rebelo de Sousa e Vitorino a dar-nos os seus sermões inteligentes mas, em muitos casos, carregados de parcialidade?
Porque se tem uma comunicação social a passar uma imagem de imparcialidade mas, em sentido contrário, a impingir ao povo de forma regular informações e opiniões com um travozinho a parcialidade?

Pegando no desporto, como se explica a proliferação de comentadores que ninguém sabe quem são ou que são ex-praticantes?

Nos casos referidos há uma questão que me parece pertinente: nem o saber teórico confere a uma pessoa talento para comentar de forma acertada e o mesmo se deve aplicar aos que possuem o saber vindo da prática.

Se um bom aluno não tem de dar necessariamente um bom professor e um professor não tem obrigatoriamente de ter sido um bom aluno, julgo que fica claro que o mesmo se aplica aos comentadores e "fazedores" de opinião.

Já me esquecia do terceiro tipo de opinadores: os dos leitores de jornais e blogues online.
É triste e deprimente ler uma notícia ou um artigo de opinião e depois cometer o erro de descer um pouco mais e tentar ler a imitação de português que muitos publicam achando que estão a fazer uma grande coisa.
A sede de se dizer o que pensa dá, na maior parte das ocasiões, em asneira.
A menos que se entre no website do Expresso e se vá deixar uma ou outra linha nos artigos do Henrique Raposo. "A tempo e a desmodo" talvez seja o pior exemplo do que é o tempo de antena concedido a quem ousa partilhar a sua opinião de forma paga e supostamente profissional.

Em jeito de conclusão, não me causa qualquer confusão observar a proliferação de comentadores na blogosfera, mas parece-me cada vez mais assustador notar a falta de qualidade de quem é pago para nos faz chegar periodicamente o seu ponto de vista com fraca qualidade, pouco poder de análise e visão parcial ou curta.


FOI PROFUNDO!

segunda-feira, abril 05, 2010

Prémios assim...só no Euromilhões?

António Mexia é um português cheio de sorte.
Não teve de jogar no Euromilhões para "ganhar" de uma vez 3,1 milhões de euros.

O senhor não ganha propriamente mal,tendo auferido, em 2009, 700 mil euros em salários fixos e 600 mil euros em remuneração variável (que varia segundo objectivos atingidos). Juntou a estes "trocos" um prémio plurianual de mandato de 1,8 milhões de euros (600 mil euros por cada um dos três anos. Em declarações à Lusa, Seguro reiterou esta posição e sublinhou ainda o facto da EDP ser a empresa mais endividada do mercado de capitais com 14,007 mil milhões de euros (mais 117 milhões do que em 2008).

O presidente da EDP recebeu em 2009 mais de 1,9 milhões de euros em remunerações fixas, variáveis e prémios plurianuais, ou seja 0,19 por cento dos 1,024 mil milhões de euros do lucro da eléctrica.

Considerando apenas as remunerações fixas e variáveis, António Mexia absorve 0,13 por cento dos lucros da EDP em 2009 (que foram de 1,024 mil milhões de euros) e 0,04 por cento do EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), que ascenderam a 3,363 mil milhões de euros.

Se formos para o país vizinho e considerarmos o maior concorrente ibérico da EDP, a espanhola Iberdrola, o presidente executivo, Ignacio Sánchez Galán, recebeu no ano passado 5,34 milhões de euros em salários, ou seja, 0,19 por cento dos lucros (2,81 mil milhões de euros) e 0,07 por cento do EBITDA (que foram de 6,81 mil milhões de euros).

Sánchez Galán ainda recebeu em 2009 uma fatia 3,05 milhões de euros de “gratificação por objectivos estratégicos plurianuais e situações excepcionais e pontuais”.

Voltando ao nosso jardim à beira mar plantado e continuando na área da energia, a Galp, as diferenças são grandes.

O presidente da GALP, Manuel Ferreira de Oliveira, recebeu no ano passado 1,337 milhões de euros de salário fixo e 236,84 mil euros de remuneração variável, o que dá um total de 1,573 milhões de euros. Estamos a falar de 0,74 por cento dos lucros da empresa em 2009 (213 milhões de euros) e 0,19 por cento do EBITDA (que foi de 819 milhões de euros).

Passando para a REN - Redes Energéticas Nacionais, o agora ex-presidente José Penedos arrecadou um total de 621 mil euros em 2009 (377 mil euros fixos e 244 mil variáveis), 0,46 por cento dos lucros (134 milhões de euros) e 0,15 por cento do EBITDA (409 milhões de euros).

Se formos ver os casos da Portugal Telecom e do banco BES, duas empresas do PSI-20 cujos CEO ganham mais de um milhão de euros por ano, Zeinal Bava auferiu na PT durante o ano passado 1,505 milhões de euros (711 mil euros fixos e 794 de remuneração variável), 0,22 por cento do lucro, e o presidente do BES, Ricardo Salgado, ficou 1,053 milhões de euros, ou 0,20 por cento dos resultados líquidos.

Parece que a crise fica para os que menos têm.
Os cortes salariais são um "bónus" exclusivo para quem não ganha fortunas.

Por alguma razão lhes chamam gestores de topo. Não é pela forma como conduzem as empresas a que presidem, é mesmo pela forma fabulosa como gerem as suas contas bancárias e tratam de assegurar o futuro deles e dos deles.


FOI PROFUNDO!

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Confusões e Opiniões

Ainda me lembro de, há uns tempos, ter escrito um pequeno texto sobre como pela primeira vez não tinha gostado da prestação de Mário Crespo, um jornalista cujo trabalho sempre admirei.

Crespo é uma figura incontornável, especialmente pelo seu estilo invulgar e pelos pozinhos de cultura que acrescenta nos seus noticiários e nos programas de informação que vem apresentando.

Infelizmente, esta última polémica foi o equivalente a um trambolhão nas escadas, caindo alguns degraus no caminho que foi subindo com o trabalho de qualidade que todos lhe reconhecemos.

Embora não concorde com quem critica os artigos de opinião de Mário Crespo no DN, tenho de reconhecer que tenho algumas dúvidas quanto à lógica dos mesmos.

Ou seja, sendo um artigo de opinião fica bem claro que quem o escreve está a passar uma mensagem pessoal e subjectiva. Até aqui parece-me que Mário Crespo não está a cometer nenhum "crime jornalístico", por assim dizer. No entanto, a mesma lógica que impede um jornalista de fazer publicidade, deve servir de ponto guia para os jornalistas que pretendem dar a sua opinião. Se bem que muitos jornalistas têm blogues e esses blogues são (e devem ser) pessoais e traduzir visões pessoais e não necessariamente imparciais.

Portanto, o facto de MC escrever artigos de opinião não é escandaloso ou incorrecto, mas poderia ser evitado, afinal a imagem do jornalista é uma imagem de rigor, imparcialidade e objectividade. Até porque, no seu trabalho, o jornalista DEVE relatar factos. PONTO. Opiniões? Para isso é que servem os comentadores e os especialistas que vão comentar e os que não são especialistas mas também vão comentar... Depois há os jornalistas especializados que vão opinar acerca de determinado assunto porque a sua carreira lhes permite serem (mais uma vez) especialistas em determinada área. Nos artigos de opinião de Mário Crespo ele dá a sua opinião enquanto...indivíduo. Não é especialista em nada a não ser naquilo em que todos somos especialistas: em sofrer na pele um conjunto de situações que afectam os portugueses. Nisso eu também sou especialista. Mas não tenho voz. E também não tenho responsabilidade. E Mário Crespo tem ambas. Eu sei que parece quase uma frase do 'Homem Aranha' mas quanto maior é o poder que nos conferem, maior deve ser a nossa responsabilidade. E Mário Crespo acabou por cometer o pecado de aproveitar o tempo de antena concedido para libertar tudo o que lhe vai na alma.

E não cai nada bem esta conversa do diz que disse, do ouvi dizer que fulano disse que. Caramba! Eu insulto árbitros e as suas respectivas mães e tal como eu também milhares ou milhões de portugueses o fazem. E era capaz de apostar que o mesmo se passa por todo o mundo. Se os senhores árbitros se manifestassem como o MC contra algum dirigente, treinador ou jogador que tenha comentado à mesa de um restaurante "aquele ladrão gamou-nos um penálti. É sempre assim, quando apita os nossos jogos somos sempre roubados. É um incompetente!", havia de ser bonito.

Era mais simples se Sócrates tivesse feito as críticas para uma câmara ou microfone, tal como fez acerca de Manuela Moura Guedes, embora acho que se alguém o processasse deviam ser os travestis. Afinal, os travestis vestem-se como mulheres mas ao reconhecerem que são travestis reconhecem que são originalmente homens. E todos sabemos que MMG ainda hoje se faz passar por jornalista e isenta e defensora da verdade quando claramente não o é. E o seu noticiário à sexta-feira estava feito à sua imagem.

Aliás, todas estas questões com José Sócrates mostram uma mentalidade altamente ultrapassada dos críticos. Quer dizer que José Sócrates, por ser Primeiro-Ministro, deve ignorar e ser superior a todas as críticas que lhe são feitas? Portanto, a comunicação social pode publicar tudo o que lhe apetecer sobre JS e ele, enquanto PM, deve ser superior e ignorar? Um dos requisitos para ser PM é ter sangue de barata? É que se esta é a lógica, parece-me que o PM é o alvo ideal para todo e qualquer um libertar a sua fúria, já que na sua imensa grandeza deve ignorar todas as críticas, certas ou erradas.

Não entendo qual é o choque do PM processar um jornal ou jornalista por lançar uma falsidade para a praça pública.
Já é tempo de se parar com a mania de venderem notícias que espelham o espírito puramente comercial, quase feirante e mercenário das redacções que temos, sem verificarem os factos, sem procurarem as várias versões dos factos e, especialmente, recorrendo a fontes claramente duvidosas cujas intenções são claras, fontes essas que continuam a ser ouvidas mesmo depois de se confirmar uma e outra e outra vez a falsidade dos pseudo-factos por elas fornecidos e reproduzidos nas TVs, Jornais e rádios e internet. Esta impunidade não choca ninguém?

O que também me parece errado é que Mário Crespo perca o seu estilo, a sua compostura, o seu rigor, a sua classe e qualidade, quando o entrevistado ou o assunto abordado resvala para tópicos da governação e MC não consegue abster-se de comentar ou faz um ataque cerrado e pouco lógico, nada condizente com aquilo a que nos habituou. Quase que diria que Mário Crespo por vezes sofre de "ataques moura-guedianos".

E isso não é bom.

Ao contrário de Mário Crespo, que é, sem sombra de dúvida, bom e competente.

Estas situações são condenáveis em qualquer jornalista mas são mais surpreendentes quando surgem de alguém como Mário Crespo, que nos habituou a ser melhor que isso.

FOI PROFUNDO!

terça-feira, dezembro 01, 2009

MST: versão Velho do Restelo

O meu profundo amor e admiração por Miguel Sousa Tavares conhece um novo capítulo.
Não só continua a partilhar a sua visão parcial, redutora e generalizante, como gosta de ser mais papista que o Papa, juntando a isso o velho hábito de cuspir no prato onde come.

MST é aquele senhor que não tem nada de se queixar mas queixa-se na mesma.
É um menino da mamã, copinho de leite, que tem emprego garantido porque é mau e rancoroso e tem a mamã famosa, a quem dão tempo de antena porque é tendencioso e diz umas larachas polémicas (e todos sabemos que o polémico vende.

Volto hoje a fazer algo que não faço há muito tempo. Vou pegar num textinho que me chegou por email e vou comentando.

Miguel Sousa Tavares - Sublime! (Leitura obrigatória)
(Começamos logo pelo rótulo “Sublime” e a recomendação “leitura obrigatória” que me dão a saber que há quem aprecie e que talvez eu seja realmente um ET por não gostar ou concordar com as visões e opiniões de MST).
Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira (Olha! A amiga estrangeira não tem nome? Vá, diz lá. Chama-se Maité. Aquela que indignou tanta gente porque disse umas coisas terríveis sobre Portugal e a sua História e porque “cuspiu” num monumento nacional. Todos sabemos que isso de não saber História de Portugal e cuspir em todo o lado é exclusivo de quem cá nasceu!); quarta-feira de manhã, refaço o mesmo percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:
- É sempre assim, esta auto-estrada?
- Assim, como?
- Deserta, magnífica, sem trânsito?
- É, é sempre assim.
(Ficamos a saber que o MST costuma fazer muitas vezes o percurso referido. Provavelmente tem de ganhar a vida a conduzir camiões de mercadorias espanhóis)
- Todos os dias?
- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.
(e assim sabemos que o MST conduz o seu camião até ao domingo. Alguém tem de meter comida na mesa lá em casa!)
- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?
- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.
(É uma boa explicação. Mais ou menos semelhante àquela que darão ao facto do MST ser um comentador de actualidade e de desporto em órgãos de comunicação nacionais. Porque afinal há dinheiro para esbanjar. Contratar quem procura emprego é complicado porque não há dinheiro, mas pagar a certas pessoas para irem dar o bitaite já tem orçamento disponível)
- E têm mais auto-estradas destas?
- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me.
(O MST dedica-se à observação na área dos transportes, deslocando-se ao Brasil para aferir o número de quilómetros de auto-estradas existentes num país de referência no que diz respeito a vias terrestres. Ó MST, a viagem de autocarro entre Salvador e o Vila Velha(ES) oferece umas fantásticas horas de passeio em caminhos de cabras. Possivelmente algo a reter e a recomendar.)
- E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?
- Porque assim não pagam portagem.
- E porque são quase todos espanhóis?
- Vêm trazer-nos comida.
(Claro. Todos os camiões espanhóis trazem comida. Aliás, pelo MST ficamos a saber que os camionistas espanhóis se dedicam exclusivamente à exportação de alimentos. Pelo menos para Portugal. Também há uns que transportam outros produtos mas seguem para a fronteira com França.)
- Mas vocês não têm agricultura?
- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.
(Claro. Diria mesmo que conheço alguns mineiros na aldeia dos meus avós. Sim, porque em Portugal não há agricultura. Mas há extracção de minérios raros como a cenoura e o nabo ou a cebola. Também há alguns apicultores lá na aldeia, só que não tendo abelhas tratam dos olivais, dos pomares, dos pinhais, das vinhas…)
- Mas para os espanhóis é?
- Pelos vistos... Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:
- Mas porque não investem antes no comboio?
- Investimos, mas não resultou.
- Não resultou, como?
- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.
- Mas porquê?
- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.
(Pano para mangas! Ora, obviamente que o MST tinha de embirrar com o restaurante e com o facto de não se poder fumar. Foi ele que, há uns tempinhos, disse que incomodava mais uma criança a fazer barulho num restaurante do que o fumo do tabaco. Ah! E que os pais dele só o levaram a um restaurante quando ele tinha 13 anos. Se o MST é apologista de Quioto e do comboio, porque foi ele passear de carro? Não me digam que o senhor MST quando vai fazer turismo tem medo de não apanhar internet no comboio! Por acaso fiquei curioso com este conhecimento todo do MST à volta dos comboios portugueses. Ele sabe de camiões, de estradas, de comboios…onde vai ele buscar tempo para comentar futebol e actualidade ou para escrever magníficos romances?)
- E gastaram nisso uma fortuna?
- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...
- Estás a brincar comigo!
- Não, estou a falar a sério!
- E o que fizeram a esses incompetentes?
- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.
- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?
- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.
Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.
- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?
- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.
(Claro que o MST faz sempre análise inteligentes. Custava-lhe muito dizer que ainda se andava a debater o trajecto do TGV porque havia uma série de exigências parvas. Como o MST é pouco dado a sensacionalismos e a empolar factos, resolveu pegar numa série de propostas sem sentido, juntou-as e apresentou-as como se fossem não apenas uma proposta como a proposta final e aquilo que se vai fazer.)
- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?
- Isso mesmo.
- E como entra em Lisboa?
- Por uma nova ponte que vão fazer.
- Uma ponte ferroviária?
- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.
(O MST andou em boas escolas e percebe imenso sobre tudo mas nunca lhe explicaram que uma subida, quando é feita no sentido oposto é uma descida, da mesma forma que a mesma ponte por onde se entra também pode ser usada para sair. O MST passa muito tempo em engarrafamentos no seu camião de mercadorias espanhol e a andar de coimboio, nunca reparou como é caótico o transito para entrar ou sair de Lisboa pela 25 de Abril ou pela Vasco da Gama. )
- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros! (isto diz a “amiga estrangeira” do MST que não mora em Lisboa mas conseguiu fazer uma análise apurada do trânsito da capital. Quando se anda com um génio dá para estas coisas. Ficou contaminada pela capacidade imensa de observação, análise e interpretação do MST.)
- Pois é.
- E, então?
- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.
Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.
- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta... - Não, não vai ter.
(Nem passageiros nem motorista! E talvez também não tenha carruagens! Talvez seja como a A6, um fantasmas! Um comboio fantasmaaaaaaaa MWAHHHAHHHAHH! Olha MST, uma boa ideia para um livro! Com sorte ainda dá uma telenovela da TVI e depois pode ir fazer o papel de familiar de uma das personagens… Agora um pouco mais a sério, aquilo que tem dominado as conversas sobre a importância do TGV nem têm sido os passageiros mas as mercadorias. Provavelmente o MST está com medo de perder o emprego de camionista.)
- Não vai? Então, vai ser uma ruína!
- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.
(Claro. Porque o MST deve andar a ouvir e a ler algo diferente do que eu e talvez mais uns malucos lemos. TGV importante para transporte de pessoas e bens de e para Portugal. Que ele discutisse se entram mais ou saem mais, ainda admitia, mas o MST prefere ficar pelos exemplos tristes para dar uma imagem do país que consegue ser pior do que a real. É o caos, o drama, o horror! MST em versão Artur Albarran.)
- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?
- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!
- E vocês não despedem o Governo?
(Sim, claro. É que no país da “amiga estrangeira” despedem os governos. Segundo me lembro há o caso de Fernando Collor de Mello, mas esse chegou a Presidente e resolveu que ele e a família tinham de enriquecer às custas do cargo e meteu-se num sem número de vigarices que acabou com o conhecido Impeachment. Aqui em Portugal não há nada a esse nível, embora ninguém viva na ilusão de que os nossos políticos, gestores e empresários são uns santinhos. O nosso pior lobo é um cordeirinho no país da “amiga estrangeira” do MST.)
- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...
- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?
- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.
- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?
- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.
- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?
- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade. Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo.
Até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:
- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?
- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa. - Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?
- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.
- Não me pareceu nada...
- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.
- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?
Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.
(Ena pá! As coisas que eu aprendo com o MST! Temos vários aeroportos? Aposto que devem estar nos terrenos onde agora não há agricultura! Eu só conheço 3 aeroportos em Portugal continental, o de Lisboa, o do Porto e o de Faro, mas pode estar a escapar-me algum que tenham feito em cima de alguma árvore e eu por vezes tenho dificuldades em ver para sítios mais altos que eu. Eu e os Aeroportos de Portugal, que também ainda não foram informados pelo MST da existência desses vários aeroportos.E também acho que faz sentido o que diz o MST. Ir de Coimbra a Faro para apanhar uma low cost é um mimo de ideia! Ou ir de Vila Real a Faro, isso sim, seria genial! Ou de Beja ao Porto! Ou, então estava a pensar em Ponta Delgada, Santa Maria, Horta ou Flores, podendo ainda escolher Funchal, Porto Santo, Faial ou Pico. Isso então era uma ideia iluminada! Aliás, os estrangeiros que vêm a Portugal, seja de férias ou de negócios iam adorar ir parar ao meio do oceano e depois podia escolher vir de avião (porque as viagens entre o continente e as regiões insulares são uma pechincha!) ou de barquinho.)
- E tu acreditas nisso?
- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?
- Um lago enorme! Extraordinário!
- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.
- Ena! Deve produzir energia para meio país!
- Praticamente zero.
- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!
- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.
(Este homem é um compêndio! Desde quando é que alguém bebe água de um rio ou de uma barragem??? Será que o discurso do MST se deve a andar a beber água de rios e riachos e outros cursos de água onde só quadrúpedes e aves costumam matar a sede? Será que ele tem conhecimento dos tratamentos a que a água que lhe sai da torneira é sujeita antes de chegar a casa do MST? É verdade que a água foi dada como tóxica, contendo pesticidas e insecticidas, mas será que ele sabe que esses produtos químicos são aplicados em diversos vegetais que nós ingerimos? E será que ele sabe que quando chegam à nossa cozinha estão em condições de serem consumidos?)
- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?
- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.
(Esta explicação é magnífica! Eu até acho que devia ser colocada em postais e ser vendida aos turistas! Portugal: o país onde não há agricultura, onde a agricultura não tem futuro, onde já não tinha e onde não pode haver agricultura por causa da água, seja por falta ou por excesso desta.)
- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?
- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.
(Mais uma explicação parva do MST. Presumo que o MST seja contra o turismo e contra o investimento em unidades que atraiam o turismo estrangeiro. Provavelmente o MST acredita que não temos mesmo agricultura e que seria a agricultura o grande gerador de riqueza! O facto de termos um país com um bom clima não é suficiente para atrair o turismo e o capital estrangeiro. É preciso haver condições. Não é porque não aprecio golfe que acho que não deve haver um investimento em empreendimentos do género. Há quem goste e normalmente são pessoas ricas que deixam aqui neste jardim à beira mar plantado uns “trocos” que ajudam a economia nacional. Às tantas o MST acha que, tal como temos vários aeroportos, também devemos ter milhares de campos de golfe pelo país…)
Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:
- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?
- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.
(Portanto, fomos doidos quando conseguimos a independência, quando andámos à traulitada com um exército mais poderoso para mantermos o território e a autonomia, fomos doidos quando um doido de um rei mandou plantar um pinhal imenso que depois serviu para fazer umas embarcações e meter lá uns doidos que, por acaso, “trouxeram novos mundos ao mundo”; assim como fomos doidos quando explorámos as riquezas dos países onde fomos parar e depois as esbanjámos para mostrar ao mundo a nossa grandeza; assim como depois fomos doidos ao nos metermos numa união de países europeus que nos obriga a não produzir leite, a não ir para a pesca e a estragar colheitas agrícolas mas nos dá dinheiro para os projectos mais megalómanos e inúteis… MST, já fomos pequeninos e raçudos e nisso fomos grandes e por isso surgiu Portugal; depois voltámos a ser grandes, mesmo enormes quando nos metemos nos Descobrimentos, fomos grandes e ficámos ricos. Mas como sempre isso não chegava, foi preciso mostrar ao mundo. Então resolvemos estoirar tudo. Hoje em dia, o país que em tempos foi uma grande potência mundial, aproveita os dinheiros da Europa para fazer a maior ponte, a maior barragem… Temos o péssimo hábito de acharmos que neste cantinho de terra é preciso fazer coisas enormes para mostrarmos o que valemos. Se somos doidos ou ricos? Somos e seremos um povo condicionado pela sua vaidade e pela ânsia de dar nas vistas.)
Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:
- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!
(que observação inteligente! Por norma as pessoas quando vão conhecer outros países costumam achar muito agradável passear nas auto-estradas. Deve ser por isso que o Brasil não tem turistas… quase não tem auto-estradas.)

Devo dizer que, por um lado, acredito que esta conversa tenha existido, por outro, cheira-me a MST armado em Leonor Pinhão, aproveitando uma eventual conversa para depois lhe meter mais uns pozinhos e destilar o veneno do costume e dissertar à volta de um diálogo que só existiu na sua mente.

O MST tem a sorte de viver num país onde têm a sua opinião em conta, onde compram os seus livros, onde discutem os seus pontos de vista, onde é alguém considerado. Em vez de aproveitar o facto de ser ouvido e lido para dizer e escrever algo que se aproveite, algo de construtivo, resolve a cada palavra fazer mais sangue.

O país não está bom mas não está tão mal como o MST o pintou, não é calamidade que o MST descreveu.
O MST e a comunicação social preferem fintar as suas responsabilidades e agarrar-se com unhas e dentes ao verdadeiro motivo do mau serviço que andam a prestar: dinheiro.
Os jornais têm de vender, as televisões têm de ser rentáveis e, por isso, contratam MST e afins para mandarem o seu bitaite. Mesmo sabendo que muito dos se diz e escreve não vale nada, continuam a dar-lhes tempo de antena pois sabem que a polémica vende mais.

Da mesma forma que umas alarvidades ditas pelo MST são motivo de conversa durante dias ou semanas, também os escândalos lançados irresponsavelmente pela comunicação social portuguesa só contribuem para o clima de suspeição e desconfiança que se vive.
Para quando se tomarão medidas CONCRETAS? Para quando serão sancionados os agentes da justiça que são responsáveis pelas fugas ao segredo de justiça? Para quando serão criadas regras que impeçam os jornalistas de continuar a servirem de megafone de boatos a eles transmitidos por irresponsáveis? Para quando a criação de uma real consciência nas redacções que impeça o jornalismo mercenário que temos visto ultimamente que passa por cima de tudo e de todos sem olhar às mais fundamentais regras como a apuração da veracidade dos factos? Porque é que os jornalistas continuam a confiar em fontes “envenenadas”? Porque é que temos jornais, rádios e televisões com notícias de destaque perfeitamente contraditórias num curto espaço de tempo como fosse normal? Como é que a comunicação social portuguesa se desdiz quase de um dia para o outro e todos assobiam para o lado?

FOI PROFUNDO(?)

Política para quê? Políticos para quê?

Apetece-me começar este texto como o Marco do Big Brother:
Epá, se há gajos que me chateiam, pá, são os políticos.
Falam, falam, falam e não os vejo a fazer nada.

Estava a ver um post no facebook de um amigo "laranja" quando me apeteceu responder-lhe.
Mas a resposta não é para ele. A resposta é para quem manda, não é para os jotas que gostam de andar pelo país com a sua tshirt colorida com bandeirinhas e de carrinho a apitar e agitar o pano onde está a imagem do partido.
A culpa não é deles. Eles até se filiam e depois acabam por ter de andar a defender as ideias do partido como se deles fossem, mesmo quando nem concordam.

O que me causa uma certa confusão é ver o tipo de críticas que por aí aparecem, ano após ano, governo após governo:
Andamos há anos com sucessivos governos de PSD e PS que mais não fazem que acautelar o próprio futuro e o dos seus compadres. quando pinga dinheiro da comunidade e anda tudo bem, até parecem competentes, quando estala a crise e fecham a torneira, são todos uns incapazes, uns corruptos e sei lá o quê mais.
No dia em que a política passar a ter como propósito servir o país eu bato palmas.
Até lá continuamos a ver este ping pong do:
"o seu governo é uma lastima"
"mas o seu fez pior"
"mas estes números são os piores de sempre"
"mas recordo-lhe quando no ano tal vocês fizeram não sei quê".
"mas os senhores é que aprovaram uma lei não sei das quantas"
"mas essa lei vem do tempo do governo do seu partido".

Ou, mais ridículo ainda, quando se acusam de ir copiar propostas uns dos outros mas depois dizem que não concordam em nada; ou quando rejeitam as ideias adversárias mas acabam por dizer o mesmo, usando outras palavras.

É tudo farinha do mesmo saco.
Há indivíduos que estão mesmo convencidos que a política consiste na arte da retórica e da oratória, que estão convictos que justificam a sua função e salário ao mandar umas larachas e brincar com o sentido das palavras ou com as palavras dos outros; que julgam que o facto de andarem a criticar as visões dos outros já é um bom serviço, que não têm de trabalhar para encontrar soluções, alternativas.
Se tivessem vergonha na cara estavam todos calados e trabalhavam.


FOI PROFUNDO!

quinta-feira, outubro 22, 2009

Graças a Deus!

Não sou fã de Saramago. Não sou mesmo. Acho que o homem tem ataques estranhos de “xexézice” e também acho que o facto de ele ser um escritor reconhecido não faz dele uma pessoa inteligente. É um motivo de orgulho para o povo português como escritor que ganhou um Nobel mas podemos parar por aí. Tudo o resto depende dos gostos de cada um.
Acho que ele deve ser criticado por ter abandonado Portugal e ter ido morar para Espanha. Acho sim. Acho que o argumento que usou dizendo que paga os impostos a horas é infeliz. Parece que o sentimento de amor à pátria pode ser comprado. Aliás, nem é comprado, parece que é uma grande coisa um tipo cumprir com as suas obrigações!
Infeliz mesmo foi o artista do PSD, o eurodeputado Mário David, que convidou Saramago a renunciar à cidadania portuguesa. Provavelmente o senhor David (como o da Estrela dos judeus) ainda não reparou que o Estado português é laico, ou seja, a religião está de um lado, o Estado está do outro. A nação portuguesa aceita todas as religiões, respeita-as e não segue nenhuma. Cada um tem liberdade para seguir a sua religião ou para não seguir nenhuma.
Provavelmente o senhor Mário David julga que somos um país daqueles que segue o Corão e é dirigido por líderes espirituais. A atitude do eurodeputado é de uma falta de consciência a toda a prova! Não só pelo retrocesso temporal à época do “Deus, Pátria, Família”, mas também pela idiotice de convidar um português que ganhou um Nobel e tem tido uma voz activa, a renunciar à sua nacionalidade lusa.
Aqui gostamos mesmo é de dizer que o Figo e o Ronaldo são um orgulho para o país. Agora um gajo que escreve e pensa? Credo? Quantos toques seguidos consegue dar com uma bola?
Pegando na questão religiosa, eu sou baptizado, ateu e pondero a hipótese de me casar pela igreja….um dia. Logo, sou um incoerente. É verdade, eu admito-o. Mas eu não tenho a certeza de nada. Eu duvido. Pronto. Sobretudo duvido da instituição Igreja e da forma como actua e censuro a sua longa história.
Com que então não concordam com a parte em que Saramago diz que “O Deus da Bíblia não é de fiar: é vingativo e má pessoa”?
Pessoalmente acho o Deus da Bíblia um gajo porreiro.
Vejam se vos faz lembrar alguma coisa:
1) Vou fazer um filho a uma virgem que é casada (mas como sou eu não é pecado) e depois mando-o espalhar a minha palavra. Quando ele tiver boa idade mando-o levar umas chibatadas, deixo que o preguem a uma cruz e lhe metam uma bonita coroa de espinhos. Mas isso é porque as pessoas são más e ele vai pagar pelos pecados deles. Ah! Depois ele morre (mas é por uma boa causa) só que 3 dias depois faço-o voltar dos mortos para espetar um cagaço à mãe e depois deixo-o desaparecer de novo.
2) Pessoal, eu sou o Moisés e vou levar-vos a um sitio brutal. Em principio vamos conseguir passar no meio do mar mas isso é se vocês se portarem bem e não adorarem nada a não ser Deus. Nada de adorarem figurinhas em madeira ou metais preciosos ok? Eu vou ter de ir fazer uma mijinha ao monte e vou ver se falo com Deus. [Moisés vai ao monte, volta com duas placas com 10 mandamentos e o resto da malta está numa orgia incrível] Epá! Ó pessoal, eu disse-vos para não fazerem essas cenas! O que vale é que Deus não é vingativo nem má pessoa e agora vai castigar-vos mas é só para o vosso próprio bem.
3) Olá, eu sou Deus e fiz-vos a todos à minha imagem. Embora alguns de vocês tenham sido feitos depois (ou durante) uma noite de bebedeira e o resultado tenha ficado visivelmente afectado… Eu fiz aqui uma listinha de coisas que vocês devem e não devem fazer e se vocês as cumprirem vêm para um sítio altamente a que eu decidi chamar céu ou paraíso. Se vocês se portarem mal, vão para o Inferno. Eu criei a Terra e tudo o que nela existe e também criei o Inferno e meti lá o Mefisto, o Belzebu, o Diabo, o Cornudo. É que eu sou tão poderoso que em vez de criar tudo bem criadinho resolvi deixar margem de manobra para alguns de vocês fazerem asneira e também resolvi criar o destino para quem se porta mal. É claro que o Inferno e o Diabo representam o Mal e eu só criei o Bem e criei o Homem e o Homem é que decide o seu caminho mas o Inferno existe e pelos vistos fui eu que o criei. Tenho de deixar de beber. Beijos. Deus.
4) Furacões, Tufões, maremotos, vulcões, homicídios, genocídios, pragas, epidemias, SIDA, fome, guerra… Isso foi o Homem que criou. Incluindo as catástrofes naturais. O Homem criou-as no sentido em que faz asneiras e eu tenho de arranjar um castigo. É claro que é pedagógico, não estou a ser mau ou vingativo.
5) As Cruzadas e a Santa Inquisição foram responsabilidade humana. Deus estava a dormir e o Homem resolveu começar isso nas costas dele. Foram erros de interpretação e Deus só sabe criar coisas ou criar castigos divinos, não sabe acabar com “cenas” religiosas.
6) O facto das igrejas (edifícios) serem locais onde se espalha a palavra do Senhor e o Senhor defender a riqueza de espírito, não impede que grande parte das igrejas ostentem uma riqueza imensa, entre ouro e pinturas e esculturas… E é preciso dar esmolinhas. Mas é para ajudar a Igreja…a ajudar quem precisa. É claro que os templos, mesmo os mais recentes, são feitos à imagem da palavra do Senhor.
A generalidade das histórias da Bíblia usam uma pedagogia que assenta em descrições de recompensas por bom comportamento e castigo por mau comportamento. E as fábulas contadas dão razão a Saramago. Todas elas têm contornos de malvadez, de vingança, tal como têm de recompensa. A forma como se tentam passar os valores positivos não é lá muito positiva.
O Objectivo da Bíblia é bom, é louvável. A forma como conta as histórias para se retirarem lições de vida é que leva Saramago a dizer, e acertadamente, que Deus é mau e vingativo.
E porque não?
Não é a Bíblia que diz que fomos feitos à imagem de Deus? E não temos todos um lado mau e vingativo? O que Saramago se esqueceu de dizer foi que a Bíblia tenta que não sejamos maus ou vingativos e tenta ensinar-nos a ser bons para o próximo.
E disto fala alguém que mal conhece os dois testamentos, novo e o antigo.
No entanto, conheço a história da religião e da Igreja Católica e não sou fã. Assim como não sou fã de Saramago. Gostei do Ensaio Sobre a Cegueira e de resto acho que o senhor gosta de se fazer difícil de ler.
Ainda assim, e pagando no que dizia anteriormente, o que Saramago escreve é a visão dele, é ficção! Aquilo que ele diz é a opinião dele, como tal está carregada de subjectividade. Um indivíduo pode veicular a percepção que tem das coisas sem ter necessariamente de estar certo. Aliás, qualquer religião é facilmente criticável. Pela história e pela actualidade. Vamos pegar em todas as falhas das várias religiões e podemos passar gerações a editar livros.
Porque se critica Saramago quando ele vê apenas o lado mau de Deus e não se critica a Igreja que apenas o apresenta como uma perfeição de divindade? Porque é que o que o Homem faz mal é culpa sua e tem de penitenciar e o que faz de bom tem de agradecer a Deus?
Não vos parece estranho?
Porque é que um jogador de futebol marca um golo e agradece a Deus e quando falha não lhe exige responsabilidades também? Porque é quando alguém faz um teste ou um exame e corre bem há quem responda “correu sim, graças a Deus” e quando corre mal é “azar”? Porque é que quando fazemos uma viagem longa e tudo corre bem a nossa avó diz “ai que bom, graças a Deus que tudo correu bem” e quando alguém tem um acidente é por causa do óleo da estrada ou por causa do “boi” que nos bateu e que não sabe conduzir? Porque é que quando há uma catástrofe, morrem centenas ou milhares de pessoas e aparece uma criancinha viva lá no meio foi “graças a Deus”…e os outros todos que foram desta para melhor? E porque é que quando se morre se vai para melhor?
E há um sindicato de Deuses? Um que atira com os Dez Mandamentos e outro que manda apedrejar o pessoal e cortar membros? Um que diz que só se pode copular para reprodução e outro que diz que as mulheres têm de andar todas tapadas. E porque é que há religiões em que se acredita em reencarnação mas nunca ninguém disse “olha, eu sou o teu vizinho e reencarnei nesta loira boazona. Seria possível devolveres o meu corta-relva?”? E quando alguém diz que é a reencarnação de não sei quem (normalmente é sempre de alguém com poder) leva logo com o descrédito da população? Porque é que existe aquela frase “vinde a mim as criancinhas pois é delas o Reino de Deus” e há padres que aproveitam a dica para lhes ensinarem o que é a pedofilia? Porque é que há religiões que acreditam que um elefante escreveu um livro? Porque é que em certa religião as vacas são sagradas mas as mulheres não têm direito a nada?
Não acho que valha a pena estar a malhar só no Saramago ou só na Igreja e na Religião quando são ambos tão bons para criticar. Ambos têm as suas virtudes e defeitos reconhecidos, mas todos sabemos que neste mundo só sabemos apontar o que está mal. Não sei se é pela malvadez de apontar o dedo ao outro ou se é com a generosidade de quem tenta mostrar o que está mal para dar a oportunidade de mudar. Na realidade, ninguém leva uma palmadinha nas costas porque não comete um crime. É de esperar que não se cometam crimes. Ninguém leva os parabéns porque trata bem a família. Não é suposto tratar mal a família. Obviamente que o oposto é sempre de assinalar. Acho que é meio óbvio.
Eu cá vou continuando com as minhas dúvidas e incertezas, vivendo neste mundo em que é mais provável encontrar uma pessoa que acredite em anjos e em Deus do que uma que ache que um teste cientifico é fiável.
Quanto a Saramago, acho que depois de tanta publicidade ele bem pode agradecer a Deus pelos resultados que vai obter com as vendas do livro “Caim”.
Ah! Obviamente que isto é a minha opinião, não é uma notícia ou um artigo cientifico, não há aqui rigor académico, não existe menção de bibliografia consultada, não me apresento como um especialista em coisa nenhuma.


FOI PROFUNDO!

Proença-a-Maitê

É complicado começar uma dissertação quando há tanto que dizer sobre um assunto tão tolo como o que foi espoletado pelo aparecimento do vídeo de Maitê Proença.
1) Grande lata tuga! Com tudo o que se diz sobre os brasileiros (e especialmente sobre as brasileiras) é preciso ter uma enorme “cara de pau” para vir com as criticas que se ouviram e leram! E não sei o que é mais criticável. Aqueles que falam sempre mal dos brasileiros e mal podem vão passar férias a terras de Vera Cruz ou aqueles que falam sem qualquer conhecimento de causa do que é o Brasil como nação.
2) A mesquinhez de quem diz que Maitê cuspiu num monumento nacional. Não, o que ela fez foi estúpido, é verdade, mas ela estava a tentar imitar o repuxo. Foi infantil, isso sim.Dificilmente iria conseguir fazer o repuxo com saliva. Cuspir ou escarrar para o chão é um bom hábito tuga. Onde vai cospe para o chão, escarra e se puder também faz uma mijinha no canto mais próximo. E não está preocupado se é monumento nacional ou não! Santa hipocrisia!
3) Tendo morado no Brasil reparei que o normal é contarem as mesmas piadas de portugueses que nós contamos sobre alentejanos ou loiras. Uma parte da população conta piadas porque lhas contaram e acham que os portugueses têm todos bigode e se chamam Joaquim ou Manuel e não tomam banho. Por norma são analfabetos. Há uma outra parte que tem conhecimento de vários factos sobre Portugal e conta as anedotas com o mesmo espírito com que os portugueses contam as anedotas de alentejanos. Outra parte conta anedotas sobre portugueses de uma forma maldosa, encarando os portugueses como invasores, povo colonizador e agressores, contam-nas com ressentimento e maldade. Mais ou menos como se contavam aqui pelo burgo as típicas anedotas que começavam por “era uma vez um português, um francês e um inglês”. Este tipo de piadas é baseado num estereotipo (em boa regra um estereotipo está errado no sentido em que generaliza sem ter em atenção determinadas particularidades e raramente se actualiza) e tal como o alentejano é preguiçoso e a loira é burra, o português é burro e preguiçoso e não toma banho e tem bigode e diz “pá” em todas as frases. Já o brasileiro é ladrão, é mentiroso, é fingido e trapaceiro. Ou então dedica-se à prostituição. Aliás, todas as brasileiras se dedicam à prostituição. Há umas que são telefonistas. Mas são putas nos tempos livres. Outras são publicitárias. Mas putas nos tempos livres. E umas são massagistas. Mas é só uma fachada porque em boa verdade são putas. E mesmo as executivas são putas. Putas finas. Já para não falar que todo o brasileiro é um filho da puta. Especialmente se for jogador de futebol e falhar um golo ou marcar à nossa equipa. A sério, acham mesmo que o que a Maité disse foi assim tão mau? Pensem bem.
4) Relativamente ao desconhecimento de Maité sobre factos da História de Portugal, acho normal. Também acho que quando não se sabe mais vale estar calado. Mas devo referir que acho incrível o nível de conhecimentos sobre Portugal que têm muitos estudantes universitários brasileiros. Obviamente que o que a senhora disse foram calinadas de meia-noite, mas será motivo para tanta indignação? Aposto que muito do povão que lançou as mais ferozes farpas à actriz não deve saber muito mais que qualquer brasileiro com pouca cultura sobre a história nacional.
5) Acho ridículo o ódio que se coloca em determinadas interpretações luso-brasileiras. Os portugueses adoram passar férias no Brasil, montar negócios no Brasil e também veneram jogadores brasileiros e muitos portugueses recorrem a “profissionais” brasileiras…da mesma forma que recorremos à criatividade dos publicitários brasileiros, que metemos um brasileiro à frente da TAP, que se devoram novelas brasileiras ou que se ouve música brasileira aos pontapés. Os brasileiros gostam de vir trabalhar e estudar em Portugal e gostam de receber os euros portugueses, vivem a experiência religiosa que os portugueses levaram para o lado de lá do oceano de uma forma fervorosa… e falar nas raízes portuguesas ou de dizer que gostam muito de fado e que o Cristiano Ronaldo é lindo!
6) Não entendo porque surgem os movimentos para boicotar as novelas e projectos em que entre a Maitê Proença. Há 8 anos ou mais que não vejo novelas. Aliás, não há nada mais irritante do que eu a perguntar aos meus pais “mas esse afinal é casado com quem?” enquanto eles seguem avidamente mais uma historieta made in Brasil. Eu optei por não ver mais novelas brasileiras ou portuguesas e estou satisfeito com a minha opção. Se não querem ver novelas com a Maité têm bom remédio. Vão ver as belas novelas tugas com banda sonora do Toy ou do Paulo Gonzo, com actrizes e actores fraquinhos à mistura com o Ruy de Carvalho…
7) Por fim, relembro um programa do Gato Fedorento em que a Maité esteve simplesmente soberba e toda a gente riu. É claro que isso era no Gato Fedorento. Porque, como dizia há uns tempos um comediante americano, o Eddie Murphy pode gozar com os pretos. Ele é preto! Já um branco a gozar com pretos é racismo. Mesmo que digam o mesmo. O problema aqui é quem disse, não é o que foi dito.
8) Não batam mais na Maitê. A senhora anda ou andou metida com o Miguel Sousa Tavares. Acho que deve ser difícil arranjar castigo mais cruel.

FOI PROFUNDO!

segunda-feira, setembro 07, 2009

Para ajudar a decidir

Não há nada como nos informarmos sobre o que os senhores políticos querem para o país e para nós.
Muitas vezes (ou seja, sempre!) nós vemos na televisão, ouvimos na rádio ou lemos nos jornais e nas revistas ou na internet, um monte de coisas que os senhores que representam os partidos nos quais querem que coloquemos as cruzes, mas acabam por se perder com questões paralelas, ataques aos adversários ou defesas dos ataques, com abordagens vagas daquilo que pretendem para o país...mas todos falam nos programas de governo.
Assim, não me parece má ideia passar os olhos por esses mesmos programas.

Bloco de Esquerda

Depois logo se vê o que os portugueses acham.
Eu cá já fiz o download para o meu computador e vou ler quando tiver tempo.


FOI PROFUNDO!

sexta-feira, setembro 04, 2009

O meu voto em branco

Os últimos dias têm sido pródigos em episódios que me enojam.

- Temos debates políticos que se assemelham ao campeonato nacional de futebol.
Os clubes grandes estão mais interessados em ver qual dos dois ganha a disputa directa enquanto os pequenos parecem contentar-se com o mero facto de conseguirem atrapalhar os grandes.
Enquanto os pequenos optam por algo semelhante à táctica do autocarro quando encontram os grandes e depois, entre eles, fazem jogos miseráveis de bola para o ar e com futebol sem brilho, os grandes chegam ao clássico e passam o tempo com entradas à margem das leis, jogo sujo, discussões com árbitros e, chegam ao final e dizem que são os vencedores ou deviam ter sido, caso o árbitro não os tivesse prejudicado.

- Depois surgiu a questão de Manuela Moura Guedes e do seu Jornal Nacional das sextas-feiras terem sido corridos pela administração da Prisa.
Isso trouxe um sem número de factores que ajudaram à minha azia (para) com a política.
1) Manuela Moura Guedes já pratica um jornalismo de 5ª categoria há muito tempo. Capaz de passar 45 minutos com notícias sobre José Sócrates, capaz de contornar a sua função enquanto jornalista (a de informar) para estar constantemente a opinar a torto e a direito, conduzindo o seu noticiário com propósitos claros, parciais e carregadinhos de intenções políticas.
2) Manuela Moura Guedes, segundo alguns, foi corrida do Jornal da sexta-feira por pressões feitas por Zapatero sobre a Prisa, a pedido de José Sócrates. Aqui levanto duas questões. a) Estas pessoas que levantam esta suspeita podiam pelo menos agradecer a Sócrates por ter feito aquilo que nem devia ter começado! Quem tirou MMG do sarcófago? Quem duvida que MMG só apresentava um noticiário porque está casada com o ex- director da TVI? Anda tudo tapadinho? b) Depois da guerra aberta entre Prisa e o governo espanhol, parece-me duvidoso que Sócrates pudesse contar com a influência de Zapatero sobre Juan Luis Cebrián, o presidente da Prisa. Digo eu...
3) Quem diz que o fim do Jornal Nacional de sexta apresentado por MMG representa o regresso da censura e do lápis azul das duas uma: a) ou não acredita sinceramente no que diz e fá-lo por motivos políticos, b) ou o faz porque realmente faz parte daquela percentagem de portugueses que acha que MMG fazia um bom serviço.
4) O sucesso de audiências do Jornal Nacional das sextas-feiras explica-se da mesma forma que se explica o volume de carros que abrandam e param quando vêem um acidente. Claramente não é pela qualidade! E, já agora, continuando com a analogia, a posição do PSD é mais ou menos a mesma que a de uma empresa de reboques. Não vai para o local do acidente porque gosta de ver acidentes, mas porque pode sair a ganhar com isso.
5) Quem acha que MMG estava a fazer um serviço público esquece-se que Moniz e MMG foram corridos da RTP pelo PS e, desde então, sempre usaram a TVI como arma de vingança.

- Depois temos de levar com os comentários perfeitamente subjectivos e tendenciosos nos jornais, televisões e rádios. Porque é que pedem a comentadores ligados a determinados partidos para comentarem debates do seu partido ou do partido adversário? Já sabemos o que vão dizer! É isso e ouvir o Ricardo Costa a falar de Sócrates. Tem de bater sempre no homem.

- Temos de levar todos os dias com a falta de qualidade dos candidatos;
- Temos de levar todos os dias com os discursos que tratam os portugueses como se fossem ignorantes;
- Temos de levar todos os dias com declarações perfeitamente ridículas dos candidatos;
- Temos de levar com programas de governo que primam pela ambiguidade, por serem vagos, por terem propostas repetidas, por terem propostas irrealizáveis...
- Temos que ouvir discursos e debates que fazem lembrar lutas de meninos que atiram pedras uns aos outros e todos estão envoltos numa redoma de vidro.

- Porque é que José Sócrates fala como se tivesse feito tudo direitinho e tivesse cometido alguns pequenos erros de abordagem? Porque é que Mário Lino não foi corrido do Governo depois de tanta porcaria que fez? Porque é que não sentou a ministra da educação e lhe explicou que os professores têm de ser avaliados mas não da forma pretendida? Ah! Porque Sócrates e a ministra são ambos teimosos... Porque é que Sócrates fala tanto em estatísticas e no sucesso escolar e não repara que os alunos estão cada vez mais burros e pior preparados, cada vez sabem menos sobre tudo! Porque é que Sócrates fala tanto em acabar com o desemprego e não olha para as situações abusivas de imensas empresas que "albergam" estagiários a troco de nada ou tostões? Hoje em dia tem de se pagar para trabalhar! Porque é que Sócrates não corrige a questão dos estágios curriculares não remunerados? O estado é um péssimo exemplo! Porque é que Sócrates ainda não tomou medidas para tornar o Estado um bom pagador? Porque é que as empresas ficam meses à espera que o Estado lhes pague e, enquanto esperam, pagam impostos sobre o que não receberam? Porque é que Sócrates tem de usar sempre o mesmo tom condescendente e de contador de fábulas quando fala na televisão?

- Porque é que Manuela Ferreira Leite vem falar em política de verdade e mente dia sim dia também? Porque é que MFL tem de estar sempre a auto-elogiar-se? Porque é que MFL acusa o PS de estar a tentar que os portugueses tenham medo do PSD quando, ao mesmo tempo, passa a vida a fazer com que os portugueses tenham medo do PS? Porque é que MFL diz que o país tem que travar quando todos os indicadores económicos apontam para o início da recuperação? Porque é que MFL vem comparar um candidato adversário suspeito da imprensa (Sócrates) com um militante do PSD que vai a julgamento acusado de fraude fiscal qualificada e falsificação de documeento(António Preto) depois de dizer que não queria ninguém nas listas do partido com problemas com a justiça? Porque é que MFL fala aos portugueses como se não tivesse sido ministra da Educação, das Finanças e de Estado? Porque é que MFL vem falar na suspensão do TGV quando foi ela, enquanto ministra de estado e das finanças de Durão Barroso, que meteu Portugal nesta embrulhada? Porque é que Manuela Ferreira Leite vem falar em travagens e controlo orçamental e apoia o destravado e orçamentalmente descontrolado Pedro Santana Lopes como candidato à Câmara Municipal de Lisboa? E porque é que sempre que discursa tem de meter aquele sorriso parvo e de superioridade? Ah! E porque é que tem de estar sempre a usar a palavra VERDADE? A mulher que está sempre a apregoar os seus predicados, muitas vezes é o oposto do que anuncia...

- Porque é que o PP e o Bloco de Esquerda apresentam propostas utópicas? Porque é que estes partidos não optam por contribuir com propostas com pés e cabeça em vez de atirarem com aquilo que todos nós gostaríamos que fosse feito mas sabemos ser impossível? Porque é que não largam o hábito de negociadores e param de agir como os monhés do Bairro Alto, pedindo 20 euros por um ramo de flores que sabem que vale apenas 5? Porque é que ninguém pergunta a Paulo Portas como é que ele tem lata para fazer críticas sobre segurança? Será que ele quer as ruas do Cacém patrulhadas pelos seus submarinos? Porque é que Paulo Portas também não se recorda que foi ministro da Defesa? Porque é que Paulo Portas não se recorda da vergonha que foi a actuação de Nobre Guedes nos últimos dias do governo PSD+PP? Porque é que PP e Bloco não explicam como seria possível, economicamente, sustentar os seus projectos para o país? Gostava de os ver ao bom estilo de António Guterres, a gaguejar e a mandar fazer contas...

- Porque é que o Partido Comunista parou no tempo? Porque é que não tem um líder mais incisivo? Porque é que fala sempre do mesmo? Porque é que o PC não deixa de se comportar como um sindicato e resolve crescer como partido, renovando-se, modernizando-se, adaptando-se, e, perante a ideologia inicial, agindo de uma forma que lhe permita ser uma alternativa de poder em Portugal? Porque é que Jerónimo continua a ser um líder fraco de um partido que tem tudo para ser forte?

- Porque é que temos um partido MMS?

- Porque é que nunca mais ouvimos falar de Manuel Monteiro?

- Porque é que chegamos a um ponto em que temos de escolher o menos mau e não o melhor?

- Porque é que chegamos a um ponto em que o governo socialista de Sócrates é o mais parecido com o governo social-democrata de Cavaco?

- Porque é que tem de ser um tipo arrogante e teimoso a ser o único dos últimos anos a não ter medo da opinião pública para levar para a frente reformas essenciais? E porque é que ao ver que algumas não estão a ser bem feitas não desce da sua arrogância e teimosia para as emendar?

Finalmente, porque é que vivemos numa porcaria de tempo em que quem tem cabeça e talento não se mete na política (estou a generalizar) e temos os partidos políticos cheios de politiqueiros que só sabem dizer "Apoiado!" ou "Isso é responsabilidade do seu partido!"? Em quem vamos confiar o futuro do país?

Termino como começou José de Almada-Negreiros


"BASTA PUM BASTA!"

Podem contar comigo nas urnas a dobrar o meu boletim sem o sujar de tinta.


FOI PROFUNDO

quinta-feira, setembro 03, 2009

Ainda agora começou...

Os debates televisivos para as Legislativas começaram ontem e já dão vontade de rir.

Em primeiro lugar, ainda não entendi como é que ninguém confronta Paulo Portas com a questão dos submarinos.
Rabos presos?
Juro que não entendo como é que deixam PP andar aos tirinhos para o ar e não lhe atiram esta granada para as mãos.

Depois, não consigo entender o ódio anti-Sócrates de Ricardo Costa. Estive a ver e ouvir os comentários de RC na SIC Notícias logo após o debate e acho que esteve mais uma vez condicionado pela sua opinião pessoal, tal como já tinha estado quando há uns meses entrevistou o PM e só faltou subir para a mesa e agarrar Sócrates pela gravata e dar-lhe uns tabefes.

Também não percebo porque é que toda a gente concorda que é mais fácil atacar o partido do governo e depois dizem que quem vai para o debate contra o actual PM ganha. Ora, se tem a vida facilitada é natural que ganhe. Especialmente quando, e isto ouvi dizer ontem, só se pode criticar o governo em funções.
Ou seja, se o representante de um partido actualmente na oposição tiver sido ministro num governo anterior, já não pode ser criticado porque quem está a ser avaliado é o PM actual e o seu respectivo executivo.

Isto parecem as regras de jogos dos miúdos!
"Passa a SIDA! Mas não podes passar a quem ta passou!".

Isto facilita bastante a vida de metade da oposição, pelo menos a metade que terá capacidade de conquistar assento na Assembleia da República. É que Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas foram ambos responsáveis por pastas importantes em governos PSD e PSD+PP. E não devemos esquecer que Ferreira Leite não foi grande espingarda nem na Educação nem nas Finanças, duas áreas que estão constantemente a ser atiradas para cima da mesa, e Paulo Portas, na Defesa, foi uma bela caca, tendo como marca do seu percurso a compra dos submarinos e pouco mais.

Achei curiosa a análise que alguns comentadores fizeram de uma questão particular. Ora, Paulo Portas, pelos vistos, ganhou o debate numa questão de falta de mérito de Sócrates. E que questão foi essa? Portas acusava Sócrates de ser responsável pelo aumento da criminalidade porque não tinha aceite legislar alterações que iriam permitir, entre outras coisas, julgamentos num prazo de 48horas de criminosos apanhados em flagrante delito. Sócrates respondeu-lhe com uma votação do PP a alterações que o PS fez no regime da prisão preventiva. O PP terá votado favoravelmente. Paulo Portas não respondeu, Sócrates insistiu. Neste caso não se aplica a mesma máxima que diria que, se fosse ao contrário, Sócrates estaria a fugir à pergunta. Neste caso Portas não fugiu, Sócrates é que não esteve bem por insistir.

E aquela insistência parva em dizer que JS nunca assume responsabilidades, que a culpa é sempre do passado e do mundo? É que o mais ridículo foi mesmo ouvir Portas dizer isto segundos depois de Sócrates admitir que cometeu erros na questão da Educação. Ou Portas é surdo que nem uma Porta, ou é burrinho, ou então trazia a cábula na mão e foi seguindo o plano à risca: "ora, agora mando-lhe com a insegurança, agora espero que ele não me fale dos submarinos, agora digo que ele vive a atacar o passado, agora espero que ele não me fale dos submarinos, agora digo que ele se queixa do mundo, agora espero que ele não me fale dos submarinos...".

Depois, li hoje que Paulo Rangel classificou a entrevista a Sócrates como "infantil".
Gostava mais de Rangel quando estava na AR.
Desde que se meteu nas Europeias está muitos furos abaixo do que nos habituou.
Cá para mim o pequenino deputado não tem Marques Mendes para brincar com ele e optou por lançar o repto a Sócrates...

Terminando, ontem, Ferreira Leite acusa Sócrates de querer assustar os portugueses com as suas palavras sobre o PSD.
Ora, mas que raio!?
Não é o que todos os partidos fazem? Não tentam traçar um quadro negro sobre o que seria se forem os adversários a ganhar?
Ninguém repara que 80% da campanha é contra os concorrentes, 15% é a apelar ao voto por motivos parvos e 5% são promessas?

Já agora, é só a mim que me irrita a voz de contador de histórias do "Eng" Sócrates?
E as expressões tipo Floribela "vamos juntar energias", "vamos criar energias positivas" e nho nho nho?
Prefiro o Sócrates pitbull do que esta versão fofinha do líder do governo.


FOI PROFUNDO!

quarta-feira, setembro 02, 2009

Disco riscado

Disco riscado. Aqui está uma expressão que se aplica a muitas figuras públicas, sendo que as que mais correspondem à imagem presente são os políticos, os jogadores, treinadores e presidentes de clubes de futebol.
Hoje uso-a para celebrar a reacção de Manuela Ferreira Leite à entrevista de Sócrates na RTP ontem à noite.

Se achei que o nosso primeiro nem esteve muito mal, pese embora a tentativa de levar certas questões para o discurso preparado previamente, pior esteve hoje a líder laranja.

Mais uma vez, a senhora Ferreira Leite enveredou pelo discurso de auto-designação de paladino dos valores e da verdade, de poço de qualidades, de defensora da justiça e bla bla bla.

Isto, sem esquecer as respostas do tipo "Quem o diz é quem o é", sempre com o mesmo discurso primário da trajectória descendente e comparações dignas de uma criancinha "o carrinho está a descer e se avançar continua para baixo". Então diz que é preciso travar.
Opá!
Alto lá!
Então a MFL quer ir para o governo para parar o país?
Espera lá que eu vou votar PSD a correr!

Quem vai na conversa dessa senhora anda de olhos tapados.
Prefiro o Sócrates e os seus defeitos do que a Dama de Ferro que é só virtudes.
E que trava.


FOI PROFUNDO!

Dispenso...

Porque tudo o que é dito é dispensável...
Porque tudo o que é escrito é dispensável...

Este é um blog onde se fala a sério e se brinca.
Quem não goste de ironia ou sarcasmo que feche esta página rapidamente!
Aqui ninguém tem razão.
Eu não pretendo estar certo, pretendo observar e pretendo fazê-lo de uma forma atenta e crítica...de uma forma dispensável.

Dispenso...um blog dispensável.

pessoas já dispensaram um tempinho para dar uma espreitadela